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31 março 2009

Castelo de Areia: PF exclui PT, PTB e PV de relatório

FONTE: Jornal Nacional

Uma parte do último relatório da operação Castelo de Areia é dedicada ao suposto financiamento ilegal de campanhas políticas. No documento, aparecem siglas de vários partidos, mas a Polícia Federal deixou de fora do relatório final três partidos citados na investigação.

Os partidos que ficaram de fora do último relatório da polícia são PT, PTB e PV. O nome desses partidos está em uma correspondência eletrônica de novembro do ano passado enviada por um dos diretores da Camargo Corrêa para um representante da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), tida pela polícia como intermediária entre a construtora e políticos.

No e-mail, o diretor cobra recibos pendentes das seguintes doações:

PSDB - Comitê Financeiro de São José dos Campos – R$ 25 mil.
PSDB – R$ 50 mil.
PT - Diretório Regional – R$ 25 mil.
PTB - Comitê Financeiro Municipal – R$ 25 mil.
PV - Comitê Financeiro Municipal – R$ 25 mil.

O e-mail ainda diz que há recibos pendentes de doações anteriores. O DEM do Rio Grande do Norte teria recebido o valor de R$ 300 mil e o PSDB do Pará é citado duas vezes, com total de R$ 200 mil.

O delegado Otávio Russo, que assina o relatório, escreveu: “É impossível afirmar, só com os dados atuais, a ilegalidade dessas doações”.

A polícia também omitiu uma palavra na transcrição de um dos diálogos. É na conversa em que dois diretores da Camargo Corrêa falam sobre um arquivo com dados a respeito de doações.

Segundo a polícia, um dos diretores diz: “Tem aquela pasta de eleições. E lá tem todos os caras que foram pagos. A relação, inclusive, a colaboração oficial”. O outro pergunta: “Tem as duas”?

Em outro diálogo, há a ausência de um verbo. O diretor diz: “a colaboração foi oficial”.

Segundo a Polícia Federal, a omissão de uma palavra no diálogo não foi intencional e a ausência dela não modifica o sentido da conversa, que deixa dúvida sobre a legalidade das doações. Sobre o fato de não incluir três partidos políticos no último relatório da investigação, a Polícia Federal dá a seguinte explicação: os partidos foram citados no contexto em que se fala em recibos de doação, o que deu a entender aos delegados do caso que seria repasses feitos dentro da lei.

Nesta segunda-feira, o senador Agripino Maia, do DEM, também citado nas investigações, mostrou recibo de doações da Camargo Corrêa para o partido. Segundo ele, os recibos serão entregues esta semana à Justiça Eleitoral.

“A tentativa foi denegrir a minha imagem com falsidade, que com argumentos e documentos, nós destruímos”, declarou o senador Agripino.

O PV e o PTB afirmaram que as doações da Camargo Corrêa foram devidamente registradas. A direção nacional do PT declarou que não responde pelos diretórios regionais, sem identificação de estado. Em todo o país, o partido tem 27 diretórios regionais.

30 março 2009

1º OUTDOOR: Em exibição em BH


É com muita alegria e gratidão ao Pai que comunico que o primeiro outdoor do “Projeto de Divulgação por Meio de Outdoor” está em exibição e assim permanecerá pelos próximos 28 dias (até início de abril) na Av. Bernardo Vasconcelos, região nordeste, próximo a um dos shoppings de maior visitação de BH: o Minas Shopping; além da proximidade com um dos principais corredores de tráfico da capital: a Av. Cristiano Machado (por onde passa a Linha Verde); e de um dos melhores hoteis de BH: o Ouro Minas; além de ser uma região residencial também.(http://infotrafego.pbh.gov.br/info_trafego_mapa.html)

Estamos com mais dois outdoors prontos, aguardando apenas patrocínio para veicularmos em outros pontos da cidade. Em paralelo estamos fazendo um levantamento para a produção de panfletos iguais aos outdoors para a distribuição pela cidade.

Acredito que este primeiro outdoor permitirá compreender mais o que é o “Vamos Lá!!!”

Gostaria de deixar aqui também o meu agradecimento ao Chico por ter criado a arte do outdoor, a Solange que tem ajudado na busca de patrocínio para este projeto, ao Caio e ao Marcelo pelo apoio e em especial a minha esposa que tem caminhado, principalmente nestes últimos meses, juntamente comigo na realização do que acredito ser uma forma de divulgação que pode alcançar um número grande de pessoas e assim, elas possam conhecer o site, a Vem e Vê TV disponibilizada gratuitamente, os livros do pastor Caio que estão digitalizados e tantos outros materiais disponíveis e que, sem dúvida, são fontes de reflexão e de verdade do Evangelho de Jesus.

E espero que esta idéia possa impulsionar tantas outras pelo Brasil e pelo mundo, mas para isto é preciso a participação de todos.


Então venha...


VAMOS LÁ!!!


Riva Moutinho


Outras fotos


29 março 2009

União repassa R$ 151,8 mi a entidades ligadas ao MST


FONTE: Estadão

SÃO PAULO - Entidades cujos dirigentes são ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) receberam, desde 2002, R$ 151,8 milhões em recursos da União, montante distribuído em cerca de mil convênios celebrados entre governo e grupos de desenvolvimento agrário. É o que aponta levantamento divulgado hoje (29) pelo site Contas Abertas, com informações obtidas no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).

Ao todo, segundo o estudo, são 43 entidades sem fins lucrativos capitaneadas por membros, líderes ou dirigentes do MST nos últimos seis anos. Só no ano passado, foram repassados R$ 14 milhões a esses grupos e, em 2009, até o dia 13 de março, pouco mais de R$ 6,4 milhões. Entre as entidades que receberam mais recursos do governo, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) está no topo da lista, com um montante de R$ 22,3 milhões repassado por meio de convênios celebrados entre 2002 e 2009, relata o site.

O levantamento ainda aponta que o repasse de recursos a essas entidades é permeado em muitos casos por irregularidades. Desde 2002, R$ 23,2 milhões foram pagos por meio de contratos considerados inadimplentes e cujos pagamentos foram suspensos, alguns por apresentarem irregularidades na execução do convênio e outros pela falta de prestação de contas dos recursos empenhados.

É o caso da Anca, alvo de ação de improbidade administrativa impetrada na Justiça Federal pelo Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) no começo de março. O MPF-SP acusa a entidade e o seu presidente em 2004, Adalberto Floriano Greco Martins, de repasse ilegal de recursos públicos ao MST. Segundo a ação, a entidade não prestou contas de um montante de R$ 3,6 milhões transferido ao movimento social em 2004, de origem do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A Anca alega que a quantia remetida faz parte de um convênio entre ela e o MST com o objetivo de alfabetizar 30 mil jovens e adultos em todo o País.

O site Contas Abertas ressalta que, de acordo com a legislação brasileira (8.629/93), é proibido o financiamento público a movimentos sociais cujas ações empreendidas configuram crime de "invasão de imóveis rurais ou de bens públicos", caso do MST. No final de fevereiro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, cobrou uma atuação mais enérgica do Ministério Público (MP) contra invasores. "O financiamento público a movimentos que cometem ilícito é ilegal, é ilegítimo", disse ele na ocasião. Caso um repasse seja constatado, a transferência de recursos públicos deve ser interrompida.

28 março 2009

Senador se nega a falar sobre cargo de filha de FHC no gabinete


FONTE: Estadão

BRASÍLIA - A filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Luciana Cardoso, ocupa um cargo de confiança do Senado desde abril de 2003. Ela foi nomeada secretaria parlamentar, com salário de R$7,6 mil, pelo senador e atual primeiro-secretário da Casa, Heráclito Fortes (DEM-PI). Luciana foi secretária particular de seu pai nos dois mandatos, de 1995 a 2003. Seu contrato com o Senado só se tornou público agora, já que ela não frequenta o gabinete de Heráclito. Luciana não foi localizada pelo Estado.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Luciana afirmou que prefere trabalhar em casa, cuidando das "coisas pessoais do senador" porque o gabinete de Heráclito "é um trem mínimo e a bagunça, eterna". Nesta sexta-feira, 27, o senador se recusou a comentar o assunto. A divulgação do fato ocorre no momento em que o primeiro-secretário se diz empenhado em moralizar a distribuição dos cargos de confiança do Senado.

Chama a atenção dois outros casos de comissionados do Senado, igualmente relacionados com autoridades, que não dão expediente na Casa. É o caso da neta mais nova do ex-presidente Juscelino Kubitschek, Alejandra Kubitschek Bujones e da primeira-dama de Sergipe, Eliane Aquino. Alejandra recebe salário de R$ 4,9 mil e está lotada na terceira secretaria. Ela é cunhada do ex-senador e atual vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio, que ao confirmar sua permanência no cargo, destacou sua "enorme competência". Seu contrato começou em 2006, quando Octávio era o terceiro-secretário do Senado. Alejandra disse ao Estado que faz "trabalho de pesquisas", mas jamais foi vista no Senado.

Já a mulher do governador de Sergipe, Marcelo Déda, do PT, foi contratada em março de 2002 pelo gabinete do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), com salário de R$ 6,4 mil. O parlamentar afirma que ela o assessorava em Aracaju, mas ontem, por meio da sua assessoria, informou que enviou um ofício pedindo ao diretor-geral o desligamento da funcionária. Até ontem o boletim do Senado não havia publicado a exoneração da primeira-dama.

O senador afirmou - por intermédio da assessoria - que "lamenta o preconceito contra as esposas dos governadores, que devem ficar congeladas e servirem apenas como organizadoras de chás para primeiras-damas de prefeito e não podem exercer os direitos de cidadania, inclusive os de um trabalho construtivo em qualquer atividade pública ou privada, porque são deterioradas por quem alimenta a inveja, o desrespeito ou o preconceito".



Médico

Além de pagar assistência médica vitalícia para ex-senadores, o Senado estendeu o benefício aos ex-secretários-geral e ex-diretores-gerais. De acordo com o site Congresso em Foco, a medida consta de ato da Mesa Diretora de 2000, encabeçado pelo então presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA). A medida vai beneficiar o ex-diretor Agaciel Maia, exonerado em fevereiro. E já favorece o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Raimundo Carreiro. Agaciel não foi localizado. Já o ministro, disse que não há irregularidade na medida. Segundo ele, o ato levou em conta que secretários e diretores da Casa padecem do mesmo desgaste dos senadores. Ele disse que continuou pagando o plano de saúde disponível para os servidores do Senado.

O Congresso Contra um Juiz

FONTE: Revista IstoÉ


Na manhã da quarta-feira 25, quando entraram na sede da construtora Camargo Corrêa, prenderam quatro diretores e duas secretárias da segunda maior empreiteira do País, além de quatro doleiros no Rio de Janeiro e em São Paulo, os 100 agentes da Polícia Federal escalados para a Operação Castelo de Areia se tornaram coadjuvantes de um enredo policial com todos os ingredientes para dar errado. O primeiro deles é de ordem cronológica.

A operação se baseia em investigação que teve início em janeiro do ano passado e não seria prejudicada caso fosse defl agrada alguns dias depois.

Mas o juiz Fausto De Sanctis, responsável pelo caso, autorizou a operação na segunda-feira 23 - a menos de 72 horas da data prevista para um julgamento que pode excluí-lo da carreira.

De Sanctis responde no Tribunal Regional Federal em São Paulo a processo disciplinar por desacato a decisões de tribunais superiores. No mesmo dia da Operação Castelo de Areia, o julgamento foi adiado para 15 de abril.

Os outros ingredientes que podem comprometer a investigação estão presentes na própria decisão de De Sanctis, redigida em 111 páginas. Com base em centenas de interceptações telefônicas colhidas ao longo de 15 meses, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz constroem uma série de ilações que supostamente ligariam caixa 2, evasão de divisas e doações ilegais de recursos para parlamentares e partidos políticos.

A menos que existam outras provas ainda não reveladas, nada na manifestação do juiz assegura essa relação.

Como a Camargo Corrêa é oficialmente uma das principais empresas financiadoras de campanhas políticas no Brasil - nas últimas quatro eleições doou R$ 30 milhões aos pri ncipais partidos do País , as 111 páginas evidenciam que o juiz misturou em um mesmo balaio doações legais com suposições de ilegalidade. De Sanctis, que na grande operação anterior, a Satiagraha, cultivou desavenças com a cúpula do Judiciário, terminou a última semana também como alvo do Congresso.

"Juiz não pode soltar algo levianamente sem ter como comprovar", criticou o presidente do PPS, Roberto Freire. "Vamos processar o juiz." Em sua decisão, De Sanctis escreve que a partir de conversas gravadas entre Dárcio Brunati e Pietro Bianchi, ambos diretores da Camargo Corrêa, é possível constatar a "distribuição de dinheiro a diversos partidos, como a princípio, PPS, PSB, PDT, DEM e PP" e que havia a participação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na intermediação dos repasses. No despacho, De Sanctis acredita que "as investigações lograram apurar, em tese, alguns diálogos que envolveriam supostas doações não declaradas para políticos e partidos".

E, de fato, às 12h54 do dia 15 de setembro do ano passado, Dárcio e Pietro conversaram sobre doações de recursos para campanhas políticas. O problema é que a conversa por si só não comprova nenhum crime.

Pietro - Dárcio, aquele dinheiro que foi mandado pra Fiesp, como é que foi lá pra Brasília?
Dárcio - O que era do Agripino (senador José Agripino Maia - DEM-RN) foi pro partido...

Pietro - Peraí, peraí, peraí, peraí...eram 200 e 300, não é isso?
Dárcio - Então...o que era 300 foi do jeito que eles pediram (...)

Pietro - (...) 200 que era do Flexa... (senador Flexa Ribeiro - PSDB-PA)
Dárcio - Exato... aí foi 100 pro partido...

Pietro - Que partido?
Dárcio - O que ele havia solicitado inicialmente pro senhor...tem na relação... os outros 100...

Pietro - Quem tinha solicitado?
Dárcio - O Luiz Henrique (Luiz Henrique Bezerra, representante da Fiesp em Brasília) ... Os outros 100 ele dividiu em três partidos... PSB, PDT, PP e PPS.

Agripino Maia, líder do Democratas no Senado, reagiu. Horas depois de deflagrada a Operação Castelo de Areia, ele ocupou a tribuna, exibiu o recibo da doação de R$ 300 mil feita pela Camargo Corrêa ao DEM e afirmou que o dinheiro foi depositado na conta do partido no Banco do Brasil.

"Recebemos mesmo os R$ 300 mil, mas foi tudo legal, registrado e com recibo", disse o senador. "Vamos processar aqueles que usam a Polícia Federal para tirar proveito político. A insinuação que envolve meu nome é maldosa, de gente que quer denegrir a imagem do DEM." Na quinta-feira 26, o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), reuniu-se com advogados do partido no Rio para avaliar os próximos passos. "Não temos nenhuma relação ilegal com a Camargo Corrêa e queremos conhecer todas as gravações feitas pela PF para mostrar que não há suspeição contra o partido", disse Maia.

Presidente do diretório do PSDB no Pará, o senador Flexa Ribeiro também apresentou os recibos e depósitos bancários da doação de R$ 200 mil da Camargo Corrêa, em duas parcelas de R$ 100 mil. Em seguida, solicitou ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para que encaminhe ofício do ministro da Justiça, Tarso Genro, pedindo que os parlamentares tenham acesso a todo o conteúdo das investigações.

"Quero que o ministro Tarso apresente agora todas as informações dessa operação para avaliarmos quais partidos receberam contribuições desta empreiteira e para que comprovem que receberam de acordo com a Lei Eleitoral", afirmou Ribeiro. "Precisamos fazer o que a PF e o juiz não fizeram e separar o joio do trigo." Em nota emitida na quinta-feira 26, a Fiesp negou qualquer envolvimento em atividades ilícitas e diz que "não está impedida de, num ato legal e legítimo, observadas todas as formalidades jurídicas, promover relações institucionais entre empresa e partidos políticos".

O juiz De Sanctis também menciona conversas entre Fernando Dias Gomes e Pietro Bianchi, ambos diretores da construtora presos pela PF, para relacionar a empreiteira com caixa 2 de campanha. Nos diálogos, segundo um advogado que teve acesso à gravação, citam uma contribuição de R$ 100 mil de uma empresa do grupo Camargo Corrêa, a Cavo Serviços de Meio Ambiente, ao ex-governador de Pernambuco José Mendonça Filho, do DEM, e mencionam outra de R$ 300 mil para o PMDB do Pará, que teria sido "aprovada por fora". Na eleição de 2008, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, a Cavo doou R$ 675 mil para diversos candidatos e comitês financeiros. Com relação ao PMDB, há o registro de uma doação de R$ 200 mil para o comitê financeiro do partido em Salvador (BA). Mendonça Filho, presidente do DEM de Pernambuco, afirma que recebeu duas contribuições da Camargo Corrêa no ano passado que totalizam R$ 300 mil. As doações, diz, não foram feitas diretamente ao seu comitê financeiro, mas ao Diretório Nacional do DEM.

"Foi uma doação de R$ 200 mil e outra de R$ 100 mil. Tudo dentro da lei", afirma. "Na ocasião, o Diretório Nacional informou que o dinheiro que estava sendo enviado era da Camargo Corrêa. Não sei se era exatamente da Camargo ou de uma empresa do grupo, mas está tudo declarado", afirmou Mendonça Filho.

Outra conversa entre Fernando Gomes e Pietro, interceptada em 27 de janeiro deste ano, também é apontada por De Sanctis como indício de irregularidade, sem que a PF tenha feito confrontos com os registros oficiais do TSE.

Pietro - O que o Luiz tá querendo aí?
Fernando - É do José Carlos Aleluia, saber se foi pago alguma coisa no passado.

Pietro - O que o Luiz tá querendo aí?
Fernando - É do José Carlos Aleluia, saber se foi pago alguma coisa no passado.

Pietro - Além disso, na minha pasta lá, tem aquela pasta das eleições. E lá tem todos os caras que foram pagos.
Fernando - Eu procuro lá, então.

A oposição criticou o fato de que, diante de uma cesta de sete partidos citados no despacho, a investigação nada diga sobre o Partido dos Trabalhadores. Parlamentares do PT também receberam doações legais da Camargo.

O ministro Tarso Genro negou conotação política na operação da PF. "Quando é feito o inquérito, não se faz vínculo com ideologia, com programas de partidos ou com lideranças políticas", disse Tarso.

Na tarde da quinta-feira 26, a procuradora Karen Louise Janette Kahan recebeu ISTOÉ em seu gabinete. Autora do pedido de prisão preventiva dos diretores da Camargo Corrêa, ela acredita que de fato existem "fortes indícios de formação de caixa 2 montado pela empreiteira para financiar políticos." Define os diretores como "delinquentes financeiros", mas admite que há muito a ser investigado. "É uma miscelânea de diálogos. Só depois de esmiuçar a lista é que saberemos a participação de cada um", afirma Karen Louise.

A Camargo Corrêa faturou R$ 16 bilhões no ano passado e emprega 60 mil pessoas no Brasil. Nos últimos dois anos recebeu R$ 130 milhões para realizar obras do PAC. O que a investigação da Polícia Federal apresenta de maneira mais trabalhada é o rastreamento do esquema de remessas de dinheiro para o Exterior (leia quadro). Segundo o juiz De Sanctis, essa operação seria centralizada em um suíço radicado no Brasil, chamado Kurt Paul Pickel, que faria a ponte entre os funcionários da empreiteira e doleiros no Brasil e no Exterior. Na semana passada, a direção da Camargo Corrêa emitiu nota dizendo que confia plenamente em seus diretores e que sempre atuou dentro dos limites impostos pela lei.

"Muito ainda precisa ser esclarecido, pois o esquema de comunicação entre os diretores e doleiros a serviço da empresa é extremamente sofisticado, com códigos e senhas nunca vistos", diz a procuradora do caso. Karen Louise reconhece que ainda não está concluído o cruzamento dos dados colhidos nas investigações. Uma peça-chave é um livro, apreendido na casa de um dos diretores da Camargo Corrêa, no qual consta a relação de cerca de 50 parlamentares que teriam recebido dinheiro da empreiteira. Os dados vão ser confrontados com os processos existentes no TCU e as doações registradas na Justiça Eleitoral.

"Esse cruzamento vai mostrar a relação entre obras superfaturadas e os políticos beneficiados", diz Karen Louise.

Reside aqui a questão fundamental em torno da Operação Castelo de Areia. Nunca antes na história deste país, uma empreiteira grande assim teve seus diretores monitorados por tanto tempo e produzindo tantos elementos a serem investigados. Os documentos em posse do Ministério Público atestam que o caso merece aprofundamento das investigações.

Mas a decretação da prisão preventiva de diretores da empreiteira às vésperas de um julgamento do juiz, sob justificativas baseadas em suspeitas embrionárias, indica um certo açodamento capaz de comprometer o próprio caso.

27 março 2009

Presidente da OAB em SP critica prisão da dona da Daslu


FONTE: Globo.com

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso, classificou de “precipitada” a prisão da empresária Eliana Tranchesi, a dona da loja de artigos de luxo Daslu. Ela foi detida na quinta-feira (26) na capital paulista após a juíza da 2ª Vara Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo, ter aplicado uma sentença de 94 anos e meio de prisão à empresária por crimes financeiros.

D’Urso diz que a prisão dos réus – o irmão de Eliana e um outro empresário foram detidos - foi precipitada já que eles ainda podem recorrer da sentença. “A lei estabelece quando a prisão por exceção pode ser decretada antes da sentença definitiva: ordem pública, para garantir a paz e garantia da instrução processual. Nenhum desses casos está presente. De maneira que, neste e em tantos outros, nós precisamos evitar a banalização da prisão antes da sentença definitiva”, acredita o presidente da OAB-SP.

Os advogados já entraram com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal. A defesa entrou com um recurso pedindo que a juíza do caso revogue a prisão. A juíza federal Maria Izabel do Prado argumenta que Eliana e o irmão dela, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, diretor da empresa e também preso, chefiavam uma organização criminosa.

Eliana Tranchesi passou a noite na penitenciária feminina do Carandiru, na Zona Norte. Ela está em uma cela da enfermaria. Os advogados de defesa afirmam que o estado de saúde dela é delicado e a empresaria precisa de cuidados especiais, por causa de um câncer nos ossos e no pulmão, e por isso mesmo não pode ficar presa.

O caso veio à tona em 2005. Investigações da Polícia Federal apontaram que a dona da Daslu e o irmão eram suspeitos de usar importadoras para emitir notas fiscais falsas e sonegar impostos.

Numa carta apresentada na época da denúncia, um importador propunha declarar à Receita Federal apenas um quinto do valor real das mercadorias.

Na sentença, a Justiça também acusa Eliana Tranchesi de decidir o que comprar e quanto pagar e Antonio Carlos Piva, seu irmão, de escolher as importadoras que participavam do esquema. Para o Ministério Público Federal, R$ 1 bilhão teriam sido sonegados.

“Isso demonstra que pelo menos uma parte do judiciário já está disposta a admitir a existência de organização criminosa sem que haja um sujeito mal criado e com um fuzil na mão no topo de uma favela”, afirmou o procurador Matheus Baraldi Magnani.

Márcio Thomaz Bastos assume defesa da construtora Camargo Corrêa


FONTE: Folha online

O advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça do governo Luiz Inácio Lula da Silva, assumiu a defesa da construtora Camargo Corrêa, alvo da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. A operação, deflagrada na quarta-feira (25), resultou na prisão de dez pessoas, sendo quatro executivos e duas secretárias da construtora.

Bastos atuará em conjunto com o advogado Antonio Cláudio Mariz de Oliveira, que já estava no caso. Ontem, a defesa da construtora ajuizou um pedido de habeas corpus para libertar os funcionários presos pela PF.

O ex-ministro, substituído em março de 2007 por Tarso Genro, afirma que não houve influência do Palácio do Planalto para que assumisse o caso. "Tenho amigos pessoais lá dentro [da Camargo Corrêa] e eles que me procuraram. Nada de Planalto. Tive com o presidente, mas só por cinco minutos, só para cumprimentá-lo no meio de uma reunião que ele estava tendo", afirmou Bastos à Folha Online

As investigações da PF apontam suspeitas de que a construtora tenha feito doações irregulares a partidos políticos. A polícia encontrou menções de doações a PSDB, DEM, PPS, PSB, PDT, PP e PMDB. Os partidos negam as doações irregulares.

Bastos afirma que já começou a estudar o caso para poder se inteirar sobre quais serão os próximos passos tomados no caso.

A Operação Castelo de Areia visa desarticular uma suposta quadrilha que atuava dentro da construtora. As suspeitas são de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.


Castelo de Areia

A Operação Castelo de Areia visa desarticular uma suposta quadrilha que atuava dentro da construtora. As suspeitas são de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Segundo reportagem da Folha desta sexta-feira, transcrição de conversas telefônicas de diretores da construtora aponta que a empreiteira fez doações ilegais a partidos políticos, segundo interpretação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Apesar de a operação ter atingido partidos de oposição, as investigações, segundo informou o "Painel", da Folha, também preocupa membros do PT.

Também há indícios da participação de um dirigente da Fiesp no suposto esquema. Ele foi citado em uma das conversas grampeadas pelos investigadores. A entidade nega qualquer "distribuição de dinheiro para funcionários públicos", "pagamentos por fora" ou "obtenção de benefícios indevidos em obras públicas".

Senadores citados nos documentos da PF trataram de comprovar a legalidade de doações recebidas da construtora. O PSDB já solicitou ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que ele peça à Justiça acesso aos relatórios da PF.

26 março 2009

A Fonte Ilegal de Padilha


FONTE: Revista IstoÉ

Um inquérito que tramita sob segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal (STF) mostra o envolvimento do ex-ministro dos Transportes e deputado Eliseu Padilha (PMDBRS) em crimes de tráfico de influência e fraudes em licitação. A Polícia Federal chegou ao nome do deputado peemedebista a partir da Operação Solidária, no Rio Grande do Sul, em 2007, que apontou irregularidades em contratos da merenda escolar em municípios gaúchos e indícios de fraude de R$ 300 milhões em obras públicas.

Uma das empresas investigadas era a MAC Engenharia, do empresário Marco Antonio Camino, mencionado como operador do esquema fraudulento. A polícia descobriu vários telefonemas dele para Padilha, um dos parlamentares mais influentes no Congresso Nacional e no PMDB. As escutas levaram à conclusão de que se tratava de tráfi- co de influência. ISTOÉ teve acesso aos relatórios da PF e a petições do Ministério Público Federal (MPF), que revelam um depósito de R$ 267 mil da MAC Engenharia na conta da empresa Fonte Consultoria Empresarial, cujos sócios são o deputado e sua esposa, Maria Eliane.

Numa das escutas transcritas no inquérito, Camino diz: "Aquele assunto que nós tratamos na terça-feira vai ser viabilizado 100, tá?", Padilha tenta entender o que o empresário diz: "Não ouvi, cortou." Camino repete: "Vai ser viabilizado 100." Não se sabe exatamente sobre o que os dois falavam, já que as conversas eram sempre cifradas. Aliás, em quase todos os grampos os interlocutores agiam assim. Ainda conforme a PF, com o uso de códigos nas licitações, os investigados direcionavam as obras importantes do Rio Grande do Sul para as empresas de interesse de Camino. Em outro diálogo, o empresário pede a Padilha que faça uma visita à MAC Engenharia. Camino demonstra interesse em conversar com o deputado do PMDB sobre licitações da Secretaria de Irrigação. Em nova conversa, Padilha faz referência a uma "boa notícia" que o empresário deu a ele.

O inquérito indicou elos entre a Operação Solidária e a Operação Rodin, que levantou desvios de R$ 44 milhões no Detran gaúcho. Segundo a PF, Camino teria recebido informações privilegiadas sobre recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). De acordo com a polícia, quem repassou estas informações ao empresário foram os deputados Padilha e José Otavio Germano (PP-RS). A PF relata que o grupo teria montado um esquema para desviar dinheiro de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O advogado Eduardo Ferrão, que defende Padilha, confirmou à ISTOÉ que o deputado efetivamente recebeu dinheiro de Camino.

Mas os depósitos de R$ 100 mil, do diálogo grampeado, teriam sido feitos para pagamento de uma casa que Padilha teria vendido ao empreiteiro. Ferrão, porém, não explica o uso da linguagem codifi- cada para tratar de algo tão corriqueiro. Quanto aos R$ 267 mil que Padilha teria recebido da MAC Engenharia, o advogado diz que o MPF trocou o nome da empresa ao transcrever o relatório da Receita Federal.

O depósito, segundo ele, foi feito pela Magna Engenharia - empresa que não pertence a Camino. O deputado, durante o exercício do mandato, teria prestado serviços de consultoria à Magna Engenharia. Padilha enviou ao STF nota fiscal do pagamento da Magna à Fonte. A PF também vai cruzar as informações para verificar a veracidade de toda esta documentação, sobretudo, para confrontar datas. Em sua defesa, Padilha diz que "orientou" Camino, mas dentro da lei.


DISFARCE Empreiteiro usava nomes de várias empresas e informava a Padilha para ficar à frente em licitações

O MPF pediu no dia 16 de dezembro a quebra de sigilo da Fonte e da Rubi Assessoria, outra empresa da família Padilha. A MAC é citada em sete acórdãos do Tribunal de Contas da União (TCU), nos quais constam irregularidades em obras. A empresa trabalha na execução da duplicação de trechos gaúchos da BR-101. Para o MPF, não há dúvida sobre a participação de Padilha nos esquemas de Camino. "Diligências realizadas no curso da investigação trouxeram ao presente inquérito elementos probatórios que indicam a prática de crimes pelo deputado federal Eliseu Padilha, dentre eles tráfico de influência e fraudes em licitação", afirma o MPF.

Segundo a investigação, o grupo demonstra interesse em grandes obras, como a BR-470, que liga o Rio Grande do Sul a Santa Catarina, e está recebendo R$ 1,4 bilhão do PAC. A empresa de Camino tem interesse ainda na construção das barragens de Jaguari e Taquamembó, no Rio Grande do Sul, ambas também financiadas com recursos do PAC, mas tocadas pelo governo do Estado. As duas obras vão custar R$ 143 milhões. Padilha afirma que a MAC perdeu essas licitações.

No entanto, isso quer dizer pouca coisa, pois Camino costuma usar outros nomes jurídicos. No relatório, a PF diz que Camino, em uma conversa, avisa a Padilha que ele, Camino, "é a Ergo Construção", ou seja, representa outra empresa em um dos contratos e solicita a interferência do parlamentar para que "seja mantido" à frente de uma obra.

Camino nega tráfico de influência, fraudes em licitação e pagamento de propina para políticos. "Jamais existiu qualquer tipo de pagamento de recursos ilegais ou de propina ao senhor Eliseu Padilha", diz o advogado da MAC Engenharia, Felipe Pozzebon. "Vamos demonstrar equívocos e erros no inquérito, pois há interpretações nas degravações das escutas telefônicas que geram equívocos enormes."

O relatório da PF cita algumas autoridades e órgãos públicos alvos do grupo, que teriam repassado informações privilegiadas para Camino. Um dos nomes citados no relatório é o do secretário nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades, Leodegard da Cunha Tiscoski. Ex-deputado federal por Santa Catarina, Leodegard seria o responsável por repassar informações para os parlamentares ligados a Camino, de acordo com a PF. Por intermédio de sua assessoria, Leodegard negou qualquer privilégio ao grupo de Camino ou aos deputados Padilha e Germano.

"Nunca ouvi falar do nome de Camino", diz Leodegard, por meio de assessores. "Há mais de dois anos não falo com o Eliseu Padilha." A Operação Solidária identificou inicialmente um grupo especializado em superfaturar e desviar dinheiro da merenda escolar em prefeituras de cidades gaúchas, como Canoas, Gravataí e Sapucaia. A partir das escutas, chegouse ao esquema de fraudes em licitação e de informações privilegiadas de obras de infraestrutura.

As operações Rodin e Solidária têm alvos em comum. Na Rodin, que constatou fraude em licitação e superfaturamento em contratos do Detran gaúcho, um dos réus na Justiça Federal é o ex-diretor da Companhia Estadual de Energia Elétrica e extesoureiro do PP, Antonio Dorneu Maciel. Ele tinha contatos com o ex-secretário de Canoas Francisco Fraga, o Chico Fraga, também réu na Rodin e investigado na Solidária. "A mulher do Chico Fraga trabalhava no gabinete do Padilha aqui no Estado", diz o deputado Elvino Bohn Gass (PT), líder da oposição gaúcha. "Todos estes esquemas têm link, o da merenda, o da infraestrutura e o do Detran."

Novas ligações entre estes três escândalos podem surgir assim que forem divulgados os vídeos e depoimentos que estariam na Justiça Federal gaúcha. Em fevereiro, a deputada Luciana Genro (PSOLRS) denunciou caixa 2 na eleição de 2006 e disse que existem vídeos e depoimentos gravados. Segundo a denúncia do PSOL, a MAC Engenharia teria dado R$ 400 mil para a campanha do PSDB ao governo do Rio Grande do Sul. Outros R$ 400 mil teriam sido dados pelo deputado Germano. Informado sobre a reportagem de ISTOÉ, Germano não se pronunciou. O irmão dele, Luiz Paulo Rosek Germano, é réu na Justiça Federal por envolvimento no esquema do Detran.

25 março 2009

MÚSICA: Seu Jorge - Tive Razão

24 março 2009

Defesa do casal Nardoni diz que analisará possibilidades de recurso

FONTE: Globo.com

O advogado Marco Polo Levorin, que representa o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, disse no fim da manhã desta terça-feira (24) que irá analisar as possibilidades de recurso contra a decisão da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. Os desembargadores mantiveram, por unanimidade, o júri popular e a prisão do casal acusado da morte de Isabella Nardoni, ocorrida há um ano.

Segundo Levorin, a defesa estudará a possibilidade de ingressar com um recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um recurso extraordinário no Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado afirmou que a decisão desta terça “faz parte do processo”. “A defesa entende que não houve esganadura, questionamos os laudos oficiais e entendemos que a prisão é ilegal. Vamos manter esse raciocínio”, disse.

O promotor Francisco Cembranelli disse que os recursos não interrompem o andamento do processo. Após a decisão favorável à pronúncia, segundo ele, os autos retornam ao tribunal de origem para que se inicie a preparação para o júri. “Vai ser uma preparação bastante cansativa e longa”, afirmou o promotor. Ele acredita, no entanto, que o julgamento possa ocorrer já no início do 2º semestre deste ano.

O desembargador Luís Soares de Mello, relator do recurso analisado nesta terça, deu uma previsão sobre a data do julgamento, apesar de salientar que a decisão é do juiz de primeira instância. “Eu acho que isso deve ser colocado em pauta em julho ou agosto. De setembro não passa”, disse. Ele afirmou que “há caminhos” para a defesa retardar o júri, mas preferiu não se estender sobre esses eventuais recursos.

Cembranelli afirmou ter ficado “bastante satisfeito” com a decisão dos desembargadores. “Eu já esperava, nunca tive dúvidas de que a decisão da pronúncia seria mantida”, disse. Ele acompanhou o julgamento do recurso sentado na platéia ao lado da assistente de acusação, Cristina Christo. Ele disse que “teve que se conter” para não apresentar seus argumentos contra os pontos apresentados pela defesa. Mas acrescentou que terá a possibilidade de fazer isso no júri.


Recurso

Os três desembargadores da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo analisaram, no total, quatro recursos da defesa. Entre eles, um que pedia a liberdade do casal e outro que apontava razões para anular o processo. Todos foram negados. O desembargador disse que não teve dúvidas ao manter, em seu relatório, a prisão do casal. “Esse é um caso típico, emblemático e necessário de prisão processual”, afirmou.

O primeiro a falar durante a sessão foi o advogado de defesa. Ele sustentou durante 45 minutos que a pronúncia deveria ser anulada. Levorin apontou pontos que considera falhos nos laudos periciais. A defesa acredita, por exemplo, que não houve esganadura, como atestam os laudos. A morte teria ocorrido apenas por politraumatismo, provocado pela queda do 6º andar do Edifício London.

A procuradora de Justiça Sandra Jardim foi a segunda pessoa a ser ouvida pelos desembargadores, também durante 45 minutos. Ela rebateu as críticas da defesa do casal Nardoni ao trabalho dos peritos. E afirmou que, nesse momento do processo, não é necessário analisar o mérito - o que deve ser feito pelos jurados. “A prova [que a polícia usou para incriminar o casal] é exuberante e não há motivo para análise de mérito nesse momento.”

23 março 2009

Casal Nardoni se ocupa com televisão e orações em presídios de Tremembé


FONTE: Globo.com

Imagens inéditas registradas pelo Fantástico em 20 de abril de 2008 mostram Alexandre, Anna Carolina Jatobá e os dois filhos do casal. A gravação foi feita no dia em que o pai e a madrasta de Isabella falaram com exclusividade ao programa. Dezessete dias depois, a Justiça aceitou a denúncia contra o casal. Os dois foram presos, acusados de matar a filha de Alexandre, Isabella, de 5 anos.

Para o Ministério Público, esse período de um ano entre o assassinato de Isabella, no dia 29 de março, até hoje serviu para aumentar a convicção de que o casal é culpado. "A prova que eu possuía quando propus a ação penal foi encorpada com o que obtivemos em juízo. Isso tudo de modo a dar base ainda mais ao que alega a acusação", garante o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá aguardam o julgamento - que ainda não tem data definida - em cadeias da cidade de Tremembé, no interior de São Paulo. O pai e a madrasta de Isabella estão preso há 11 meses em prédios localizados a cerca de três quilômetros de distância.



Informações obtidas pelo Fantástico revelam que Alexandre Nardoni fica em uma cela de 24 metros quadrados, com mais quatro presos. A mesma situação de Anna Carolina Jatobá, que é acusada de esganar a enteada. Na penitenciária, ela frequenta os cultos evangélicos e ajuda na limpeza.



Alexandre - que segundo a polícia, jogou a filha pela janela - chegou a participar das aulas de música, mas desistiu. Na maior parte do tempo, ele assiste televisão.
"Me parece que estão tranquilos. Estão até bem integrados à rotina carcerária. Não houve qualquer problema criado e demonstra até um certo conformismo com a situação", comenta o promotor de Justiça Francisco Cembranelli.

A informação é que, na cadeia, Alexandre e Anna Carolina receberam uma única visita dos filhos. O casal reclama que sente muita saudade dos meninos. Procurado pelo Fantástico, o pai de Alexandre, o advogado Antonio Nardoni, preferiu não gravar entrevista. Mas disse que os netos, atualmente com 4 e com 2 anos, choram quase todos os dias desde que se separaram dos pais.

Desde a prisão, os advogados de defesa tentaram conseguir um habeas corpus, para que o casal pudesse responder ao processo em liberdade. Todos os pedidos foram negados sucessivamente.

Primeiro, no Tribunal de Justiça de São Paulo. Depois, em Brasília: no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do poder judiciário brasileiro.

"Não é um processo demorado, muito pelo contrário. É bastante rápido, já que é processo muito volumoso, com certo grau de complexidade, já seriam levados a julgamento no início do ano, não fosse o recurso interposto pela defesa", diz o promotor.

Nesta semana, o Fantástico procurou os advogados do casal, mas nenhum quis gravar entrevista. A estratégia é manter o silêncio, às vésperas de um momento considerado crucial pela defesa.



Júri popular


Uma das decisões mais importantes do processo vai ser anunciada nesta terça-feira, na sala do Tribunal de Justiça de São Paulo. Os desembargadores vão julgar se Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni devem - ou não - ir a júri popular. Os advogados de defesa alegam que o pai e a madrasta de Isabella Nardoni são inocentes e que não existem provas concretas contra os dois.

Segundo juristas, pelo andamento do processo e pelas decisões anteriores, dificilmente o casal vai se livrar de ficar frente a frente com os sete jurados, que vão fazer parte do júri popular. Os nomes são definidos por sorteio.

"O jurado tem um poder tão grande, tão amplo que ele decide de acordo com a consciência dele. A defesa, no dia do julgamento, pode adotar uma tese defensiva que até o momento não teria sido cogitada, isso obviamente pode causar surpresa", aponta o juiz Richard Chequini.

Os advogados de defesa ainda podem entrar com outros recursos na Justiça. Mas, o Ministério Público tem uma previsão: acredita que o pai e a madrasta de Isabella sejam julgados no início do segundo semestre ou, no máximo, até o começo do ano que vem. Se condenados, a pena deve passar dos 12 anos de prisão.

"Estou convicto do que aleguei até o momento. A ideia continua a mesma, de levá-los a julgamento, objetivando uma decisão compatível com o interesse social. Acredito que eles serão condenados por unanimidade", diz Francisco Cembranelli.

22 março 2009

PF prepara exclusão de Protógenes de seus quadros

Por Josias de Souza


FONTE: Blog do Josias de Souza - Folhan online


O destino do delegado Protógenes Queiroz está traçado. Ele será excluído dos quadros da Polícia Federal.

O afastamento será formalizado ao término da investigação que está sendo feita pelo delegado Amaro Ferreira, corregedor da PF.

Amaro conduz o inquérito que apura indícios de desvio de conduta de Protógenes e da equipe dele na primeira fase da Operação Satiagraha.

Na semana passada, depois de interrogar Protogenes por cerca de duas horas, Amaro indiciou o colega pela suposta prática de dois tipos de delito:

1. Quebra de sigilo funcional [vazamento de informações sigilosas];

2. Violação da lei de interceptações telefônicas [grampos ilegais].

A investigação encontra-se em estágio avançado. Mercê dos indícios colecionados, formou-se no governo uma convicção de "culpa" do delegado.

Em sucessivas manifestações públicas, Protógenes afirma que não praticou ilegalidades na Satiagraha. Em diálogos privados, seus superiores dizem coisa diversa.

O diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o chefe dele, o ministro Tarso Genro (Justiça), dão como certo o desligamento de Protógenes.

Antes do desfecho do caso, Luiz Fernando e Tarso cogitam fechar as cortinas do palco de Protógenes, proibindo-o de proferir palestras a de tomar parte de atos políticos.

Afastado do comando da Satiagraha, o delegado foi lotado na Coordenação de Defesa Instituticonal da PF.

Desde então, Protógenes vem desperdiçando o tempo entre o exercício de uma rotina policial esvaziada e uma agenda pública apinhada de compromissos.

O ex-mandachuva da Satiagraha corre o país. Na última quinta (19), concedeu uma longa entrevista ao UOL.

Na sexta (20), deu palestra em Santos (SP), a convite da Unafisco, entidade sindical dos auditores da Receita.

Na próxima semana, dará duas novas palestras, no Rio. Ambas a convite da Universo (Universidade Salgado de Oliveira. Uma na quarta (25). Outra na quinta (26).

No dia 2 de abril, Protógenes troca o expediente na PF por um “ato público” organizado pelo PSOL, partido da filha de Tarso Genro, a deputada Luciana Genro (RS).

Ao lado da ex-senadora Heloisa Helena, presidente do PSOL, Protógenes protestará “contra a política do governo Lula...”

“...Que levou o Brasil e os trabalhadores a pagar a conta da crise promovida pelos especuladores, banqueiros e corruptos”.

Instada por Tarso Genro, a cúpula da PF, que vinha autorizando a maior parte dos deslocamentos de Protógenes, deve adotar nova política, desautorizando-os.

O ápice da desenvoltura de Protógenes foi a divulgação, num sítio levado à rede para festejá-lo, de uma carta que diz ter enviado a ninguém menos que Barack Obama.

A íntegra está disponível aqui. No texto, Protógenes pede ao presidente americano que socorra o Brasil no combate à "corrupção que ameaça a soberania" do país.

Lembra que estão nos EUA peças essenciais da Satiagraha. Menciona os “12 discos rígidos” apreendidos na casa “do banqueiro-bandido Daniel Dantas”

Foram enviados a Washington pela PF, para a quebra dos códigos que obstruem o acesso aos dados. Encontram-se no FBI. Mas, na carta, Protógenes fala da CIA.

De resto, o delegado faz no texto acusações amplas, gerais e irrestritras. Todas elas gravíssimas.

Anota que Daniel Dantas praticou fraudes e crimes, nos últimos 15 anos, “em conjunto com os mais altos representantes [...] dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”.

Escreve que o Judiciário brasileiro está no “payroll” (folha de pagamento) de Daniel Dantas. Mas “não é apenas o Judiciário...”

Insinua que até mesmo Lula estaria a soldo do “banqueiro-bandido”. Por quê? Segundo Protógenes, o presidente baixou, em 19 de fevereiro, decreto alterando o funcionamento do Sisbin.

Trata-se do órgão que coordena a ação de todos as repartições da área de inteligência do governo.

O delegado escreve: "Lula acaba de colocar os amigos para assumir o controle do Sisbin".

Extinguiu-se um conselho e criou-se, diz Protógenes, “um comitê de seis indivíduos amigos de Lula, todos com um passado ético extremamente questionável”.

Luiz Fernando Corrâa, o diretor-geral da PF, e Tarso Genro tomaram conhecimento da carta de Protógenes a Obama na última sexta (20).

Reagiram com surpreendente naturalidade. Em privado, disseram que o “problema” se resolveria com o iminente afastamento do delegado.

Assim, ficam boiando no ar, sem resposta, as insinuações de Protógenes de que até mesmo Lula estaria no bolso de Daniel Dantas.

O texto do delegado só começou a circular no Planalto na manhã deste sábado (21). Um auxiliar de Lula recolheu-o na internet. Levaria a carta ao conhecimento do chefe.

Protógenes envia carta ao Presidente Barack Obama


Estimado Presidente Barack Obama –

Como é amplamente reconhecido, a sua eleição ao cargo supremo dos EUA reafirma e fortalece a luta pela democracia e pela justiça travada por cidadãos honrados em nações do mundo inteiro. Acreditamos que existe, de fato, "uma luta em andamento que vai além do oceano" dizendo respeito ao bem-estar de toda a coletividade humana. É nesse espírito que estamos enviando essa comunicação à sua atenção.

O Brasil vive momentos de fragilidade, pois evidências de esquemas de corrupção que ameaçam a soberania de nosso país estão presentemente sendo avaliadas nos EUA. Precisamos, portanto, do seu apoio. Sabemos, afinal, que o crime organizado internacional não tem qualquer comprometimento com o valor público das nações do planeta, mas apenas com a sua dizimação, fato que perpetua o flagelo e o sofrimento de centenas de milhões de seres humanos em todos os países.

A luta brasileira contra a corrupção tem se tornado mais intensificada nesses últimos meses conforme a operação Satiagraha da Polícia Federal tem evidenciado ao povo brasileiro o envolvimento dos três poderes da república em esquemas de corrupção. Isso se tornou público a partir da apreensão e condenação do banqueiro-bandido Daniel Dantas, o agente financeiro de inúmeras fraudes e atos criminosos realizados nos últimos 15 anos em conjunto com os mais altos representantes públicos dos poderes executivo, legislativo e judiciário do Brasil.

Como resultado desse quadro lamentável, os poderes da república brasileira têm agido de forma patentemente arbitrária e antidemocrática, visando obstruir os processos da lei e da ordem, dessa forma traindo os interesses 190 milhões de cidadãos brasileiros ao favorecer bandidos já condenados pelas leis do país.

O fato é que os 2 bilhões de dólares já bloqueados com a ajuda de governos estrangeiros – do total de U$ 16 bilhões desviados pelo banqueiro-bandido Daniel Dantas – mostram a veracidade dos crimes e provam que a luta vai, sim, além dos oceanos. Mesmo assim e apesar de ter sido condenado a dez anos de prisão bem como ao pagamento de multa de R$ 12 milhões por tentar subornar um delegado da Policia Federal, o banqueiro-bandido condenado responde a sentença em liberdade após receber dois Hábeas Corpus sucessivos contrariando todo o histórico de julgamentos e súmulas da Suprema Corte brasileira.

Infelizmente, não é apenas o judiciário que está no payroll do banqueiro-bandido Daniel Dantas. O próprio presidente da república, o Lula, acaba de colocar los amigos para assumir controle do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) com um decreto no dia 19 de fevereiro de 2009, visando obstruir processos relativos à soberania da nação – aliás, uma jogada não muito distante do Patriot Act do presidente G.W. Bush que custou aos EUA um atraso que o senhor pode mensurar melhor do que ninguém. No caso em questão, 11 entidades autônomas, incluindo as forças armadas brasileiras, formavam um conselho consultivo que coordenava a Sisbin. Esse conselho foi agora substituído por um comitê de seis indivíduos amigos de Lula, todos com um passado ético extremamente questionável.

Como é de conhecimento público, as informações da investigação Satiagraha contendo provas irrefutáveis dos crimes mencionados acima se encontram em 12 discos rígidos, encontrados dentro de uma parede oca na residência do banqueiro-bandido Daniel Dantas, os quais estão presentemente nas mãos da CIA nos EUA para serem analisados e revelados os esquemas de corrupção no Brasil com reflexos no seu país. Não é difícil imaginar as razões que levaram essas evidências para longe do Brasil ao considerarmos a seriedade dos crimes cometidos e o poder dos criminosos envolvidos, cuja lista abrange expoentes do sistema financeiro internacional, alguns já bem conhecidos do público estadunidense.

Assim como o senhor, o senador Russ Feingold e milhões de homens e mulheres honrados em seu país, a grande maioria dos brasileiros acredita que a lei deve valer para todos equitativamente, caso contrário a democracia se torna uma mentira e colocamos em risco o futuro da liberdade e da cidadania no mundo. Temos que lutar juntos pela transparência e pela justiça dia e noite para que as forças corruptas não se imponham sobre as forças do bem e por isso acreditamos vigorosamente que não pode haver protelações quanto à justiça clamada pelo povo brasileiro em face da crise moral que assola o Brasil.

Finalmente, lutamos pela justiça HOJE. Como escreveu Martin Luther King Jr., "Justiça atrasada é justiça negada". Então, contamos com a sua vigilância e o seu apoio para que os processos de avaliação e divulgação dos dados contidos nos 12 discos rígidos em poder da CIA não sejam obstruídos. Queremos apenas a verdade, pois sabemos que basta a verdade para que a soberania do nosso povo seja garantida.

Deus abençoe o senhor, sua família, o povo americano e todas as suas iniciativas visando o aprimoramento social da humanidade.


Atenciosamente,

Protógenes Queiroz
www.protogenescontraacorrupcao.ning.com

21 março 2009

"Não tenho a mínima chance de ganhar um prêmio Nobel"

FONTE: Revista Época


Pela primeira vez em seus 128 anos de existência, a revista Science, a mais prestigiosa publicação científica mundial, dedica sua capa à pesquisa de um brasileiro, o neurocientista Miguel Ângelo Laporta Nicolelis. Paulistano de 48 anos e torcedor fanático do Palmeiras, Nicolelis vive nos Estados Unidos, onde dirige o Centro de Neurociência da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Nicolelis começou a despontar na ciência em 1999, quando implantou um chip no cérebro de uma macaca, permitindo que ela movimentasse um braço robô usando apenas o pensamento. Na última década, Nicolelis já fez macacos controlarem o andar de robôs e inaugurou o Instituto de Neurociência de Natal, no Rio Grande do Norte, onde desenvolve pesquisas em paralelo com seu laboratório americano. Sua conquista mais recente é a capa da Science. Nicolelis desenvolveu uma nova técnica cirúrgica desenvolvida, baseada na estimulação elétrica da medula espinhal, que é um novo tratamento potencial para pacientes com Mal de Parkinson. Nesta entrevista a ÉPOCA, Nicolelis explica sua nova experiência e afirma não ter a "mínima chance" de ser o primeiro Nobel brasileiro.

ÉPOCA - Por que sua pesquisa foi publicada na capa da Science?
Nicolelis - É a primeira vez que a ciência brasileira ganha a capa da mais prestigiosa publicação científica do planeta. Em 2000, a revista inglesa Nature já havia publicado uma capa com o sequenciamento do genoma da bactéria Xylela fastidiosa, a responsável pela praga do amarelinho, que ataca os laranjais. Naquele caso, se tratava de um consórcio de vários laboratórios que fizeram o sequenciamento. Foi um esforço muito bonito da ciência brasileira. Agora, no caso desta capa da Science, acho que seus editores escolheram a minha pesquisa porque ela representa não só uma nova terapia potencial para os pacientes com Mal de Parkinson. É uma nova técnica cirúrgica que pode influenciar o tratamento de outras doenças.

ÉPOCA - Poderia explicar esta nova técnica?

Nicolelis - A idéia dessa cirurgia surgiu por acaso, em um jantar com meus alunos há dois anos. Estávamos conversando sobre os sinais cerebrais dos ratos com Parkinson, quando percebi que aquele padrão era muito semelhante ao que já tinha visto dez anos antes, em pacientes com epilepsia. Daí veio a pergunta: será que o Mal de Parkinson é uma forma especial de epilepsia? No caso dos doentes com Parkinson, o que existe é uma concentração nos disparos elétricos dos neurônios num determinado intervalo de tempo. Quando acontece essa concentração de disparos, o paciente perde o controle do próprio movimento. Resolvemos testar este modelo com cobaias, e verificar se havia tratamento para os sintomas.

ÉPOCA - Como isso foi feito?

Nicolelis - O trabalho aconteceu com camundongos saudáveis que receberam uma medicação para manifestar sintomas semelhantes aos do Mal de Parkinson, uma doença degenerativa do sistema nervoso que acomete, em geral, pessoas idosas, comprometendo seus movimentos e a sua locomoção. Nesta experiência, nós também usamos ratos com lesões na medula espinhal, que causam paralisia permanente. Nos dois casos, implantamos uma prótese na medula espinhal das cobaias. A prótese disparou estímulos elétricos diretamente na medula espinhal. Cerca de três segundos após cada disparo, os sintomas de paralisia cessaram, os animais começaram a andar, e os sintomas semelhantes aos do Mal de Parkinson desapareceram.

ÉPOCA - Mas por que os sintomas desapareceram?
Nicolelis - Usamos o implante na medula para, através de estímulos elétricos, injetar ruído no cérebro dos ratos, de tal maneira a tornar a concentração de disparos que causa o descontrole motor mais caótico, em vez de mais organizada. A ironia é que a criação desse caos se mostrou benéfica. Ela é saudável para o cérebro. A elevação do ruído restabeleceu o controle sobre os movimentos. Para o senso comum, deveria acontecer exatamente o contrário. Na visão clássica, o cérebro precisa de ordem, não de caos. Mas esta é a visão clássica da engenharia, e o cérebro não foi construído por engenheiros. Todos os comentários que tenho recebido dos especialistas em Parkinson - e eu não sou um deles - mostram que eles estão muito surpresos e satisfeitos. Ninguém pensou nisso.

ÉPOCA - Até hoje, o senhor era conhecido por fazer implantes no cérebro de cobaias. Qual é a vantagem do novo método?

Nicolelis - A vantagem da estimulação na medula é que ela pode ser feita logo no início da doença, e é muito menos invasiva do que o implante de uma prótese dentro do cérebro. Este é um procedimento ao qual apenas um terço dos pacientes têm condições de se submeter. O mais interessante da nova cirurgia é que, quando se combina essa nova cirurgia com a medicação tradicional prescrita para pacientes com Parkinson, eles só precisam usar um quinto da dose convencional. Com uma dose tão baixa, não há efeitos colaterais nem o desenvolvimento de tolerância à medicação. Ou, pelo menos, o risco do desenvolvimento desta tolerância pode ser afastado por vários anos.

ÉPOCA - Qual é o próximo passo?
Nicolelis - Esta cirurgia é um tratamento potencial para o Mal de Parkinson. Em 2009, vamos replicar o estudo em saguis, no Instituto de Neurociência de Natal, no Rio Grande do Norte. Se os resultados forem semelhantes aos obtidos com ratos, poderemos iniciar os testes clínicos com humanos em 2010.

ÉPOCA - Miguel Nicolelis será o primeiro brasileiro a ganhar um prêmio Nobel?

Nicolelis - Não, de jeito nenhum. Não tem a mínima chance. É uma coisa muito competitiva, e eu não participo das rodas sociais onde essas decisões são tomadas. Mas se, nos próximos anos, eu conseguir produzir essa nova teoria do cérebro e ela for aceita, como também consiga construir as próteses robóticas que vão alterar a vida de gente que está paralisada, o resto é... é o resto. Realizar estes feitos é a minha obsessão. Se eu conseguir chegar perto de realizar algum destes objetivos, e o Palmeiras voltar a ganhar alguma coisa que preste, vou estar satisfeito.

Quem foi rei, nunca...

FONTE: Revista IstoÉ


O ex-ministro José Dirceu comemorou triplamente o seu aniversário de 63 anos, na última semana. No domingo 15, reuniu contemporâneos da militância estudantil de 1968 em petit comité em Vinhedo (interior de São Paulo). No dia seguinte, recebeu cerca mil pessoas em tradicional festa anual no Bar Avenida, na capital paulista. E finalmente, na noite da terça-feira 17, o fecho de ouro: uma grande recepção numa casa de festas do Lago Norte, em Brasília, contou com a presença de nove ministros - como Dilma Rousseff, da Casa Civil, Hélio Costa, das Comunicações, e Paulo Bernardo, do Planejamento - e o vice-presidente da República, José Alencar, além de líderes do PT e de partidos aliados. Em cada um dos eventos, Dirceu demonstrou força e influência no partido e no primeiro escalão do governo federal - a despeito de estar afastado do Palácio do Planalto desde 2005, quando foi cassado no escândalo do mensalão.

Esse alto cacife político, do qual poucos dirigentes do PT e até membros do governo dispõem hoje, é o que embala a volta do petista à cena política. Desde o início do ano, aproveitando o enfraquecimento do presidente do PT, Ricardo Berzoini, que deixa o cargo em novembro, Dirceu tem atuado como uma espécie de dirigente informal e um dos articuladores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência da República em 2010. Com o aval do presidente Lula, que se ressente de uma liderança de mais peso dentro do PT, de fevereiro para cá Dirceu percorreu nove Estados a fim de aparar arestas nos diretórios regionais e costurar as alianças para as eleições do ano que vem.

"Estou com muita disposição para viajar o País e vamos vencer as eleições de 2010", disse Dirceu em discurso para mais de 300 pessoas durante festa em Brasília, depois de brincar que está jovem, "apesar do implante capilar".

Na recepção na capital federal, regada a vinho chileno, uísque 12 anos, sashimis, sushis e arroz com tomate seco, a sucessão presidencial foi o principal assunto das rodas de conversas. Dilma, a primeira a chegar, conversou longamente com o anfitrião, mas saiu cedo. "Estou cansada.

O trabalho está muito puxado", explicou. Não ficou para ouvir o aniversariante vaticinar, num diálogo com Berzoini, que em breve a candidata petista ultrapassará o governador Aécio Neves (PSDB-MG) nas pesquisas. "Até as festas de São João ela passa", previu Dirceu, que já tinha antecipado que Dilma desbancaria Heloísa Helena (PSOL) e Ciro Gomes (PSB) até a Semana Santa. Na última pesquisa Datafolha, Dilma continuava em quarto lugar.

No momento em que luta para ser absolvido no processo do Supremo Tribunal Federal e recuperar os direitos políticos, o que Dirceu menos quer é voltar a ser o centro das atenções.

"Lula fará o barulho, José Dirceu as articulações no bastidor e Dilma será só paz e amor", conta um senador petista. "Nem cargo de direção eu quero mais", afirma Dirceu para, em seguida, defender a renovação dos quadros do partido. "Essa é a palavra de ordem." De fato, Dirceu não precisa de cargo para falar pelo PT. "O Zé tem muita representatividade e esses eventos atestam o grande prestígio que ele goza na legenda", confirma o líder do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, deputado Rui Falcão. "Sem dúvida que ele será um dos grandes operadores da campanha da Dilma", acrescentou.

Num verdadeiro périplo pelo País, Dirceu avocou para si a missão de atrair o PMDB para a aliança com o PT. Desde fevereiro, ele já percorreu o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Piauí. Só na última semana, visitou os diretórios de quatro capitais. Na quinta-feira 19, esteve em Salvador.

Além de jantar com o governador Jaques Wagner, manteve encontros com os dirigentes do PT estadual. "É muito importante que estejamos juntos com o PMDB aqui na Bahia", ressaltou Dirceu durante reunião com os petistas do Estado. "Mas o Geddel é que quer rachar", reagiu um dos presentes, referindo-se ao ministro da Integração Regional, Geddel Vieira Lima. "Acertem com ele a candidatura ao Senado", respondeu o ex-ministro. "Ele nos deu os caminhos para resolvermos os atritos", contou Josias Gomes, integrante do diretório nacional e ex-presidente do PT baiano.

No fim da última semana, antes do aniversário, Dirceu ainda foi ao Rio Grande do Norte, Pernambuco e Piauí.

Na terça-feira 10, o petista se encontrou com Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu, que já lançou seu nome para a disputa ao governo do Estado. A decisão de Lindberg preocupa, e muito, o PT, que avalia como prioritário um palanque único no Rio. "Não podemos nos anular, ficar rendidos ao PMDB", disse Lindberg. O ex-ministro não pediu a Lindberg que retirasse sua candidatura, mas ponderou que ele colocasse seu nome ao Senado numa dobradinha com Cabral. Outros palanques estaduais também preocupam. No dia 6, Dirceu esteve em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, também para apartar uma briga interna. Lá, dois candidatos do PT, Delcídio Amaral e Zeca do PT, disputam a indicação para a cadeira do governador Andr é Puccinelli (PMDB). "Precisamos desse entendimento, não podemos rachar aqui", falou Dirceu na conversa com Delcídio. Ao que respondeu o senador: "Não vou ser empecilho, mas a instabilidade do Zeca dificulta um pouco."

Entre plenárias e encontros, Dirceu reforça sua liderança e a de seu grupo, Construindo Um Novo Brasil, que detém 34 das 81 cadeiras no Diretório Nacional, distribuídas por mais sete tendências. De acordo com integrantes do partido, há um vácuo de poder no PT que o ex-ministro sabe ocupar muito bem. "Falta no PT um pulso forte para impedir o desastre da política malfeita conduzida nos últimos anos pelo Diretório Nacional", avalia Rogério Correa, dirigente do PT mineiro. Em novembro, o PT passará por uma das mais profundas reformas em sua direção nacional. Pelas novas regras, aprovadas em 2007, não poderão se reeleger os dirigentes que já tenham exercido, pelo menos, dois mandatos consecutivos. Calcula-se que o processo eleitoral possa atingir 60% da cúpula. Além de Dirceu, que é lembrado para voltar à presidência, outros três nomes ganham força e contam com o aval de Lula: o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci, e o assessor de Lula, Marco Aurélio Garcia. Com efeito, o que até as bandeiras do PT sabem é que, independentemente do resultado, uma coisa é certa: Dirceu voltou a dar as cartas.


Porteira aberta

Aproveitando esse hiato de poder no PT, que prepara a mudança da direção para novembro, dois personagens do escândalo do mensalão voltam à cena: o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-secretário- geral do partido Sílvio Pereira. Delúbio foi visto na quarta-feira 18 visitando gabinetes petistas no Congresso, num lobby pela sua reabilitação e regresso ao partido, que depende de votação do diretório nacional. O antigo dirigente é hoje um dos principais articuladores da aliança com o PMDB de Iris Rezende em Goiás e tem dito aos antigos colegas que sofreu uma pena dura."Os argumentos dele fazem sentido. Pretendo avaliar com calma o pedido", disse o líder do partido na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP). Já Silvio Pereira, que cumpre pena alternativa na Subprefeitura do Butantã, planeja retomar tão logo termine a sanção, o que deve ocorrer até julho. Silvinho, como é conhecido, quer voltar sob o argumento de que é o único que já pagou o que devia à sociedade.

19 março 2009

FALANDO EM LETRAS

Por Riva Moutinho


Não há lógica em ser o que somos
E nem troféu justificaria qualquer coisa que fizéssemos
Lembre-se que todos somos iguais e o que importa é o amor
E que é impossível amar e não ter ações.
Leia no Blog Infinito de Mim: CLIQUE AQUI

Culpado de todas as acusações, Josef Fritzl pega prisão perpétua

FONTE: Globo.com

Melhores momentos:

Cruzeiro 2 X 0 Universitário de Sucre

18 março 2009

Corpo de Clodovil deixa Assembleia sob aplausos e é enterrado


FONTE: Estadão

SÃO PAULO - O velório do deputado federal Clodovil Hernandes na Assembleia Legislativa de São Paulo terminou às 16 h. O caixão com o corpo do estilista e parlamentar foi fechado sob aplausos e levado para o cemitério do Morumbi. O rápido enterro foi realizado por volta das 17h e contou com a presença de fãs e eleitores. Clodovil foi enterrado próximo à lápide da sua mãe, Izabel Sanchez Hernandes, falecida em 1986.

No Hall Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo, o velório terminou por volta das 16 horas. O padre Juarez de Castro fez uma última homenagem a Clodovil. "A moda perde o seu humor e a TV perde a sua irreverência", disse. Em seguida, o padre rezou o salmo 23, que diz: "O senhor é meu pastor e nada me faltará."Estima-se que mais de mil pessoas compareceram a Assembleia para se despedir de Clodovil.

O coronel Jairo Paes de Lira deverá assumir o cargo de deputado federal na vaga deixada pelo deputado Clodovil Hernandes (PR-SP). O coronel Jairo Lira, que comandou o 3º Batalhão de Choque, participou da última eleição para deputado federal pelo PTC e ficou como primeiro suplente do partido. Ele obteve menos de sete mil votos.

Um dos mais famosos estilistas e apresentadores do Brasil, Clodovil foi o terceiro deputado federal mais votado do País nas eleições de 2006, com 493.951 votos. Morto hoje, aos 71 anos, em consequência de um acidente vascular cerebral (AVC), Clodovil concluiu uma biografia que teve na polêmica uma das principais marcas registradas.

Filho de pais adotivos, Clodovil nasceu em 1937, na cidade de Elisário, interior de São Paulo. Aos 20 anos, se mudou para a capital paulista e logo se firmou como costureiro das celebridades, entre elas Elis Regina, Cacilda Becker e as famílias Diniz e Matarazzo. Na década de 1990, passou a se dedicar somente à televisão, comandando programas como o "TV Mulher", na Rede Globo, junto com Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo. Clodovil passou também pelas redes Manchete, Gazeta e RedeTV.


_Política

quarta-feira, 18 de março de 2009, 16:50 | Online

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Corpo de Clodovil deixa Assembleia sob aplausos e é enterrado

Rápido enterro contou com a presença de fãs e eleitores; deputado foi enterrado próximo à lápide da sua mãe

Carolina Ruhman, da Agência Estado

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O caixão com o corpo do estilista e parlamentar foi fechado sob aplausos

Nilton Fukuda/AE

O caixão com o corpo do estilista e parlamentar foi fechado sob aplausos
SÃO PAULO - O velório do deputado federal Clodovil Hernandes na Assembleia Legislativa de São Paulo terminou às 16 h. O caixão com o corpo do estilista e parlamentar foi fechado sob aplausos e levado para o cemitério do Morumbi. O rápido enterro foi realizado por volta das 17h e contou com a presença de fãs e eleitores. Clodovil foi enterrado próximo à lápide da sua mãe, Izabel Sanchez Hernandes, falecida em 1986.
No Hall Monumental da Assembleia Legislativa de São Paulo, o velório terminou por volta das 16 horas. O padre Juarez de Castro fez uma última homenagem a Clodovil. "A moda perde o seu humor e a TV perde a sua irreverência", disse. Em seguida, o padre rezou o salmo 23, que diz: "O senhor é meu pastor e nada me faltará."Estima-se que mais de mil pessoas compareceram a Assembleia para se despedir de Clodovil.

O coronel Jairo Paes de Lira deverá assumir o cargo de deputado federal na vaga deixada pelo deputado Clodovil Hernandes (PR-SP). O coronel Jairo Lira, que comandou o 3º Batalhão de Choque, participou da última eleição para deputado federal pelo PTC e ficou como primeiro suplente do partido. Ele obteve menos de sete mil votos.

Um dos mais famosos estilistas e apresentadores do Brasil, Clodovil foi o terceiro deputado federal mais votado do País nas eleições de 2006, com 493.951 votos. Morto hoje, aos 71 anos, em consequência de um acidente vascular cerebral (AVC), Clodovil concluiu uma biografia que teve na polêmica uma das principais marcas registradas.

Filho de pais adotivos, Clodovil nasceu em 1937, na cidade de Elisário, interior de São Paulo. Aos 20 anos, se mudou para a capital paulista e logo se firmou como costureiro das celebridades, entre elas Elis Regina, Cacilda Becker e as famílias Diniz e Matarazzo. Na década de 1990, passou a se dedicar somente à televisão, comandando programas como o "TV Mulher", na Rede Globo, junto com Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo. Clodovil passou também pelas redes Manchete, Gazeta e RedeTV.

Alvo de diversas acusações de racismo, o deputado e apresentador chegou a dizer em uma entrevista, em 2005, que perdera a conta de quantos processo respondia. Em 2004, em um de seus programas, Clodovil chamou a então vereadora de São Paulo Claudete Alves (PT-SP) de "macaca de tailleur metida a besta". No ano seguinte, disse à deputada Cida Diogo (PT-RJ) que atualmente "as mulheres trabalham deitadas e descansam em pé". Ele chamou também a deputada de "mulher feia".

Eleito pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC-SP), Clodovil deixou a legenda em 2007 para integrar os quadros do Partido da República (PR-SP). Acusado de infidelidade partidária, foi absolvido por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na quinta-feira passada. O suplente Jairo Paes Lira, do PTC de São Paulo, assumirá a vaga do parlamentar.

Clodovil passou mal na madrugada de segunda-feira, 16, e morreu na terça, aos 71 anos, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC).

17 março 2009

A Crise Universal


FONTE: Revista Carta Capital

A Igreja Universal do Reino de Deus está dividida. No momento, atravessa uma crise de comando. Há cerca de três meses, seu chefe máximo, Edir Macedo, nomeou o bispo Romualdo Panceiro, o então líder no Brasil, como o seu sucessor mundial.

Panceiro mudou-se para a Califórnia, onde vive Macedo, de onde passaria a comandar a igreja, mas mantendo-se próximo ao fundador da instituição. Surpreendentemente, o novo comandante retornou ao Brasil. Com uma procuração nas mãos passada por Macedo, Panceiro obteve o controle de vários dos mais importantes e valiosos bens da igreja, tornou-se o homem forte e deixou de ouvir o antigo guru, revelam fontes próximas à cúpula da Universal.

O bispo Macedo sentiu-se traído pelo ex-líder no Brasil. No entanto, não teria agora como reverter o poder outorgado a Panceiro. Uma importante funcionária da área administrativa da igreja confirmou que o novo dirigente está fortalecido e “com amplos poderes”. Procurada para falar sobre a crise, a direção da igreja disse que a informação “não procede” e “é infundada”. “A Universal do Reino de Deus tem em seu corpo a liderança do bispo Edir Macedo”, informou em nota.

Criada em 1977 no Rio de Janeiro, na sede de uma antiga funerária, a Igreja Universal cresceu e passou a controlar a Rede Record de Televisão, além de emissoras de rádio, gráficas, jornais, gravadora e instituições financeiras.

Macedo decidiu nomear Panceiro como sucessor depois de ser submetido a uma cirurgia no pâncreas, nos Estados Unidos, há cerca de nove meses. Seu estado de saúde não é bom, garantem religiosos próximos. Ele também sofre de diabetes. Fotografias recentes ao lado de familiares mostradas em seu site pessoal na internet exibem sua fragilidade física. O bispo está muito magro, em comparação com fotografias de um ou dois anos atrás. Depois do “entrevero” com Panceiro, Macedo passou a ter bem mais próximo de si o ex-líder da Igreja Universal no México, Paulo Roberto Guimarães.

O bispo Panceiro comandava a igreja no Brasil há doze anos. Já há algum tempo era o nome preferido de Macedo para a sucessão. Antes imaginava-se que o eleito seria o seu sobrinho, o bispo Marcelo Crivella (PRB-RJ), senador e candidato derrotado a prefeito no Rio de Janeiro.
Na biografia autorizada, O Bispo – A história revelada de Edir Macedo, de Douglas Tavolaro e Christina Lemos (Editora Larousse), lançada em 2007, foi revelada essa preferência. “Se eu morrer hoje, o Romualdo assume tudo. E tenho certeza de que os demais bispos irão respeitá-lo como me respeitam hoje. A Igreja Universal não é um trabalho pessoal, mas uma obra espiritual”, disse Macedo, no livro.

Ao saber dessas palavras, Panceiro respondeu que não tinha condições de assumir o cargo. Na própria biografia de Macedo, afirma-se que ele é temido por outros pastores da igreja, apesar de demonstrar “gentileza e bom humor”, depois de horas de convívio.

Ex-cortador de cana, 49 anos, Panceiro é também um ex-viciado em drogas, como vários bispos e pastores da igreja. “Eu passava os finais de semana me drogando. Meu pai era louco. Eu não tinha o que comer. Não havia futuro para mim”, contou, no mesmo livro. “Ele é o maior milagre da Igreja Universal”, acrescentou Macedo na biografia, ao analisar sua reintegração e capacidade de comando.

Com a ajuda de outros bispos – como Guimarães –, Macedo pode retomar o poder. Mas há um problema político criado na sucessão, além do seu delicado estado de saúde.

Poderosa, a Universal está espalhada hoje pelos cinco continentes. A igreja diz ter se instalado em 172 países. Seu site oficial fornece o endereço de 72. Segundo números oficiais do IBGE, conta com 2 milhões de fiéis no Brasil. Na biografia de Macedo, fala-se em 4.748 templos e 9.660 pastores somente no País. A briga promete não ser fácil. Há muita coisa em disputa.

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