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28 fevereiro 2009

ENTREVISTA COM PELÉ

FONTE Revista Veja


Pelé pendurou as chuteiras em 1977. Em outubro do ano passado, foi a vez de Edson Arantes do Nascimento, que passou a receber cerca de 3 000 reais por mês do INSS. Mas os dois – o jogador e o homem – só sairão de campo depois da Copa de 2014. Até lá, Pelé continuará faturando com publicidade e palestras e promoverá o torneio no Brasil. Nesta entrevista, o eterno rei do futebol defende o desempenho de Dunga como técnico da seleção, fala sobre o (mau) comportamento dos novos jogadores e se estende sobre a importância do seu legado para o Brasil. Aos 68 anos, com seis filhos e oito netos, ele mantém o mesmo peso que tinha quando parou de jogar. Separado pela segunda vez, Pelé afirma que desacelerou seu ritmo para ter mais tempo livre com os filhos – e, fica subentendido, com o "monte de amigas" que conquistou mundo afora.

O senhor está rico? Posso dizer que, se souberem administrar o patrimônio que acumulei, meus netinhos não precisarão trabalhar. Mas não fiquei rico com o futebol como os jogadores de hoje. Ganhei dinheiro com palestras e publicidade depois que parei de jogar. Fiz muitos comerciais, mas nunca de bebida alcoólica, política, religião ou tabaco. Na Copa dos Estados Unidos (1994), a empresa (Diageo) do (uísque Johnnie Walker) Black Label estava disposta a pagar o que fosse para colocar o rosto do Pelé no rótulo. Não aceitei. Desde o ano passado, estou reduzindo a minha agenda de trabalho. Antes, eu só ficava dois meses por ano no Brasil. Quero inverter isso, para me dedicar aos meus filhos, ao meu sítio e ao Litoral, meu time de garotos lá de Santos. Depois da Copa de 2014, vou me tornar um aposentado de fato, porque de direito eu já sou.

Como assim? Eu me aposentei como atleta profissional no ano passado. Desde outubro, recebo quase 3 000 reais do INSS. Já pago meia-entrada no cinema e posso até pegar ônibus de graça.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso cobra 50 000 dólares por palestra. Quanto custa uma sua? Depende. Algumas eu faço até de graça. Mas o Fernando Henrique diz que cobra isso? Tenho minhas dúvidas... Tomara que cobre mesmo. O presidente Fernando Henrique me deu oportunidade de ser ministro e fez um dos maiores elogios que recebi na vida: disse que o Pelé é o Brasil que deu certo.

Foi bom ser ministro? Por causa dessa experiência, nunca mais quero ter cargo público. Faltam verbas e a política impede a gente de fazer as coisas. Nas reuniões ministeriais, eu pedia a palavra para reclamar que só (o ex-ministro da Saúde) Adib Jatene arrumava dinheiro. Dizia: "Ele pega dinheiro para doença. O esporte, que é preventivo, não recebe nada". Todo mundo acha que o Pelé poderia ser um grande presidente, mas essa possibilidade está descartada.

O senhor ainda recebe propostas de partidos políticos? Quase todo mês, recebo um convite ou para entrar na política ou para ser técnico de futebol. Vem proposta da Arábia, dos Estados Unidos, da Europa, da África... Mas, assim como não quero ser político, nunca quis treinar jogadores profissionais, que têm defeitos difíceis de tirar. E, depois de ter alcançado o que alcancei como atleta, a posição de técnico me deixaria vulnerável. O jogador perde o pênalti e o técnico é o responsabilizado e desrespeitado. O time não rende e quem paga é o técnico. Veja o que aconteceu com o Felipão (Luiz Felipe Scolari) no (clube inglês) Chelsea. Agora mesmo, o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, me ofereceu 1 milhão de reais por mês para eu organizar o time. Disse a ele que a minha reputação e a minha tranquilidade valem mais que isso: não têm preço. O Edson não faria isso com o Pelé. Além disso, nem sempre o grande jogador é bom técnico.

Isso vale para o Dunga, que deixou de ser jogador para ser técnico do Brasil? Não, o Dunga não está pecando em nada. É honesto e tem personalidade. Muita gente o critica dizendo que ele não poderia ser técnico da seleção porque não tem experiência como treinador. Se o Vanderlei Luxemburgo e o Falcão foram para a seleção e não ganharam nada, por que o Dunga já teria de chegar lá ganhando tudo?

Sua decisão de não fazer publicidade de bebida já foi interpretada como hipocrisia da sua parte? Não vou dizer que nunca me diverti com bebida, mas sempre fui moderado. Só ia a festas nas férias e comecei a beber uísque quando parei de jogar. Esporte e farra não se misturam. O atleta tem de se cuidar para render em campo. No meu tempo, quando os jogadores eram menos farristas, a carreira dos ídolos durava quinze anos. Muitas estrelas de hoje duram um, dois anos e somem. As novas gerações são prejudicadas pelas baladas, pelas drogas e pelo álcool.
O que o senhor diria a ídolos como Robinho, que fazem farras e se envolvem em escândalos? Daria a ele o conselho que ouvia do meu pai: "Deus te deu o talento de graça. Cuide dele". O que fez diferença no meu caso foram a educação e a base familiar. Por isso, o Pelé nunca esteve envolvido em escândalos. Os garotos das novas gerações não contam com estrutura emocional e já começam a jogar ganhando muito dinheiro. O modelo tem de ser o do atleta equilibrado, que tem responsabilidade e se preocupa com sua carreira. O Kaká deveria ser um modelo para eles.

Os salários dos jogadores de futebol são altos demais? Eles ganharam essa dimensão por causa das empresas interessadas em fazer publicidade. O Santos pagava o meu salário com a bilheteria dos jogos. Fui para o Cosmos (time de Nova York) em 1975 por 7 milhões de dólares, naquele período uma soma gigantesca para quem trabalharia por um ano e meio. Agora, há jogadores que ganham isso em menos de um mês. Em compensação, no meu tempo, havia amor à camisa. Hoje, não há ídolos jogando no Brasil. O torcedor nem tem tempo de decorar a escalação do seu time.

O Romário diz ter feito 1 000 gols, um dos seus grandes feitos no futebol. É bom ser exemplo para a realização de coisas boas. Pena que o Baixinho não tenha conseguido chegar aos meus 1 283 gols em campeonatos oficiais. Nos 1 000 do Romário, foram incluídos gols de quando ele era juvenil e até infantil... O que interessa, porém, é o que o futebol e o Pelé trouxeram de importante para o mundo.

Qual foi essa contribuição? Quando tinha 17 anos e estava na Copa da Suécia, eu estranhava o fato de só ter jogador negro na Seleção Brasileira. Só depois que o Brasil foi campeão com o Pelé as outras seleções passaram a escalar negros. Os jovens têm de saber o valor que o Brasil tem e que o Pelé tem. Nós, brasileiros, por educação ou cultura, não damos valor ao que é nosso. O argentino é completamente diferente. Tem orgulho de tudo o que é seu. Todo mundo sabe que o Pelé foi melhor que Maradona: cabeceava melhor, chutava com as duas pernas... Maradona só chutava com a esquerda. Foi um grande jogador que, infelizmente, se envolveu com drogas. Mesmo assim, os argentinos ainda falam que ele foi o melhor.

O senhor acha que os brasileiros não lhe dão o devido valor? O brasileiro me ama, me adora. Agora, culturalmente, tem cisma com quem faz sucesso. De vez em quando, tem algum jornalista que inventa algo contra o Pelé. Como sou o Edson, amigo do Pelé desde criança, não ligo. É importante lembrar que o único know-how que o Brasil vendeu para os Estados Unidos foi o futebol – e isso ocorreu com a ida do Pelé para o Cosmos. Depois disso, o futebol se tornou o esporte mais praticado pelos americanos com menos de 20 anos.
O senhor se sente querido nos Estados Unidos? Sim, tanto que a Embaixada dos Estados Unidos fez uma consulta para saber se eu poderia ir à posse do Obama. A vitória dele me deu uma grande alegria, mas não deu para ir. Tinha de gravar um comercial e sabia que ia ter gente demais lá. Mandei uma mensagem de parabéns. Até já recebi um e-mail dele dizendo que precisa do Brasil e que deseja trabalhar junto com a gente. Quando o Obama estiver mais calmo, sem essa pressão de bolsa, passo lá para tomar um café, como fiz com o Kennedy, com o Nixon e com o Clinton. Agora, outro dia me disseram que o Obama ficou mais conhecido que o Pelé. Aí, brinquei: "Por enquanto. Em quatro anos, ele pode até ficar mais famoso, mas eu continuarei a ser rei". Já ouvi até que o Pelé é mais famoso que Jesus Cristo.

De quem? De um jornalista japonês, durante uma entrevista coletiva. Como católico, reagi, mas ele se explicou. Disse que parte da população do mundo é católica, parte é muçulmana, mas a metade que fica na China, no Japão é budista. Nessa parte do mundo, segundo ele, o Pelé é mais conhecido que Cristo. Por essa divisão, ele tem razão. Mas não sou eu que digo isso, viu? Depois que os Beatles disseram que eram mais famosos que Cristo, começou a desgraça e o grupo acabou. Aliás, se os Beatles são sirs, eu sou Cavaleiro do Império Britânico, título que ganhei da rainha da Inglaterra. Na cerimônia, os copeiros e garçons do Palácio de Buckingham quebraram o protocolo para fazer fotos com o Pelé, que nunca prejudicou a imagem do Brasil e de sua família.

Mas o senhor se disse um pai ausente quando o seu filho Edinho foi preso por ligação com o narcotráfico. Fui ausente por causa do trabalho e resolvi falar porque havia muita injustiça com o Edinho pelo fato de ele ser filho do Pelé. O outro episódio negativo que envolveu o nome do Pelé foi o da filha que o Edson teve e nem ficou sabendo direito que tinha: a ex-vereadora de Santos Sandra Nascimento, que morreu de câncer em 2008. Muita gente falou mal do Pelé, acusou-o de abandonar a filha...

Ela precisou lutar na Justiça para ser reconhecida. Tanto Sandra como a fisioterapeuta Flávia Kurtz, que também é minha filha, já apareceram adultas. Elas não eram filhas de namoradas minhas. Nos dois casos, foi uma aventura, e as mães nunca me procuraram. Nunca tive intimidade com Sandra, mas senti pela sua morte por ter sido como foi, por ela ter parado de tomar remédios por motivos religiosos.

O Pelé já foi um fardo para o Edson? É difícil carregar a fama do Pelé. É um desafio minuto a minuto, porque as tentações são muitas. O Edson é humano e adoraria levar uma vida mais divertida, mas sabe que é o equilíbrio e a base do Pelé. Os dois sabem quanto é importante não decepcionar o povo brasileiro.

O senhor continua solteiro? Sim, e não estou procurando namorada. Vai aparecer naturalmente e todo mundo vai saber, como soube quando comecei a namorar a Xuxa. Todo mundo soube quando me casei e quando decidi me separar da Assíria, que é um pouco radical com a religião evangélica. Ela levava os pastores para casa, mas eu não podia levar os meus amigos católicos. Em catorze anos de casamento, só pude receber os meus amigos em casa duas vezes.

Mas o senhor tem saído com algumas mulheres? São amigas. Graças a Deus, sempre tive um monte delas no Brasil, em Nova York... A maioria gravou comerciais comigo. Depois que gravei com a atriz Isis Valverde, queriam saber se ela era minha namorada. É só amiga.

O senhor está com 68 anos. Sente o peso da idade? O Pelé é imortal. O Edson não tem medo de envelhecer, nem de morrer. Agora, eu me preocupo com a minha saúde. Faço exercícios e fecho a boca para manter o peso: 78 quilos, o mesmo que eu tinha quando parei de jogar. É bom para a minha altura, 1,72 metro. Com o topete, ganho mais 1 centímetro. Tenho pouco cabelo branco. Não pinto o cabelo, só uso um xampu que equilibra a cor. A minha vaidade é andar bem vestido. Todo mundo pensa que eu compro roupa na Itália ou na França. Na verdade, trago os modelos para o Everaldo, meu alfaiate em Santos. Tenho conjuntos iguais a este (da foto) de todas as cores.

27 fevereiro 2009

Gol vai indenizar as famílias de 45 vítimas do voo 1907


FONTE: Estadão

SÃO PAULO - A companhia aérea Gol começou a indenizar um grupo de 45 parentes de vítimas do voo 1907, que colidiu com um jato Legacy em 29 de setembro de 2006, matando os 154 ocupantes do Boeing. O acordo prevê o pagamento de R$ 46 milhões. Segundo o escritório de advocacia Leonardo Amarante, que representa 54 vítimas, o primeiro acordo foi fechado em 19 de dezembro do ano passado e R$ 11 milhões foram pagos aos parentes de sete vítimas na primeira quinzena de fevereiro.

O escritório informou que o pagamento da indenização das demais 38 famílias contempladas no acordo será realizado em "breve" e que o processo está em fase de homologação. Os valores a serem pagos aos parentes dessas vítimas somam R$ 35 milhões. Os acordos foram fechados na 25ª Vara Cível do Rio de Janeiro. O escritório afirmou que os valores pagos a cada família das vítimas do acidente aéreo são calculados de acordo com a expectativa de vida, grau de instrução e salário que recebia em vida.

Em nota, a Gol disse que fechou acordos com familiares de 106 passageiros de um total de 154 vítimas do acidente. A companhia informou que não divulga os valores indenizados em atendimento à solicitação de confidencialidade e sigilo feita pelas próprias famílias.

A presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907, Angelita de Marchi, disse que um primeiro grupo de 40 famílias foi indenizado antes de a ação correr na Justiça norte-americana. Outro grupo, representado pelo escritório de Leonardo Amarante, fechou acordo no ano passado. Segundo ela, há mais um grupo que ainda não aceitou os cálculos apresentados pela companhia aérea e que prosseguirá com o processo no Brasil.

Ex-reféns das Farc acusam Ingrid Betancourt de furtar comida no cativeiro

FONTE: GloboNews


26 fevereiro 2009

Inadimplência no financiamento de veículos é recorde, diz BC


FONTE: Estadão

BRASÍLIA - A inadimplência no financiamento de veículos atingiu nível recorde de 4,7% em janeiro deste ano, ante 4,5% em dezembro e 3,1% em janeiro de 2008, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta quinta-feira, 26. De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, esse aumento tem relação com o "envelhecimento da carteira" e a opção dos clientes por financiar a compra de veículos por leasing, em detrimento do crédito tradicional.

Altamir disse que o aumento geral da inadimplência em janeiro "não causa estranheza". Segundo ele, a elevação da taxa de pagamentos em atraso ocorre, normalmente, no início do ano principalmente entre as famílias que comprometem o orçamento com gastos sazonais, como tributos e despesas escolares.

A inadimplência no crédito concedido pelas instituições financeiras subiu de 4,4% em dezembro de 2008 para 4,6% em janeiro deste ano. Esse é o maior patamar registrado desde agosto de 2007. O aumento foi liderado pelo segmento das pessoas físicas, cuja parcela das operações com atraso superior a 90 dias subiu de 8% para 8,3%, o maior nível desde maio de 2002.


Sazonalidade

Altamir disse que a queda na concessão de novos empréstimos observada em janeiro é um movimento sazonal. Segundo ele, essa retração ocorre principalmente entre as empresas já que, normalmente, há encolhimento na atividade mercantil nos dois primeiros meses do ano.

No mês, a concessão de novos financiamentos caiu 17,6% na comparação com dezembro e 8,1% em relação a janeiro de 2008. Na média diária, as novas concessões caíram 13,7% sobre dezembro. Na comparação com janeiro do ano passado, a retração da média diária é de 3,7%.

Altamir disse que o quadro atual do crédito tem sinais "eloquentes" de recuperação dos empréstimos direcionados às famílias. Nas linhas para as empresas, no entanto, o cenário continua de retração.

O chefe do Departamento Econômico do BC divulgou ainda números preliminares do comportamento do crédito nos oito primeiros dias úteis de fevereiro. Nesse período, o estoque das operações de crédito das famílias cresceu 1,2% na comparação com igual período de janeiro.

No estoque de empréstimos para empresas, houve retração de 0,6%. Ele também adiantou que o juro médio nas operações para pessoas físicas segue em tendência de queda e recuou 1,1 ponto porcentual, ante a taxa de janeiro, para 54% ao ano. Já o juro médio para as pessoas jurídicas subiu 0,2 ponto porcentual para 31,2% ao ano.

Gilmar Mendes cobra que MP investigue MST, que recebe verba oficial, mesmo sendo ilegal e criminoso

Por Jorge Serrão


FONTE: Alerta Total

O presidente do Supremo Tribunal Federal finalmente resolveu abrir guerra contra o Movimento Social Terrorista dos sem-terra. Gilmar Mendes criticou ontem as invasões de fazendas no Pontal do Paranapanema, porque extrapolam os limites da legalidade. Gilmar deu uma estocada no desgoverno Lula, indiretamente, ao criticar que sejam repassados recursos oficiais a cooperativas ligadas ao MST, que opera na ilegalidade e comete atos ilícitos.

Gilmar foi direto: “Dinheiro público para quem comete ilícito é também uma ilicitude. O que se sabe é que termômetro jurídico sinaliza que há excessos e é preciso repudiá-los. Essas pessoas podem ser acionadas por responsabilidade. Elas repassam recursos sem base legal, estão operando em quadro de ilicitude”. Gilmar Mendes cobrou do Ministério Público que investigue tal situação. A questão agora é se o MP acatará o pedido – já que nada fez até agora contra a ilegalidade do MST.

O MST não existe como personalidade jurídica (sequer é registrado em cartório). Opera fora da lei e da legalidade. O MST ameaça a paz social, não respeita o direito privado, intimida ruralistas e empregados, surpreende a polícia, destrói instalações, culturas agro-pecuárias e ainda se serve da carne de animais de criação.

O MST se configura como movimento do crime organizado no campo. É adestrado em guerrilha, preparado para a projeção de poder, confrontos e simulação covarde. Engenhosamente, os líderes do movimento ainda posam como vítimas de agressões de produtores rurais e policiais.

O MST alega que “ocupa as terras”. Na verdade, “invade” propriedades. O MST prega que “famílias” participam de suas ações. Só que famílias saudáveis não cometem crimes. Falam em “assentamentos”, como se no Brasil existisse um sistema nômade.

Uma das táticas principais do MST é o uso cínico da linguagem. A retórica do discurso do MST serve para iludir a opinião pública sobre suas reais intenções políticas. A mídia amestrada e pouco afeita a análises objetivas da realidade colabora com sua ação criminosa. Os integrantes do MST contam com o apoio de jornalistas que os tratam como pobres trabalhadores rurais oprimidos, quando, na verdade, são os opressores.

Tolerância excessiva

Gilmar Mendes manifestou preocupação com a possibilidade do movimento sem-terra se tornar armado, pois passaria "a ter outras conotações".

Indiretamente também atacando o Ministério Público, o ministro Gilmar Mendes criticou a leniência excessiva com as ilegalidades do MST:

“Os movimentos sociais devem ter toda a liberdade para agir, manifestar, protestar, mas respeitando sempre o direito de outrem. É fundamental que não haja invasão da propriedade privada ou pública. Eu tenho impressão que a Justiça tem que dar a resposta adequada. Há meios e modos jurídicos para se ter uma resposta serena, mas firme. Eu tenho impressão de que a sociedade tolerou excessivamente esse tipo de ação, por razões diversas, talvez um certo paternalismo, uma certa compreensão, mas isso não é compatível com a Constituição isso não é compatível com o Estado de Direito”.

O subsídio

O governo federal transfere dinheiro a cooperativas ligadas ao MST ou a sem-terra usados como “laranjas” para captar recursos para o movimento.

A Federação das Associações dos Agricultores Familiares do Oeste Paulista (Fafop) recebeu ano passado do Incra R$ 1.373.598,25.

O último repasse do convênio assinado com a federação foi feito em novembro, no valor de R$ 400 mil.


Financiamento de fora

O jornal Estado de S. Paulo, de 25 de janeiro de 2007, revelou o trabalho da ONG suíça E-Changer, parcialmente financiada pelo governo de Berna, junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

O montante do financiamento oficial para as atividades da E-Changer no Brasil teria atingido o equivalente a R$ 1 milhão, para o período 2005-2008.

A maior parte destes recursos se destina ao pagamento dos bem remunerados voluntários do MST – o que comprova como é rentável a militância profissional.


Notinha do MST

Em seu site (http://www.mst.org.br), o MST soltou uma nota oficial sobre o assunto:

Diante da repercussão das ocupações de terras ocorridas em São Paulo nos últimos dias, a Direção Estadual do MST esclarece:

1) As ocupações são importantes ferramentas na luta pela terra, por isso, o MST, durante os seus 25 anos de história, sempre utilizou dessa ferramenta para lutar pela Reforma Agrária. Desse modo, o MST continuará realizando ocupações de terra independentemente de calendários. Na madrugada de sábado (21/2) realizamos três ocupações na região do Pontal do Paranapanema: Fazenda Dumontina, em Mirante do Paranapanema, com 50 famílias; Fazenda São Luiz, em Presidente Bernardes, com 80 famílias e Fazenda Santo André, em Martinópolis, com 70 famílias.

2) Como já é de conhecimento público, José Rainha Júnior não compõe nenhuma instância organizativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e, portanto, não está autorizado a falar e agir em nome dessa Organização.

3) A reunião com o secretário de Justiça de São Paulo agendada para hoje, e divulgada pela imprensa, não era com a direção estadual do MST, portanto, não temos nada a declarar sobre esse assunto.

25 fevereiro 2009

AS FICHAS SUJAS DO CONGRESSO

FONTE: Revista Isto É - edição 2050


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Está nas mãos dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) o destino dos mandatos de 45 dos 594 parlamentares do Congresso Nacional. Eles são os chamados "fichas-sujas" do Parlamento. Levantamento realizado no STF pela reportagem de ISTOÉ revela que pesam contra eles crimes variados como sequestros, homicídios, formação de quadrilha e, lógico, corrupção. Para quem acredita que "todo político é ladrão", pode parecer pouco que 7,5% dos integrantes do Congresso estejam a ponto de perder o mandato. Mas eles não respondem por meras suspeitas, acusações de adversários políticos ou investigações preliminares - atendem ao último estágio da Justiça.

Os 45 parlamentares citados nas próximas páginas estão juridicamente no banco dos réus porque a Procuradoria-Geral da República encontrou, nos diversos casos que analisou, elementos suficientes para acusá-los. E um ministro da suprema corte do Brasil entendeu que nos processos havia um número necessário de provas para que eles sejam finalmente julgados. Isso significa que, a partir de agora, estes sete senadores e 38 deputados têm duas opções.

Na melhor das hipóteses, eles poderão ser inocentados pelos votos dos 11 ministros - e foi exatamente isso que aconteceu na tarde da quarta-feira 18 com o deputado Sérgio Moraes do PTB do Rio Grande do Sul. Moraes respondia por crime de responsabilidade em três processos. Quando foi prefeito de Caxias do Sul, ele proibiu os guardas de trânsito de multar os carros da prefeitura. Logo ele, que preside a Comissão de Ética da Câmara.

Na pior das hipóteses, eles serão condenados e assim, com base no que determina a Constituição, perderão imediatamente seus mandatos. Só que o STF nunca condenou um parlamentar. Em 2004, manteve, por exemplo, a sentença que cassou os mandatos do senador João Capiberibe e de sua mulher, a deputada Janete Capiberibe, ambos do PSB do Amapá. Mas eles, na verdade, foram condenados por compra de votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Quem chegou mais perto de ser o primeiro parlamentar cassado por decisão originária do Supremo foi o ex-senador Ronaldo Cunha Lima (PSDBPB), processado pela tentativa de homicídio do ex-governador Tarcísio Burity. Mas, em outubro de 2007, ele renunciou na hora em que seu caso ia a julgamento. Perdeu o chamado foro privilegiado (parlamentares só são julgados pelo STF, mesmo em crimes comuns) e o processo voltou às instâncias inferiores, na Paraíba.

O foro privilegiado é apontado por muitos juristas como o maior estímulo à impunidade dos políticos. "Isso é uma excrescência brasileira, que não existe na maioria das democracias", diz o ministro Joaquim Barbosa, do STF. "Nos EUA, o presidente Bill Clinton foi indiciado e respondeu diante de um juiz de primeira instância", compara.

Como no sistema brasileiro o rito processual favorece o réu, resta naturalmente uma terceira via. É a chamada prescrição do caso, quando o processo se encerra pela demora em ser julgado. Graças ao uso de recursos protelatórios, os parlamentares poderão manter o mandato e voltar à condição de inocentes sem terem ido a julgamento. Essa tem sido a estratégia adotada, por exemplo, por muitos dos réus do mensalão.

O levantamento de ISTOÉ mostra que os 45 réus do Congresso respondem por 31 crimes eleitorais, 38 crimes de responsabilidade, 12 crimes contra o sistema financeiro, 104 peculatos, 16 crimes contra a ordem tributária, 18 contra a fé pública, 13 por formação de quadrilha, 11 crimes ambientais e um sequestro. Além disso, constam 20 casos protegidos por segredo de Justiça (quase sempre questões relativas à família e a menores).

Nas eleições do ano passado, o TSE foi pressionado por alguns juízes para apresentar o que eles chamavam de "lista dos políticos fichas-sujas" para informar ao eleitor quem eram os candidatos processados nas várias instâncias da Justiça. O TSE negou a divulgação na época, mas pretende iniciar na próxima semana um levantamento destes nomes. "É o TSE saindo da letargia, do faz-de-conta", diz o ministro Joaquim Barbosa.

A compilação dos processos produziu curiosidades surpreendentes. Para começar, fica claro que hoje o Senado, com 8,6% de seus integrantes colocados na condição de réu, é uma Casa em piores lençóis que a Câmara, que tem 7,4% de réus. Entre os partidos, o campeão é o Partido Progressista (PP), que tem 20% de seus 39 deputados respondendo a processos no STF. Ou seja, em cada cinco, um tem ficha-suja.

O PP tem em sua bancada um campeão - o deputado Neudo Campos (RR) - que responde a nove ações e ainda aguarda o resultado de outros dez inquéritos que poderão também se transformar em processos. Campos será julgado por formação de quadrilha, peculato e corrupção eleitoral, entre outros crimes. Procurado para se manifestar sobre as acusações, Campos está de férias, segundo sua assessoria. Seu desempenho no STF deixou para trás o correligionário mais conhecido, Paulo Maluf (SP), réu em três ações, que tratam de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro. "Tive mais de 150 ações contra mim", diz Maluf. "Sou um campeão de processos, mas sou também um campeão de absolvições."

O vice-campeão na lista dos fichassujas é o Partido da República (PR), do deputado Clodovil Hernandes (SP), que figura em quatro processos por crime ambiental. Dos 42 deputados da bancada do PR, sete (16%) são réus no Supremo. Clodovil é representante da Frente Ambientalista da Câmara e diz que foi um "boi de piranha" do Ministério Público de Ubatuba, onde foi acusado de agredir a natureza. "Tenho mais de duas mil plantas catalogadas em casa. Mesmo que eu tivesse invadido área verde, não prejudiquei a natureza", diz Clodovil. "Gasto de R$ 5 mil a R$ 6 mil por mês na floricultura, tenho uma horta grande, tenho 90 galinhas que põem ovos todos os dias, não tem sentido eu ser julgado."

Partido dos atuais presidentes do Senado e da Câmara, o PMDB tem 11 integrantes na condição de réu. É o quarto mais processado na Câmara e segundo no Senado. No topo da sua lista está o deputado Jader Barbalho (PA), que responde por crimes que vão de falsidade ideológica à formação de quadrilha, em quatro processos.

Muitos casos que ganharam notoriedade pública não constam deste levantamento porque eles ainda cumprem etapas preliminares no STF. Nesta situação vivem atualmente 127 parlamentares, cujos processos não evoluíram a ponto de os ministros concluírem que existem indícios fortes o suficiente para transformá-los em réus. É o caso do deputado Antônio Palocci (PT-SP), investigado em dois inquéritos. Um que apura supostas irregularidades em licitações quando foi prefeito de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e outro que investiga a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

Entre as legendas fichas-sujas, o PT está em sétimo lugar. Da bancada de 78 deputados, quatro respondem a ações penais (5%). Nenhum dos 12 senadores petistas está sendo processado. Na corrida contra seu principal adversário, o PSDB leva a melhor. Um de seus 13 senadores é réu e Eduardo Azeredo (MG) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República na investigação do mensalão mineiro. Para virar réu, falta apenas o STF acatar a denúncia. Na Câmara, porém, o único tucano processado é Luiz Paulo Vellozo Lucas (ES), ex-prefeito de Vitória, que responde por crime contra o patrimônio.

O levantamento de ISTOÉ na contabilidade processual da suprema corte mostra que, na atual legislatura, dos 513 deputados federais e 81 senadores, um em cada cinco parlamentares está envolvido com algum tipo de investigação criminal ou administrativa. Uma das alternativas para cortar este mal pela raiz está na proposta de se proibir a candidatura de pessoas condenadas por tribunais estaduais. Se a regra já estivesse em vigor em 2006, Maluf, por exemplo, não poderia ter disputado a eleição que o levou ao Congresso, garantindo o foro privilegiado. "Defendo emenda constitucional proibindo candidatura dos políticos condenados em segunda instância", diz o presidente da Câmara, Michel Temer.

Segundo a ONG Transparência Brasil, que fiscaliz-a o comportamento ético dos homens públicos, a situação é pior quando se focaliza os parlamentares mais influentes. Entre as chamadas "cabeças" do Congresso, um em cada três líderes de bancada está sob investigação. "A política brasileira está sendo dominada por meliantes", afirma Cláudio Weber Abramo, coordenador da ONG. Para ele, o número de processos envolvendo políticos em todo o País passa de mil, se forem consideradas todas as instâncias da Justiça.

Os levantamentos de ISTOÉ e da Transparência Brasil são preocupantes, mas também desmentem a máxima popular de que "todo político é ladrão". Na realidade, os fichas-sujas não são nem a maioria. Isso pode ter a ver tanto com a alvissareira hipótese de que há muitos fichas-limpas na política quanto com a possibilidade, bem real, de que nem todos os fichas-sujas foram descobertos.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, agiu com rapidez. Na quintafeira 19, negou recurso do ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB). Cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral na terçafeira 17, ele recorria ao STF pedindo para continuar no cargo até que todas as suas apelações estivessem julgadas. Mello nem entrou no mérito da questão e decidiu que a competência para julgar o ex-governador paraibano era unicamente do TSE.

Assim, sinalizou que esse deverá ser o mesmo destino dos outros quatro recursos que Cunha Lima planeja mandar ao Supremo. Ele foi acusado de ter comprado votos a partir da distribuição de cheques à população em um programa social. "Houve largo e franco abuso de poder econômico", decidiu o ministro Eros Grau, relator do processo. "Não há dúvida da vinculação do governador com a distribuição do dinheiro", completou. Cunha Lima perdeu. Saiu do governo. Na quartafeira 18, tomou posse como novo governador da Paraíba o segundo colocado nas eleições de 2006, o peemedebista José Maranhão.

A saída de Cunha Lima, no entanto, não significa que a Paraíba esteja respirando ares de estabilidade política. Assim como ele, o atual governador também será julgado brevemente no TSE acusado pela compra de votos. Ao decidir empossar Maranhão, a Justiça fez va ler o que está escrito na lei, mas a decisão não deixa de ser polêmica. Nos maiores colégios eleitorais, existe o segundo turno das eleições para que o vencedor seja aquele escolhido pela maioria dos eleitores. No caso da Paraíba, Maranhão não obteve o voto da maioria. Ou seja, a mesma Justiça que determinou o "perdeu saiu" para Cunha Lima, impôs o "perdeu entrou" para Maranhão.

Itaú Unibanco fecha 2008 com lucro líquido de R$ 7,8 bi

FONTE: Estadão

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco Banco Múltiplo fechou 2008 com lucro líquido de R$ 7,8 bilhões. Este resultado é a soma do lucro da Itaú Holding nos três primeiros trimestres do ano mais o resultado da fusão entre o Itaú e o Unibanco no quarto trimestre.

Para efeito de comparação, o Itaú Unibanco Banco Múltiplo divulgou o resultado pro-forma. Trata-se do resultado do 4º trimestre (já com a fusão dos bancos) mais a simulação dos resultados dos primeiros três trimestres do ano, caso os dois bancos já estivessem associados. Neste caso, o lucro da instituição seria de R$ 10 bilhões. Na mesma simulação, em 2007, o resultado teria sido de R$ 11,921 bilhões.

Eventos não recorrentes

A queda no lucro pro-forma é resultado de eventos não recorrentes no quarto trimestre de 2008. São eles: equalização de critérios contábeis decorrente da fusão dos bancos e provisão para gastos com integração Itaú Unibanco. Ou seja, gastos com a fusão dos bancos.

Contudo, o peso maior em eventos não recorrentes é o de provisão adicional para créditos de liquidação duvidosa. Ou seja, os recursos que são reservados para compensar a inadimplência de clientes. O banco reservou R$ 3,023 bilhões.

O medo da inadimplência é demonstrado pelos números da instituição. Na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2008, o índice de inadimplência do grupo subiu de 4,6% para 4,8%. A maior taxa foi nas operações de varejo, que subiu de 7,9% para 8,1%.

Sem considerar os efeitos extraordinários, a nova holding financeira apresentou em 2008 um lucro recorrente de R$ 10,571 bilhões, o que indica crescimento de 9,10% sobre o ano anterior.

O balanço do Itaú Unibanco Banco Múltiplo mostra ainda que, pelo critério contábil, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio do grupo foi de 23,4% - menor do que o resultado no final de 2007, quando foi de 32%.



Quarto trimestre

Considerados apenas os resultados do quarto trimestre, o lucro líquido foi de R$ 1,871 bilhão, valor 14,5% inferior ao registrado no terceiro trimestre de 2008. Sem os eventos não recorrentes, o lucro teria sido de R$ 2,34 bilhões. A instituição financeira não forneceu o comparativo com o quarto trimestre de 2007.



Números totais


O grupo, que teve a fusão anunciada em 3 de novembro do ano passado, fechou o ano passado com ativos totais de R$ 632,7 bilhões, consolidando a primeira posição no ranking de ativos das instituições financeiras do país.

A carteira total de empréstimos do banco, incluindo avais e fianças, somou R$ 271,94 bilhões, o que representa um crescimento anual de 33,9%.

No quarto trimestre, as receitas com serviços somaram R$ 3,75 bilhões, um aumento de 4,6% em comparação com o trimestre anterior. O aumento dos custos provocou piora no índice de eficiência, que passou de 49,6% para 51,6% na passagem do terceiro para o quarto trimestre.

20 fevereiro 2009

Alta no número de desempregados é recorde, mostra IBGE

Lembra de quando o sr. Lula falou que a crise não passava de uma "marola". Pois bem. Quem tem acompanhado os noticiários não governamentais sabe que esta "marola" tá mais pra tsunami... mas enfim... O sr. Lula continua tirando o foco do povo disso e fazendo o que ele mais sabe fazer: dar suas esmolas... com dinheiro público, é claro!
Riva Moutinho



FONTE: Globo.com

A taxa de desemprego no Brasil subiu para 8,2% em janeiro, no maior nível desde abril do ano passado. O dado reflete o aumento do número de pessoas desocupadas, que subiu para 1,89 milhão nas seis regiões pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - uma alta de 20,6% ante dezembro, a maior desde que a pesquisa foi iniciada, em março de 2002.

Em apenas um mês, foram contabilizados mais 323 mil desempregados nas seis principais regiões metropolitanas do país. "Nem na época da recessão de 2003 houve um aumento no número de desocupados dessa magnitude. Foi um janeiro diferente, mais cruel, sem dúvida", observou o gerente da pesquisa, Cimar Azeredo.

De acordo com Azeredo, a taxa de desemprego em janeiro foi pressionada não apenas pela demissão dos temporários do comércio, mas também de empregados efetivos em vários setores.

"Quando a economia vai bem, parte dos temporários contratados no fim do ano são efetivados. Se está estável, os temporários costumam ser dispensados, mas somente quando a economia vai mal são dispensados os temporários e também efetivos, como ocorreu agora", explicou.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado ficou menor no mês – 1,3% na comparação com dezembro, para 44,9% da população ativa. O desemprego também atingiu os empregados sem carteira assinada: na passagem de dezembro para janeiro, esse contingente teve uma queda de 4,5%.


Corte de vagas

O resultado apresentado pelo IBGE nesta sexta-feira já era amplamente esperado pelos analistas. Desde novembro, o Ministério do Trabalho vem apresentando números que mostram uma forte redução no número de vagas formais de trabalho no país. Só nesses meses, foram eliminados quase 800 mil empregos.

A 'defasagem' entre os dados do Ministério do Trabalho ocorre por conta das diferenças de metodologia. O Ministério analisa os dados apenas de empregos formais, em 1.102 municípios de todo o país. Já o IBGE leva em conta empregos formais e informais em apenas seis regiões metropolitanas.

Nessas áreas analisadas pelo IBGE, a indústria tem peso menor – justamente o setor que vem apresentando o maior número de demissões pelos dados do Ministério.


Rendimento

Mesmo com menos vagas, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores subiu 2,2% no mês, para R$ 1.318,70 – uma alta de 5,9% frente a janeiro de 2008. Alta também no rendimento médio real domiciliar per capita, de 1,7% no mês e 6,4% no ano, para R$ 840,62.

Já a massa de rendimento real efetivo dos ocupados de dezembro de 20081 (R$ 35 bilhões) mostrou variação de 17,6% no mês e 7,1% na comparação com dezembro de 2007.

19 fevereiro 2009

GOLS: Cruzeiro X Estudiantes


Jogo válido pela fase de grupos da Libertadores da América 2009
realizado no dia 19/02/2009 às 19>15h no Estádio do Mineirão - BH

Julgamento de jornalista que jogou sapato em Bush é adiado


FONTE: Estadão

BAGDÁ - O julgamento do jornalista iraquiano que em dezembro passado jogou seus sapatos contra o então presidente americano, George W. Bush, foi adiado para 12 de março, segundo anunciou nesta quinta-feira, 19, o Tribunal logo no início da audiência.

A decisão foi adotada depois que o jornalista Muntader al-Zaidi compareceu brevemente perante o tribunal, em uma sessão que contou com a restrita presença de observadores, segundo informou o canal de televisão Al-Bagdadiya, para o qual o acusado trabalha.

A primeira sessão da audiência judicial foi dedicada aos procedimentos iniciais e também incluiu um breve interrogatório a Zaidi, ainda segundo o Al Bagdadia.

Aparentemente, o tribunal está à espera de que o Conselho de Ministros confirme se Bush foi convidado formalmente a uma visita oficial ao Iraque quando ofereceu a coletiva de imprensa, em 14 de dezembro passado, na qual o jornalista lançou os sapatos.

Perante o tribunal, Zaidi também foi questionado sobre se durante sua permanência na prisão havia sofrido torturas, segundo o mesmo canal de televisão, que tem sede no Cairo.

Zaidi pode ser condenado a uma pena máxima de 15 anos de prisão por ter lançado seus sapatos contra Bush, um delito que pode estar dentro do artigo 222 do Código Penal iraquiano, que fala em "ataques a um chefe de Estado durante visita oficial".

Por essa razão, é importante para o tribunal estabelecer se Bush foi formalmente convidado pelas autoridades iraquianas.

Brasileira ferida confessou ter forjado ataque, diz revista suíça

FONTE: Folha online

A brasileira Paula Oliveira, 26, que disse ter sido agredida por três skinheads no último dia 9 em uma estação de metrô nos arredores de Zurique, confessou à polícia local que o ataque foi forjado, afirma a revista semanal "Die Weltwoche", da Suíça.

De acordo com a reportagem --que não cita qual a fonte das informações--, Paula teria assinado a confissão no último dia 13, quando ainda estava internada no Hospital Universitário de Zurique.

A revista diz ainda que Paula confessou à polícia que não estava grávida. Na ocasião da suposta agressão, a brasileira havia dito que estava grávida de gêmeos e que, devido aos ferimentos, sofrera um aborto no banheiro da estação. Entretanto, a polícia de Zurique e o hospital que atendeu Paula negam que a brasileira estivesse grávida no dia em que diz ter sofrido as agressões.

Paula foi internada com uma série de cortes no corpo, alguns deles formando a sigla SVP --iniciais em alemão do partido ultradireitista suíço. Entretanto, a perícia suíça também contesta a origem dos ferimentos e diz que ela própria pode ter se machucado --o que a família nega.

A revista sustenta a tese de que Paula teria inventado a gravidez por motivos financeiros. Segundo a reportagem, na Suíça, vítimas de agressões podem receber entre 50 a 100 mil francos suíços de indenização do governo. O veículo diz ainda que a gravidez serviria apenas como agravante para aumentar a indenização.


Gravidez

De acordo com a reportagem, Paula não mencionou estar grávida ao ser atendida pela primeira vez por um ginecologista do Hospital Universitário de Zurique, onde ficou internada até esta terça-feira (17).

Segundo a revista --que entrevistou o médico ginecologista que teria atendido Paula, mas cuja identidade não foi revelada-- ao chegar ao hospital, a brasileira não disse estar grávida. De acordo com o médico, a suposta gravidez só foi mencionada por Paula no segundo atendimento médico.

Em entrevista à Folha Online o promotor Marcel Frei disse que a brasileira pode ficar presa por até três anos ou pagar uma multa, se for considerada culpada pela Justiça suíça de ter induzido a autoridade judiciária ao erro. O Tribunal de Zurique já atribuiu um advogado à defesa da brasileira.


"Indignada"


Paula recebeu alta na noite desta terça-feira (17) da clínica de Zurique, Suíça, onde se recuperava dos ferimentos. Segundo o pai da moça, Paulo Oliveira, sua filha já sabe que a polícia suíça contesta a versão de que estava grávida no dia em que o ataque teria ocorrido e suspeita que ela tenha provocado os ferimentos que atribui a três skinheads. As conclusões da polícia a deixaram "indignada", contou o pai.

18 fevereiro 2009

Ministério Público de Zurique abre processo contra brasileira ferida

FONTE: Globo.com

17 fevereiro 2009

Em depoimento à polícia, Kaká confirma doação à Renascer


FONTE: Estadão

SÃO PAULO - O jogador de futebol Kaká prestou depoimento no dia 15 de maio de 2008 sobre o caso Renascer. O depoimento foi dado à Polícia Tributária de Milão, onde o jogador mora e atua no clube italiano Milan. Kaká frequenta a Renascer desde os 12 anos e foi chamado a depor sobre sua relação com os líderes da Igreja Renascer, Estevam e Sonia Hernandes. Em seu depoimento, ele afirma que doa dinheiro à Renascer desde que passou a frequentar a igreja, mas não soube quantificar as doações. No entanto, documentos comprovam uma doação no valor de 200 mil euros.

Confira a íntegra do depoimento do jogador à polícia italiana:

Pergunta: Conhece Estevam Hernandes Filho, Sonia Haddad Moraes Hernandes, Felipe Daniel Hernandes e Fernanda Hernandes? Frequenta os templos da Igreja Renascer?

Resposta: Sim, conheço e frequento os templos da Igreja Renascer.

Que tipo de relacionamento mantém com as pessoas acusadas?

Conheço-os por razões ligadas à sua atividade religiosa; as ocasiões de relacionamento e encontro estão ligadas às suas atividades religiosas. Estevam Hernandes Filho e Sonia Haddad Moraes Hernandes são os pastores da Igreja Renascer há mais de 20 anos; Felipe Daniel Hernandes e Fernanda Hernandes são seus filhos.

Os acusados costumam frequentar sua casa, na Itália e no Brasil?

Não.

O senhor costuma frequentar a casa deles, no Brasil e nos Estados Unidos?

Não.

A partir do dia 31 de julho de 2006, qual delas e quantas vezes alguma das pessoas acusadas frequentaram sua casa?

Nunca, como já disse; posso dizer que as encontrei somente uma vez no Brasil, por ocasião das festas de fim de ano em 2006.

O senhor tem conhecimento que foi decretada a prisão de Estevam e Sonia?

Soube da notícia da decretação da prisão através da imprensa brasileira.

No período em que estava vigente a decretação da prisão, as duas pessoas acima citadas hospedaram-se em sua casa, na Itália e no Brasil?

Não.

O senhor contribui, do ponto de vista financeiro, com a Igreja?

Sim, faço algumas doações

Desde quando?

Desde a época em que frequento a Igreja Renascer, ou seja desde meus 12 anos.

Com dinheiro, ou com outros bens?

Somente com dinheiro.

Quanto é sua contribuição mensal? Com quanto já contribuiu desde que começou a colaborar com eles (um total, mesmo que aproximado) e de que forma fez suas contribuições?

Não se trata de depósitos mensais, mas de doações que faço quando posso, e nem posso quantificá-las mês a mês. Não sou capaz também de fornecer um total, mesmo que aproximado, de minhas doações.

O senhor sabe o que foi feito e é feito com o dinheiro das contribuições que o senhor faz?

Pelo que sei, são despesas relacionadas com as necessidades da organização e gestão da Igreja, e iniciativas de beneficência e portanto creio e espero que sejam utilizados para tais fins. Não sei nada sobre as modalidades concretas de uso.

O senhor se dirigiu à imprensa brasileira - "Folha de S.Paulo" do dia 12 de setembro de 2007 - para defender a Renascer. O senhor conhece as atividades da Renascer e do que foi acusada?

Nem me lembro do artigo do jornal e não me lembro também de uma entrevista minha relacionada com este assunto. De qualquer forma, àquela época, eu estava na Itália. Sobre as atividades da Renascer, tudo que sei sobre as acusações vem da leitura dos jornais brasileiros.

Alguma vez o senhor foi informado do valor das receitas, das despesas e dos investimentos das empresas do grupo em questão (seja a Igreja, seja as empresas ligadas à ela)?

Nunca.

16 fevereiro 2009

Jarbas reafirma críticas e diz que não sai do PMDB


FONTE: Globo.com

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) reafirmou nesta segunda-feira (16) as críticas que fez a seu partido na entrevista à revista "Veja" e disse que não sairá do PMDB. Para ele, a entrevista tem como objetivo apenas “abrir o debate".

Na entrevista à revista, o senador disse que "a corrupção está impreganada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é a corrupção." Ele também disse que a eleição de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência do Senado é "um completo retrocesso", e que Renan Calheiros (PMDB-AL), que assumiu a liderança do partido, "não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido."

Na entrevista coletiva concedida nesta segunda, Jarbas se mostrou tranquilo com a permanência no PMDB, apesar de reconhecer estar “desconfortável” dentro do partido. Além de garantir que não sairá, afirmou ainda que não será expulso do PMDB, mesmo que um processo disciplinar seja aberto. Ele não quis dizer quem integra a “boa parte do PMDB” que só “quer corrupção” porque não é “auditor".

Jarbas também afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "tem sido altamente conivente com a corrupção." Segundo o senador, "Lula e o PT não inventaram a corrupção, mas a corrupção tem sido uma marca do governo dele." O Palácio do Planalto disse que não vai comentar as afirmações de Jarbas.



Sarney e Renan

O senador pernambucano afirmou que mantém o diálogo com o presidente do partido e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), mas irá se recusar a participar de reuniões convocadas pelo líder do partido, Renan Calheiros, ou de encontro com o presidente do Senado, José Sarney. “Com a presidência do partido tenho diálogo. Agora, do gabinete do senador Renan e do senador Sarney vou procurar passar ao largo."

Procurado pelo G1, José Sarney disse que não iria comentar as declarações feitas por Jarbas Vasconcelos. Renan Calheiros disse que a resposta à entrevista era a nota divulgada pelo partido.

Sobre a nota do PMDB, que qualifica a entrevista de “desabafo” e diz que suas críticas não merecem atenção, o senador qualificou como “respeitosa” com sua história no partido, do qual é fundador. Para ele, o partido se perdeu no caminho da corrupção “nos últimos dez anos”.



Corrupção

Para Jarbas, a entrevista tem a função de abrir um debate dentro do partido, e na sociedade, sobre corrupção e disser ser equívoco esperar que apresente nomes. “Ofereci uma peça inicial, a entrevista à revista 'Veja'. Não tiro uma virgula, uma linha, tudo o que eu disse ao repórter foi fiel. Exigir de mim que eu tenha uma lista no bolso, que eu vá apontar corrupto, que eu vá apresentar isso ou aquilo é um equivoco. Não sou auditor."

Sobre o pedido do senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC), que deseja saber se é considerado corrupto por Jarbas, o senador pernambucano disse que não irá se manifestar. Afirmou ainda que não se sentiria atingido caso outra pessoa tivesse classificado o PMDB ou o Senado como corrupto ou medíocre. “Se algum colunista ou jornalista disser que o Senado está completo de mediocridade e corrupção, eu não vestiria a carapuça."

Chávez comemora vitória em referendo e se diz pré-candidato para 2012


FONTE: BBC Brasil

"Hoje começa o terceiro ciclo histórico, de 2009 a 2019 (...). Abrimos a porta do futuro para continuar transitando a caminho da dignidade (...) e esse caminho não tem outro nome: é socialismo", afirmou Chávez ao dirigir-se a seus simpatizantes na varanda do Palácio de Governo. O local havia sido cercado por uma multidão vestida de vermelho, a cor do chavismo, antes mesmo do anúncio da vitória.

"Os que votaram pelo ‘Sim' votaram pelo socialismo, pela revolução e por Chávez", acrescentou o mandatário. Ele discursou acompanhado das filhas, netos e ministros, em um ato que foi transmitido por cadeia nacional de rádio e televisão.

Chávez, que estava eufórico e afônico, disse que o referendo foi uma grande vitória do povo e da revolução, e que os venezuelanos haviam escrito uma "página memorável na história" do país.

Segundo o primeiro boletim do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), com 94,2% das urnas apuradas, o "Sim" levou 54,36% dos votos, aprovando a emenda constitucional que coloca um fim ao limite para a reeleição aos cargos públicos.

A medida habilita o presidente venezuelano a candidatar-se a um terceiro mandato presidencial nas eleições de 2012, para as quais ele já se proclamou "pré-candidato".

Oposição

O presidente parabenizou também a seus opositores pela disputa, e disse que a vitória também era dos que votaram "não", opção que, de acordo com o CNE obteve 45,63% dos votos. A participação, uma das mais altas dos últimos pleitos, foi de 67,05% dos cidadãos com direito a voto.

O presidente venezuelano contou que o primeiro a parabenizá-lo foi o líder cubano Fidel Castro. "Felicidades a você e para seu povo por uma vitória que, por sua magnitude, é impossível de medir", disse Fidel, de acordo com Chávez.

Imediatamente após o discurso do presidente, os partidos de oposição reconheceram a vitória do governo, mas, porém, denunciaram que a opção do "Sim" levou vantagem devido ao uso da máquina do Estado durante a campanha eleitoral.

Omar Barboza, dirigente do partido Um Novo Tempo (centro-direita), disse que os opositores estão orgulhosos de terem alcançado mais de 5 milhões de votos e advertiu que a oposição "continuará na luta".

Thomas Guanipa, do partido Primeiro Justiça (direita) afirmou que nas eleições presidenciais de 2012, a oposição "alcançará uma mudança" no país.

A festa dos chavistas se estendeu durante toda a madrugada, com queima de fogos, caravanas e gritos de "Uh, ah! Chávez, não se vá".

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O povo venezuela está mostrando para o mundo como se "constrói" um ditador em meio a democracia.

Sempre existirão sujeitos imbecis no mundo... e pior, sempre existirão pessoas que apóiam estes imbecis.

Riva Moutinho

14 fevereiro 2009

Maconha: é hora de legalizar?


FONTE: Revista Época
- edição 561

Fumar maconha em casa e na rua deveria ser legal? Legal no sentido de lícito e aceito socialmente, como álcool e tabaco? O debate sobre a legalização do uso pessoal da maconha não é novo. Mas mudaram seus defensores. Agora, não são hippies nem pop stars. São três ex-presidentes latino-americanos, de cabelos brancos e ex-professores universitários, que encabeçam uma comissão de 17 especialistas e personalidades: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, de 77 anos, e os economistas César Gaviria, da Colômbia, de 61 anos, e Ernesto Zedillo, do México, de 57 anos. Eles propõem que a política mundial de drogas seja revista. Começando pela maconha. Fumada em cigarros, conhecidos como “baseados”, ou inalada com cachimbos ou narguilés, a maconha é um entorpecente produzido a partir das plantas da espécie Cannabis sativa, cuja substância psicoativa – aquela que, na gíria, “dá barato” – se chama cientificamente tetraidrocanabinol, ou THC.

Na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, reunida na semana passada no Rio de Janeiro, ninguém exalta as virtudes da erva, a não ser suas propriedades terapêuticas para uso medicinal. Os danos à saúde são reconhecidos. As conclusões da comissão seguem a lógica fria dos números e do mercado. Gastam-se bilhões de dólares por ano, mata-se, prende-se, mas o tráfico se sofistica, cria poderes paralelos e se infiltra na polícia e na política. O consumo aumenta em todas as classes sociais. Desde 1998, quando a ONU levantou sua bandeira de “um mundo livre de drogas” – hoje considerada ingenuidade ou equívoco –, mais que triplicou o consumo de maconha e cocaína na América Latina.

Em março, uma reunião ministerial na Áustria discutirá a política de combate às drogas na última década. Espera-se que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, modifique a posição conservadora histórica dos Estados Unidos. A questão racial pode influir, já que, na população carcerária americana, há seis vezes mais negros que brancos. Os EUA gastam US$ 35 bilhões por ano na repressão e, em pouco mais de 30 anos, o número de presos por envolvimento com drogas decuplicou: de 50 mil, passou a meio milhão. A cada quatro prisões no país, uma tem relação com drogas. No site da Casa Branca, Obama se dispõe a apoiar a distribuição gratuita de seringas para proteger os viciados de contaminação por aids. Alguns países já adotam essa política de “redução de danos”, mas, para os EUA, o cumprimento dessa promessa da campanha eleitoral representa uma mudança significativa.

A Colômbia, sede de cartéis do narcotráfico, foi nos últimos anos um laboratório da política de repressão. O ex-presidente Gaviria afirmou, no Rio, que seu país fez de tudo, tentou tudo, até violou direitos humanos na busca de acabar com o tráfico. Mesmo com a extradição ou o extermínio de poderosos chefões, mesmo com o investimento de US$ 6 bilhões dos Estados Unidos no Plano Colômbia, a área de cultivo de coca na região andina permanece com 200 mil hectares. “Não houve efeito no tráfico para os EUA”, diz Gaviria.

Há 200 milhões de usuários regulares de drogas no mundo. Desses, 160 milhões fumam maconha. A erva é antiga – seus registros na China datam de 2723 a.C. –, mas apenas em 1960 a ONU recomendou sua proibição em todo o mundo. O mercado global de drogas ilegais é estimado em US$ 322 bilhões. Está nas mãos de cartéis ou de quadrilhas de bandidos. Outras drogas, como o tabaco e o álcool, matam bem mais que a maconha, mas são lícitas. Seus fabricantes pagam impostos altíssimos. O comércio é regulado e controla-se a qualidade. Crescem entre estudiosos duas convicções. Primeira: fracassou a política de proibição e repressão policial às drogas. Segunda: somente a autorregulação, com base em prevenção e campanhas de saúde pública, pode reduzir o consumo de substâncias que alteram a consciência. Liderada pelos ex-presidentes, a comissão defende a descriminalização do uso pessoal da maconha em todos os países. “Temos de começar por algum lugar”, diz FHC. “A maconha, além de ser a droga menos danosa ao organismo, é a mais consumida. Seria leviano incluir drogas mais pesadas, como a cocaína, nessa proposta”.


EXPERIÊNCIA
Os ex-presidentes Ernesto Zedillo, César Gaviria e Fernando Henrique (da esq. para a dir.), em encontro no Rio, na semana passada. Eles defenderam a revisão das leis contra as drogas e a descriminalização da posse de pequenas quantidades de maconha

O que pode parecer a conservadores uma tremenda ousadia não passa, na verdade, de um gesto simbólico do continente produtor de drogas, a América Latina. Um gesto com os olhos voltados para o Norte, o hemisfério consumidor por excelência. Nos Estados Unidos, ainda se encarceram usuários na maioria dos Estados, e a Europa faz vista grossa ao consumo, mas não muda sua legislação. A comissão latino-americana acha “imperativo retificar a estratégia de guerra às drogas dos últimos 30 anos”. Nosso continente continua sendo o maior exportador mundial de cocaína e maconha, mas produz cada vez mais ópio e heroína e debuta na produção de drogas sintéticas. Um maior realismo no combate às drogas, sem preconceito ou visões ideológicas, ajudaria a reduzir danos às pessoas, sociedades e instituições.

Há quem discorde dessa visão, com base em argumentos também poderosos. Com a liberação do consumo da maconha, mais gente experimentaria a droga. Isso aumentaria o número de dependentes e mais gente sofreria de psicoses, esquizofrenia e dos males associados a ela. Mais gente morreria vítima desses males. “Como a maconha faz mal para os pulmões, acarreta problemas de memória e, em alguns casos, leva à dependência, não deve ser legalizada”, afirma Elisaldo Carlini, médico psicofarmacologista que trabalha no Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas (Cebrid). “Legalizá-la significaria torná-la disponível e sujeita a campanhas de publicidade que estimulariam seu consumo”.

13 fevereiro 2009

Perito suíço diz que brasileira é "golpista" e "sofre de distúrbio", informa jornal


FONTE: Folha online

O legista Walter Bär, do Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, responsável pelos exames realizados na advogada brasileira Paula Oliveira, 26, --supostamente atacada por um grupo de skinheads em Zurique-- afirmou nesta sexta-feira que Oliveira é um golpista e sofre de distúrbio mental. A informação foi divulgada no jornal suíço "Tagesanzeiger".

"Isso é uma forma de golpe. Talvez essa mulher tenha um grande desejo de estar grávida [...] Esse tipo de pessoa faz de tudo para chamar atenção para si mesma", afirmou Walter Bär, em entrevista ao jornal. A família da brasileira contesta a afirmação da polícia suíça, de que ela teria praticado autoflagelo.

Polícia suíça diz que exames comprovaram inexistência de gravidez em brasileira ferida
Leia íntegra do comunicado feito pela polícia de Zurique sobre o caso da brasileira ferida
Família e amigos consideram absurda tese de automutilação de brasileira ferida na Suíça

O médico afirma que pela superficialidade dos cortes encontrados no corpo de Oliveira, o caso se trata de automutilação. Segundo os exames realizados pelo instituto, a advogada não estava grávida.

Na versão apresentada pela família da advogada, Oliveira foi atacada por três supostos skinheads quando saía de uma estação de trem nos arredores de Zurique, nesta segunda-feira (9). Em entrevista ao jornal, o perito afirmou que o tipo de agressão é comum em mulheres jovens.

"Elas se cortam para poder aliviar as tensões emocionais. No momento em que ela se machuca, as pessoas tem uma sensação de dor, que os estudos [sobre o assunto] mostram", afirma o médico ao jornal.

Na entrevista concedida ao "Tagesanzeiger", o médico explica que o caso é comum entre pessoas que sofreram algum tipo de abuso anteriormente. Na agressão, Oliveira foi cortada com estiletes, onde os supostos criminosos escreveram as siglas do partido SVP (Partido do Povo Suíço), nos braços, pernas e na barriga da advogada.

Segundo o perito, as mensagens podem significar um conflito mental e uma forma de Oliveira expressar as dificuldades de uma estrangeira que vive fora do país.


Outro lado

A família e amigos de Oliveira afirmam considerar absurda a tese de automutilação sustentada por Bär. "A situação tem de ser vista com cuidado. A família está apreensiva. Acho que é um absurdo o autoflagelo", afirmou um primo da advogada, o universitário Tales Oliveira. Ele é filho de Silvio, tio de Paula.

Segundo diz, a família não entrou em contato nesta sexta-feira com o advogado Paulo Oliveira, pai da jovem, que está na Suíça com a mãe de Paula. O pai da brasileira é separado da mãe da advogada e mantém união com uma outra mulher.

Tales afirma que familiares souberam das declarações do perito pela imprensa. Ele disse que a jovem nunca apresentou problemas psiquiátricos ou comportamentos diferentes do habitual. "Era normal", disse.

Paula estudou na Faculdade de Direito da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), onde esteve de forma ativa no movimento estudantil local. Ex-colegas de faculdade afirmam que a jovem era alegre, se sociabilizava bem na classe e sempre se empenhou nos estudos.

O Itamaraty informou que acompanha o caso e que deve se pronunciar após a apuração dos fatos.

Emprego na Indústria paulista cai 1,34% em fevereiro, corte de 32,5 mil vagas

FONTE: Folha online

O nível de emprego da indústria de transformação do Estado de São Paulo fechou janeiro com recuo de 1,34% na comparação com dezembro do ano passado, nos dados sem ajuste sazonal, segundo levantamento da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgado nesta quinta-feira.

Com isso, o setor, que registra a quarta queda consecutiva, fechou 32,5 mil vagas ao longo do último mês. Considerando os dados com ajuste sazonal, que elimina características específicas de cada período, a baixa no emprego no mês passado foi de 1,86%.

Em dezembro do ano passado, a queda foi de 5,64% na comparação com novembro, também sem ajuste sazonal. Só em dezembro, foram 130 mil vagas fechadas, e no acumulado de 2008, a perda foi de 7.000 empregos.

Em janeiro, dos 22 setores, 19 tiveram desempenho negativo, dois mais contrataram que demitiram e um ficou estável.

O que mais contratou foi o de produtos diversos, com 0,85% de alta no nível de emprego, seguido por minerais não metálicos, com a mesma elevação. Os que mais demitiram foram produtos químicos, com queda de 3,3%, e couros, artigos de couro e calçados, com recuo de 2,7%.


Sensor

A Fiesp também divulgou hoje o Sensor Fiesp --indicador de perspectivas futuras da indústria paulista-- da primeira quinzena de fevereiro. O índice atingiu 41,4 pontos, contra 38,7 pontos (revisado) verificados na segunda quinzena do janeiro.

O índice varia entre 0 e 100 pontos, sendo que acima de 50 pontos indica otimismo e, de 50 para baixo, pessimismo.

Entre os cinco subitens do Sensor, o que apresenta maior valor é o de mercado (49,8 pontos), seguidos por investimentos (44), emprego (42,6), vendas (35,5) e estoque (32).

12 fevereiro 2009

Professor de música é preso com guitarras roubadas de Rita Lee

FONTE: Globo.com


ME DESPEÇO E VOU

Por Riva Moutinho

 


Sei que já gastei tempo demais
Com coisas das quais a humanidade é desumana.
Sei que já gastei tempo demais
Dizendo o que outros alterarão.


Há sempre pessoas que têm medo de si próprias.
Há sempre pessoas que não assumem quem são.
Há sempre pessoas que amam o espelho.
Há sempre pessoas como eu ou você.


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11 fevereiro 2009

Amazônia pode render 50 bilhões por ano ao país


FONTE: Revista Época

Pesquisadores revelam quanto valem os serviços florestais prestados pela Amazônia ao planeta. A idéia é usar os números como mais um argumento para evitar a destruição da floresta. A proposta faz parte do estudo Mantendo a floresta amazônica em pé: uma questão de valores (Keeping the Amazon forests standing: a matter of values), feito pelo Instituto Copérnico da Universidade de Utrecht da Holanda a pedido da ONG WWF. A retenção de CO2, o principal gás causador do aquecimento global, teria um valor estimado de até R$ 226 por hectare por ano. Se considerarmos que existem 219 milhões de hectares de florestas protegidas, entre unidades de conservação e áreas indígenas, o Brasil poderia lucrar R$ 50 bilhões por ano com essas áreas verdes.

Esse dinheiro poderia ser pago por países industrializados que precisam compensar a poluição que lançam na atmosfera. Um mecanismo conhecido por Redução das Emissões oriundas do Desmatamento e da Degradação florestal (Redd). A ideia vem sendo debatida nas Conferências Mundiais do Clima, mas até hoje ninguém havia calculado exatamente qual era o valor econômico dos serviços prestados pela Amazônia. E nem quanto o Brasil pode ganhar com o fim do desmatamento. "O Redd não é o único mecanismo para manter a floresta em pé, mas certamente é o mais promissor neste momento'', afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.

O resultado da pesquisa também inclui a riqueza da Amazônia e os produtos que dependem das florestas tropicais para serem produzidos, como o café do Equador, que tem sua polinização feita por insetos dessas regiões. Essa ajuda “natural” da floresta para a agricultura, valeria R$ 110 reais por hectare por ano. A recreação e o ecoturismo significariam, em média, entre R$ 7,8 e R$ 15,8 por hectare por ano, segundo o estudo.

A proposta é mostrar que os serviços florestais podem valer mais do que as atividades econômicas que existem hoje na Amazônia, como a pecuária e a soja, responsáveis por grande parte dos atuais índices de desmatamento de 10 mil quilômetros quadrados por ano. A conversão de florestas em pastos é responsável por 78% de tudo que já foi derrubado na Amazônia.

09 fevereiro 2009

O Silêncio é de Ouro

Por Mino Carta


FONTE: Carta Capital

Quando escolhi o Brasil como lugar definitivo da minha vida, optei também pelo jornalismo. Existe uma indissolúvel conexão entre as duas atitudes. E explico. Até o golpe de 1964, fui jornalista com séria dedicação profissional. De alguma forma mercenário, no entanto. Cheguei a dirigir uma revista de carros sem saber dirigir os próprios.

Diga-se que, depois da renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, quando a pressão militar só permitiu a posse de João Goulart, sucessor constitucional, ao forçar a adoção do Parlamentarismo, eu ficara de sobreaviso. Mas o golpe desabou também sobre a minha alma e motivou minhas escolhas definitivas.

Percebi como dever a prática do jornalismo em um país submetido à ditadura imposta pela classe dominante, com a inestimável ajuda dos seus gendarmes, e que se uma única, escassa linha da minha escrita sobrasse para o futuro teria conseguido conferir um mínimo de importância à minha profissão. Faço questão de sublinhar que não agia desta maneira pelo Brasil, e sim por mim mesmo.

Quarenta e cinco anos depois, vivo uma quadra de extremo desalento, em contraposição às grandes esperanças alimentadas durante a ditadura. Guardava a convicção de que, ao raiar finalmente o sol da liberdade, o Brasil atingiria a maioridade como Estado Democrático de Direito. Esperanças logo frustradas pela rejeição da emenda das eleições diretas após uma campanha a favor que honra o povo brasileiro. Fez-se, pelo contrário, a conciliação das elites, nos exatos moldes previamente desenhados pelo general Golbery do Couto e Silva. A aposta do Merlin do Planalto estava certa e vale até hoje. E o povo? Que se moa.

Fez-se a conciliação para eleger Fernando Collor e para derrubá-lo. E novamente para eleger Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998. A Carta aos Brasileiros assinada por Lula foi uma tentativa de aparar arestas antes do pleito de 2002, aparentemente mal-sucedida, por ter convencido um número bastante diminuto de privilegiados. A conciliação veio depois da posse, a despeito do ódio de classe que até o momento cega a mídia.

A mim, que estou de olhos escancarados, a Carta do candidato convenceu por considerá-la sincera. Naquela época, não me cansei de definir Lula como um conciliador desde os tempos da liderança sindical. No governo, contudo, ele foi muito além das minhas expectativas. Ou, por outra: deu para me decepcionar progressivamente.

O balanço de seis anos de Lula no poder não é animador, na minha visão. A política econômica privilegiou os mais ricos e deu aos mais pobres uma esmola. Há quem diga: já é alguma coisa. Respondo: é pouco, é uma migalha a cair da mesa de um banquete farto além da conta. O desequilíbrio é monstruoso. Na política ambiental abriu a porta aos transgênicos, cuidou mal da Amazônia, dispensou Marina Silva, admirável figura, para entregar o posto a um senhorzinho tão esvoaçante quanto seus coletes.

A política social pela enésima vez sequer esboçou um plano de reforma agrária e enfraqueceu os sindicatos. E quanto ao poder político? O Congresso acaba de eleger para a presidência do Senado José Sarney, senhor feudal do estado mais atrasado da Federação, estrategista da derrubada da emenda das Diretas Já e mesmo assim, graças ao humor negro dos fados, presidente da República por cinco anos.

Outro que foi para o trono, no caso da Câmara, é Michel Temer, um ex-progressista capaz de optar vigorosamente pelo fisiologismo. Reconstitui-se o “centrão” velho de guerra, uma das obras-primas da conciliação tradicional. Enquanto isso, o Brasil ainda divide com Serra Leoa e Nigéria a primazia mundial da má distribuição de renda, continua a exportar commodities, 55 mil brasileiros morrem assassinados todo ano, 95% ganham de 800 reais por mês para baixo. E 2009 promete ser bem pior do que pretendiam os economistas do governo.

Houve, e há, justificadíssima grita quanto às privatizações processadas no governo FHC. E que dizer do BNDES que hoje subvenciona bilionários para armar a BrOi, a qual (modesta previsão) acabará nas mãos de ouro de Carlos Slim? E que dizer da compra pelo governo de 49% das ações do Banco Votorantim à beira da falência? Em um ponto houve melhoras sensíveis, na política exterior. E aí vem o caso Battisti. Até este serve ao propósito da conciliação, a despeito das críticas desta vez bem fundamentadas da mídia.

O ministro Tarso Genro disse em Belém que a favor da extradição de Battisti se alinham os defensores da anistia aos torturadores da ditadura, “com exceção de Mino Carta”. Agradeço a referência, observo, porém, que o ministro cai em clamorosa contradição. Não foi ele quem, em rompante que beira a sátira voltairiana, sugeriu à Itália baixar uma lei da anistia igual àquela assinada no Brasil pelo ditador de plantão, no caso João Figueiredo?

Talvez o ministro não saiba que, enquanto no Brasil vigorou o Terror de Estado, na Itália houve uma gravíssima e fracassada tentativa terrorista de desestabilizar o Estado Democrático de Direito instalado desde o fim do fascismo por caminhos impecáveis, a começar pela eleição de uma Assembleia Constituinte exclusiva. Lei de anistia por que se, de acordo com o direito italiano, e o de todos os países civilizados, crime de sangue é um somente, sem distinção entre comum e político?

Se eu digo, entretanto, que o Festival de Besteira assola o País desde a época de Stanislaw Ponte Preta, e que se o ministro merece o Oscar do Febeapá, ao menos o professor Dalmo Dallari faz jus a uma citação, recebo as mensagens ferozes e as agressivas admoestações de centenas de patriotas. Pois quem disse que na Itália dos anos 70 estava no poder um governo de extrema-direita, ou que se Battisti for extraditado, de volta ao seu país corre até risco de vida? Ou afirmou que Mestre e Milão, norte da Península, são muito distantes, quando entre as duas cidades há menos de 200 quilômetros? Sem contar que, como me levam a observar vários frequentadores do meu blog, Battisti foi o autor do homicídio de Mestre e apenas o idealizador daquele de Milão.

Está claro que o ministro Tarso não erra ao dizer que a mídia nativa está sempre a agredir o governo de Lula, e contra esta forma desvairada de preconceito CartaCapital tem se manifestado com frequência. Ocorre que, ao referir-se à extradição negada, a mídia está certa, antes de mais nada em função dos motivos alegados, a exibir ao mundo ignorância, falta de sensibilidade diplomática e irresponsabilidade política, na afronta a um Estado democrático e amigo.

De todo modo, Battisti transcende sua personalidade de “assassino em estado puro”, segundo um grande magistrado como o italiano Armando Spataro, para se prestar a uma operação que visa compactar o PT e empolgar um certo gênero de canarinhos patriotas. Isto tudo me leva a uma conclusão desoladora, embora saiba de muitíssimos leitores generosos e fiéis: minha crença no jornalismo faliu. Em matéria de furo n’água, produzi a Fossa de Mindanao. Iludi-me em demasia, mea-culpa.

Donde tomo as seguintes decisões: despeço-me do Blog do Mino e, por ora, calo-me em CartaCapital. Quanto ao cancelamento do blog, confesso certo alívio, com a pronta aprovação da minha fiel Olivetti e dos meus reflexivos botões. Acumulei dúvidas quanto a este espaço, livre também para insuportáveis manifestações de incultura e grosseria. Creio em contrapartida que a revista ainda precise de minha longa experiência profissional, que completa 60 anos no fim de 2009.

Confiei muito em Lula, por quem alimento amizade e afeto. Entendo que o Brasil perde com ele uma oportunidade única e insisto em um ponto já levantado neste espaço: o próximo presidente da República não será um ex-metalúrgico com quem o povo se identifica automaticamente. É possível que conte com a simpatia da mídia, não terá o apoio incondicional da nação, privilégio de Lula. Conforme demonstra aliás o índice de aprovação do presidente, cada vez mais dilatado.

Vai sobrar-me tempo para escrever um livro sobre o Brasil. Talvez não ache editor, pouco importa, vou escrevê-lo de qualquer forma, quem sabe venha a ser premiado pela publicação póstuma.

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