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08 março 2009

Valério: da cadeia para o divã


FONTE: Jornal O Tempo

As marcas deixadas no corpo e na alma do empresário Marcos Valério pelo período em que ficou preso em virtude das investigações da operação Avalanche, da Polícia Federal, estão explícitas. Elas contrastam com a figura influente que ganhou fama quando o Brasil conheceu o mensalão, esquema de pagamento de propina para deputados da base aliada em troca da aprovação de projetos de interesse do governo Lula.

Quase quatro anos depois que o escândalo veio à tona, Valério passa por problemas emocionais em decorrência dos traumas adquiridos nos três meses em que ficou encarcerado na penitenciária de Tremembé, interior de São Paulo. Lá, ele teria sido vítima de extorsão, ameaça de morte e de violência sexual por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que comanda o crime organizado de dentro dos presídios.

Bastante magro e aparentemente debilitado, ele agora é presença constante em um consultório de psiquiatria e psicanálise, localizado na rua Sergipe, bairro Funcionários, em Belo Horizonte. As consultas ocorrem pelo menos duas vezes por semana. Nessa última, O TEMPO flagrou a chegada do homem apontado como operador do mensalão a mais uma sessão de terapia.

Valério chegou em um automóvel executivo, de cor preta e com vidros escuros, acompanhado de um motorista. Vestindo um terno largo, que deixou ainda mais à mostra sua nova silhueta, ele desceu do carro - a menos de um quarteirão da sede do Ministério Público Federal - e foi caminhando lentamente até o prédio onde fica o consultório da psiquiatra.

Adiamento. Ao contrário da duração comum de consultas do tipo, Valério passou uma hora e meia no divã de sua psicanalista. A gravidade de seus problemas psicológicos o teria impossibilitado de prestar depoimento, no início da semana, à Justiça Federal na capital, em mais um processo de crime financeiro em que é réu.

Uma oficial de Justiça informou que o depoimento foi adiado, mas não explicou o motivo.
A presença dele no quarteirão da rua Sergipe, onde funcionam bares frequentados principalmente por estudantes, é tão comum que já não chama muita atenção.

Valério não fala mais com a imprensa. Questionado se sofreu ameaças, ele, educadamente, esquivou-se. "Com todo respeito, não concedo entrevistas desde 2005", disse. Logo em seguida, entrou em seu carro e foi embora. Dessa vez, sozinho.


Nomes e suspeitos

Marcos Valério formação de quadrilha, falsidade ideológica, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas

José Dirceu corrupção ativa, formação de quadrilha e peculato

Duda Mendonça lavagem de dinheiro

Delúbio Soares formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa

José Genoino formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa

João Paulo Cunha corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato

Luiz Gushiken peculato

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