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24 setembro 2013

Manifesto dos (as) atingidos(as) pela atividade minerária na bacia do Médio Paraopeba

A atividade minerária seca as nascentes e minério não mata a sede!

Após encontros realizados em Igarapé no dia 09 de junho e em Ibirité nos dias 24 e 25 de agosto, nós, ONGs, entidades sindicais, movimentos populares e presença da Igreja, que viemos de várias comunidades da bacia do médio Paraopeba, formamos hoje uma frente única na defesa do nosso território. Somos cidadãos que sonham, reivindicam e agem para preservar e recuperar a vida em nossas comunidades e em nosso planeta. Queremos contribuir para mudar a ideologia que prevalece na sociedade que vivemos (consumismo, individualismo, correria, ganância, arrogância). Queremos ajudar na construção de uma história onde o homem, ao invés da produção, seja o centro do mundo.

A carta da Terra afirma: “Quando se fere a Terra, machuca e fere também os filhos e filhas da Terra”. (UNESCO –PARIS – Ano 2000) São notórios os danos socioambientais causados por meio da agressiva e desordenada exploração minerária. O Estado, que deveria controlar a atividade, tornou-se cúmplice dos empresários e assiste, sem reação, as grandes mineradoras contaminando a água, comprometendo o lençol freático e ferindo a terra, deixando-a em carne viva. Famílias inteiras, machucadas na profundidade de seu ser, são escravizadas, expulsas de seus territórios ou obrigadas a conviver com mau cheiro, poeira e doenças, outras, atingidas pelas enchentes sofrem para retirar o minério de suas casas. A saúde física, psíquica, emocional e espiritual destas famílias está comprometida, vivem estressadas, deprimidas, sem esperança e horizonte.

A comunidade Açoita Cavalo, em São Joaquim de Bicas, é o retrato do que vem acontecendo com as demais comunidades em torno dos empreendimentos minerários. “Não aguentamos mais tanto sofrimento. Nossa comunidade, cerca de 100 famílias, sempre viveu da agricultura familiar, hortifrutigranjeiro, pesca artesanal, açude com peixes, etc. A água foi sempre abundante para nosso consumo, para usarmos na agricultura e com os animais. Devido os impactos causados pelas mineradoras, perdemos a água, nossa maior riqueza; agora recebemos a água através de caminhão pipa, que por vez, está nas mãos da própria empresa mineradora; até a água que bebemos é servida com galões”, relata, emocionada, a moradora Eni Resende Coelho. Tudo isto em nome de um chamado “desenvolvimento” autoritário, ditatorial e excludente.       

Acreditamos em uma teia planetária que é tecida com a sustentação do todo pelas partes. Queremos interagir, proteger e ser protegidos pelas outras formas de vida que habitam nosso planeta.  O homem precisa entender que ele é apenas parte de um todo. Sem florestas, águas, animais, montanhas, ar, nada sobrevive. Por isso acreditarmos que o mundo pode ser diferente, nós, ONGs parceiras, articuladas no território da Bacia do Médio Paraopeba, nos unimos para fortalecer nossa luta que é a luta das comunidades com pouca influência política ou de baixo poder econômico.

Diante da ganância do extrativismo mineral e o abandono do estado, lembramos o ditado popular: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, mas se unir o bicho foge”, recordamos ainda o apóstolo Paulo: “É hora de despertar do sono da indiferença, medo, omissão” (Rm 13,11); conclamamos as comunidades a recuperarem a autonomia de seus territórios e participem das lutas na promoção da justiça ambiental. Participem conosco deste sonho de construir uma cidade e um planeta melhor para todas as formas de vida.

Assinam: Associação do Movimento da Misericórdia (Amom) de São Joaquim de  Bicas; Centro de Ecologia Integral de Betim (Ceib), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Sarzedo, Ong Natureza Viva Ibirité, Morhan Betim, Associação dos Moradores do Pé da Serra Itatiaiuiçu, Centro de Referência Ambiental e Cultural João Amazonas (Craja) São Joaquim de Bicas, Codema São Joaquim de Bicas, Centro de Vida Madre Clarice/Igarapé, Condac  São Joaquim de Bicas, CPT Montes Claros, Associação dos Produtores de Hortifrutigranjeiros de São Joaquim de Bicas, Astebem Betim, Sind-Saúde Betim, Ong Abrace a Serra da Moeda/Brumadinho, Guará/Igarapé, Moc-Eco Belo Horizonte, Movsam, Mov Gandarela macaca Belo Horizonte, Paróquia Santa Izabel Betim, Sinfrajupe/BH, OFS Betim e Articulação Popular São Francisco Fica Vivo Belo Horizonte.

Salve: 22/09/2013
Assim como os anjos protege a humanidade, os seres humanos são como anjos que protege a natureza!
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Manifesto enviado por Vicentina Martins

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