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06 janeiro 2009

Israel diz ter matado 130 militantes do Hamas em quatro dias


FONTE: BBC Brasil

O Exército israelense afirma ter matado 130 militantes do grupo palestino Hamas desde o início da ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, na noite se sábado.

Nesta terça-feira, as forças israelenses intensificaram os ataques no território, chegando até Khan Younis, no sul.

Pelo menos 18 palestinos teriam morrido nas últimas horas. O governo israelense desmentiu a informação de que o Hamas teria matado dez soldados israelenses e disse que três de seus homens foram mortos por fogo-amigo.

Os soldados, da brigada de elite Golani, foram mortos acidentalmente por um projétil lançado por um blindado israelense. Três outros soldados teriam tido ferimentos graves e outros 20 sofreram ferimentos leves.

As informações sobre os acontecimentos em Gaza são limitadas pela proibição, por parte de Israel, de que jornalistas estrangeiros entrem na região.

Estima-se que até agora cerca de 560 palestinos tenham sido mortos nos dez dias de conflitos na região e outros 2.500 teriam sido feridos.

Autoridades médicas palestinas afirmam que pelo menos 110 pessoas morreram desde o início dos ataques terrestres.

Por outro lado Israel afirma que quatro soldados e quatro civis morreram nos dez dias de ofensiva.


Diplomacia

Rejeitando os apelos internacionais por um cessar-fogo, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak afirmou na segunda-feira que as operações em Gaza continuarão até que o Hamas seja derrotado.

“Ainda não atingimos nossos objetivos", disse ele a parlamentares israelenses.
Barak afirmou ainda que o grupo militante palestino Hamas sofreu um "duro golpe" desde que os ataques a Gaza começaram, há dez dias.

Até agora, os esforços diplomáticos para colocar um fim à crise na Faixa de Gaza têm sido infrutíferos.

Em visita oficial ao Oriente Médio, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deve chegar nesta terça-feira a Damasco, na Síria, junto com uma delegação da União Européia, em uma tentativa de convencer o governo sírio a usar sua influência sobre o Hamas para que o grupo palestino aceite um plano de cessar-fogo.

Nesta segunda-feira, Sarkozy manteve conversações com líderes israelenses e palestinos.

Ele acusou o Hamas de agir de forma “irresponsável e imperdoável” ao lançar foguetes contra Israel e pediu ao governo israelense que interrompa a violência para permitir a entrada de ajuda na região.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deve participar de um encontro do Conselho de Segurança da ONU nesta terça-feira para pressionar por uma ação do órgão na região.

Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, conversou por telefone com a chanceler israelense, Tzipi Livni, e reiterou a posição do governo brasileiro sobre a necessidade de um cessar-fogo rápido.


Crise humana

Enquanto a ofensiva continua, as condições de vida da população de Gaza estão se deteriorando cada vez mais, com os suprimentos de comida, água e trigo escasseando.

O norueguês Mads Gilbert, um dos dois médicos estrangeiros que trabalham no maior hospital de Gaza, o Al-Shifa, afirmou que as salas de operação estão cheias e que muitas pessoas estão morrendo por causa da falta de recursos.

Israel afirma que os civis não são alvos dos ataques, mas Gilbert diz ter visto apenas dois militantes em meio a centenas de mortos.

A Organização das Nações Unidas afirma que cerca de 1 milhão de pessoas na região sofre com a falta de energia elétrica e que muitos podem sofrer com a fome nos próximos dias.

Dominic Nutt, da agência humanitária Save the Children, disse à BBC que as condições na região estão se deteriorando rapidamente.

“Eles não têm água a maior parte do dia, não há eletricidade, eles estão com muito frio. As janelas têm que ficar abertas para evitar que se quebrem com os bombardeios”, diz.

“Crianças estão sofrendo risco de hipotermia, elas estão subnutridas, não há comida o suficiente. A situação está ficando desesperadora”.

Centenas de palestinos estão deixando suas casas, apesar dos perigos de se movimentar no território.

Israel afirmou ter permitido a entrada de 80 caminhões contendo comida e remédios através da fronteira de Gaza com o Egito.

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