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12 setembro 2011

MPF denuncia Edir Macedo por evasão de divisas

O bispo Edir Macedo Bezerra, líder religioso da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e outros três dirigentes da entidade foram denunciados nesta segunda-feira, 12, pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem dinheiro e evasão de divisas, formação de quadrilha, falsidade ideológica e estelionato contra fiéis para a obtenção de recursos para a IURD. Eles são acusados de pertencer a uma quadrilha usada para lavar dinheiro da IURD, remetido ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos por meio de uma casa de câmbio paulista, entre 1999 e 2005.



Os quatro também são acusados do crime de falsidade ideológica por terem inserido nos contratos sociais de empresas do grupo da IURD composições societárias diversas das verdadeiras. O objetivo dessa prática era ocultar a real proprietária de diversos empreendimentos, qual seja, a Iurd.
Os três dirigentes da igreja denunciados são o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, e a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa. 
Segundo a denúncia, do procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, o dinheiro era obtido por meio de estelionato contra fiéis da IURD, por meio do "oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja".
O Procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira também encaminhou cópia da denúncia à área Cível da Procuradoria da República em São Paulo, solicitando que seja analisada a possibilidade de cassação da imunidade tributária da IURD.
O Caso. O Ministério público investiga desde 2003 o envio para o exterior cerca de R$ 5 milhões por mês entre 1995 e 2001 em remessas supostamente ilegais feitas por doleiros da casa de câmbio Diskline, o que faria o total chegar a cerca de R$ 400 milhões.
Na ocasião, revelação foi feita por Cristina Marini, sócia da Diskline, que depôs ontem ao Ministério Público Estadual e confirmou o que havia dito à Justiça Federal e à Promotoria da cidade de Nova York.
Cristina e seu sócio, Marcelo Birmarcker, aceitaram colaborar com as investigações nos dois países em troca de benefícios em caso de condenação, a chamada delação premiada. Cristina foi ouvida por três promotores paulistas. Ela já havia prestado o mesmo depoimento a 12 promotores de Nova York liderados por Adam Kaufmann, o mesmo que obteve a decretação da prisão do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP), nos Estados Unidos - ele alega inocência.
Ela afirmou aos promotores que começou a enviar dinheiro da Igreja Universal para o exterior em 1991. As operações teriam se intensificado entre 1995 e 2001, quando remetia em média R$ 5 milhões por mês, sempre pelo sistema do chamado dólar-cabo - o dono do dinheiro entrega dinheiro vivo em reais, no Brasil, ao doleiro, que faz o depósito em dólares do valor correspondente em uma conta para o cliente no exterior. Cristina disse que recebia pessoalmente o dinheiro.
Subterrâneo. Na maioria das vezes, os valores eram entregues por caminhões e chegavam em malotes. Houve ainda casos, segundo a testemunha, que ela foi apanhar o dinheiro em subterrâneos de templos no Rio.
Cristina afirmou que mantinha contato direto com Alba Maria da Silva Costa, diretora do Banco de Crédito Metropolitano e integrante da cúpula da igreja, e com uma mulher que, segundo Cristina, seria secretária particular do bispo Edir Macedo, fundador e líder da igreja.
De acordo com a testemunha, ela depositou o dinheiro nos EUA e em Portugal. Uma das contas usadas estaria nominada como "Universal Church". Além dela, os promotores e procuradores ouviram o depoimento de Birmarcker. Ele confirmou a realização de supostas operações irregulares de câmbio para a igreja, mas não soube informar os valores.
[FONTE: Estadão]

10 setembro 2011

O declínio da igreja da bispa Sônia

"É difícil pensar em alguém menos apropriado que a bispa Sônia para escrever um livro intitulado ‘Vivendo de Bem com a Vida’." A frase é de um ex-bispo que foi do alto escalão da Igreja Renascer em Cristo por mais de uma década e sintetiza o momento da instituição neopentecostal brasileira liderada pelo casal Sônia, 52 anos, e Estevam Hernandes, 57. No ano em que comemora um quarto de século, a denominação, tida como a grande promessa evangélica dos anos 1990, dá sinais claros de que está em franca decadência. Com cisões internas, uma complicada crise sucessória, um crescente número de lideranças migrando para outras denominações, templos fechados por falta de pagamento de aluguel e um sem-número de indenizações a serem pagas num futuro próximo, as perspectivas não são nada boas. “O futuro da igreja está nas mãos de Deus”, disse a bispa em entrevista exclusiva à ISTOÉ.


O livro “Vivendo de Bem com a Vida” (Ed. Thomas Nelson), que narra parte da trajetória desta que ainda é uma das figuras femininas de maior peso do movimento neopentecostal brasileiro, será lançado oficialmente no sábado 10, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Com tom professoral e confessional, o título já vendeu as 17 mil cópias da primeira impressão e está a caminho de esgotar as dez mil da segunda, uma raridade para o mercado editorial brasileiro. Parte desse quinhão será oferecida para os fiéis nos templos da Renascer a preços bem acima da média. “Quero cinco pagando R$ 300 por cada um destes livros até o final do culto”, anunciarão os bispos, como já fazem com os CDs, DVDs e livros nos templos da instituição. Tudo para aumentar a arrecadação do grupo. “A sede deles por dinheiro é absolutamente insaciável e está destruindo a igreja”, afirma o ex-bispo.



Sede essa que não é mais condizente com a estrutura encolhida que a igreja tem hoje. Em 2002, a Renascer em Cristo contava com 1.100 templos espalhados pelo Brasil e o mundo. Atualmente são pouco mais de 300. O líder que poderia imprimir agilidade à administração, o bispo Tid, primogênito de Estevam e Sônia que sempre teve saúde frágil, está em coma profundo há quase dois anos num leito de hospital. Da equipe de aproximadamente 100 bispos de primeiro time que a denominação tinha espalhada pelo Brasil até 2008, metade saiu para outras igrejas levando consigo pastores, diáconos e presbíteros. Para o lugar deles, ascenderam profissionais com menos experiência, o que, especula-se, pode ser um dos motivos da debandada de fiéis.

Quem acompanha a bispa hoje, porém, pode até acreditar que ela viva de bem com a vida, como diz o título de seu livro. Com um salário que gira em torno dos R$ 100 mil, ela continua com programas televisivos e de rádio diários, se veste com as mais exclusivas grifes e está sempre adornada com joias e relógios caros. Do apartamento triplex onde mora, em um bairro nobre na zona centro-sul da capital paulistana, ela sai pela cidade para cumprir suas obrigações de carro importado, blindado e escoltada por dois seguranças. Isso quando não usa um helicóptero avaliado em R$ 2,5 milhões para visitar seus sítios e haras no interior paulista. Mas que o observador não se engane. A riqueza que ela ostenta hoje não tem a retaguarda do começo dos anos 2000, quando a Renascer nadava de braçada no mar do crescente movimento evangélico brasileiro. “Hoje os Hernandes sangram a igreja para dar sobrevida ao padrão de vida nababesco que têm”, acusa um dissidente. Se nos anos 1990 a opulência do casal servia de chamariz para os adeptos da teologia da prosperidade, que celebra a riqueza material como uma dádiva proporcional ao fervor com que o devoto professa sua fé, hoje ela é uma ameaça à sobrevivência da instituição.
Mas como uma neopentecostal de envergadura internacional, que trouxe eventos gigantescos ao País, como a Marcha para Jesus, capaz de arregimentar 3,5 milhões de pessoas na capital paulista num único dia, e criou marcas de imenso sucesso como o Renascer Praise – o maior show de música gospel do Brasil, com mais de 15 edições –, entrou numa espiral descendente e, aparentemente, irreversível, de prestígio e credibilidade? Por que uma líder tão carismática como Sônia Hernandes perdeu apelo tão rápido? Dois eventos, próximos um do outro, desencadearam a derrocada da instituição. O primeiro começou na madrugada do dia 14 de janeiro de 2007, uma terça-feira. A caminho de Miami, nos Estados Unidos, Sônia, Estevam, dois filhos e três netos embarcaram na primeira classe de um voo levando US$ 56.467 em dinheiro. Ao pousar, tentaram passar pela alfândega americana sem declarar o valor. Foram pegos, presos, admitiram a culpa e cumpriram pena de reclusão em regime fechado e semi-aberto. Na época veio a público a informação de que parte da quantia foi encontrada dentro de uma “Bíblia”. 

O impacto na igreja por aqui foi de nítido enfraquecimento. Segundo o professor Paulo Romeiro, da pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, casos como esse podem até reforçar os laços de quem tem vínculos exclusivamente emocionais com a instituição. Mas para o fiel pragmático – cada vez mais presente no rol de devotos, como bem mostra a alta no trânsito religioso entre denominações – a força de um caso desse pode ser devastadora. Somada às acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato feitas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que vieram a público em 2007, a prisão nos Estados Unidos potencializou as incertezas dos fiéis. “Eles perderam a confiança do rebanho”, garante outro dissidente. Em 2008, o reflexo da debandada chegou aos cofres da instituição. Naquele ano, como arrecadou menos, a dívida com aluguéis de imóveis bateu os R$ 7 milhões.

Pouco depois, enquanto o casal ainda cumpria pena nos Estados Unidos, veio o segundo baque. Em 18 de janeiro de 2009 o telhado da sede da Renascer, na avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, área central de São Paulo, desabou. No espaço onde boa parte dos cultos era filmada e transmitida, nove pessoas morreram e 117 ficaram feridas. Um laudo preliminar apontou como causa do acidente problemas de conservação e manutenção da estrutura. Dois anos e oito meses após a tragédia, ninguém foi formalmente indenizado. Em pelo menos dez processos, a igreja foi condenada a pagar valores aos fiéis e parentes das vítimas fatais que variam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil. Mas os representantes da entidade recorreram de todas as decisões de primeira instância. Somente o advogado Ademar Gomes promove 37 ações de indenização. “A responsabilidade da igreja em relação ao que aconteceu já está comprovada pelos laudos técnicos do Instituto de Criminalística.” O professor de inglês Juris Megnis Júnior, 43 anos, perdeu a mãe, Maria Amélia de Almeida, 60, e a avó Acir Alves da Silva, 79. Sem chance de escapar dos escombros, elas morreram abraçadas. “Não há um dia em que não pense nisso. Nada vai reparar”, afirma. Dirigentes da Renascer respondem criminalmente e na área cível pelo caso em dois processos, que ainda não têm perspectiva de desfecho.
Com a credibilidade abalada, a frequência nas igrejas e a arrecadação caíram ainda mais. Nas reuniões com o bispado nessa época, que aconteciam às terças-feiras, para rever os resultados da semana anterior, as humilhações se multiplicaram. Se antes Estevam e Sônia maltratavam os bispos que não atingiam as metas, agora, dos Estados Unidos, as broncas vinham por videoconferência, com muito mais veemência. “As reu­niões sempre foram um massacre”, lembra um dissidente. “Mas, com eles nos Estados Unidos, as coisas pioraram, embora um time de bispos daqui, junto com o filho do casal, o bispo Tid, tenha articulado um saneamento nas contas da instituição.” 

Quando o plano começou a dar resultados, em agosto de 2009, Tid, ou Felippe Daniel Hernandes, precisou fazer uma operação para reparar uma cirurgia de redução de estômago malsucedida. Durante o procedimento, ele teve uma parada cardiorrespiratória que causou um edema cerebral, comprometendo o funcionamento do órgão e, para todos os efeitos, interditando Tid, que passou a viver em estado vegetativo. A fatalidade, terrível para qualquer família, foi ainda pior para os Hernandes, que tinham no filho um sucessor natural preparado para assumir a Renascer quando Sônia e Estevam se aposentassem. O futuro de uma igreja que já se arrastava ficou ainda mais incerto. Embora na instituição ainda se fale em um milagre, para os médicos, o coma do herdeiro, hoje com atividade neurológica quase nula, é irreversível. Sônia é vista quase diariamente visitando o filho na ala de tratamento semi-intensivo do Hospital Albert Einstein. Muitas vezes a visita é feita tarde da noite, depois dos cultos. Quando Tid precisa passar por qualquer procedimento, como foi o caso na semana do dia 5 de setembro, momento em que trocou uma sonda de alimentação, a bispa para tudo para ficar ao lado do primogênito.



Em meados de 2009, foi o agravamento do estado de Tid que adiantou a volta do casal dos Estados Unidos. A Justiça americana autorizou o retorno 15 dias antes do fim da sentença, no começo de agosto, para que os pais estivessem no Brasil, caso o estado de saúde do filho piorasse. O retorno marcou uma piora na instituição. O saneamento das contas foi interrompido de vez e a torneira voltou a se abrir para bancar os gastos de Estevam e Sônia. “Não podíamos tirar da contagem nem o dinheiro para pagar o papel higiênico, que dirá o aluguel do templo”, diz um bispo sobre a época que sucedeu o retorno do casal. Contagem é o nome dado pelos religiosos para o procedimento que acontece logo depois do culto, quando as doações são somadas. “Tínhamos que remeter tudo direto para a sede.” Com o aluguel atrasado em diversos locais, a igreja começou a receber ordens de despejo. Em levantamento de dezembro de 2010 feito pelo site Folha Renascer, uma espécie de fórum aberto sobre assuntos ligados à igreja dos Hernandes, 29 templos aparecem com a ordem registrada por falta de pagamento de aluguel em nove foros paulistanos. Hoje com fama de má pagadora, a Renascer tem dificuldade de encontrar proprietários dispostos a tê-la como inquilina.

Foi também em 2010 que a igreja perdeu seu garoto-propaganda e principal dizimista, o jogador de futebol Kaká. Com a mulher, Caroline Celico, eles formavam uma dupla que fortalecia e divulgava a Renascer no Brasil e no mundo. O casal Hernandes não comenta a saída, muito menos o atleta do Real Madrid. Apenas Caroline arrisca alguns comentários enviesados. “Confiei no que me falavam. Parei de buscar as respostas de Deus para mim e comecei a andar de acordo com a interpretação dos homens”, escreveu ela em seu blog. O mau uso do dízimo pago pelo craque, que sabia do fechamento de templos e da fuga de lideranças, teria motivado o rompimento com a igreja. Foi um baque financeiro e tanto. Kaká é o sexto jogador mais bem pago do mundo e, estima-se, depositava nas contas da Renascer 10% dos R$ 21 milhões anuais que recebia.



No fim, quem mais sofre é o fiel. Sua religiosidade acaba envolvida, marginal e injustamente, em questões pouco sagradas. Os evangélicos têm todo o direito de pagar o dízimo e as igrejas de recolhê-lo. O problema é quando o dinheiro desaparece dos templos para reaparecer em forma de ternos, sapatos, brincos e anéis de lideranças pouco comprometidas com a fé. “Estamos nos trâmites finais do processo, em primeira instância, que acusa tanto Estevam quanto Sônia por dissimulação de patrimônio, também conhecida como lavagem de dinheiro”, diz o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco-SP), Arthur Lemos Júnior. O casal costuma atribuir as acusações à perseguição ou à ação de forças malignas. Até meados dos anos 2000 esse discurso tinha algum efeito. Hoje, porém, as coisas mudaram. “A Renascer nunca mais será o que foi”, sentencia Romeiro. Será difícil honrar seu nome de batismo.


[FONTE: Revista IstoÉ]

Brasil tem 42,7 mil crianças e adolescentes de até 14 anos casados

Uma prática ilegal, mais relacionada a áreas rurais ou países distantes, persiste hoje até nos principais centros urbanos brasileiros. Um recorte inédito feito pelo Estado nos dados do Censo Demográfico de 2010 mostra que existem ao menos 42.785 crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos casados no Brasil. O número refere-se a uniões informais, já que os recenseadores não checam documentos.



Essas situações se concentram em grupos de baixa renda e alta vulnerabilidade, principalmente nos rincões do País ou na periferia de grandes centros urbanos. O caso de P., uma jovem de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, é um exemplo do último. Ela se mudou para a casa do parceiro quanto tinha 11 anos. Seu namorado, na época, tinha 27.
"Eu disse para ele que já tinha 14 e começamos a namorar. Meu pai foi contra porque me achava muito nova, e brigamos feio. Depois da discussão, fugi de casa e fui morar com ele", conta.
Lá, ela tinha mais liberdade e espaço. Na casa dos pais, eram sete crianças, entre filhos e primos que moravam juntos. Na do marido, uma casa modesta às margens da Represa Billings, eram só os dois. Nos anos seguintes, teve dois filhos e ficou um ano sem ir à escola. Aos 15, teve um sonho de que o pai iria morrer e ligou para fazer as pazes. "Foi a melhor coisa que fiz. Ele morreu um ano depois."
Hoje, aos 18 anos, ela ainda está com o marido - um agricultor de 34 - e é uma mãe cuidadosa, que não larga dos filhos, mas sente falta de uma infância que deixou de existir. "Deixei de fazer muita coisa que adorava, tipo jogar bola. Tem oito anos que não piso em uma quadra. Se você me perguntar se é fácil, não, não é."
Legalidade. Assim como o caso de P., a maior parte dos casamentos de crianças registrados no Censo são informais, já que o Código Civil autoriza uniões apenas entre maiores de 16 anos - abaixo dessa idade, só podem se casar com autorização judicial. O Código Penal, por outro lado, proíbe qualquer tipo de união com menores de 14 anos.
"Isso constitui um crime chamado ‘estupro de vulnerável’, previsto no Código Penal e sujeito a detenção de oito a 15 anos", diz Helen Sanches, presidente da Associação Brasileira de Magistrados, Promotores e Defensores Públicos da Infância e da Juventude (ABMP).
Segundo ela, o crime se refere diretamente às relações sexuais mantidas com crianças e adolescentes, algo implícito quando se fala em casamento. Helen conta que é cada vez mais comum encontrar famílias nos fóruns pedindo autorização para casar uma filha adolescente ou mesmo passar a guarda dela para o seu parceiro, sem saber da proibição legal. "Quando isso acontece e a menina tem menos de 14 anos, o promotor, além de não acatar o pedido, pode denunciar o rapaz por estupro de vulnerável, mesmo que a relação seja consentida ou que os pais concordem com ela", explica.
Entretanto, são poucos os casos que chegam ao conhecimento do poder público. Além de critérios sociais e econômicos, fatores culturais também dificultam o combate a esse tipo de situação. Isso fica claro ao se observar os Estados que lideram o ranking de casamentos com menores de 14 anos: ou são locais de baixa renda per capita, como Alagoas ou Maranhão, ou têm grande concentração indígena, como Acre e Roraima. Na outra ponta estão as regiões mais ricas e urbanizadas, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
[FONTE: Estadão]

31 agosto 2011

Câmara absolve Jaqueline Roriz em votação secreta


A Câmara dos Deputados absolveu ontem a deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) no processo de cassação do seu mandato. Foram 265 votos favoráveis, 166 pela cassação e 20 abstenções - eram necessários 257 votos para tirar o mandato de Jaqueline. Para os parlamentares, o vídeo de 2006 no qual ela aparece recebendo um pacote de dinheiro do delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, não representou quebra de decoro parlamentar. O principal argumento usado é que, naquela época, ela ainda não era deputada.

A gravação em que Jaqueline aparece recebendo um pacote de dinheiro foi divulgada em março. Com base nisso, o PSOL pediu ao Conselho de ética a abertura de investigação contra a deputada. Aquele colegiado decidiu por 11 votos a 3 recomendar a cassação da parlamentar. No plenário, porém, o voto secreto e o quórum baixo ajudaram a salvar o mandato da deputada.


Durante o dia, dezenas de manifestantes protestaram pela cassação da deputada. Faixas foram espalhadas por Brasília para tentar sensibilizar os deputados.


Jaqueline chegou à Câmara pouco antes das 17h e utilizou uma entrada em um túnel no anexo I da Câmara para evitar dar declarações aos jornalistas.


A sessão foi iniciada às 17h30, com uma hora e meia de atraso. Mesmo assim, somente 310 deputados tinham registrado presença e menos de 100 estavam presentes quando o relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP), foi ao plenário explicar aos colegas seu parecer.


Outra amostra da pouca atenção dispensada pelos deputados ao caso é que somente seis se inscreveram para falar sobre o tema.


Entre os parlamentares, prevaleceu o discurso do medo espalhado pela defesa de Jaqueline. Os deputados acabaram absolvendo a colega para se proteger do futuro por enxergarem em uma eventual condenação a possibilidade de virem a ser alvos de processos por fatos cometidos antes do mandato. Apesar das poucas defesas públicas, a maioria da Casa preferiu enfrentar a opinião pública a correr riscos.


O advogado de Jaqueline, José Eduardo Alckmin, foi o responsável pela aposta nesta tese da impossibilidade de se punir fatos anteriores ao mandato. 



[FONTE: Jornal O Tempo]

25 agosto 2011

Decisão da Justiça garante salário de R$ 62 mil a Sarney


O próprio presidente do Senado, José Sarney (PMDB), foi beneficiado pela decisão do presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região que derrubou a liminar que determinava que os salários dos servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário não podem ultrapassar o teto constitucional. O acúmulo de vencimentos de Sarney chega a R$ 62 mil, mais que o dobro dos R$ 26,7 mil que recebem os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - o limite determinado pela Constituição para o funcionalismo público.

A liminar foi derrubada após o próprio Senado entrar com recurso para que os salários dos servidores não fossem limitados ao teto do funcionalismo público.


Em junho, ação movida pelo Ministério Público levou a Justiça Federal a suspender pagamentos a servidores da União e do Senado Federal superiores ao valor do teto, mesmo quando os valores extras sejam por gratificações, comissões ou horas-extras. Na ocasião, o juiz Alaôr Piacini, do Distrito Federal, ressaltou que apenas alguns benefícios podem ultrapassar o teto na soma com o salário, como auxílio-alimentação e auxílio-moradia.


Ao derrubar a liminar, o desembargador Olindo Menezes justificou a liberação dos supersalários com o mesmo termo utilizado no texto da Justiça Federal para limitá-los: que a decisão atentava "contra a ordem pública".


Críticas. O procurador regional da República no Distrito Federal Renato Brill de Góes considerou "risível" o argumento do presidente do TRF-1 de que a suspensão do pagamento de salários acima do teto "põe de joelhos o normal funcionamento dos serviços públicos do Senado Federal".


De acordo com o site Congresso em Foco, o supersalário de Sarney se deve aos R$ 26.700 que ele recebe pela Casa e às duas aposentadorias, como ex-governador do Maranhão e servidor do Tribunal de Justiça.



[FONTE: Jornal O Tempo]

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Que R$ 62 mil é um ótimo salário eu não discuto, mas tal salário está distante de justificar o patrimônio dessa arcaica peça da política brasileira.


R$ 62 mil mensais é muito dinheiro para nós, brasileiros normais [na realidade, brasileiros de fato]; mas para este senhor aí, R$ 62 mil é uma "petequinha" [como diria Roberto Jefferson].


Então, caros brasileiros, não perca o foco e indigne-se contra a corrupção que tem assolado este país por todos os cantos e com total impunidade.


Riva Moutinho

General que liderou vitória do Vietnã contra EUA completa 100 anos


O general vietnamita artífice da vitória militar de seu país contra franceses e americanos, Vo Nguyen Giap, completa 100 anos nesta quinta-feira em um hospital de Hanói, onde está internado há meses por problemas de saúde.


Fontes ligadas a ele citadas pela imprensa local indicaram que o aniversariante estava acordado e reconhecia os visitantes que o cumprimentavam pelo centenário.
Giap nasceu na região central da então Indochina francesa e, enquanto cursava estudos no Liceu Nacional de Hue, fez contato com os setores políticos mais radicais.



Em 1933, ingressou no Partido Comunista da Indochina quando estudava Direito em Hanói. Após um breve exílio na China, retornou ao Vietnã em 1944 e, no ano seguinte, o próprio Ho Chi Minh nomeou-o ministro da Defesa em seu Governo provisório.


Durante os nove anos seguintes, dirigiu as tropas que lutaram para expulsar os franceses com táticas que fundamentaram sua reputação. A vitória sobre os franceses na batalha de Dien Ben Phu, em 1954, deu-lhe fama histórica.


Com o prestígio de general vitorioso em circunstâncias adversas, foi-lhe encomendada a missão de dirigir a ofensiva do Tet na guerra contra os Estados Unidos, na década seguinte.


Nos anos 60 e 70, foi vice-primeiro-ministro, ministro da Defesa e membro do Politburo, até que, de acordo com algumas versões, foi obrigado a renunciar da pasta da Defesa por sua oposição à intervenção militar no Camboja para expulsar o Khmer Vermelho.
Em 1982, Giap foi afastado do Politburo, mas manteve o cargo simbólico de vice-primeiro-ministro.


Pesquisas de opinião indicam que Giap é um dos personagens mais admirados entre a juventude vietnamita, após Ho Chi Minh, o fundador do atual Vietnã.


[FONTE: Folha online]

24 agosto 2011

Os guardiões das fórmulas secretas

Já parou para se perguntar por que cada refrigerante que você toma tem um sabor único? E por que, desde que você se entende por gente, esse gosto é o mesmo? Como será que a concorrência nunca conseguiu imitar o sabor daquele guaraná, ou a refrescância do refrigerante cola mais famoso do mundo, ou o gosto inexplicável do molho especial do sanduíche mais vendido do planeta? Não é à toa que todas essas empresas conseguem manter sua singularidade ao passar de tantos anos: a fórmula desses produtos é secreta. E secreta de verdade, guardada a muito mais que sete-chaves e cuidada com muito carinho. 

A história da fórmula secreta ganhou destaque recentemente quando, no início deste ano, uma rádio americana afirmou ter desvendado o mistério por trás da fórmula do refrigerante Coca-Cola. A notícia de que o papel com a receita original teria vazado fez barulho no mundo todo, principalmente porque, por causa da internet, a informação viajou todos os continentes rapidamente. Algumas semanas se passaram e o caso morreu. Ninguém conseguiu fazer uma Coca-Cola pirata e, tão rápido quanto o rumor apareceu, ele foi abafado. 

Aproveitando o momento, o Guaraná da Antarctica reforçou uma campanha sobre os guardiões de sua fórmula, intrigando milhares de consumidores sobre a veracidade da história. Segundo Sérgio Esteves, gerente de marketing do produto, os guardiões existem mesmo e são eles que garantem que o refrigerante não tenha sido, até hoje, 90 anos depois de sua criação, copiado por ninguém. 

“Quando você para para raciocinar um pouco, essa história toda de guardião da fórmula não é absurda. O Guaraná é hoje o segundo principal refrigerante do mercado brasileiro e uma das marcas mais valiosas do Brasil. Então não faz muito sentido você não ter todo um cuidado com a fórmula do produto”, afirma Esteves. 

De fato, essa figura do guardião existe em quase toda empresa que tenha um produto líder em seu segmento e de sabor ou qualidades únicas. Talvez ele receba outros nomes, mas grandes empresas como a Coca-Cola e o McDonalds confiam suas fórmulas, também secretas, a uma ou duas pessoas no máximo. Isso, segundo Esteves, garante não apenas que o produto mantenha-se único, mas é fundamental para que o sabor que se conhece e de que se gosta seja preservado pelo bem do paladar do consumidor e do faturamento da empresa. 

Em uma entrevista exclusiva, ÉPOCA conseguiu, depois de alguma negociação e medidas de precaução necessárias, conversar com um dos dois guardiões da fórmula do Guaraná Antarctica. Seu nome não foi revelado, e a entrevista teve de ser mediada, por e-mail, por uma pessoa de dentro da própria empresa. À reportagem de nosso site, ele contou como faz para manter esse cargo de confiança, que lhe obrigará a ficar o resto da vida na mesma empresa, e quais são seus desafios. Questionado sobre se era um fardo muito grande, respondeu: “É um privilégio poder conhecer esse segredo, ainda mais sendo um produto original do Brasil. É uma satisfação e um orgulho muito grandes.” 

Os guardiões da fórmula do Guaraná Antarctica, de acordo com Esteves, são artesãos ou verdadeiros “alquimistas vestidos de agentes secretos” que tratam com total cuidado a produção do refrigerante. É um profissional que precisa não apenas ter muitos anos de casa, como também precisa mostrar comprometimento com a marca e paixão pelo produto. É assim também nas outras empresas. 

A identidade desses guardiões, geralmente, é mantida em completo sigilo, mesmo para os próprios funcionários da empresa. As poucas pessoas que sabem quem são trabalham próximas a eles. No caso do Guaraná, também conhecem suas identidades os membros do chamado “Conselho Guaraná”, uma quase que sociedade secreta da qual participam ex-guardiões e que é responsável pelo processo de sucessão dessa figura. 

“É até engraçado, porque quando a gente começou a divulgar as propagandas sobre o guardião, muita gente, e até pessoas de dentro da própria empresa vinham perguntar: ‘isso é verdade mesmo?’”, diz Esteves. É verdade e já está em sua terceira geração na Antarctica. Na quinta-feira (18), o guaraná deles completou 90 anos. Nesse período, apenas três “gerações” de guardiões existiram. O que falou a ÉPOCA é o “neto”, por assim se dizer, do guardião original. 

“Posso dizer que faço parte da terceira geração de guardiões”, afirma a figura misteriosa. “Minha história na empresa começou há muito tempo. Gosto de ressaltar que iniciei a minha carreira como estagiário, fui crescendo, exercendo diversas funções. A escolha de meu nome ocorreu em função de eu atender a todos os critérios estabelecidos durante o processo, principalmente aqueles relacionados à ética e à idoneidade.” 

Na Antarctica, o processo de escolha desses guardiões é longo e criterioso. Por mais que não haja necessariamente laço sanguíneo entre os que ocupam o cargo, a ideia de ser uma geração ensinando e passando para a frente os conhecimentos à outra é mantida. Os guardiões mais antigos fazem um mapeamento de nomes e acompanham esses funcionários por anos, tudo em sigilo. São apontados apenas os funcionários de longa data na casa e que tenham um vínculo verdadeiramente emocional com a marca do Guaraná. 

“A pessoa começa a ser observada e ela não sabe disso no final das contas. E aí a vamos colocando em situações em que checamos o quanto realmente ela está aderida à cultura da empresa e ao compromisso que vai ter a partir do momento em que assumir o cargo e passar a ser um dos guardiões da fórmula”, afirma Esteves. 

Depois de escolhido, esse guardião passa a ter a responsabilidade mais importante dentro de toda a empresa, e é detentor de um segredo industrial que o levará a, obrigatoriamente, continuar no anonimato e com a mesma marca mesmo depois de aposentado. “Ele é um cara que vai estar com a companhia o tempo todo; ele vai ficar com a gente para o resto da vida”, diz Esteves. 



Se isso tudo é um problema para o guardião que conversou conosco? “Não. Minha vida é bem parecida com a da maioria das pessoas. A diferença está nos cuidados que devo ter ao falar e, principalmente, ao escrever, pois não posso deixar nenhuma pista de quem eu sou.” 

“Uma vez”, conta o guardião, “estava no interior do Amazonas conversando com um plantador local de guaraná e ele me disse que sonhava em conhecer o “dono” da fórmula do Guaraná Antarctica pois queria agradecer-lhe por tornar aquele pequeno fruto de sua região numa bebida tão apreciada por todos. Pedi para ele escrever uma carta, e prometi-lhe fazer com que chegasse às mãos do guardião.” 

Além de todo o segredo que se faz ao redor da figura dessa personagem e de todo o cuidado na sua escolha, o Guaraná Antarctica toma uma série de outras precauções para que esses dois sujeitos jamais sejam descobertos. Afinal, já imaginou se alguém sequestra ou ameaça um dos guardiões e consegue essa fórmula? 

“Temos bastante cuidado para evitar que algo aconteça aos guardiões. Por exemplo, eles nunca pegam o mesmo voo. Eles também nunca pegam táxi juntos ou qualquer outro meio de transporte. E também dormem em quartos de hotel separados”, diz Esteves. 

O anonimato já rendeu, inclusive, situações inusitadas. “Lembro-me de uma palestra que eu estava fazendo a um grupo iniciante trainees. Em certo ponto, um deles me questionou muito, dizendo que achava que a figura dos guardiões era apenas uma peça de Marketing, que não existíamos de verdade... Mal sabia ele que estava conversando com um dos dois atuais detentores da fórmula”, diz o guardião. 

Mas em segurança mesmo está a dita fórmula secreta, afirma Esteves. Se há todo esse cuidado com as pessoas que a guardam, algo que é praxe em todo o mercado, o texto em si está ainda mais bem guardado. São sete chaves, leitores ópticos de íris e da palma de mão e um complexo sistema de segurança em uma sala cofre que deixariam qualquer agente do serviço secreto britânico na mão caso quisesse roubar esse segredo industrial. 

Segundo Sérgio Esteves, as salas cofre do Guaraná são duas: uma em Manaus e outra em Guarulhos. Metade da fórmula fica em uma e a outra metade fica na outra cidade. De vez em quando, essas frações da fórmula total trocam de local e suas ordens são invertidas. Tudo para evitar que, mesmo se todo o difícil sistema de segurança for quebrado, alguém consiga ter acesso ao chamado “coração do Guaraná”, o xarope que dá o sabor final. 

Além disso, em cada etapa do processo de fabricação desse xarope são tomados os mínimos cuidados, desde a compra dos produtos até seu descarte, medida que também é adotada por outras grandes marcas. Para evitar que uma Coca-Cola, por exemplo, não seja copiada, a empresa segue padrões semelhantes de segurança. Mesmo com tudo isso, alguém poderia analisar quimicamente os dejetos industriais do local em que são elaboradas essas fórmulas e descobrir seus segredos. Mas até nisso se pensa. 

“Parte do processo também é o guardião fazer compra de coisas que não necessariamente serão usadas na fórmula. Ele compra alguns ingredientes apenas para chegar lá na hora e descartar no lixo”, diz Sérgio Esteves. Por que isso? “Porque mesmo que alguém rastreie as compras da companhia, veja os ingredientes que compramos, os aromas etc, mesmo assim não conseguirá saber como é a fórmula.” 

Também só há duas chaves para os dois cofres do Guaraná. Uma com cada guardião. Somente eles têm acesso à sala que contém apenas um computador desplugado de toda e qualquer rede e com apenas o texto da fórmula. E ainda tem também a fórmula original, à qual somente essas duas pessoas têm acesso. “Essa é mantida em envelope lacrado e guardada em cofre-forte. Ela só pode ser interpretada com a ajuda de um manual de decodificação. Na transição para um novo guardião, essa pessoa é treinada para saber decodificá-la”, diz o guardião. 

De todo jeito, ele diz nem precisar mais do formato físico da receita. “Já a conheço de cor. Mas seguindo o protocolo de padronização que utilizamos, sempre consultamos o decodificador durante a elaboração de cada novo lote”. Esse decodificador existe, afirma Esteves, porque preparar o “coração do Guaraná” não é simplesmente “jogar tudo em uma panela e mexer”. “No processo de criação do ‘coração do guaraná’, toda a ordem dos ingredientes e o cuidado com que são manipulados fazem a diferença”, diz. Portanto, mesmo que se chegasse, enfim, a descobrir o que exatamente é utilizado nesse xarope, ainda não se saberia misturar tudo do jeito certo. 

Cuidar do processo de produção desses produtos, quer sejam refrigerantes, sanduíches, ou sabões em pó, é extremamente importante para todas as empresas. O produto que chega na sua casa passou necessariamente pelas mãos desses sujeitos. O sabor de tantos produtos que conhecemos desde a infância - alguns dos quais, não importa em que país estamos, são exatamente iguais - é fruto desse esforço pensado e desse esquema de segurança criado pelas empresas para garantir seu produto final. 



[FONTE: Revista Época]

Aviões da Vasp começam a ser desmontados em Congonhas

Os nove aviões da extinta empresa aérea Vasp, estacionados há seis anos no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, começaram a ser desmontados hoje. Foi estabelecido um prazo de 20 dias para que o trabalho seja concluído. Entre os nove aviões sucata estão sete Boeings 737-200 e dois Airbus A-300, que ocupam uma áreas de 170 mil metros quadrados do aeroporto. Eles serão leiloados e o primeiro lote deve sair em cerca de 60 dias, segundo informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O valor obtido com o leilão será destinado à massa falida da Vasp, ou seja, aos credores da companhia habilitados no processo judicial de falência. Outra possibilidade de destinação de aeronaves são museus, que poderão adquiri-las a preços simbólicos, como o Museu Asas de um Sonho, na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo.

A Vasp teve a falência decretada em 2008, mas os aviões já estavam parados e sem peças há pelo menos três anos antes disso, de acordo com o CNJ. Ao todo, existem 27 aeronaves da companhia paradas em aeroportos brasileiros.



[FONTE: Revista IstoÉ]

22 agosto 2011

OAB pede que Sarney devolva dinheiro gasto em viagens


O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, defendeu nesta segunda-feira (22) que a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, devolva aos cofres de seu Estado o que foi gasto com a utilização de um helicóptero da Polícia Militar para transportar seus pais até a Ilha de Curupu durante fins de semana.


"A Ordem espera que a governadora do Estado reponha o que foi gasto ao Estado para que essa situação não se repita mais", disse.




Sarney usa helicóptero do Maranhão em viagem particula
Empresário nega conflito de interesses em viagem de helicóptero



Vídeos obtidos pela Folha mostraram que o helicóptero foi utilizado pelo menos duas vezes este ano.



A aeronave foi adquirida no ano passado para combater o crime e socorrer emergências médicas. Foi paga com recursos do governo estadual e do Ministério da Justiça e custou R$ 16,5 milhões.


Numa das viagens, o senador foi acompanhado de um empresário que tem contratos milionários no Maranhão, que é governado por sua filha Roseana Sarney (PMDB).



No fim do passeio, o desembarque das bagagens de Sarney atrasou o atendimento de um homem com traumatismo craniano e clavícula quebrada que fora socorrido pela PM e chegara em outro helicóptero antes de Sarney.


Um cinegrafista amador registrou imagens que mostram Sarney e seus amigos desembarcando no heliponto da Polícia Militar em São Luís em dois domingos, 26 de junho e 10 de julho.


O presidente da OAB afirmou ainda que a confusão entre o público e o privado é um problema "cultural" no Brasil. "É lamentável ainda ver o público sendo uma extensão do privado. Isso é cultural no país", disse.


[FONTE: Folha online]


"No Brasil, nós só mandamos prender ladrões de galinha"

O senhor propôs recentemente um movimento de apoio à faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff na Esplanada dos Ministérios. Qual o objetivo?
Nós queremos que a presidente Dilma se sinta segura para avançar nas apurações das denúncias de corrupção contra o governo. Temos no país a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) - grandes entidades que têm se movimentado muito nas horas importantes. E elas estão preocupadas com a situação da política brasileira. É fundamental que elas também participem, senão, não teremos condições de levar as apurações adiante com a tranquilidade necessária. O que nós queremos é evitar que, no Congresso Nacional, parlamentares pensem em impor represálias à presidente Dilma Rousseff por causa das demissões de ministros ou de funcionários do governo.

Por isso, na sua avaliação, é necessária a participação social?
Se a sociedade não se organizar, não vai acontecer nada. No Congresso, não se apura coisa nenhuma. No Executivo, menos ainda. No Judiciário, também não. Eu me lembro do movimento das Diretas Já: o povo foi para a rua e fez o que ninguém achava possível - terminar com a ditadura militar. Na Lei da Ficha Limpa, quando ninguém esperava que pudesse acontecer, quanto todos achavam que o projeto nunca iria passar, a sociedade foi para a rua, mobilizada, e fizemos o Congresso aprovar com maioria aquilo que, sem iniciativa popular, não teria acontecido. Agora que a OAB está se mobilizando, a ABI, a CNBB e os estudantes, acho que nós vamos conseguir terminar com essa história de dizer que o Brasil é o país da impunidade. Há um sentimento de que, por não ser punida, a corrupção gera cada vez mais corrupção no Brasil.

Mas o senhor vê riscos reais para o governo de Dilma Rousseff caso ela prossiga com a faxina nos ministérios?
A presidente Dilma está agindo conscientemente, com responsabilidade, com muita tranquilidade, sem atropelos. Mas tem aparecido parlamentares que pensam em represálias, no sentido de votar projetos que teriam influência negativa para o governo, principalmente neste momento de crise mundial. Da mesma forma, esses parlamentares podem paralisar os prazos, não votando outras matérias que poderiam interessar ao governo. Nós somos contra essas represálias e achamos que a cobertura que se deve dar à presidenta é para que ela continue fazendo as coisas como devem ser feitas, independentemente das ameaças. Para que isso aconteça, é importante que o povo esteja acompanhando e dando cobertura.

Por que esses parlamentares ameaçam retaliar o governo Dilma? É o temor de que também sejam atingidos pelas apurações?
Todos nós sabemos que o Brasil é tido como o país da impunidade. Às vezes, as pessoas acham que a corrupção que existe no Brasil não acontece em países importantes da América do Norte, da Europa, da Ásia. A corrupção está em todos os lugares. A diferença é que, nos países civilizados, a corrupção é punida, e muitos empresários, políticos e cidadãos de colarinho branco vão para a cadeia. No Brasil, nós só mandamos prender ladrões de galinha. Nenhum político importante, nenhum grande empresário, nenhum banqueiro vai para a cadeia em nosso país. As denúncias dão manchete, viram condenação em primeiro grau, mas depois têm o segundo e o terceiro graus, e o crime acaba prescrevendo, fica esquecido. Por isso que, agora, quando as coisas estão acontecendo, quando há interesse em se punir, muita gente começa a ficar preocupada - até com razão, cá entre nós.

Como governar nessa situação de insatisfação e medo no Congresso?
Realmente, a governabilidade é muito importante. Mas estão machucando muito o termo governabilidade, que, em essência, é um diálogo entre os partidos, entre a situação e a oposição, nos momentos em que há interesse da nação. O que não pode é deixar acontecer a corrupção para, em troca, ver aprovados os projetos do governo. A presidente vai precisar fazer um governo de diálogo com o parlamento, mas, principalmente, de diálogo com a população. À medida que adquirir o respaldo da sociedade, ela ganha firmeza para prosseguir.

Por que a presidente Dilma decidiu endurecer com os suspeitos de corrupção?
Na verdade, nós precisamos notar que nada do que foi feito até agora ocorreu por iniciativa da presidente Dilma. Os fatos foram apresentados pela imprensa e diziam respeito a feitos do governo anterior. O caso do ex-ministro Palocci foi retratado em manchetes pelos jornais. O caso do Wagner Rossi foi o irmão do líder do governo quem denunciou. Não é a Dilma que está buscando, os fatos estão aparecendo. Escândalos também apareceram nos governos anteriores. A diferença é que os governantes anteriores engavetavam e não tinham coragem de tomar providências. Dilma está demitindo. Agora, não é ela quem está agindo, quem está tirando os podres da gaveta. Ela toma as providências, mas só depois que o caso vem a público.

Mesmo assim, essa disposição de se apurar as denúncias de corrupção é incomum?
Antes, também tivemos casos de demissão. O Lula mesmo demitiu seu chefe da Casa Civil, o José Dirceu. Outras pessoas também caíram, como no governo Fernando Henrique. Agora, uma campanha no sentido de se buscar a seriedade, em que só se admite a nomeação de alguém depois da avaliação da folha corrida, é a primeira vez que eu vejo acontecer. Assim como também nunca vi um presidente remodelar totalmente um ministério envolvido em denúncias, como Dilma fez com o dos Transportes.

Essas reações da presidente Dilma vão realmente ao cerne da corrupção? Não podem ser apenas um jogo de cena?
Não creio. Com sinceridade, eu te digo que, pela primeira vez, a corrupção está sendo enfrentada de frente no nosso país. Só o fato de demitir o chefe da Casa Civil, o todo poderoso Antonio Palocci, enquanto o ex-presidente Lula, lá trás, na mesma situação, não teve coragem de demitir o então subchefe do ex-ministro José Dirceu, Waldomiro Diniz - por coisas muito mais graves -, já demonstra que Dilma está agindo com a responsabilidade de levar tudo até as últimas consequências.

Por que Dilma decidiu enfrentar a corrupção, se Lula - seu antecessor e mentor político - não o fez?
Digamos assim: os fatos chegaram ao exagero. Havia corrupção no governo Fernando Henrique, foi levando, foi deixando. Posteriormente, no governo do Lula, os casos foram crescendo, crescendo. Eu acho que, no caso de Dilma, houve imprevidência na escolha dos ministérios. Dilma foi eleita mas não estava com força total. Então foi Lula quem tomou conta da montagem do governo. E todas as escolhas que fez foram muito precipitadas, muito infelizes. A presidente Dilma teve de reagir a isso. Ela já aprendeu e creio que, daqui para frente, vai olhar com mais cuidado os nomes dos indicados.

Entre os parlamentares incomodados, já há quem defenda a volta de Lula em 2014.
Mas o próprio Lula vem insistindo que é um mal serviço falar em candidaturas a esta altura dos acontecimentos. Diz o Lula que a candidata dele é a presidente Dilma, que só não será candidata se não quiser. Não sei se ela ou ele (vai se candidatar), mas creio que é cedo para se falar sobre a matéria. O caso é que, se a Dilma for mal no governo, fica mal para ela e mal para Lula. Se for bem, fica bem para os dois. Eu acho que os dois estão no mesmo barco, então não tem como ganhar um e perder o outro. Mas é claro que um ou outro parlamentar pode imaginar que, com o Lula na Presidência da República, não vai ter tanto rigor com a corrupção. (Telmo Fadul)



[FONTE: Jornal O Tempo]

21 agosto 2011

Ministério das Cidades oferece mesada em troca de apoio


Depois dos escândalos que derrubaram os ministros dos Transportes e da Agricultura, o radar do Palácio do Planalto está apontado desde a semana passada para o gabinete do ministro Mário Negromonte (PP), das Cidades. A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado traz informações levadas à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, por um grupo de parlamentares do PP. Em guerra aberta com uma parte da legenda pelo controle do partido, Negromonte estaria transformando o ministério num apêndice partidário e usando seu gabinete para tentar cooptar apoio. Segundo relatos dos deputados que foram convocados para reuniões na pasta, a ofertas em troca de apoio incluem uma mesada de 30.000 reais para quem aderir.
O PP é o terceiro maior partido da base aliada, com 41 deputados e cinco senadores. Controla há anos o Ministério da Cidade, que dispõe de um orçamento de 22 bilhões de reais e programas de forte apelo eleitoral em todos os cantos do país. Na formação do governo Dilma, Negromonte foi indicado mais por suas relações com o PT da Bahia do que pelo trânsito junto aos colegas. Uma parcela do PP queria manter Márcio Fortes, ministro por mais de cinco anos no governo Lula. Há duas semanas, o grupo ligado ao ex-ministro conseguiu destituir da liderança do partido o deputado Nelson Meurer, aliado de Negromonte. Colocou no lugar dele Aguinaldo Ribeiro, aliado de Márcio Fortes.
Ao perceber o poder se esvaindo, Negromonte contra-atacou montando um bunker numa sala anexa ao seu gabinete, onde quatro aliados de sua inteira confiança – os deputados João Pizzolatti, Nelson Meurer, José Otávio Germano e Luiz Fernando Faria – tentam persuadir os deputados a se alinhar novamente com o ministro. Apenas na última terça-feira, doze parlamentares estiveram no ministério. Sob a condição do anonimato, três deles revelaram que ouviram a proposta da mesada de 30.000 reais.
Confrontado, o ministro atribui tudo a um jogo de intrigas e aponta o rival Márcio Fortes como responsável: “Sei que há boatos de que pessoas vieram aqui para fazer isso e aquilo, da mesma forma que o pessoal estava dizendo que o Márcio Fortes foi lá na liderança fazer promessa, comprometer-se na tentativa de arranjar assinatura. Não me cabe ficar comentando boato”. Fortes, por sua vez, rebate de maneira lacônica: “No dia 31 de dezembro, deixei o cargo de ministro e me afastei das atividades partidárias”.
A compra de votos não de parlamentares não é algo novo na história do PP, um dos protagonistas do escândalo do mensalão – que, aliás, envolvia pagamento de mesada. Na ocasião, líderes da legenda receberam 4,1 milhões de reais em propina e quatro integrantes do partido estão denunciados no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal.
O Ministério das Relações Institucionais confirma ter recebido as denúncias e está acompanhando a guerrilha do PP com muita atenção. A presidente Dilma Rousseff também já foi informada do problema.
[FONTE: Revista Veja]

18 agosto 2011

O ano em que BH fez contato com objetos luminosos vistos no céu

“Os ‘marcianos’ estiveram em muitos lugares, até se esconderem atrás da Serra do Curral. As bolas pareciam uma esquadrilha bem organizada, mantendo sempre a mesma formação. Eram guiadas pela bola maior e mais luminosa.” BH amanheceu a quinta-feira de 27 de julho de 1972 com essa notícia estampada no Diário da Tarde. As “aparições”, testemunhadas na noite anterior, haviam tomado conta também dos telejornais da TV Itacolomi.

O espetáculo de bolas e luzes deixou o comando de controle de voos do aeroporto da Pampulha em alerta. Pilotos, de cabelo em pé, relatavam à torre trânsito intenso sobre a cidade e pediam explicações. Um experiente aviador garantiu: “Não é avião nem meteoro”. A Aeronáutica recolheu testemunhos e recortes dos jornais. Prometeu investigar, mas até hoje nenhum ufólogo registra qualquer conclusão sobre o fenômeno.

“Estranhas bolas de fogo cruzam o céu da cidade”, insistiu a edição de 28 de julho. Seria o nosso Independence Day, para rechear ainda mais a imaginação do cineasta Steven Spielberg”? Naquele 1972 ele comemorava o primeiro sucesso com Encurralado (Duel), filmado em 1971 para a TV e levado aos cinemas em seguida por causa dos prêmios e elogios em festivais.

Mas nunca mais se falou no assunto. As pessoas ouvidas pelos jornalistas esconderam o sobrenome. Talvez porque o fenômeno ocorreu no início da década de 1970. A ditadura militar, sob o bastão do general Emílio Garrastazu Médici, presidente da República, era demasiadamente severa. Médici censurou tudo: teatro, cinema, jornal, revista, TV… As pessoas falavam baixinho, baixinho. Sussurrava-se até para discutir Buñuel, Fellini e Godard no Maletta, principalmente nos dias em que o comunista e lendário seu Olímpio, garçom da Cantina do Lucas, não servia o filé à cubana. A ausência do prato era para denunciar a presença de perdigueiros da ditadura na casa, de olho em uma ínfima pista para levar um cidadão aos porões do Dops (Delegacia de Ordem Política e Social).

E alguém ia sair por aí gritando “eu vi, eu vi, eu vi as bolas de fogo”? Não. Poderia ser algemado e levado à tortura para revelar qual célula guerrilheira ensaiava um bombardeio à cidade. Não acredita nisso, não é? Pois era assim. Agentes da repressão agiam movidos pela ideia fixa de que todos eram inimigos do regime. Por isso, a censura, a tortura, enfim, a repressão política e social. Talvez, por isso, nosso quase Independence Day caiu na clandestinidade.

Mas pode ter sido também pelo medo de as testemunhas não serem interpretadas como testemunhas por quem sempre rejeitou a existência dos objetos voadores não identificados (Ovnis). “Disco voador, ah, ah, ah o sujeito é louco!” Isso mata de vergonha um abduzido ou quase abduzido. Mas havia muita coisa em 1972 indigna de credibilidade naquele ano em que nasceu Rubens Barrichello. Alguém apertou a bochechinha rosada dele no berço e sacramentou: “Vai ser um grande piloto de corridas!” E é? Médici assinou decreto criando medidas para levar cultura e educação ao trabalhador. Cadê? Por que não crer em disco voador?

Dava para acreditar até no Galo. Em julho de 1972 o time disputou o Torneio de León, no México. Empatou por 1 a 1 com o Colônia, da Alemanha, gol de Dario, e se classificou para a decisão com a Seleção Mexicana. Ganhou por 4 a 2. Dadá marcou dois. E um doce para quem adivinhar se o técnico era Telê Santana.

E agora, 39 anos depois, alguém levanta o braço e grita: “Meninos, eu vi!” É o Joaquim Américo do Brasil, um cidadão de BH radicado em Uberlândia. Assim mesmo porque contou a história para os amigos e filhos e, certamente, ouviu aquela frase cortante: “Disco voador, ah, ah, ah!” Ele pede recorte de jornais da época para provar que quase foi abduzido na quadra de esportes do Colégio Arnaldinum São José, hoje Colégio Arnaldo, na Rua Vitório Marçola, Bairro Anchieta, Região Centro-Sul da capital.


SUSTO GRANDE Passava das 19h da quarta-feira, 26 de julho de 1972, em BH. Naquele tempo o inverno era inverno. Um leve bruma ocorria, ocasionalmente, na Região Centro-Sul. Joaquim Américo e amigos estavam na quadra de esportes do então Colégio Arnaldinum São José, no Bairro Anchieta. “De repente, apareceu em cima de nós um objeto muito grande, redondo. Fazia um barulho de papel celofane e jogava um feixe de luz forte. Pensei que se seria sugado. Olhei para trás e vi que plantas, postes e outros não tinham sombras. Por alguns segundos fiquei sob o feixe de luz e, repentinamente, o objeto se deslocou deixando bolinhas de fogo no ar. A luz apagou em BH e poucos instantes depois a TV Itacolomi anunciava que havia objetos estranhos no céu da cidade. Estariam sendo vistos também em São Paulo e outros lugares.”

Ao mesmo tempo, uma mensagem cruzava o espaço: “Atenção, torre. Atenção, torre. Aqui fala o comandante Veloso, do PP-VJC, da Varig. Há objetos estranhos voando a horizonte no setor Este de BH. São muitos e luminosos. Parece festa de São João. Acho que é invasão de Marte.” O alerta, como noticiou o EM em 28 de julho de 1972, partiu de um avião que havia decolado no Espírito Santo rumo a BH e estava a 60km da aterrissagem, foi captado pelo sargento Morais, de plantão na torre de comando do aeroporto da Pampulha na noite do dia 26.

O militar pegou um binóculo e começou a vasculhar a área indicada e logo chegou outra mensagem: “Atenção, torre, objetos não identificados voando em formação sobre BH. Parecem fogos de artifício”. Era do comandante do Boeing SC 1107, da antiga companhia área Cruzeiro do Sul, que voava a 10,4 mil metros de altitude. O sargento Morais voltou ao binóculo e, como relatou ao EM, ainda conseguiu ver a esteira de luz da esquadrilha desaparecendo por trás da Serra do Curral.

Os objetos voavam a mais de 5 mil metros de altitude, a mesma do avião do comandante Veloso. E não foram os pilotos e o sargento Morais os únicos a vê-los. Chegou ao jornal informação de que a Polícia Rodoviária levaria à Aeronáutica, na Pampulha, boletins com registros de aparições em Congonhas, Betim e outras cidades. Os repórteres colheram ainda depoimento de Tarcísio Vieira, que era funcionário da Cruzeiro do Sul. Ela estava no quintal de casa quando viu a esquadrilha extraterrestre: “Vi que não podia ser meteoro, porque a velocidade era menor, nem avião. Voavam em formação. Não havia som e quando passaram diante da Lua as luzes se multiplicaram”.

Tudo foi reunido num relatório e enviado ao Rio de Janeiro, ao Centro de Investigações de Objetos Aéreos não Identificados, do Ministério da Aeronáutica para investigação. Esta semana, a assessoria de imprensa da Aeronáutica informou desconhecer apuração de ocorrências desse tipo no céu do país. Ou, simplesmente, desconversou. A base aérea, em Lagoa Santa, e a torre de controle do aeroporto da Pampulha não conseguem localizar o sargento Morais, pois os jornais não revelaram o primeiro nome.



[FONTE: Jornal Estado de Minas]

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