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07 setembro 2010

Governo, PT e Receita: reação ensaiada

[FONTE: Revista Veja]

Para reagir à série de denúncias de violação de sigilo, a cúpula da campanha petista decidiu fazer neste feriado prolongado de 7 de setembro um “esforço concentrado”, conforme reconhece um colaborador próximo da candidata Dilma Rousseff. A estratégia passa por declarações afinadas de integrantes da campanha, da própria candidata e do primeiro escalão do governo e conta ainda com ajuda da Receita Federal. Tudo para blindar Dilma e reduzir o escândalo à ação de mais uma leva de aloprados.

Dilma Rousseff, seu coordenador-geral de campanha, José Eduardo Dutra, o ministro Alexandre Padilha e o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, vieram todos a público na segunda e na terça-feira negar que a quebra de sigilos fiscais tenha qualquer vínculo com a campanha petista – embora o contador e o analista que acessaram dados da filha do tucano José Serra, Verônica, e do vice-presidente do partido, Eduardo Jorge, tenham filiação ao PT. À noite, o próprio Lula entrou em cena no horário eleitoral para acusar Serra de ‘baixaria’ e ‘preconceito’.

Governo e campanha dizem exigir a investigação do escândalo “até a última vírgula”, nas palavras de Dilma. Dutra, que no domingo admitiu “constrangimento” diante da série de denúncias, solicitou investigação da Polícia Federal, o que repetiria o desenrolar do escândalo de 2006, quando um assessor do então candidato petista ao governo Aloizio Mercadante foi flagrado com uma mala de dinheiro para comprar um dossiê contra Serra. A Polícia Federal chegou a indiciar o assessor Hamilton Lacerda por lavagem de dinheiro, mas o Supremo Tribunal de Justiça anulou e arquivou o processo.

Em meio às declarações do comando da campanha petista e do governo, a Receita Federal também emitiu uma série de comunicados. Anunciou em nota o desligamento da funcionária Adeildda Ferreira – mesmo antes de concluir a sindicância. Divulgou em seguida outro comunicado manifestando “profunda indignação” com as acusações de que o órgão estivesse acobertando o escândalo. Em Brasília, o corregedor-geral do órgão, Antonio Carlos Costa D’Ávila, leu um comunicado a jornalistas em que negou tratar-se de quebra de sigilo, uma vez que o acesso teria sido feito apenas a “dados cadastrais”, como telefone, endereço e número de conta bancária. Por fim, atribuiu a Adeildda o acesso suspeito aos dados de 2.591 contribuintes.

Embora não reconheçam tratar-se de uma estratégia para conter uma possível queda de Dilma nas pesquisas, um integrante da cúpula do PT admite que “pode até haver uma diferença nos próximos números” – mas nada muito significativo, acredita. Segundo um dirigente do partido ligado à campanha, as pessoas ainda não entendem o assunto e não ligam o escândalo a Dilma.

“Pecha” - Para os tucanos, o esforço petista é uma “dissimulação” que tem por objetivo aumentar a confusão sobre um assunto já complexo, sem esclarecer nada. Segundo o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, o PT percebeu que era a hora de mover uma reação ao escândalo, mas suas explicações – assim como as da Receita – são “rasteiras e fantasiosas”. “A pecha de alguém que subverte a ordem democrática colou no PT”.

(Marina Dias)

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