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14 novembro 2008

OPINIÃO: OBAMA, A MÍDIA E O POVO

por Riva Moutinho



O mundo passa pela pior crise financeira de sua existência. Nos livros de história do futuro a crise de 1929 servirá apenas como uma lembrança remota de um desastre maior e recente o qual atualmente o mundo vive.

Os países mais ricos liberam quantias bilionárias de dólares a fim de sustentarem alguns pilares de suas economias. Enfim a crise financeira a qual a América mergulhou levou o mundo globalizado a tomarem medidas conjuntas com o propósito de não estenderem ainda mais o caos. Ao menos para isto esta crise serviu, ainda que modestamente, mostrando que é possível trabalhar juntos e que no final das contas todos precisam de todos.

E em meio a isto tudo e a guerras criadas por um presidente arrogante e insensato, a América elegeu o primeiro presidente negro e o primeiro a ter uma aceitabilidade mundial tão grande. O mundo assistiu a vitória de Barack Obama como a vinda de um salvador o qual trará a paz e erguerá a economia americana e por conseqüência a mundial. Será?!

Sem sombra de dúvida a vitória de Obama nos traz a mente todos os ideais de Martin Luther King e a lembrança de seu assassinato até hoje solucionado diante de respostas que nos trazem tantas dúvidas quantas as do assassinato de Kennedy. E sobre esta nostalgia a América sonha na crença de que Obama é o seu salvador ou aquele a quem todas as esperanças se confinam a fim de manterem o “American Dream” vivo e ao alcance de todos.

Guardadas as suas devidas proporções o Brasil de 2002 viveu na vitória de Luís Inácio Lula da Silva o início de uma nova era, afinal alguém que veio dos confins do povo iria governar o povo. Hoje o reeleito Lula alcança popularidade recordes para um presidente no Brasil, no entanto deixou para trás um rastro de corrupção jamais visto e inseriu uma nova maneira de manipular as massas. O “salvador” do Brasil viveu dias de Salomão na qual nenhuma brisa soprou contra os pilares de sua administração a não ser os furacões que seus próprios pupilos criaram, mas ainda assim, pôde gastar dinheiro público como nunca se gastou antes. E o que acontecerá nestes dois últimos anos de seu mandato demonstrará se Lula e sua equipe poderá evitar que o Brasil não mergulhe, juntamente com o resto do mundo, na descarga que Bush acionou.

Mas voltando aos Estados Unidos, espero que Obama não carregue em sua mente a idéia de que, realmente, seja o salvador da América ou do mundo. Que apesar de tudo, que ele tenha plena consciência de que é apenas, e tão somente, um homem o qual estará e está sujeito a erros como qualquer outro. Assim a única coisa boa da alteração de rota escolhida pelo povo americano é a execração pública de um presidente ausente, incoerente, egoísta, inerte e inconsistente chamado George W. Bush. A expressiva impopularidade de Bush é, sem sombra de dúvida, a parte salvadora de tudo isso.

A América vive o momento ao qual se percebe, novamente, que eles são tão vulneráveis quanto qualquer outro país e que não há distinção entre raças quando a areia movediça da incompetência administrativa e política se expande internamente.

Obama não é salvador de nada, mas carrega sobre suas costas expectativas de pessoas espalhadas pelo mundo de que possa tornar os Estados Unidos da América em um país menos prepotente, menos egoísta, mais igualitário, mais humano.

Num país assombrado pelo fantasmagórico Osama, os americanos escolheram Obama e se, diante de tudo, ele for apenas Barack do Quênia da África as decepções de tantas expectativas serão muito menores.

BH 14/11/2008



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