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27 janeiro 2009

Reação brasileira no caso Battisti foi grave e inesperada, diz chanceler italiano

FONTE: Globo.com

O ministro italiano de Relações Exteriores, Franco Frattini, disse que a reação do governo brasileiro no caso Battitsi é "grave" e não era esperada pela Itália.

A Itália decidiu chamar para consultas seus embaixador no Brasil depois da negativa de Brasília de extraditar Cesare Battisti, ex-ativista de esquerda condenado na Itália por quatro assassinatos, anunciou nesta terça-feira (27) o ministério italiano das Relações Exteriores.

"Depois da grave decisão tomada no caso Battisti pelo procurador-geral (do Brasil), o ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, decidiu chamar para consultas em Roma o embaixador da Itália no Brasil, Michele Valensise", informou a chancelaria.

Na noite de segunda, o procurador-geral da República do Brasil, Antonio Fernando de Souza, recomendou ao Supremo Tribunal Federal que arquivasse o pedido de extradição da Itália para Cesare Battisti, detido no Rio de Janeiro em março de 2007 depois de ter fugido da França, onde se refugiou entre 1990 e 2004.

"Esperávamos um novo exame e uma reflexão mais profunda: o fato de decidir depois de somente 48 horas sem ter analisado objetivamente (o caso) parece como uma vontade de não decidir e de cobrir simplesmente a decisão política do ministério da Justiça", disse o chanceler Franco Frattini, citado pela imprensa italiana.

"Isso é francamente inaceitável e por isso convocamos a Roma o embaixador para consultas neste caso. Quero ver com ele as opções que temos", acrescentou.

Frattini enfatizou, no entanto, que o Brasil "é um grande amigo da Itália desde sempre" e que, "por este motivo, não esperávamos uma reação tão grave".

Em 13 de janeiro, o Brasil concedeu asilo político a Battisti, ex-chefe do grupo "Proletários Armados pelo Comunismo" e condenado em 1993 pela justiça italiana à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos anos 1970.

No parecer de Antonio Fernando de Souza, a concessão de de refúgio significa automativamente a extinção do processo de extradição solicitado pela Itália.

A decisão de conceder asilo provocou indignação na Itália, tanto por aparte das autoridades políticas como das famílias das vítimas.

Na semana passada, uma série de atos simbólicos diante das sedes diplomáticas do Brasil na Itália marcou o protesto de vários políticos italianos contra a decisão de Brasília.

Reunidos em frente à elegante sede da embaixada brasileira em Roma, quatro manifestantes deitaram no chão e se cobriram com lençóis manchados de vermelho, representando os quatro assassinatos pelos quais Battisti foi condenado na Itália, informou a rede de notícias Sky TG24.

O ato foi organizado por dois pequenos partidos de tendências opostas: o Itália dos Valores, de esquerda, fundado pelo ex-juiz anticorrupção Antonio di Pietro, e o Movimento pela Itália, de extrema direita, criado pela ex-deputada Daniela Santanché, que liderou o protesto de Milão, no norte do país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que seu governo não está disposto a submeter a decisão a uma revisão.

Lula enviou na sexta-feira uma carta pessoal a seu colega italiano Giorgio Napolitano - que lhe expressou sua grande surpresa pela decisão - explicando as razões para conceder refúgio a Battisti e garantindo a independência e a neutralidade da decisão adotada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro.

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