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22 junho 2009

Senador pede afastamento de Sarney da presidência da Casa


FONTE: Estadão

BRASÍLIA - O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) pediu nesta segunda-feira, 22, o afastamento do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência da Casa por 60 dias, até que todas as denúncias contra o Senado sejam apuradas. "Espero que ele se afaste e passe o cargo para o vice-presidente do Senado (senador Marconi Perillo)", disse Buarque em discurso no plenário. A avaliação do senador é de que as denúncias estão sendo apuradas em ritmo muito lento.

Mais cedo, em entrevista ao estadao.com.br,o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse pertencer ao "bloco dos indignados" em relação à revelação de atos secretos na Casa e contou entender como "uma espécie de chantagem" a divulgação de um ato que diz que a sua mulher, funcionária da Câmara há 26 anos, aparece "emprestada" ao Senado. "Eu nunca fui intimidado diretamente por Agaciel (Maia, ex-diretor-geral) não, mas eu entendo isso como uma espécie de chantagem sim, de ameaça. E aí ficou citando nomes, o meu, do Pedro Simon (senador do PMDB-RS) querendo me intimidar como se eu tivesse o rabo preso, mas eu não tenho rabo preso", afirmou.

Segundo o senador, na última sexta-feira, foi distribuído um decreto, "um ato de Agaciel", que mostra que a sua esposa, Gladys Pessoa de Vasconcelos Buarque, teria trabalhado algumas semanas na liderança do PDT no Senado, sem gratificação. "Agora distribuíram o ato que ela veio para cá (Senado) mas não o da devolução dela. Como se ela fosse nomeada por aqui. Ela não é nomeada, trabalha na Câmara", explicou.

Gladys teria abandonado a função quando mudaram as regras que exigiam que para mudar da Câmara para o Senado era necessário uma gratificação.

No entanto, Buarque afirma nunca ter sido "intimidado diretamente por Agaciel". "Não sei se foi ele. Eu nunca fui intimidado diretamente por Agaciel não, mas eu entendo isso como uma espécie de chantagem sim, espécie de ameaça, mas eu não tenho o que esconder, então eu não tenho problema. Agora eu não sei se foi o Agaciel".

Cristovam se disse contrário ao movimento de alguns senadores na Casa de se autodenominarem "bloco ético". "Sou contra este negócio de bloco dos éticos. Eu faço parte do bloco dos indignados, dos raivosos, dos descontentes", disse.



Mais pressão

Do plenário, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), também deu um recado ao presidente da Casa: "Mas Sarney, lhe digo isso não com felicidade. Vossa excelência não precisa sobreviver, quem precisa sobreviver é o Senado". E disse que: "Se tiver senador envolvido nisso, precisa ir junto. Defendo a demissão." Ele acrescentou que a "quadrilha está costumada a mandar no Senado, dominando a vida dos senadores".

O líder atacou o ex-diretor da Casa Agaciel Maia em discurso. Ele chegou a chamá-lo de ladrão e chantagista: "É a lógica do chantagista, acumular poder. Não tenho dúvida de que ele chegou aqui humilde, servindo. Duvido de que ele fez tudo sozinho, tenho certeza de que ele teve ajuda de senadores." Virgílio também atacou o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi: "Agaciel tem de perecer como homem público. Caso dele e de Zoghbi é de demissão. Não respeitaram a Casa que os abrigou como funcionários."

Virgílio decidiu fazer o pronunciamento para esclarecer episódios que ocorreram com ele, os quais, de acordo com seu relato, poderiam se transformar em pretexto para chantagem contra ele por parte dos dois ex-diretores, que são acusados de prática de irregularidades no Senado e já foram exonerados dos cargos.

Os senadores que reivindicam mudanças profundas na administração e gestão política da Casa estão preparados para pressionar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a acelerar as mudanças propostas. À Agência Brasil, Virgílio disse que o Senado "entrou num caminho sem volta": "Ou o presidente Sarney fica com esse pessoal ou cai junto com eles (envolvidos nos escândalos)", disse numa referência a Zoghbi e Maia, já afastados pelo presidente da Casa, por conta de denúncias de participarem de esquemas de fraude em contratos do Senado.

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