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19 abril 2009

“Posso ser candidato”, diz Protógenes


FONTE: Revista Época


Protógenes Queiroz admitiu, enfim, o que vinha evitando dizer em público: cogita, sim, ser candidato nas próximas eleições. Não sabe ainda a que cargo nem por qual partido. Ele afirma que a "pressão da população" o está "conduzindo a esse processo". "A pressão é muito grande. Pode ser que isso ocorra no futuro", disse a ÉPOCA. Afastado de suas funções na Polícia Federal por 90 dias, depois de ter participado de um comício de um político do PT em Poços de Caldas (MG), Protógenes diz ter sido procurado para conversar por políticos de vários partidos – pelo menos quatro parlamentares de São Paulo, dois deputados federais, Paulinho da Força, (PDT), Ivan Valente (PSOL), um estadual – Fernando Capez (PSDB) – e um senador, Eduardo Suplicy (PT). Protógenes diz que "não existe um partido" que ele escolheria: "Nem mesmo o PSOL", diz. O PSOL tem se mostrado mais próximo a ele. "Acho que o sistema político-partidário é falido", diz. A entrevista estará na edição de ÉPOCA que chega neste sábado às bancas.

Protógenes fez até graça com a possibilidade de se candidatar. "Se eu for candidato, as famílias de alguns criminosos que prendi ou investiguei, como Boris Berezovsky e Law Kin Chong, votariam em mim", diz. O bilionário russo Berezovsky é acusado de lavar dinheiro no Corinthians. O empresário de origem chinesa Law foi preso em São Paulo, acusado de comandar um esquema de contrabando.

A aproximação cada vez maior de Protógenes com a política tem a ver com a punição que ele sofreu e com a popularidade adquirida durante a Operação Satiagraha. Nela, o empresário Daniel Dantas foi preso e solto duas vezes por hábeas corpus concedidos pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Para essa popularidade contribuiu também uma novela de televisão, cujo protagonista é inspirado nele. Na quinta-feira (17), ao desembarcar no aeroporto de Congonhas, Protógenes disse que não queria perder um capítulo da trama, embora sua mulher o tivesse aconselhado a não vê-la. "Minha esposa não queria que nós e nosso filho víssemos à novela, porque ela é baseada em minha atividade, o que nos causou tantos problemas, ameaças à família e minha ausência do convívio familiar", disse. A novela exibe cenas picantes entre o personagem e a mulher. Dessa parte, Protógenes diz que sua mulher gostou "por se parecer com o relacionamento deles".

Quando o carro de Protógenes se aproxima do hotel onde se hospeda, no centro de São Paulo, ele pede uma pausa na entrevista. A razão: ele precisa comprar alguns itens de higiene. Além da escova de dentes e do desodorante, ele compra um sabonete perfumado, escova e musse para o cabelo. "Não sou vaidoso, não, só não gosto de andar desarrumado." Quando Protógenes chega ao hotel, o gerente faz questão de dizer que conhece o bom caráter do delegado e "acredita muito nele". Olhando para Protógenes, diz: "Rezo toda noite pelo senhor". Protógenes sorri e agradece. No seu peito cintila uma pequena medalha de Nossa Senhora de Fátima, símbolo da sua fé de "católico praticante", como ele mesmo se define.

Embora diga "não ter experiência nesse jogo", Protógenes parece já ter aprendido algumas lições da política. Enquanto conversava com a repórter de ÉPOCA, abraçou um menino de rua que lhe pediu para lhe engraxar os sapatos. Decorou o nome dele, Luiz. No carro, contou a história de outro menino de rua, da Cracolândia (região de tráfico e consumo de crack no centro de São Paulo), que ele pretendia adotar certa vez e que nunca mais conseguiu encontrar. Atendeu a vários telefonemas, um deles marcando palestras em universidades e compromissos ao redor de todo o Brasil. Dia 15 de maio em Sergipe; 19 de volta a Brasília; dia 20 em São Paulo; dia 28 em Fortaleza; dia 29 em Salvador. Discursa sobre quais são as obrigações do Poder Público, e diz: "Se eu, que estou numa esfera menor dentro do poder público, consegui dar essa produtividade para meu país, revelando altos esquemas de corrupção, por que eles (os políticos do Brasil), como administradores, não fazem o mesmo?"

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