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05 junho 2011

Palhoçada, Presidanta e Poder Globalitário

O espetro de Celso Daniel, cadáver politicamente insepulto que apavora a petralhada, começa a se sentir vingado. Há muito tempo já está pra lá de insustentável a situação política de seu sucessor no comando das lucrativas operações de articulação e arrecadação para campanhas do PT. Antônio Palocci Filho já era. Se Dilma Rousseff não mandar ele sair imediatamente, deixará de ser tratada neologisticamente de “Presidenta” e receberá o título nada distintivo de “Presidanta”.

O escândalo Palocci já virou “Palhoçada”. A piada pronta, neste desgoverno petralha cada dia mais sem graça, saiu da boca do líder dos demos. O senador DEMóstenes Torres (GO) promete infernizar a vida do ministro que virou exemplo de aumento patrimonial milagroso. Se Palocci não pedir para sair imediatamente, como já está preparando cuidadosamente, pode virar alvo fácil de uma CPI no Congresso. Aí, a palhoçada fica séria.

Quando Palocci pensava que a entrevistinha amestrada dada à Globo lhe salvaria a pele de cordeiro, o lobo que pretende destruí-lo botou tudo abaixo. A Casa (civil), ainda não! Mas apartamento de luxo caiu! Bastou a Veja revelar que Palocci mora em um apartamento de luxo alugado, cujos proprietários confessam ser laranjas de uma empresa de fachada, para quebrar de vez a banca do ministro queridinho dos banqueiros e adjacências.

O senador DEMóstenes demonizou a piada pronta: "É mais uma de muitas denúncias, mais uma Palhoçada. Isso de que alugou com a imobiliária, que não sabia que eram laranjas... Parece que as coisas só acontecem com ele. A própria pessoa fala na Veja, diz que não falou e afirma que não tinha condições de brigar com Palocci. O Palocci é o próprio Rolando Lero".

DEMóstenes fez referência ao personagem do saudoso ator Rogério Cardoso, no programa “Escolinha do Professor Raimundo”, magistralmente comandado pelo genial Chico Anísio, na mesma Rede Globo que tentou engambelar a nação com mais um teatrinho jornalístico do João Minhoca, no Jornal Nacional de sexta-feira passada. Aliás, deputados já vazaram a informação de que as Organizações Globo foram um dos clientes sigilosos do consultor Palocci.

Tirando tal detalhe global, o problema específico, senador Demóstenes, é que o Brasil parece governado pelos Rolando-Leros. Estejam eles na situação, ou na suposta oposição. Assistimos, bestificados, a um rolo atrás do outro. Mas os rolando-leros prosperam. E permanecem impunes, quando, por acaso, alguém descobre ou alguma Temerária figura faz vazar seus negócios secretos feitos no submundo empresarial-governamental. O bonito é ver o vice-presidente da República, o maçom Michel Temer, jurar ter "plena convicção" de que Palocci vai explicar como foi a locação do apartamento de Moema. O caseiro Francenildo deve estar morrendo de rir desta estória...

Palocci já caiu. Dilma irá com ele? Só se for uma Presidanta. Uma coisa é líquida e certa. Quem atirou em Palocci quis atingi-la mortalmente. Nem precisa pensar muito para se constatar a quem interessa acabar com a Dilma antes que a natureza a faça. Como se proclama, chulamente, no velho ditado caboclo, “aliado de ânus é pênis”. E quem tem, certamente, tem medo. Muito medo de perder o podre poder... Eis o drama fatal da petralhada.

Palocci será obrigado a abandonar o Titanic do governo. Mas dificilmente será desamparado por aqueles que ajudaram a tornar sólida sua meteórica carreira de consultor que faturou R$ 20 milhões só no ano passado. Ao valioso Palocci só resta insistir na palhoçada de negar que tenha cometido crime de tráfico de influência, usando informações privilegiadas do governo em proveito próprio (ou do PT, cujas contas de campanha comanda desde que Celso Daniel foi barbaramente torturado e assassinado).

Dramático é ver aquele cirurgião político que, até segundos atrás, era o queridinho da Oligarquia financeira local e global, receber um tratamento de médico do SUS. A vida é como ela é. E Palocci nem é o amargo Doutor House. No máximo, os opositores desaforentos podem apelidá-lo de “Doctor Apart”. Coisa fina. Para uma trapalhada grossa. O maçom Palocci perde o cargo, e volta à Câmara Federal. A impunidade (ops, imunidade) parlamentar lhe garante a sobrevivência.

O tempo passa. O tempo voa. E todo político brasileiro continua numa boa. Eis a nossa maldição histórica. A impunidade é segura, Principalmente, quando a cumplicidade é geral. E como vivemos tempos de Omissão Generalizada, tudo ficará como dantes no quartel do Abrantes. O único risco de golpe é dos próprios golpistas que fazem parte do Governo do Crime Organizado.

Agora, permanecem várias dívidas cruéis: Até quando vai durar a Palhoçada? A Presidenta vai se submeter ao risco imediato de virar Presidanta? Será que a Oligarquia Financeira Transnacional, que até então dava sustentação ao esquema petralha, resolveu mudar de planos em relação ao Brasil, e agora pretende trocar seus fantoches no poder?

O certo é que a semana será de ilusionismos globalitários. Um dos clubes de poder mais influentes do mundo, o Clube Bilderberg, fará sua reunião anual. O encontro da Oligarquia Financeira Transnacional acontece em dois lugares diferentes da Suíça, para disfarçar. Uma facção de poderosos se reúne em Cantão Graubünden, em Sant Moritz. O outro grupo, certamente formado pelos controladores de grandes corporações, vai conspirar em algum ponto secreto de Genebra. Cuidarão dos projetos de Engenharia Social (legalização da maconha, controles de trânsito, reformas educacionais e esquemas de dependência ao crédito, etc) para manter o mundo sob a Nova Ordem Mundial por eles arquitetada.

O jogo sério de poder é da turma do Bilderberg. O resto, que lero-rolando por aqui, é mera palhoçada. Sem graça e sob a barbeira direção teatral de uma seríssima candidata a Presidanta.

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor.

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