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24 novembro 2008

Odebrecht tem pressa para deixar o Equador; 3.800 devem ser demitidos

FONTE: Folha online

O plano da construtora brasileira Norberto Odebrecht para deixar o Equador está em pleno andamento e a intenção da empresa é sair do país vizinho o mais rápido possível. Para que isso aconteça, a empreiteira está concluindo o processo de demissão dos funcionários equatorianos e destinação de máquinas e equipamentos.

De acordo com a assessoria da construtora, não existe uma data limite para deixar definitivamente o Equador, mas a intenção é deixar o país o quanto antes. Em meados de outubro deste ano, a Odebrecht foi expulsa pelo presidente Rafael Correa após um impasse na negociação sobre a reforma da hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa brasileira.

A Odebrecht tinha 3.800 pessoas trabalhando no país, sendo que 37 delas eram brasileiras. Segundo a empresa, a maioria já foi demitida, principalmente, aquelas que trabalhavam diretamente na produção.

Após 21 anos presentes no Equador, a construtora revelou que muitos trabalhadores equatorianos foram formados dentro da empresa e por isso, "se quiserem", poderão permanecer nos quadros da empresa, seja no Brasil ou em outras localidades onde a Odebrecht atue. O mesmo acontecerá com os funcionários brasileiros.

Em relação às máquinas e equipamentos, a assessoria da empresa afirmou que o material pode ser comprado pelas empresas que assumirem as obras pendentes no Equador ou serem encaminhados para operações em outros países.


Calote

Além da construção da hidrelétrica de San Francisco --que gerou a expulsão da empresa-- a Odebrecht era responsável também pela execução outras quatro obras de infra-estrutura no país --as hidrelétricas de Toachi-Pilatón e Baba, projeto de irrigação Carrizal-Chone e aeroporto regional de Tena--, cujos contratos totalizavam cerca de US$ 650 milhões.

Além da medida contra a empresa brasileira, o governo equatoriano anunciou na semana passada que não pagará um empréstimo de US$ 243 milhões com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O financiamento foi concedido justamente para custear a obra da usina de San Francisco, que foi consertada pela Odebrecht e já está em operação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu contra a decisão do colega equatoriano e convocou o embaixador brasileiro no Equador, Antonio Marques Porto, para estudar medidas a serem tomadas em relação ao anúncio do calote equatoriano.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo recebeu com "séria preocupação a notícia da decisão do Equador" e que a medida foi anunciada em evento público, sem prévia consulta ou notificação ao governo brasileiro.

Por sua vez, o BNDES também informou em comunicado que na assinatura do acordo "foram cumpridas, rigorosamente, todas as exigências previstas pela legislação brasileira e equatoriana, tendo sido, inclusive, o referido contrato aprovado pelo Congresso Nacional do Equador".

Amanhã, o embaixador brasileiro também deverá prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

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