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09 março 2009

Matéria de capa da Veja tenta desqualificar Protógenes, alivia Daniel Dantas e tira do sério o senador ACM Júnior

Por Jorge Serrão

FONTE: Blog Alerta Total

O poderoso e bem articulado esquema de defesa do banqueiro Daniel Valente Dantas está por trás da publicação da reportagem de capa da revista Veja: “A Tenebrosa máquina de espionagem do Dr Protógenes”. A matéria tem o objetivo tático de desmoralizar, desqualificar e desacreditar as investigações comandadas pelo delegado federal Protógenes Queiroz na Operação Satyagraha. A intenção fica explícita quando o texto se encerra, na página 191 da revista, informando que um dos arquivos de computador do delegado indica que “ele estava se dedicando a escrever uma autobiografia. Título: Protógenes, a Lenda”.

O que não parece lenda é o trabalho produzido – e não completamente divulgado – do delegado. O processo da Satyagraha, para facilitar a eventual punição de poderosos envolvidos, corre em “segredo de Justiça”. Se Protógenes e sua equipe eventualmente cometeram erros, irregularidades ou ilegalidades durante a investigação, tal questão deveria ser apurada com isenção pela Justiça. Até agora só vazou para a mídia amestrada o conteúdo de eventuais situações nas quais o investigador teria cometido excessos ou abusos de autoridade – o que também precisa ser comprovado judicialmente. O que não vaza, estranhamente, é a ligação direta, real e comprovada de Daniel Dantas com todos os poderes da República.

O feitiço da reportagem da Veja tem tudo para se voltar contra o feiticeiro por causa da reação que já provocou nos bastidores políticos, neste final/começo de semana. Um dos mais indignados com a matéria – apenas porque foi citado nela, sem explicações mais completas – foi o senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA). O filho do falecido ACM, que sempre se pautou pela discrição, ameaça ocupar esta semana a tribuna do Senado para cobrar que seja divulgada e aberta publicamente a relação completa de quem tem relações com Daniel Dantas.

O senador garante, nos bastidores, que todo mundo tem. Algumas ligações são comprometedoras politicamente. Outras são meros negócios praticados dentro da legalidade. ACM Júnior garantiu a amigos que não teve negócios ilegais com Daniel Dantas. O senador suspeita que a citação de seu nome nas investigações de Protógenes –classificada de “misteriosa” e sem aplicação pela revista – foi uma mera manobra ilusionista para esconder outros fatos muito mais graves que a reportagem não quis mostrar e que as investigações (em sigilo) podem ocultar no final do processo.


E o Odorico Paraguçu?

A matéria da Veja não deu o devido destaque e ainda pôs em dúvida as ligações do advogado José Dirceu de Oliveira e Silva com o banqueiro Daniel Dantas.

Cita apenas que Dirceu foi um dos principais alvos dos arapongas do delegado Protógenes.

Veja revela que, em um dos relatórios do delegado, José Dirceu é chamado pelo apelido de “Zeca Diabo” – famoso personagem vivido por Lima Duarte na primeira novela a cores da televisão brasileira, “O Bem Amado”, de Dias Gomes, produzida em 1973.

Protógenes teria investigado, segundo a revista, que Dirceu era consultor do Opportunity, de Daniel Dantas, de Eike Batista, do JP Morgan, da Norberto Odebrecht, da Camargo Corrêa, da Andrade Gutierres...

O estranho é que, se as investigações citaram Zeca Diabo, imagina o que não foi levantado sobre sua relação com “Odorico Paraguaçu” – o poderoso chefão de “Sucupira”...


Verdade ou mentira?

Documentos apreendidos na casa do delegado indicam que ele teria investigado até a vida amorosa da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Segundo a reportagem da Veja, a PF encontrou relatos sobre a vida privada da ministra em arquivos recolhidos no apartamento do delegado.

Também teriam sido localizadas referências ao ex-ministro José Dirceu, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, ao governador paulista José Serra e ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Inacreditável

O mais estranho da ação jornalística contra Protógenes Queiroz é não explicar nem questionar como um delegado federal teria cometido a “ingenuidade” de guardar em casa, no computador pessoal e em pen-drives uma série de dossiês sobre as investigações da Satyagraha.

Além disso, das investigações de Protógenes, apenas vazam aspectos, informes pouco claros e especulações que só servem para desacreditar o trabalho policial.

Estranhamente, não aparecem os fatos objetivos levantados por Protógenes que se transformaram, de verdade, no secretíssimo processo da Satyagraha.

No final das contas, o delegado (que seria o mocinho) tem tudo para ser crucificado como o “bandido” de toda a história, enquanto Daniel Dantas e seus poderosos aliados e parceiros saem completamente ilesos e inocentados de todo o escândalo.


Apuração pedida

Em nota oficial, a Ordem dos Advogados do Brasil pediu ontem uma investigação rigorosa qual o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz teria espionado políticos, parlamentares e integrantes do governo.

"Os fatos relatados pela revista Veja são gravíssimos e exigem do Poder Público investigação rigorosa e responsabilização penal exemplar. Há muito, a Ordem dos Advogados do Brasil clama contra o Estado de Bisbilhotice que se instalou no Brasil e o declara incompatível com os princípios da Constituição Federal em vigor".

A nota oficial da OAB reclama que a denúncia da Veja "excede as mais pessimistas estimativas de agressão e afronta ao Estado democrático de Direito".


Sugestão

A OAB pede ainda a prorrogação da CPI dos Grampos, na Câmara dos Deputados, para que a comissão possa investigar a denúncia.

Segundo a OAB, o Brasil deveria ter um órgão de controle externo para as polícias:

"A denúncia reforça proposta da OAB para que se crie, a exemplo do que ocorreu no Judiciário, um órgão de controle externo para as polícias. No Estado democrático de Direito, não pode haver instituições do Estado impermeáveis à fiscalização da sociedade".


CPI convocada

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP) convocou para às 16 horas uma reunião de emergência com a CPI dos Grampos para analisar as denúncias publicadas pela "Veja".

A inconfidência foi do deputado Raul Jungmann (PPS-PE), integrante da comissão.

O presidente da CPI dos Grampos, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), tentará prorrogar o prazo da comissão – cujo relatório final , lido semana passada, não recomenda o indiciamento de autoridade.

Se não conseguir, o deputado Itagiba (que também é delegado federal) promete defender a abertura de nova CPI para investigar os supostos abusos de seu colega Protógenes na Satyagraha.


Outra arapongagem

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mandou apurar as denúncias do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que acusa seu partido de usar arapongas para espioná-lo.

Sarney anunciou ontem que pedirá ao Ministério da Justiça e Polícia Federal para investigar a denúncia do senador pernambucano de que ele estaria sendo vítima de espionagem em função de suas denúncias de existência de corrupção no partido.

Em entrevista à Revista "Veja", Jarbas denunciou que integrantes do PMDB teriam contratado a empresa internacional Kroll para investigar sua vida.


Mais falação

Jarbas promete fazer um novo discurso nesta segunda-feira, no plenário do Senado, para denunciar a contratação de uma empresa para investigar sua vida e até grampear seus telefones.
"Já é inadmissível que arapongas vasculhem a vida de um senador da República. Mas é um escândalo descomunal imaginar que a contratação dos espiões tenha partido daqui".

Jarbas se tornou alvo depois que fez denúncias da existência de corrupção no PMDB, mas não apontou nomes.

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