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12 julho 2011

PMDB formaliza pedido de expulsão de Newton Cardoso

O PMDB de Minas abriu processo no Conselho de Ética da legenda para analisar o pedido de expulsão do partido do deputado federal e ex-governador de Minas Newton Cardoso. A solicitação foi feita pelo também deputado federal Leonardo Quintão na reunião da executiva estadual da legenda, ontem. Além de Quintão, o deputado estadual Ivair Nogueira, o prefeito de Ouro Preto, Ângelo Osvaldo, o PMDB Jovem, o PMDB Mulher e o PMDB Afro também assinaram o documento.

Leonardo Quintão, que também é vice-presidente do PMDB em Minas, acusou Newton de atacar a atual direção da legenda, chamando os dirigentes de "bandidos" e afirmando que eles estão fazendo denúncias de "falsas irregularidades" em órgãos controlados pelo partido. "As atitudes de Newton Cardoso estão inviabilizando a convivência com ele dentro do partido. Chegamos ao limite. Precisamos de pessoas que construam o partido e não o contrário", alegou.

Além disso, o parlamentar argumentou que o colega de Câmara sempre entra nas campanhas para prejudicar os candidatos do PMDB. Segundo Quintão, Newton divulga vídeos de apoios na internet para prejudicar alguns peemedebistas. Quintão citou a sua candidatura à Prefeitura de Belo Horizonte como exemplo. Segundo o deputado, a partir da divulgação do vídeo em que Newton Cardoso declara apoio a sua candidatura, ele caiu nas pesquisas. "O apoio declarado e não solicitado de Newton fez a campanha ruir", disse Quintão. Além desse caso de 2008, o deputado citou os vídeos da campanha de 2010, quando Newton expressa apoios ao candidato do PMDB ao governo do Estado, Hélio Costa, e à candidata à Presidência, Dilma Rousseff.

Embora não admita publicamente, a atual direção peemedebista no Estado quer evitar que o ex-governador influencie o voto nas eleições de 2012, principalmente em Belo Horizonte. "Enquanto Newton Cardoso estiver no PMDB, o partido está fadado ao fracasso político", finaliza Quintão.
O presidente do partido em Minas, deputado federal Antônio Andrade, acatou o pedido e determinou a abertura do processo. Ele não quis se posicionar sobre a expulsão do deputado, mas admitiu que, nas últimas duas eleições, a presença dele na campanha prejudicou o partido. "Parece que o apoio do Newton é desfavorável a qualquer candidato", disse.

O conselho vai convocar o deputado para apresentar sua defesa e depois se reunirá para a decisão. A expectativa é que o processo dure 30 dias. Caso seja aprovada a expulsão, ele ainda poderá recorrer à Executiva Nacional do PMDB.[/TEXTO_NORMAL] Ontem, Newton não compareceu à reunião.


Deputados trocam acusações

O deputado Leonardo Quintão denunciou ainda que está sofrendo ameaças de aliados de Newton Cardoso por ser líder do movimento para expulsar o ex-governador da legenda. "Várias pessoas me disseram que ele tentará acabar com a minha vida. Não sei se é vida física ou política. Mas não aceito isso. Não tenho nada contra a pessoa dele. Mas preciso fazer o que é correto e tenho apoio do partido", declarou.

Ontem, em nota, Newton disse que não pretende entrar em briga com o Quintão. "Se ele pretende gastar a energia da juventude dele com brigas e cizânias, que use um espelho e se autoflagele, pois não é em cima de mim que ele vai aparecer", diz a nota.

Sobre a ameaça, Newton afirmou que não tem nada a responder. "Apenas relembrar que o mesmo factoide foi produzido por ele na campanha de 2008, oportunidade em que a Polícia Federal apurou e comprovou que nunca houve qualquer ameaça ao Leonardo Quintão. O que aconteceu, conforme investigação da Polícia Federal, foi um grande teatro, palco do famoso Tom Cavalcanti, lendário por imitar Quintão e suas sérias propostas para Belo Horizonte", conclui a nota.


Divergência interna começou em 2009 e afetou as eleições

A disputa entre Newton Cardoso e a atual direção do partido não é recente. Ela começou no fim de 2009, quando o deputado federal Antônio Andrade foi eleito presidente da legenda em Minas contra o deputado estadual Adalclever Lopes, apoiado pelo ex-governador. Foi a primeira vez que Newton perdeu uma eleição para a direção da legenda.

Newton Cardoso é acusado de retaliar a direção peemedebista e trabalhar contra a candidatura de Hélio Costa ao governo do Estado, em 2010, influenciando vários diretórios municipais ainda no controle de seus aliados. Por isso, a direção do PMDB de Minas abriu cerca de 100 processos de dissolução de diretórios municipais.

Já Newton Cardoso acusa a direção de perseguir presidentes municipais e prefeitos que têm o seu apoio. (RG)


Nota de Newton

Expulsão. "Todos os mandatos que exerci foram pelo PMDB e em defesa do PMDB. Ao contrário dos que hoje assinam o pedido da minha expulsão, nunca apoiei candidatos de outros partidos, nunca me filiei a nenhum outro partido".

Ironia. Eu compreendo os que hoje me acusam, pois o fazem pela ignorância. Afinal, eles pouco sabem sobre a minha biografia no partido, sobre história do PMDB e sobre fidelidade partidária. Eles entendem mais é de teatro e de Tom Cavalcanti".

[FONTE: Jornal O Tempo]

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