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30 novembro 2008

Chuva, lama e dor

FONTE: Revista IstoÉ




Chovia sem parar havia quase dois meses em Santa Catarina. O vigia Francisco Mendonça, 48 anos, terminou seu turno na hora do almoço, no sábado 24, e planejava visitar alguns parentes antes de seguir para casa, mas mudou de idéia diante da tempestade. Ele estava acostumado aos temporais, muito comuns na região, e até às enchentes, mas naquele dia a chuva sem trégua mostrava uma força incomum. Na sua casa, na localidade de Sertão Verde, em Gaspar, ao perceber as águas ocupando o pátio, sua mulher, Maria Marlene, 49 anos, decidiu ir para um local mais seguro. Na véspera, a casa deles já havia sido invadida pela chuva. Por telefone, ela contava à filha Jussara, moradora de Blumenau, que estava se preparando – com duas filhas, dois netos e dois sobrinhos – para se abrigar na casa do cunhado. “De repente, ela parou de falar e ouvi apenas um chiado. Em seguida a ligação caiu”, relatou Jussara a parentes. A ligação caiu por causa da chuva. Maria Marlene conseguiu ir com a família para a casa do cunhado.

Por volta das 13h, uma avalanche de lama e árvores soterrou três casas na localidade, entre elas a do irmão de Francisco, matando toda a família. Ironicamente, a dele permaneceu intacta. “Era a hora deles, não tem outra explicação”, lamentava o vigia. Entre os escombros, uma cena emocionou até os bombeiros: Débora, 26 anos, (grávida de dois meses), e Ester, de quatro, filha e neta de Francisco, morreram abraçadas. A família Mendonça foi sepultada sem velório e em caixões de papelão na terça-feira 25.

Gaspar, localizada no Vale do Itajaí, a 116 Km de Florianópolis, foi uma das cidades mais atingidas pela fúria das águas – 15 pessoas morreram – que devastou parte de Santa Catarina. O dilúvio fez os morros derreterem e um tsunami de lama, rochas e árvores provocou destruição jamais vista no Estado. Até a tarde da sexta-feira 28, a Defesa Civil contabilizava 100 mortos, 19 desaparecidos e quase 80 mil desabrigados ou desalojados. Calcula- se que 1,5 milhão de pessoas tenham sido afetadas.

Os catarinenses descrevem um cenário de guerra. Ruas tomadas pela água e lama, casas destruídas, pontes quebradas, postes tombados, supermercados saqueados. Mais de 80% da cidade de Itajaí submergiu. Em Blumenau, uma das maiores da região, 95% da população ficou sem água e a lama chegou a meio metro de altura no centro histórico. As rádios da cidade não funcionavam. Cerca de 172 mil pessoas passaram dias sem luz no Estado. O abastecimento de gás foi reduzido em 72% na região por causa de rompimentos em gasodutos. Faltava comida, água virou artigo de luxo, o litro de gasolina chegou a R$ 6 e o comércio só aceitava dinheiro ou cheque porque não havia como realizar pagamentos em cartões de crédito e débito. Dezenas de milhares de pessoas perderam tudo: casa, carro, roupas, documentos, memórias de uma vida inteira. As cenas de horror lembravam a Nova Orleans (EUA) devastada pelo furacão Katrina em 2005, quando quase 1.500 pessoas morreram. Até hoje a cidade está em reconstrução.

Quem escapou da morte ainda tem os momentos de terror vivos na mente. “Nossa casa foi arrastada em pé, a poucos metros de onde a gente estava. Desabou e virou um monte de entulho na nossa frente”, conta Jonathan Neuberger, 20 anos, morador de Blumenau. Recém-casado, ele e a mulher estavam construindo uma casa e, por isso, viviam provisoriamente com os pais dele. Na fatídica noite de sábado, quando a chuva se tornou mais intensa, eles perceberam que a água e o barro desciam com força do morro e começavam a entrar na casa. Por volta da 1h, eles decidiram sair e se abrigaram na varanda do vizinho no outro lado da rua.

“Ficamos observando a água e o lodo que entravam pela parte dos fundos e saíam pela frente arrastando os móveis para a rua. De repente, a casa foi arrastada inteira na nossa direção. Só não nos atingiu porque desabou antes. Nos abraçamos e choramos desesperados”, lembra Jonathan, que voltou ao local na quartafeira 26 para tentar recuperar algo de valor, como o álbum de casamento. O motorista Egon Stevens, 49 anos, também de Blumenau, viveu tragédia semelhante. Ele e a filha Géssica, 21, saíram de casa quando começaram a ouvir estalos. Pouco depois, tudo ruiu. “Levei 11 anos para construí-la, mas os bens materiais a gente recupera”, dizia ele, inconformado com a morte de um vizinho e suas duas filhas.

O governo do Estado ainda tenta medir o tamanho do estrago. O turismo estima perder R$ 120 milhões. A reconstrução da malha viária levará um mês. Além disso, boa parte do comércio e fábricas da região permanecem fechados. “Ainda não conseguimos calcular tudo porque muitas indústrias ainda estão submersas ou sem condições de contato”, diz Alcântaro Corrêa, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), para quem o prejuízo das empresas superará R$ 1 bilhão. Uma das situações mais graves é a do porto de Itajaí, o segundo maior do País, que está fechado desde a quinta-feira 20 e amarga perdas diárias de R$ 100 milhões. A água arrastou contêineres, invadiu depósitos e destruiu três dos quatro pontos de atracação. O porto é o maior exportador de carnes congeladas do Brasil, setor que movimenta R$ 10 bilhões por ano. Somente na quarta-feira 26, o presidente Lula sobrevoou a região atingida e anunciou a liberação de R$ 1,6 bilhão para Estados castigados pela chuva – cinco mil homens estão trabalhando nesta operação. “Nunca vi coisa como esta”, disse Lula. “É a pior tragédia climática de Santa Catarina”, resumiu o governador Luiz Henrique.

Ainda estão na memória dos catarinenses as enchentes de 1983, na qual morreram 49 pessoas e 197 mil ficaram sem teto, e 1984, quando houve duas mortes e 155 mil desabrigados. Naquela ocasião, foi criada a Oktoberfest, uma festa folclórica alemã, para angariar recursos e ajudar na reconstrução da região, onde ocorrem enchentes desde o século XIX, mas até hoje não há um programa eficiente para combatê-las. Emerson Silva tinha apenas sete anos em 1983, mas, com as imagens daqueles tempos difíceis na memória, resolveu no domingo 23 estocar comida e água assim que as chuvas se intensificaram em Gaspar. Antes do almoço, foi com a mulher, grávida de sete meses, ao mercado. Os armários da cozinha eram novinhos, haviam sido montados três dias antes. Mas a chuva foi implacável e as três casas da família de Emerson ruíram em minutos. Eles escaparam porque saíram pouco antes. O estoque de comida e água se perdeu nos escombros e agora ele, a mulher e a mãe estão hospedados com vizinhos. Também foram as lembranças daquelas enchentes que motivaram Hocinilde Laguna, 42 anos, a deixar sua casa quando a enxurrada alagou a rua, no sábado 22. “Avisei o pessoal para sair”, conta ela. “Mas quase ninguém é daqui, nunca passaram pelo que eu passei. Caminhei com água na cintura.” Na sua rua, em Gaspar, a água chegou a quatro metros de altura.

As enchentes castigaram especialmente Itajaí, que até o final da semana passada ainda estava parcialmente submersa e onde havia sido decretado toque de recolher em razão dos saques. O rio Itajaí-Açu chegou a ficar 11,24 metros acima do nível na manhã da segunda-feira 24. Naquele dia, o caminhoneiro Loreci Schemes só conseguiu chegar em casa de jet-ski. No sábado ele havia viajado com a mulher e o filho de cinco anos para um batizado em Blumenau. Às 5h30 da madrugada de domingo, foi acordado pela cunhada que o avisou da violência da chuva e do perigo de enchente. Ele retornou para Itajaí imediatamente, mas não conseguiu salvar nada. “Perdi tudo”, disse, referindo-se a carro, moto e eletrodomésticos. Só restou o caminhão, que ele conseguiu levar a tempo para um lugar seguro.

Foi a preocupação com os alagamentos, comuns em alguns pontos de Itajaí, que determinou a escolha do bairro Dom Bosco por Josely Rosa para comprar sua casa, no início do ano. Por isso, quando viu a água e a lama invadirem a garagem, mal pôde acreditar. “Minha rua ficou submersa, de algumas casas só se via o telhado, cobras nadavam na água”, contou Josely, que foi retirada do local de barco com o pai e o filho.

De fato, o volume de água que caiu de 21 a 23 de novembro no Vale do Itajaí foi inédito: choveu cerca de 500 milímetros. Para efeito de comparação, Florianópolis, em todo o mês de novembro, costuma registrar um volume de 140 milímetros. “Não identificamos nada igual nos arquivos da região”, diz Suely Petry, diretora do Arquivo Público de Blumenau. Se fosse São Paulo a receber uma enxurrada deste porte, haveria uma catástrofe sem precedentes na história do Brasil, segundo o geólogo Ronaldo Malheiros, da Defesa Civil da capital paulista.

A geografia de Santa Catarina é favorável às fortes chuvas. O litoral e a serra catarinense estão muito próximos e isso contribui para a formação de nuvens pesadas (leia quadro à pág. 40). Mas a situação tomou proporções dramáticas porque houve uma explosão populacional na região – o número de habitantes de Blumenau, por exemplo, duplicou em 25 anos e hoje a cidade tem 290 mil moradores – e, em muitos casos, com ocupação irregular das encostas. Por isso, um mar de lama invadiu as casas, morros desabaram e barreiras caíram nas estradas. A fúria da natureza isolou uma dezena de cidades por vários dias. Foram necessários helicópteros para resgatar as pessoas. Entre elas, Teresinha Floriano, de Ilhota. “Perdi família, casa e emprego”, disse ela, funcionária de uma confecção que desmoronou. Sua irmã, a sobrinha de um ano e meio e nove amigas morreram. Outra costureira da região, Adriana Day, 34 anos, também foi retirada de helicóptero. “Perdemos tudo, era pouco mas era nosso. Agora só temos a roupa do corpo”, diz ela. “Nem chão tenho mais para levantar outra casa.”

A vida pacata que a costureira levava com o marido, os filhos, o pai, a irmã, sobrinhos e primos no vilarejo Alto do Baú, em Ilhota, virou uma catástrofe na madrugada de sábado para domingo. “Primeiro, foi a casa da minha irmã que desabou. A terra molhada carregou a casa dela. Mas todos se salvaram. De manhã fomos tirar barro e logo a minha rua começou a ser atingida pela lama, que empurrava tudo. Saí correndo de casa com meus três filhos. Vi o galpão da cooperativa onde trabalho ser destruído em dois segundos pela enxurrada. Parecia de papel.”

Adriana correu com a família para o campo de futebol da cidade, que teria uma saída para uma estrada. Mas o local já estava isolado pelo barro. “Eu, meu marido, meus filhos e meu pai pegamos o carro, fomos para um lugar seco e passamos a noite lá, os seis, rezando, com as janelas fechadas porque a chuva era muito forte. Nossa única certeza era de que a gente ia morrer ali”, contou Adriana, chorando muito. Durante a noite, o gasoduto que passa pela região estourou. Um clarão fez a terra tremer. O filho dela desmaiou de medo. “Entrei em desespero. Não tinha mais esperança”, disse ela, que credita a um milagre as 26 pessoas da família terem se salvado. “Mesmo assim, nunca vou esquecer. Uma moça vinha no helicóptero chorando, com a filhinha de oito meses morta no colo. Ela conseguiu tirar a neném dos escombros. Você acha que dá para esquecer uma dor dessas?”



Com reportagem de José Carlos Góes (Blumenau), Giselle Zambiazzi (Gaspar), Alan Rodrigues (São Paulo) e Hugo Marques

25 novembro 2008

Mortos em Santa Catarina somam 72; Defesa Civil pede água potável


FONTE: Folha online

O número de pessoas mortas pelas chuvas que atingem o Estado de Santa Catarina subiu para 72, segundo boletim divulgado às 15h30 desta terça-feira. O número de pessoas desalojadas ou desabrigadas também é grande: de acordo com a Defesa Civil, 53.909 tiveram de sair de suas casas, sendo que 22.882 estão desabrigados --devem ficar em abrigos do poder público-- e 31.027 desalojados, ou seja, abrigados nas casas de familiares ou amigos.

A Defesa Civil de Santa Catarina pediu doações de água potável, médicos voluntários e dinheiro aos municípios. São 30 as pessoas desaparecidas após os temporais.

A água poderá ser entregue na Defesa Civil dos municípios, além dos órgãos de segurança do governo estadual, como polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros.

Hospitais do Estado pediram também ajuda de médicos voluntários, como é o caso do Santo Antônio, em Blumenau, que precisa de um oftalmologista. Medicamentos para atender 50 mil pessoas foram enviados pelo Ministério da Saúde.

A Defesa Civil criou duas contas bancárias para receber doações para compra de mantimentos. Os interessados em contribuir podem depositar qualquer quantia nas contas: Banco do Brasil - Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7; ou Besc - Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.

Oito municípios estão isolados no Estado: São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoa e Benedito Novo. Quatro cidades decretaram estado de calamidade pública: Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento e Camboriú. Segundo a Defesa Civil, 53.639 estão desalojadas ou desabrigadas em Santa Catarina.


Tragédia

Estão isolados oito municípios: São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoa e Benedito Novo. Quatro cidades decretaram estado de calamidade pública: Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento e Camboriú.

Cerca de 600 turistas que estão isolados em um parque aquático de Gaspar desde sábado (22) devem começar a ser retirados hoje à tarde.

Devido aos estragos provocados pela chuva, o governador decretou sábado (22) situação de emergência em todo Estado. O decreto é válido por 180 dias.

As chuvas também prejudicaram a distribuição de energia elétrica. Segundo balanço mais recente divulgado pela Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A), 137 mil pontos sem energia elétrica no Estado. Os pontos vão desde casas, passando por estabelecimentos comerciais e até públicos.

A chuva que atinge o Estado é recorde histórico para o mês de novembro desde que o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) começou a fazer medições em Florianópolis, em 1961. A previsão é que a intensidade das chuvas seja reduzida hoje.

24 novembro 2008

Odebrecht tem pressa para deixar o Equador; 3.800 devem ser demitidos

FONTE: Folha online

O plano da construtora brasileira Norberto Odebrecht para deixar o Equador está em pleno andamento e a intenção da empresa é sair do país vizinho o mais rápido possível. Para que isso aconteça, a empreiteira está concluindo o processo de demissão dos funcionários equatorianos e destinação de máquinas e equipamentos.

De acordo com a assessoria da construtora, não existe uma data limite para deixar definitivamente o Equador, mas a intenção é deixar o país o quanto antes. Em meados de outubro deste ano, a Odebrecht foi expulsa pelo presidente Rafael Correa após um impasse na negociação sobre a reforma da hidrelétrica de San Francisco, construída pela empresa brasileira.

A Odebrecht tinha 3.800 pessoas trabalhando no país, sendo que 37 delas eram brasileiras. Segundo a empresa, a maioria já foi demitida, principalmente, aquelas que trabalhavam diretamente na produção.

Após 21 anos presentes no Equador, a construtora revelou que muitos trabalhadores equatorianos foram formados dentro da empresa e por isso, "se quiserem", poderão permanecer nos quadros da empresa, seja no Brasil ou em outras localidades onde a Odebrecht atue. O mesmo acontecerá com os funcionários brasileiros.

Em relação às máquinas e equipamentos, a assessoria da empresa afirmou que o material pode ser comprado pelas empresas que assumirem as obras pendentes no Equador ou serem encaminhados para operações em outros países.


Calote

Além da construção da hidrelétrica de San Francisco --que gerou a expulsão da empresa-- a Odebrecht era responsável também pela execução outras quatro obras de infra-estrutura no país --as hidrelétricas de Toachi-Pilatón e Baba, projeto de irrigação Carrizal-Chone e aeroporto regional de Tena--, cujos contratos totalizavam cerca de US$ 650 milhões.

Além da medida contra a empresa brasileira, o governo equatoriano anunciou na semana passada que não pagará um empréstimo de US$ 243 milhões com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O financiamento foi concedido justamente para custear a obra da usina de San Francisco, que foi consertada pela Odebrecht e já está em operação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu contra a decisão do colega equatoriano e convocou o embaixador brasileiro no Equador, Antonio Marques Porto, para estudar medidas a serem tomadas em relação ao anúncio do calote equatoriano.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo recebeu com "séria preocupação a notícia da decisão do Equador" e que a medida foi anunciada em evento público, sem prévia consulta ou notificação ao governo brasileiro.

Por sua vez, o BNDES também informou em comunicado que na assinatura do acordo "foram cumpridas, rigorosamente, todas as exigências previstas pela legislação brasileira e equatoriana, tendo sido, inclusive, o referido contrato aprovado pelo Congresso Nacional do Equador".

Amanhã, o embaixador brasileiro também deverá prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

22 novembro 2008

Crise com o Equador é 'séria e sai da rotina diplomática', diz Celso Amorim


FONTE: Globo.com



O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) disse neste sábado (22) que a crise com o Equador iniciada pela decisão do país vizinho de suspender os pagamentos de empréstimo concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é “séria e sai um pouco da rotina diplomática”.

O Equador recorreu nesta semana a uma corte internacional de arbitragem para julgar a validade da dívida de US$ 242,9 milhões com o BNDES, para a construção da uma hidrelétrica San Francisco, que fornece 12% da energia do país. O dinheiro foi liberado por meio da construtora Odebrecht, responsável pela obra.

O governo equatoriano alega que a Odebrecht se recusou a pagar indenização por supostas falhas estruturais que causaram a interrupção da energia nos últimos dois meses. A construtora brasileira diz ter aceito todas as exigências do Equador.

Neste sábado, o presidente do Equador, Rafael Correa, telefonou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do assunto. Na sexta (21), Correa disse que seu país não pagaria uma “dívida ilegal, ilegítima, corrupta". Em represália, o Brasil chamou o embaixador brasileiro no Equador, Antonino Marques Porto, para consulta.

Segundo Amorim, essa á uma forma de o Brasil manifestar que está “insatisfeito sobre a maneira como as coisas foram conduzidas até aqui”. “A forma como ocorreu nos causou um certo incômodo, sem aviso prévio, sem qualquer tentativa de negociação”, disse.



Amorim afirmou que um dia antes do anúncio da posição equatoriana, houve contatos da diplomacia brasileira com a chancelaria do país vizinho, que não mencionou a decisão que seria adotada por Correa.

De acordo com Amorim, quando surgiam rumores sobre a suspensão do pagamento da dívida, a chancelaria equatoriana informava ao Brasil que o assunto era apenas conversa “de pessoas não autorizadas a falar [em nome do governo do Equador]”.


Retaliação

Amorim disse que o Brasil não está “pensando propriamente em retaliação” ao Equador. Ele lembrou que o Brasil tem muitos investimentos no país, a maior parte deles do setor privado, embora alguns com financiamentos do BNDES.

O chanceler declarou que o Brasil vai analisar o assunto “com serenidade” e conversar com o embaixador brasileiro em Quito sobre a questão, para ver se há “um padrão de comportamento [na decisão do governo equatoriano] ou se foi um fato isolado”.

Segundo Amorim, o Brasil vai tratar do assunto também com o BNDES para discutir os questionamentos do Equador sobre o contrato. Ele disse que há “pontos imprecisos e incoerentes” nas razões apontadas pelo país vizinho para suspender o pagamento do empréstimo.

O chanceler brasileiro disse que o contrato de empréstimo com o banco brasileiro tem garantia de prioridade de pagamento em razão de acordo entre os bancos centrais dos países do continente.

Na sexta-feira (21), o BNDES divulgou uma nota onde diz que "cumpriu rigorosamente todas as exigências previstas" no contrato de financiamento de US$ 242,9 milhões para a implantação da hidrelétrica San Francisco, no Equador, e que o documento foi aprovado pelo Congresso do Equador e teve sua "legalidade e exigibilidade atestadas em pareceres favoráveis da Procuradoria Geral e pelo Banco Central do Equador".

21 novembro 2008

Petrobrás anuncia novas reservas no pré-sal do ES

FONTE: Estadão

SÃO PAULO - A Petrobras anunciou nesta sexta-feira, 21, novas descobertas de petróleo em reservatórios do pré-sal do Espírito Santo, localizados abaixo dos campos de óleo pesado de Baleia Franca, Baleia Azul e Jubarte, com reservas estimadas entre 1,5 bilhão e 2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). O óleo leve encontrado na área denominada Parque das Baleias é de ótima qualidade (30 graus na classificação API). A estatal concluiu a perfuração de dois novos poços no litoral capixaba e comunicou à Agência Nacional de Petróleo (ANP), segundo fato relevante.

"Com as novas descobertas, o volume total de óleo estimado na área do Parque das Baleias, incluídos os reservatórios localizados acima e abaixo da camada de sal, já chega a aproximadamente 3,5 bilhões de barris de óleo", informou a estatal.

"Os excelentes resultados dessas duas perfurações, as ótimas respostas do teste de longa duração do poço pioneiro 1-ESS-103A e as facilidades logísticas já instaladas e em instalação na área levam a Petrobras a intensificar os estudos para acelerar a produção do pré-sal do Espírito Santo", disse a companhia em fato relevante assinado pelo diretor financeiro e de Relações com Investidores, Almir Barbassa.

Os reservatórios estão entre 4.200 e 4.800 metros de profundidade a partir do nível do mar. Até agora já foram perfurados seis poços na seção pré-sal do Espírito Santo, todos eles com sucesso, destacou a companhia.

19 novembro 2008

Gravação mostra como PF afastou Protógenes

FONTE: Folha online

Na reunião realizada em 14 de julho passado na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, dois superiores do delegado Protógenes Queiroz o afastaram do comando da Operação Satiagraha --que seis dias antes levara à prisão o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas.

O delegado foi acusado, no encontro, de conduzir uma ação repleta de irregularidades e "fora dos padrões", além de omitir informações sobre os mandados de prisão. Foi questionado também se privilegiou a Rede Globo quando da prisão do ex-prefeito Celso Pitta.

Quando Protógenes deixou a investigação, a direção da PF vazou trechos de quatro minutos da gravação do encontro, que tem duas horas e 55 minutos, e divulgou a versão de que o delegado saiu porque quis. À época, a PF lamentou em nota "a distorção dos fatos".

A íntegra da gravação revela que o delegado tentou se manter por mais 30 dias no comando da operação, ao mesmo tempo em que freqüentaria um curso de formação profissional na academia da PF, em Brasília.

Tentou também continuar auxiliando formalmente os novos delegados do caso. Os dois pedidos foram negados. Num dos trechos vazados pela PF em julho, Protógenes aparecia pedindo "desculpas" aos seus chefes e dizendo que decidira participar do curso em Brasília. Mas o vazamento suprimiu um trecho fundamental da reunião que esclarece a decisão subseqüente do delegado.

O áudio registra que primeiro houve longo e tenso debate de mais de duas horas, que girou basicamente em torno do vazamento da operação no dia em que foi deflagrada. Houve cobranças do ministro da Justiça, Tarso Genro, para que fosse apurado o vazamento.

Protógenes tentou contemporizar, mas não conseguiu demover os chefes da idéia de abrir inquérito sobre o vazamento. Vencida essa etapa, o superintendente da PF em São Paulo, Leandro Coimbra, e o diretor de combate ao crime organizado da direção geral da PF, Roberto Troncon Filho, entraram na fase mais delicada da discussão, a permanência ou não de Protógenes no caso.

A decisão começa a ser tratada às duas horas e 19 minutos de gravação. Coimbra perguntou se Protógenes e os delegados que o apoiavam, Carlos Pellegrini e Karina Murakami, teriam condições de concluir o inquérito "até sexta-feira". A reunião ocorreu numa segunda-feira. Protógenes respondeu: "30 dias".

A idéia do delegado era intercalar o curso na academia com seu trabalho no inquérito que averiguava suposta gestão fraudulenta do grupo Opportunity.

Nesse período, aguardaria os resultados da análise do material apreendido em buscas e apreensões nas casas dos investigados. Contou aos superiores que já havia combinado com advogados de defesa que poderia tomar depoimentos aos domingos, "inclusive para preservar a imagem" dos réus. O superintendente imediatamente opôs-se à idéia. Primeiro disse que havia aulas aos sábados.

Em seguida, argumentou que Protógenes estava "personificando" a investigação. Ele afirmou: "Sábado tem aula. O problema é parecer que é pessoal".

Nesse momento, interveio Troncon. Pouco antes, havia feito duro diagnóstico sobre o que acreditava ser "uma paranóia" de Protógenes. Disse que ele estava disseminando "uma virose" que estaria "contaminando" a PF.

Falava ainda em "resolver" o assunto. Disse ter ficado "chateado" com os delegados da Satiagraha pois fora mantido à parte da operação. Protógenes argumentou que queria "preservar" o delegado. Disse que ele e equipe foram "perseguidos" em Brasília, o que justificaria sua prevenção.

O áudio demonstra que Troncon não aceitou discutir a possibilidade de Protógenes continuar à frente da investigação. Contou que havia "conversado" com o delegado Coimbra, momentos antes do encontro.

Troncon usou como argumento as críticas que a imprensa vinha fazendo ao trabalho de Protógenes. Mas deixou claro que o delegado deveria deixar o caso. "Tem que despersonificar a investigação. A investigação é do órgão (...) Ainda que você [Protógenes] dê a sua colaboração, porque você é o cara que mais sabe desse negócio, mas assim ó, fora dessa situação", disse Troncon, que exerce uma das cinco diretorias vinculadas ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

Protógenes argumentou: "É muito pelo contrário. Não está personificada, tem quatro delegados nessa investigação". Troncon reagiu. "Não, a gente tem que pensar. Eu concordo com o Leandro (...) A gente discutiu um pouco antes. A gente tem que sair desse foco da personificação. (...) Quem está no período da dedicação exclusiva ao curso, a freqüência das aulas. Por que vamos abrir para o Queiroz? (...)", disse Troncon. Mais adiante, Troncon afirmou: "Se você conseguir relatar até sexta-feira, mas prosseguir numa situação... É dar lenha na fogueira. Certamente prosseguirá como fonte de consulta, como apoio. (...) Mas continuar tocando o inquérito...".

CLIQUE AQUI PARA OUVIR A ÍNTEGRA DA GRAVAÇÃO

Dantas pagou R$ 18 milhões em propinas a políticos, juiz e jornalistas, diz PF

FONTE: Folha online

O delegado da Polícia Federal Carlos Eduardo Pellegrini, que atuou na Operação Satiagraha, revelou que a PF apreendeu documentos no apartamento do banqueiro Daniel Dantas que apontam pagamento "de propinas a políticos, juiz, jornalistas".

As revelações de Pellegrini, que não citou nomes, estão gravadas na fita que documentou a reunião ocorrida no dia 14 de julho na sede da PF paulistana, que selou o afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando da investigação.

Pellegrini disse à Folha na quarta-feira que não se recorda de ter dito isso na reunião.

"É um grupo muito forte. Eu fui executar a prisão [de Dantas] lá no [escritório do advogado] Nélio Machado [em SP] e tinha dois desembargadores aposentados e um juiz do Rio. Na casa do Dantas eu achei vários documentos --o Vitor achou de 2004--, de 2007, R$ 18 milhões de pagamento de propinas para políticos, juiz, e jornalistas no ano de 2007", disse Pellegrini.

17 novembro 2008

Risco Daniel: Lula e sua cúpula já temem “exumação” do Caso Santo André e dossiê criado por Dantas

Por Jorge Serrão


FONTE: Alerta Total


O risco de revelação de novas informações sobre o assassinato do prefeito petista Celso Daniel e a divulgação, súbita, de um dossiê bombástico produzido por aliados do banqueiro Daniel Valente Dantas são duas ameaças que tiram o sono da cúpula petista e do chefão Lula da Silva nos últimos dias. Os serviços particulares de informação que atendem à elite do desgoverno já deram o sinal de alerta sobre instabilidades políticas à vista, no curto prazo.

A ameaça já recebe o nome, na comunidade de informações, de “Risco Daniel”. Seja por causa do fantasma politicamente insepulto do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, torturado e morto barbaramente em um crime até hoje mal esclarecido, ou por causa do sempre ameaçador baú de malvadezas do banqueiro baiano Daniel Valente Dantas – o mesmo que o ministro da Justiça, Tarso Genro, promete punir com a reformatação da Operação Satyagraha, num jogo de cena digno do teatrinho de fantoches do João Minhoca.

Um indício de que existe uma ação desestabilizadora do desgoverno Lula veio de fora para dentro com o lançamento do livro "Deu no New York Times - O Brasil segundo a ótica de um repórter do jornal mais influente do mundo" (Ed. Objetiva, RJ). A obra foi escrita pelo jornalista norte-americano Larry Rohter, que foi oficialmente expulso (depois perdoado) porque escreveu um artigo para o New York Times revelando os hábitos etílicos do atual Presidente da República Sindicalista do Brasil.

Caso Celso Daniel

Escreve Rohter: "Mas nada tinha alarmado e assustado tanto o entorno de Lula do que uma reportagem que escrevi sobre o caso Celso Daniel, em fevereiro de 2004. O maior golpe de sorte de Lula foi que o PT conseguiu desviar a atenção do assassinato, em 20 de janeiro de 2002, de Celso Daniel, prefeito de Santo André. Se aquela investigação tivesse sido levada a cabo com o mesmo vigor e energia que foram dirigidos contra Roseana Sarney, poderia facilmente ter torpedeado a candidatura de Lula".

"Os irmãos de Celso Daniel, Bruno e João Francisco, disseram que, de acordo com o que o irmão tinha contado a eles, os membros mais importantes do PT não apenas sabiam do esquema de corrupção que provocou sua morte, como desempenharam um papel ativo na operação".

A sombra do Poderoso Zé

Em outra passagem do livro, Rohter lembra que o irmão de Celso Daniel compromete o ilustre advogado, blogueiro e consultor empresarial José Dirceu de Oliveira e Silva – que foi ministro-chefe da Casa Civil de Lula, mas que continua mandando nos bastidores mais ainda (embora sempre tente negar).

"Disse Bruno: `Pouco depois do enterro de Celso Daniel, Gilberto Carvalho me contou que tinha feito várias entregas em dinheiro vivo ao partido e que ficou apavorado quando estava transportando mais de 500 mil dólares em uma valise. E entregou o dinheiro diretamente a José Dirceu'".

"Uma pessoa que cumpria um papel importante no PT paulista, em uma longa entrevista, me disse que a atividade ilegal de levantamento de dinheiro em Santo André não era um caso isolado, como afirmavam os líderes do partido, mas era parte de um esquema generalizado para acumular grande soma em caixa 2 para a campanha" (de Lula em 2002).

Levantamento de grana – e não só de copo...

Larry Rohter prossegue em seu livro:

"Tinham sido dadas ordens a todos os prefeitos do PT para levantar dinheiro por todos os meios possíveis, e cada município havia recorrido a um mecanismo um pouco diferente para cumprir sua cota. Em Santo André eram as empresas de ônibus. Em Santos, era o programa da Aids. Em Campinas, onde o prefeito Toninho do PT tinha sido assassinado quatro meses antes de Celso Daniel, era o superfaturamento de obras públicas e de contratos de estacionamento. E em Ribeirão Preto eram os contratos de coleta de lixo".

"Eu sabia que o caso de Santo André era apenas a ponta do iceberg".

Apenas um detalhe: o prefeito de Ribeirão Preto, na época narrada, era Antônio Palocci Filho (atual deputado federal, ex-ministro da Fazenda, e que foi o sucessor de Celso Daniel na gestão financeira da campanha presidencial petista de 2002).

Ficou PT da vida?


"Fiquei puto porque como pode um cidadão que nunca conversou comigo, que nunca tomou um copo de cerveja comigo, que nunca tomou um copo d'água comigo, fazer uma matéria de que eu bebia? Isso me deixou muito puto".

A reclamação foi proferida em uma entrevista nervosa do chefão Lula da Silva à "Folha", em 2007.

Detalhes sobre a obra de Larry Rohter saíram no artigo “Tudo começou em Santo André”, de Sebastião Nery, na Tribuna da Imprensa de sábado.

Outra mentirinha...

Nery frisa que, ao contrário do que Lula reclamou à "Folha", ele conhece bem o Larry Rohter:

"O meu relacionamento com Lula data dos anos 70. Já conversei bastante com ele. Já tomei água, refrigerante e até uma cachacinha com ele. Também fiquei impressionado na época com as generosas quantidades de álcool que ele consumia. Me lembro de Lula me provocar com bom humor: `Que é isso, meu caro, um jornalista que não gosta de beber?' De uma reunião a outra, ele bebia o que lhe ofereciam: cachaça, uísque, conhaque".

"Em setembro de 2003. Brizola, companheiro de chapa de Lula, disse: `Quando eu fui candidato a vice do Lula, ele bebia muito. Eu o alertava que a bebida destilada é perigosa. Ele não me ouviu e, segundo dizem, continua bebendo. A bebida ataca os neurônios e talvez esse seja um dos motivos que o têm levado a perder a percepção das coisas'".

Principais economias do mundo confirmam cenário de crise

FONTE: Estadão.com

TÓQUIO - Depois do Reino Unido, Alemanha, Itália e, pela primeira vez desde sua criação, a zona do euro, nesta segunda a confirmação de um quadro recessivo veio do Japão. A segunda maior economia do mundo registrou o segundo trimestre consecutivo de contração econômica. A crise financeira global aumentou as perdas do país asiático no comércio internacional e enfraqueceu ainda mais a demanda doméstica. Para compor o cenário de crise global, pesquisa divulgada nesta segunda afirma que a economia dos EUA já enfrenta uma recessão "prolongada" que se estenderá para além do primeiro trimestre do próximo ano.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão se contraiu em 0,1% entre julho e setembro em relação ao trimestre anterior, já ajustado ao índice de inflação, ou 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com os dados do Gabinete de Ministros. O Gabinete também revisou para baixo o número relativo ao PIB no trimestre entre abril e junho, que passou a ser de contração de 0,9%, ante queda de 0,7%.

O ministro da Economia do Japão, Kaoru Yosano, assim como muitos economistas privados, manifestou o temor de que a recessão japonesa se aprofunde por causa da queda no crescimento dos principais parceiros comerciais do país, como os EUA e a Europa, em meio à mais grave crise financeira global em décadas. "Os riscos de declínio da economia estão aumentando mais e o Japão está numa situação muito séria", declarou.

A última vez em que a economia do Japão havia recuado em trimestres sucessivos tinha sido em 2001, após o estouro da bolha da Internet. Naquele ano, o PIB japonês se contraiu do segundo ao quarto trimestres. "Os próximos dois trimestres serão cruciais para a economia japonesa", disse Kyohei Morita, economista-chefe do banco Barclays Capital no Japão.



Pessimismo nos EUA

A economia norte-americana enfrenta uma recessão "prolongada" que se estenderá para além do primeiro trimestre do próximo ano e verá aumentos adicionais na taxa de desemprego, segundo pesquisa da Associação Nacional para Economia de Negócios (Nabe, na sigla em inglês). Contudo, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) não deve reduzir mais o juro, de acordo com a maioria dos 50 economistas consultados pela Nabe, ainda que um quarto espere mais reduções de juro.

"Os economistas estão decididamente mais negativos sobre a perspectiva econômica para os próximos trimestres, como resultado da intensificação do estresse no mercado de crédito e evidências de propagação para a economia real", disse o presidente da Nabe, Chris Varvares.

De acordo com a pesquisa, 96% dos consultados disseram que os EUA estão em recessão, com os participantes divididos sobre se ela começou entre o final de 2007 e o início de 2008 ou no terceiro trimestre deste ano. O Produto Interno (PIB) teve contração de 0,3%, em base anual, no terceiro trimestre.



Europa

Itália, Alemanha e Inglaterra vão anunciar nos próximos dias pacotes bilionários para tentar reanimar suas economias e tirá-las da recessão. O governo italiano de Silvio Berlusconi anunciou ontem que adotará medidas no valor total de US$ 100 bilhões. O Reino Unido anunciará um pacote de incentivos fiscais de Natal para as famílias mais pobres, enquanto a Alemanha prepara 50 bilhões de euros.

Na sexta-feira, a Comissão Européia revelou que a zona do euro entrou em sua primeira recessão desde que foi criada, enquanto o desemprego assusta milhares de europeus. Segundo o ministro de Finanças da Itália, Giulio Tremonti, parte do pacote de incentivos será adotada com fundos da Comissão Européia, reduzindo o impacto sobre o déficit orçamentário. Um decreto de emergência será publicado nos próximos dias.

O pacote ainda incluiria medidas fiscais para ajudar diferentes empresas e até para famílias, incentivando o consumo em uma economia em recessão.

Famílias endividadas e de baixa renda também serão alvo do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. Antes do Natal, ele deve aprovar um pacote de incentivos para permitir que o período de compras ajude a relançar a economia britânica, que também está em recessão.

14 novembro 2008

OPINIÃO: OBAMA, A MÍDIA E O POVO

por Riva Moutinho



O mundo passa pela pior crise financeira de sua existência. Nos livros de história do futuro a crise de 1929 servirá apenas como uma lembrança remota de um desastre maior e recente o qual atualmente o mundo vive.

Os países mais ricos liberam quantias bilionárias de dólares a fim de sustentarem alguns pilares de suas economias. Enfim a crise financeira a qual a América mergulhou levou o mundo globalizado a tomarem medidas conjuntas com o propósito de não estenderem ainda mais o caos. Ao menos para isto esta crise serviu, ainda que modestamente, mostrando que é possível trabalhar juntos e que no final das contas todos precisam de todos.

E em meio a isto tudo e a guerras criadas por um presidente arrogante e insensato, a América elegeu o primeiro presidente negro e o primeiro a ter uma aceitabilidade mundial tão grande. O mundo assistiu a vitória de Barack Obama como a vinda de um salvador o qual trará a paz e erguerá a economia americana e por conseqüência a mundial. Será?!

Sem sombra de dúvida a vitória de Obama nos traz a mente todos os ideais de Martin Luther King e a lembrança de seu assassinato até hoje solucionado diante de respostas que nos trazem tantas dúvidas quantas as do assassinato de Kennedy. E sobre esta nostalgia a América sonha na crença de que Obama é o seu salvador ou aquele a quem todas as esperanças se confinam a fim de manterem o “American Dream” vivo e ao alcance de todos.

Guardadas as suas devidas proporções o Brasil de 2002 viveu na vitória de Luís Inácio Lula da Silva o início de uma nova era, afinal alguém que veio dos confins do povo iria governar o povo. Hoje o reeleito Lula alcança popularidade recordes para um presidente no Brasil, no entanto deixou para trás um rastro de corrupção jamais visto e inseriu uma nova maneira de manipular as massas. O “salvador” do Brasil viveu dias de Salomão na qual nenhuma brisa soprou contra os pilares de sua administração a não ser os furacões que seus próprios pupilos criaram, mas ainda assim, pôde gastar dinheiro público como nunca se gastou antes. E o que acontecerá nestes dois últimos anos de seu mandato demonstrará se Lula e sua equipe poderá evitar que o Brasil não mergulhe, juntamente com o resto do mundo, na descarga que Bush acionou.

Mas voltando aos Estados Unidos, espero que Obama não carregue em sua mente a idéia de que, realmente, seja o salvador da América ou do mundo. Que apesar de tudo, que ele tenha plena consciência de que é apenas, e tão somente, um homem o qual estará e está sujeito a erros como qualquer outro. Assim a única coisa boa da alteração de rota escolhida pelo povo americano é a execração pública de um presidente ausente, incoerente, egoísta, inerte e inconsistente chamado George W. Bush. A expressiva impopularidade de Bush é, sem sombra de dúvida, a parte salvadora de tudo isso.

A América vive o momento ao qual se percebe, novamente, que eles são tão vulneráveis quanto qualquer outro país e que não há distinção entre raças quando a areia movediça da incompetência administrativa e política se expande internamente.

Obama não é salvador de nada, mas carrega sobre suas costas expectativas de pessoas espalhadas pelo mundo de que possa tornar os Estados Unidos da América em um país menos prepotente, menos egoísta, mais igualitário, mais humano.

Num país assombrado pelo fantasmagórico Osama, os americanos escolheram Obama e se, diante de tudo, ele for apenas Barack do Quênia da África as decepções de tantas expectativas serão muito menores.

BH 14/11/2008



COMEÇO, MEIO...

por Riva Moutinho


Saudade, distância, ansiedade,
Telefonema, email, oportunidade.
Tempo, lembranças, eternidade,
Você, eu, todos nós.

Amor, carinho, mãos.
Beijos, abraços, coração.
Sonhos, desejos, emoção.
Alguém, ninguém, paixão.

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Perícia aponta falhas de TAM, piloto, pista e Anac em acidente


FONTE: Estadão

SÃO PAULO - Após 16 meses de investigação, o Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo finalizou nesta semana o laudo sobre o acidente com o Airbus A320 da TAM. O primeiro parecer técnico e oficial sobre a tragédia que deixou 199 mortos em 17 de julho de 2007 deve ser entregue na segunda-feira à Polícia Civil, que apontará os responsáveis pelo desastre e dará o inquérito por encerrado, remetendo-o ao Ministério Público Estadual (MPE).

As conclusões descritas ao longo de quase 700 folhas e 2.500 páginas de anexos focam nas falhas administrativas cometidas principalmente pela cúpula e por altos funcionários da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), além de identificar erros por parte da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), da TAM, dos pilotos do avião e até da fabricante do jato.

Os envolvidos serão enquadrados no crime de atentado contra a segurança de transporte aéreo (artigo 261 do Código Penal). Por causa das mortes, a pena é equiparada à do homicídio culposo - de 1 a 3 anos de prisão. A punição pode ainda ser acrescida em até dois terços da pena base, uma vez que, numa mesma ação, houve mais de uma vítima

O laudo produzido pelo Núcleo de Engenharia do IC utiliza o modelo do "queijo suíço", desenvolvido nos anos 90 pelo psicólogo britânico James Reason, para explicar as diversas falhas que culminaram no maior acidente da aviação brasileira. A primeira "fatia" corresponde à Anac, encarregada de legislar sobre o setor aéreo. Caberia à direção da agência, segundo fontes ouvidas pelo Estado, editar uma norma que vetasse o pouso de aeronaves no Aeroporto de Congonhas quando as condições técnicas e meteorológicas fossem adversas. No dia da tragédia, a pista estava molhada e escorregadia e o avião da TAM tinha um dos reversos (freio aerodinâmico) travado.

A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) foi a segunda barreira transposta. Além de liberar o aeroporto para operar sem grooving (ranhuras que ajudam no escoamento da água), técnicos da estatal deixaram de seguir normas internacionais de gerenciamento da pista.

A Airbus, por sua vez, classificou apenas como "desejável" - e não "mandatória" - a instalação de um alarme sonoro que auxiliaria os pilotos de A320 a corrigirem eventuais equívocos no manuseio das manetes (aceleradores do avião). Conclusão: em nenhum momento, os computadores advertiram os pilotos para o risco de acidente.

O treinamento fornecido pela TAM também se mostrou ineficiente, uma vez que o procedimento seguido pelos comandantes Kleiber Lima e Henrique Stefanini di Sacco não foi o recomendado. Sob a ótica do laudo, os dois foram vítimas de um sistema administrativo falho - e não os únicos responsáveis pelo desastre.

13 novembro 2008

VÍDEO MOSTRA A BRIGA ENTRE DADO DOLABELLA E LUANA PIOVANNI

Em primeira mão: o vídeo abaixo acabou de ser publicado no Youtube

Nova investigação da PF acha mais indícios contra Dantas

FONTE: Estadão

BRASÍLIA - A Polícia Federal chegou a novos indícios sobre atividades supostamente ilícitas envolvendo o banqueiro Daniel Dantas, alvo maior da Satiagraha - operação de combate a esquema de lavagem de capitais, evasão de divisas, fraudes financeiras e formação de quadrilha.

Relatório parcial produzido pela PF e entregue à Justiça reforça as suspeitas sobre o controlador do Grupo Opportunity, que já havia sido formalmente indiciado em julho pelo delegado Protógenes Queiroz, mentor da Satiagraha.

Na ocasião, quando enquadrou Dantas, o delegado o rotulou de "capo" de organização criminosa que movimentou US$ 1,9 bilhão em paraísos fiscais. Além de Dantas foram indiciados 13 aliados seus, inclusive Verônica, sua irmã, a quem o delegado classificou de "cabeça da organização, uma espécie de subchefe central, figura como sócia-gerente e cotista em mais de duas centenas de empresas vinculadas ao grupo".

O novo documento, subscrito pelo delegado Ricardo Saadi - sucessor de Protógenes na Satiagraha -, chegou sexta-feira às mãos do juiz Fausto Martin De Sanctis, titular da 6ª Vara Criminal Federal.

De Sanctis já conduz uma ação penal contra Dantas, acusado de corrupção ativa - segundo a PF, ele teria tentado subornar um de seus delegados, Victor Hugo Alves, com US$ 1 milhão em troca do engavetamento do inquérito contra o Opportunity. Também está sob responsabilidade do juiz o inquérito sobre o banco, que, em setembro, teve R$ 525 milhões bloqueados.

Ao contrário do que declarou terça-feira o ministro da Justiça, Tarso Genro, segundo o qual o inquérito Satiagraha estaria sendo refeito, a PF informou que está cumprindo um "processo de aperfeiçoamento" do que já havia sido realizado.

O relatório é alentado, informou autoridade que a ele teve acesso. Essa mesma autoridade destacou que os novos elementos juntados aos autos aprofunda a investigação, reforça bastante o que já foi produzido.

O parecer foi montado a partir da análise de documentos bancários e contábeis recolhidos na madrugada de 8 de julho, quando Satiagraha foi às ruas, e em alguns depoimentos tomados nesses últimos três meses.

Não é definitivo porque os peritos federais ainda não conseguiram fazer a leitura completa dos HDs recolhidos em endereços do grupo sob suspeita.

Sigilo rigoroso cerca essa etapa dos trabalhos da PF. O delegado Ricardo Saadi, especialista em investigações sobre crimes financeiros, não se manifesta sobre o avanço da apuração. Nem o juiz, nem o Ministério Público Federal se pronunciam.

O relatório de Saadi é o primeiro da era pós-Protógenes, que foi afastado do caso em meio a uma turbulência sem igual na cúpula da PF.

Seu ato derradeiro foi um relatório de 152 páginas, por meio do qual afirmou: "É nele (Dantas) que se concentram todas as decisões em se tratando de estratégias, investimentos, aporte de recursos ou qualquer saída dos respectivos caixas do Grupo Opportunity."

A linha de investigação da PF, nesse momento, não foge ao que já havia sido registrado. A meta é indiciar Dantas por lavagem de dinheiro.

"Essa é uma tentativa de salvar um trabalho sem valor algum", reagiu o criminalista Nélio Machado, que comanda a defesa de Dantas. "Trata-se de um inquérito inservível, imprestável, investigação feita a partir da invasão de e-mails do banco e de advogados."

A nova etapa, disse, "é apenas uma metástase naquela investigação, a avaliação é subjetiva e unilateral". Ele destacou que as atividades do Opportunity "sempre foram reguladas e fiscalizadas pelo Banco Central". "O novo relatório pode ser alentado apenas pelo volume de papéis, é apenas mais um capítulo de uma devassa que vem há anos. Não assusta em nada."

11 novembro 2008

"Madagascar 2" lidera as bilheterias norte-americanas


FONTE: UAI


O filme de animação "Madagascar 2", continuação do sucesso de 2005, estreou neste fim de semana liderando as bilheterias norte-americanas com 63,5 milhões de dólares, segundo cifras provisórias divulgadas neste domingo pela empresa Exhibitor Relations.

Em segundo lugar ficou, com 19,2 milhões, outra estréia, "Role models", sobre um empresário egoísta que participa no programa "Big Brother" e conhece uma jovem adolescente.

O antigo dono absoluto da primeira colocação nas bilheterias, a comédia musical "High School Musical 3", caiu para terceiro lugar com 9,3 milhões, arrecadando 75,7 milhões desde sua estréia.

O mais recente filme de Clint Eastwood, com Angelina Jolie, "A troca", um drama que transcorre nos anos 1930, se manteve na quarta posição, com 7,3 milhões.

A comédia "Zach and Miri make a porno", o novo filme de Kevin Smith, perdeu um lugar e ficou em quinto, com 6,5 milhões.

O último filme de Bernie Mac, a comédia "Soul Men", estreou em sexto lugar, com 5,6 milhões, e conta a história dos problemas de dois antigos membros de um grupo soul que decidem sair em turnê.

"Jogos Mortais V", o último episódio da saga de terror, caiu de terceiro para sétimo lugar, com 4,2 milhões (arrecadando um total de 52,3 milhões em três semanas).

"The haunting of Molly Hartley" vem em oitavo (3,5 milhões), seguido por "A vida secreta das abelhas" (3,1 milhões) e "Controle absoluto" (2,6 milhões).

10 novembro 2008

Caso DVD: Delegado Protógenes Queiroz será primeira grande vítima da guerra de facções na PF

Por Jorge Serrão

FONTE: Alerta Total

A guerra de facções na Polícia Federal fará uma vítima ilustra esta semana. O delegado Amaro Vieira Ferreira, da Corregedoria da PF, vai indiciar ainda esta semana, por cinco crimes, o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela operação que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, por cinco crimes.

Protógenes será responsabilizado por quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação e violação telefônica, durante a Operação Satyagraha. O problema é que, na guerra de facções, o delegado-corregedor também é suspeito de quebrar ilegalmente sigilos telefônicos, na tentativa de descobrir o responsável pelos vazamentos de informação à imprensa.

Procuradores do Ministério Público e juízes federais de São Paulo condenam, antecipadamente, as irregularidades e arbitrariedades que a Corregedoria da PF teria cometido ao apurar os supostos crimes de Protógenes. O caso mais grave foi o monitoramento de telefones de repórteres sem autorização judicial.

A PF obteve da empresa Nextel os números de todos os telefones que operaram no entorno dos alvos da Operação Satyagraha. No entanto, a PF nega que tenha recebido números dos celulares e alega que pediu apenas a localização de antenas de transmissão.

O delegado Protógenes também pode responder por uma série de ilegalidades, como uso de arapongas da Abin sem conhecimento de seus superiores e uso ilegal de equipamentos e computadores da PF. A PF acusa Protógenes de ter informado à TV Globo detalhes da operação e "endereços dos alvos" em São Paulo. Segundo o relatório de Amaro, Protógenes revelou os nomes das pessoas que seriam presas com antecedência a outros policiais que participariam da operação, contrariando superiores.


Tudo é Possível

Indagado ontem pelo Estadão se teme ser indiciado, Protógenes detonou:

“Eu espero tudo. Não nasci delegado”.

Se condenado por todos os crimes, como deseja a própria PF, Protógenes pode pegar as penas mínimas, somadas, de três anos, seis meses e 15 dias de prisão.

09 novembro 2008

Esse Homem pode Salvar a América e o Mundo?

FONTE: Revista IstoÉ



A eleição do primeiro negro para a Presidência dos Estados Unidos, apenas meio século depois do fim da segregação racial, foi vista como histórica no país e no exterior. A escolha do democrata tem um valor em si mesmo, pela impressionante biografia de Barack Obama, mas também carrega um significado especial pelo componente anti-Bush do novo presidente. George W. Bush deixa a Casa Branca no dia 20 de janeiro pela porta dos fundos, com pouco mais de 20% de aprovação popular, a mais baixa da história recente - e a execração do resto do planeta. A vitória de Obama, comemorada nas ruas de Washington, Chicago, Nova York e nos quatro cantos do mundo, encheu os americanos de orgulho. Mais que orgulho, um sentimento de redenção tomou conta dos Estados Unidos. Uma esperança de que o país, afundado em duas guerras e na pior crise financeira desde a Grande Depressão, consiga voltar à prosperidade e recuperar seu lugar no cenário internacional. O reverendo Jesse Jackson, que por duas vezes (em 1984 e 1988) tentou concorrer ao mesmo posto, era o retrato da emoção dos americanos com a escolha. A apresentadora Oprah Winfrey conseguiu um milhão de votos para Obama. A tarefa de Obama será difícil, mas ele parece consciente. "Nós sabemos que o desafio que vamos enfrentar amanhã é o maior das nossas vidas: duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira em um século", disse o presidente eleito no discurso de vitória, assistido ao vivo por 250 mil pessoas em Chicago e por milhões em todo o mundo. "O caminho será longo, a subida será dura", afirmou, pedindo o sacrifício dos compatriotas. Resta saber se os americanos - e o resto do planeta, ávido por mudanças que talvez não venham assim tão rápido - terão paciência para lidar com as limitações do cenário atual. "Há alianças a reparar", disse Obama, referindo-se ao desgaste que o país sofreu no cenário internacional e até com aliados por atacar o Iraque sem aprovação da ONU. "Mas há uma nova alvorada na liderança americana."

O mundo lá fora está cheio de desafios para o novo presidente, mas o teste maior será travado dentro de casa. A crise que ajudou a eleger Obama - 62% dos eleitores disseram que a economia era a sua principal preocupação - será o seu maior inimigo na Casa Branca. O novo presidente herda um país em recessão, com um desemprego de 6,1% e uma crise de confiança nos mercados financeiros que não dá sinais de ter chegado ao fim. No dia da eleição, Wall Street deu uma folga, mas os índices das bolsas já voltaram a cair no dia seguinte. Um novo pacote de estímulo fiscal, que pode chegar a US$ 100 bilhões, com cheques sendo enviados pelo correio aos contribuintes, já está em negociação no Congresso e pode ser aprovado ainda neste ano, antes da posse. Obama defende esta idéia, que tem de ser assinada pelo presidente Bush. O presidente eleito prometeu ainda investimentos de US$ 50 bilhões para modernizar a infra-estrutura viária do país e para tapar os buracos nos orçamentos de alguns Estados que tiveram perda de arrecadação com a crise. Diz que os gastos públicos irão compensar os empregos perdidos em outras áreas. Obama defende também ajuda para as montadoras americanas em dificuldade e propõe dobrar para até US$ 50 bilhões o valor dos empréstimos subsidiados que as três grandes de Detroit - GM, Chrysler e Ford - receberão do governo para investir em veículos mais econômicos, evitando assim uma quebradeira no setor com a forte queda nas vendas este ano.
Na campanha, Obama prometeu atacar a crise reduzindo o imposto de renda para a classe média e combater a desigualdade aumentando para os que ganham mais de US$ 250 mil por ano - cerca de 5% dos americanos. Disse ainda que vai investir pesado no desenvolvimento de novas fontes de energia renovável, programa que ele comparou à ida do homem à Lua. "Não existe melhor propulsor do que a nova economia energética. Será minha prioridade número 1, desde que a economia já tenha sido estabilizada", disse Obama em entrevista à revista Time uma semana antes da eleição. Redução de impostos para a classe média e um grande plano de investimentos públicos são a receita clássica para enfrentar uma recessão. O problema é que esta começa com o país terrivelmente endividado. O déficit do orçamento previsto para o ano fiscal que começou em setembro é superior a US$ 1 trilhão. A dívida pública americana já passa dos US$ 10 trilhões. O aumento dos gastos do governo só tende a aumentar o rombo.
Mas alguns economistas defendem que esse não é o momento de se preocupar com as contas: é preciso gastar para evitar a recessão a qualquer custo e depois buscar dinheiro para arrumar a casa. Obama e seu futuro secretário do Tesouro também terão à disposição a maior parte dos US$ 700 bilhões do pacote de ajuda aos bancos aprovado pelo Congresso em setembro. Eles tomarão a decisão sobre que tipo de financiamento comprar da carteira dos bancos e em que momento a participação acionária do governo será novamente privatizada.
Os esforços para estabilizar o mercado financeiro começam já na próxima semana, com uma reunião em Washington com os presidentes das principais economias grandes e emergentes - entre eles o Brasil. Obama não deve participar pessoalmente, mas provavelmente mande um representante e se encontre com alguns dos presidentes que estarão na capital americana para a reunião. É quando o presidente Lula deve ter o seu primeiro encontro com o novo mandatário americano. "Por enquanto, a economia doméstica vai ocupar o centro das atenções, enquanto o governo enfrenta a pior recessão em décadas. As pessoas votaram por mudança, incluindo a ampliação da cobertura do sistema público de saúde, e pelo fim da guerra no Iraque. Quanto de mudança elas de fato verão vai depender da pressão que vier de baixo", diz o economista Mark Weisbrot, diretor do Centro de Estudos de Economia e Políticas, de Washington.
O sucesso do presidente Obama será medido pela rapidez da retomada do crescimento doméstico, mas no exterior espera-se ainda mais da futura administração americana. Os olhos do mundo estarão voltados para a economia, já que a recessão é um fenômeno global, mas milhões de pessoas que torceram por Obama, em vários países, também querem ver como o novo líder americano vai reformular a combalida liderança dos EUA. Espera-se um engajamento menos belicoso nas questões internacionais mais delicadas, nas negociações comerciais e na defesa do meio ambiente. Obama já fez declarações favoráveis em todas essas áreas, mas é preciso esperar para ver o discurso se transformar em prática. "Inevitavelmente, altas expectativas geram frustrações. E as expectativas são muito altas", disse à ISTOÉ Moisés Naím, editor-chefe da revista Foreign Policy. Mas ele acha que a herança "catastrófica" de Bush vai ajudar a abrir portas para o novo presidente. "O mundo tem um grande apetite por um presidente americano disposto a trabalhar em conjunto. E Obama está atento a isso", afirma. De fato, uma pesquisa do centro de pesquisa de opinião Pew Global Attitude, de Washington, realizada ainda durante a campanha, mostra que, na maioria de 24 países, grande parte da população acredita numa melhora da política externa americana com o próximo presidente. Entre Obama e McCain, a maioria optou por Obama justamente por ele representar uma ruptura em relação a Bush. "Existe um profundo sentimento de que a política externa está na direção errada e precisa mudar", diz Stephen Flanagan, pesquisador do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos.

O maior desafio de Obama na política externa é acabar com a guerra do Iraque sem parecer que os EUA perderam. Durante a campanha, ele disse que tiraria as tropas do país em 16 meses, mantendo apenas uma força residual e reforçando a operação no Afeganistão para acabar de vez com o Talebã. A afirmação de Obama, durante a campanha, de que estaria disposto a negociar com o Irã, foi muito criticada pelos republicanos, mas é elogiada por diplomatas. "É claro que nós devemos conversar com os nossos adversários difíceis - desde que seja do nosso interesse e na época que escolhermos", escreveu num artigo para a Newsweek o ex-subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado até o início do ano, Nicholas Burns. Obama diz que é preciso restabelecer os contatos diplomáticos e convencer o país a se desfazer de seu programa nuclear em vez de apenas ameaçar com ataques militares. O novo presidente também prometeu retomar os esforços para uma negociação entre israelenses e palestinos, embora mantenha basicamente a mesma linha do governo atual: de que os palestinos devem ter um Estado próprio, mas que a segurança de Israel é "inegociável". China e Índia continuam parceiros importantes, especialmente com a crise econômica.

As relações com a América Latina devem continuar fora da lista de prioridades do futuro governo. Mas a eleição de Obama diminui algumas tensões no continente, moderando a retórica esquerdista de alguns presidentes. A vitória de um opositor a George W. Bush também tira o palco do presidente venezuelano Hugo Chávez, que já elogiou o novo presidente. Obama deve aliviar as limitações das relações com Cuba, permitindo viagens e fluxo de divisas, mas não se espera que compre briga com o Congresso para acabar com o embargo econômico imposto em 1961. "A eleição de Obama tira o espaço desse antiamericanismo básico, rasteiro, que ainda vigora em alguns lugares", diz Paulo Sotero, diretor do Programa Brasil do Woodrow Wilson Center for Schollars. Para o Brasil, ele acha que qualquer mudança na relação vai depender de gestos concretos dos dois lados. Sotero vê potencial de cooperação nos planos de Obama de investir pesadamente em energia renovável, não apenas em etanol. Dois assuntos de grande interesse na região, livre comércio e imigração, apareceram pouco durante a campanha. "O sentimento antiimigração aumentou muito nos últimos anos", diz o presidente do Diálogo Interamericano, Peter Hakim, que também vê pouco interesse do novo presidente em discutir acordos de livre comércio, num momento em que a população americana sente a fragilidade da economia do país diante da crise.
Riordan Roett, professor da universidade Johns Hopkins, um dos assessores de Obama para a América Latina durante a campanha, diz que Brasil e Chile estão entre os países prioritários na região, depois do México - que, pela vizinhança, tem um papel mais forte na política externa americana. Para Hakim, equilibrar os interesses domésticos e dar conta do enorme entusiasmo que se criou a seu respeito em todo o mundo será o maior desafio do novo presidente. "O americano médio não quer que os Estados Unidos assumam um papel maior no mundo. Eles vêem a globalização como parte do problema, não como a solução", diz Hakim. O americano médio pode não saber, mas a história de vida e o desempenho político de Obama até agora - vencendo primeiro uma briga interna do Partido Democrata e depois a máquina republicana na campanha - mostram que ele tem noção da responsabilidade que o espera.

06 novembro 2008

VÍDEO: Caio Fábio Conta Tudo - Parte II

Caio Fábio, atualmente reside em Brasília, onde criou o Caminho da Graça.
Numa entrevista sincera e contudente, Caio fala sobre o sistema religioso atual, principalmente o evangélico e a Verdade a qual o Evangelho relata.

Esta segunda parte é também dirigida pelo pastor Carlos Bregantim de São Paulo.

Imperdível!!!


Caio Conta Tudo - parte 2 from Caminho da Graça | blog on Vimeo.

PF faz busca e apreensão em apartamento do delegado Protógenes


FONTE: Revista Época

De investigador, o delegado Protógenes Queiroz passou a alvo da instituição de que faz parte, a Polícia Federal. Nas primeiras horas desta quarta-feira (5), agentes da PF entraram no apartamento do delegado, em Brasília, para cumprir um mandado de busca e apreensão. Estavam atrás de documentos e outras provas que possam interessar ao inquérito que investiga o vazamento de informações da Operação Satiagraha, que investigou o banqueiro Daniel Dantas. Protógenes foi o responsável pela Satiagraha. Acabou afastado, logo após a prisão de Dantas, pela direção da PF.

s mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz titular da 7ª Vara Federal de São Paulo, Ali Mazloum. É lá que corre, sob sigilo, o inquérito. De acordo com informações preliminares, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Até os dois telefones celulares usados por Protógenes foram levados pelos agentes.

A PF encaminhou os pedidos à Justiça há cerca de duas semanas. O procurador da República encarregado de acompanhar a investigação, Roberto Diana, emitiu parecer contrário à maior parte das ações requeridas pela polícia. Mas o juiz Mazloum decidiu conceder os mandados. Oficialmente, a PF confirma apenas que policiais da corregedoria da instituição, em São Paulo, cumpriram mandados de busca e apreensão em "endereços de policiais", como parte da investigação sobre vazamento de informações da Satiagraha.

Deflagrada em 8 de julho passado, a Operação prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta e o investidor Naji Nahas, acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Dantas acabou solto por ordem do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Protógenes, ao ser afastado do caso, saiu contrariado. Manifestou o desejo de voltar a presidir a investigação. A ÉPOCA, o delegado chegou a declarar que, no inquérito, também mantido sob segredo de justiça, guarda informações capazes de desestabilizar a República.

Nayara diz que não quer mais ver Lindemberg


FONTE: Globo.com

A adolescente Nayara Silva afirmou na manhã desta quinta-feira (6) que ainda se sente angustiada em relação ao seqüestro no qual foi mantida refém em Santo André, no ABC, junto com a amiga Eloá Pimentel, que acabou morrendo com um tiro na cabeça. “Eu me sinto meio angustiada de ver as imagens. Tenho na minha cabeça que eu nunca mais quero ver ele”, afirmou a jovem sobre o seqüestrador Lindemberg Alves, em entrevista a Ana Maria Braga no programa Mais Você.

O ajudante de produção manteve Nayara e Eloá reféns em um seqüestro que durou mais de 100 horas e acabou com as duas adolescentes de 15 anos baleadas. Nayara não teve seqüelas, mas Eloá teve morte cerebral. “Ele pode ficar 20, 30 anos preso. Pode ter certeza que no dia que ele sair eu vou estar morrendo de medo”, disse a adolescente. A apreensão se refletiu na resposta da adolescente ao ser perguntada pela apresentadora se iria visitar o seqüestrador na cadeia. "Não, não vou mesmo".

Nayara visitou nesta quarta-feira (5) os estúdios da TV Globo no Rio de Janeiro. Empolgada, ela gostou especialmente de ter conhecido os atores da novela Malhação. “Queria agradecer o carinho de todo mundo, me senti em casa. Eles foram muito educados e muito carinhosos.”A adolescente contou que não costuma sonhar com o ocorrido, mas que as imagens ficam sempre presentes em sua memória quando está acordada. Às vezes, é difícil conseguir dormir. “Fico pensando no que aconteceu, a adrelnalina é alta. Parece que vai entrar alguém a qualquer momento”, afirmou.

Por isso, e também para evitar ver imagens do seqüestrador, ela tem procurado ficar longe dos aparelhos de televisão. “Não me sinto muito bem quando vejo o que aconteceu na TV”. Para compensar, a jovem fica a maior parte do tempo – já que não voltou à escola e vai terminar os estudos em casa este ano – na internet, mantendo contato com as amigas.

Nayara contou que, com o tempo, as lembranças sobre o que aconteceu ficaram mais claras em sua cabeça. “Fui lembrando o que aconteceu e o que não aconteceu”. Mas mesmo sabendo do resultado de toda a ação – a adolescente chegou a ser liberada por Lindemberg, mas voltou ao cativeiro – ela é definitiva ao afirmar que faria tudo de novo. “Por ela. Faria tudo de novo pela Eloá”.

05 novembro 2008

'A mudança chegou à América', diz Obama no 1º discurso após ser eleito


FONTE: Globo.com



Barack Hussein Obama, 47 anos, foi eleito nesta terça-feira (4) o 44º presidente da história dos Estados Unidos. Ele será o primeiro negro a chefiar a nação mais rica do planeta.

No discurso da vitória, o senador democrata disse que a "hora da mudança chegou à América" (assista acima).

Obama falou em Chicago, seu berço político, pouco depois das 23h no horário local (3h de quarta em Brasília). Uma hora antes, projeções indicaram sua vitória sobre o também senador John McCain, 72 anos, um republicano.

"O caminho à frente será longo. Nossa escalada será árdua. Podemos não chegar lá em um ano ou em um mandato, mas, América, nunca estive mais esperançoso do que nesta noite de que chegaremos lá," afirmou Obama.

Pelas projeções, Obama terá mais de 330 dos 538 votos no Colégio Eleitoral - o mínimo para ser eleito é 270 -, num resultado que confirma a tendência apontada pelas pesquisas de intenção de voto divulgadas até a véspera da eleição. Até o início da manhã desta quarta, a apuração estava concluída em poucos estados.

A posse do democrata está marcada para 20 de janeiro, encerrando oito anos de um impopular governo do republicano George W. Bush.


Conheça a trajetória de Barack Obama

Obama discursou para uma multidão no Grant Park, em Chicago, às margens do Lago Michigan. Segundo estimativa da rede de televisão CNN, o público foi de 125 mil pessoas. A agência Associated Press estimou em 250 mil.

No palco, ele sorriu menos do que durante a campanha, parecendo mais sério já como presidente eleito.

Obama parabenizou o candidato derrotado, disse que McCain "trabalhou duro" durante a campanha e que quer trabalhar junto com o rival na Casa Branca. Ele também parabenizou seu candidato a vice, Joe Biden, sua mulher, Michelle Obama, e sua família.

Obama disse que o caminho que os Estados Unidos têm à frente é difícil e pediu "unidade" para enfrentar os desafios. "Nossa escalada vai ser íngreme. Nós não chegaremos lá em um ano nem em um mandato, mas, América, eu nunca estive tão esperançoso como nesta noite em que nós estamos aqui", disse.

O presidente eleito afirmou que é hora de "sonhar novamente o sonho americano". Ele reprisou várias vezes o "Yes, we can" (sim, nós podemos), um dos lemas de sua campanha, e disse que "tudo é possível".



Projeção


A projeção da rede CNN foi divulgada às 22h de Chicago (2h em Brasília), mesmo momento em que foram fechadas as urnas do importante estado da Califórnia. Lá, as projeções mostram que Obama garantiu os 55 votos no Colégio Eleitoral.

Outras redes de TV divulgaram projeções semelhantes logo em seguida.



McCain reconheceu derrota


Pouco depois, o senador McCain fez discurso em Phoenix, Arizona, admitindo a derrota. Ele disse que telefonou para Obama cumprimentando-o pela vitória.

Acompanhado de sua mulher, Cindy, e de sua candidata a vice, Sarah Palin, ele parabenizou publicamente Obama e se colocou à disposição do rival para ajudá-lo.

O discurso de McCain foi assistido com muita atenção no Grant Park, onde eleitores de Obama já se concentravam para festejar a vitória e esperavam a fala de Obama.

O candidato derrotado foi bastante aplaudido quando disse que ia respeitar o resultado das urnas. O único momento de vaia foi quando o republicano agradeceu a Sarah Palin.


Repercussão mundial

O presidente George W. Bush também cumprimentou seu sucessor pela vitória eleitoral, informou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, fez o mesmo. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, felicitou Obama e manifestou desejo de restabelecer diálogo. (veja a repercussão da vitória de Obama entre líderes de países). O Vaticano declarou que espera "Deus ilumine" Barack Obama, para que possa "corresponder às grandes expectativas depositadas nele."

Aos 47 anos, Obama entra para a história depois de uma longa campanha, iniciada nas prévias do partido democrata, disputadas com a ex-primeira-dama Hillary Clinton. Um ano antes das eleições, o agora presidente-eleito ainda era desconhecido da maior parte dos Estados Unidos.

Ele concorreu fazendo um apelo por “mudança”, palavra chave da sua campanha, e conseguiu empolgar o eleitorado, especialmente os mais jovens, com propostas de rompimento com o atual governo.

Em Chicago, o G1 acompanhou o dia de votação , que parecia uma decisão de copa do mundo. Por toda a cidade as pessoas vestiam azul e carregavam símbolos da campanha democrata. Obama deve ter mais de 20 pontos percentuais de vantagem no Estado de Illinois.

À noite, no Grant Park, os obamistas fizeram uma "contagem regressiva" para esperar o anúncio de que Obama era o virtual eleito.

04 novembro 2008

Em depoimento à polícia, Dado Dolabella nega agressão a Luana Piovani


FONTE: Globo.com

Em depoimento de mais de uma hora na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) na tarde desta terça-feira (4), no Centro do Rio, o ator Dado Dolabella negou ter agredido sua ex-noiva a atriz Luana Piovani. Segundo a delegada Adriana Pereira, o ator disse ainda que a camareira Esmeralda de Souza, de 62 anos, teria se ferido acidentalmente.

"Estou muito chocado e triste, com tudo", disse Dado, ao deixar a delegacia por volta das 16h30, ao lado de seu advogado, e sem dar mais detalhes à imprensa. "Não tenho nada para dizer, gente".

Segundo a delegada, a reconstrução do que ocorreu há 12 dias numa boate da Zona Sul do Rio dependerá do laudo do exame de corpo de delito e dos depoimentos de testemunhas. Caso a agressão à Luana seja comprovada, a pena é de três meses a três anos de prisão.

"Ele nega os fatos, nega uma possível agressão. Ele nega que tenha agredido a possível vítima. Ele diz, em relação à Esmê (Esmeralda) que realmente ele tentou afastá-la do local e ela acabou se lesionando acidentalmente. E com relação à Luana, ele nega qualquer tipo de agressão", explicou a delegada, informando ainda que Dado não teria entrado em contradição.


Laudo não ficou pronto

O laudo do Instituto Médico Legal, sobre o exame de corpo de delito de Luana Piovani, ainda não ficou pronto, segundo a delegada. A iniciativa de procurar a delegacia foi da própria atriz, que disse em depoimento que levou um tapa no rosto.

Na última sexta-feira (31), o I Juizado de Violência Doméstica do Rio determinou que o ator deve ficar a, no mínimo, 250m de distância de Luana e está proibido de manter contato com a atriz por qualquer meio de comunicação. A atriz deve ainda relacionar uma lista de locais que o ex-noivo não poderá comparecer sem que ela seja avisada antes.

O episódio que deflagrou o processo aconteceu há 12 dias, quando os dois brigaram em público na festa de estréia da peça de Luana na boate 00, na Gávea, na Zona Sul. No meio da discussão, Dado é acusado de ter empurrado a camareira Esmeralda de Souza, de 62 anos, que precisou imobilizar os dois braços, feridos com o impacto da queda.

Ela foi a primeira a prestar queixa contra o ator, na 15ª DP (Gávea), sob a acusação de lesão corporal. A polícia aguarda imagens das câmeras do circuito interno de TV da boate. Segundo o delegado, se Esmê, como é conhecida, ficar impossibilitada de exercer suas funções normais por mais de 30 dias, ele poderá ser indiciado por lesão corporal grave e pegar até cinco anos de prisão.

Erros e falhas em urnas aumentam filas de votação nos EUA


FONTE: Folha online

As eleições gerais deste ano devem ter comparecimento recorde de 130 milhões, mas parte das longas filas que se vêem nos locais de votação em todo o país é resultado do complicado sistema de votação americano, erros e falhas nas urnas eletrônicas. Na eleição de 2004, 125,7 milhões votaram, 63,8% dos eleitores registrados.

Na Virgínia, conforme afirma a CNN, houve relatos de problemas como quebra de urnas eletrônicas e falha no leitor ótico das cédulas de votação. Em Chesapeake e Virginia Beach, os eleitores tiveram que recorrer às cédulas de papel para votar na disputa presidencial entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain.

No Condado de Cuyahoga, Ohio, a porta-voz do Comitê de Eleições, Kimberly Bartlett, afirmou que, nas primeiras horas, os eleitores receberam apenas a segunda das duas folhas da cédula de votação --que inclui não apenas os candidatos presidenciais, como os candidatos a 35 cadeiras do Senado e às vagas da Câmara dos Deputados.

Em Raleigh, Carolina do Norte, o diretor do Comitê de Eleições do Condado Wake relatou atrasos na entrega das cédulas e problemas causados pelas chuvas, que atingiram várias partes do país.

Em Kansas, Missouri, a eleitora Jessie Sargent disse esperar na fila há horas por problemas na lista de eleitores. "Era 5h quando eu cheguei e era a oitava na fila", disse. "Eu cheguei na mesa e percebi que eles tinham os cadernos errados. Depois de trocarem os cadernos, eles ainda acharam que estava errado e demoraram para perceber que o problema era a ordem das páginas".

"Havia muitas pessoas que deixaram a fila para ir para a escola ou o trabalho e eles não tinham cédulas provisórios ou livros para assinar", disse Sargent.


Atrasos

Eleitores votam em Salisbury, Carolina do Norte; eleitores relatam problemas na hora da votação

Em Virginia Beach, um dos locais de votação abriu mais tarde porque os funcionários responsáveis se atrasaram. Em um outro distrito do Estado, a diretora de uma biblioteca dormiu demais e também atrasou o início da votação. No Condado de Fairfax, vários cartões de memória das urnas eletrônicas falharam.

Em Richmond, relata a CNN, os eleitores do Centro de Matemática e Ciência também tiveram que votar com cédulas de papel por problemas nas máquinas, que já foram resolvidos.

Um eleitor de Shaker Heights, em Ohio, afirmou à rede que sua cédula de votação não incluía a opção para a disputa presidencial.

Eleitores no Texas, Missouri, Mississippi, Alabama e Arkansas disseram à CNN ter recebido mensagens de texto dizendo aos democratas para votar nesta quarta-feira, quando a votação estará encerrada. Um e-mail enviado a eleitores do arkansas dizia aos eleitores que eles poderiam depositar as cédulas amanhã.


Presidenciáveis

Os quatro candidatos à Casa Branca decidiram inspirar os eleitores e foram votar de manhã, pouco depois da abertura das urnas em seus Estados.

O candidato democrata à Presidência, Barack Obama, foi o primeiro a votar. Ele foi acompanhado de sua mulher, Michelle e as duas filhas, Sasha, 6, e Malia, 10 ao colégio Shoesmith, em Hyde Park, sul de Chicago.

O senador chegou às 7h36 (11h36 no horário de Brasília) e foi aplaudido pelos presentes.
"Eu votei", disse, ao segurar o comprovante da votação. "A jornada acaba, mas votar com minhas filhas, isso foi um grande negócio", completou, mais tarde, aos repórteres.

O seu companheiro de chapa, Joe Biden, votou quase ao mesmo tempo, em Delaware, Estado pelo qual é senador. Ao lado de sua mulher, Jill Tracy, e de sua mãe, ambas vestidas de vermelho, Biden chegou cedo à escola Tatnall, em Greenville, e demorou apenas poucos minutos para votar.

Horas depois, em Wasilla, no Alasca, a candidata a vice republicana, Sarah Palin, entrou na cabine de votação. Na saída, ao lado do marido, Palin deu uma entrevista coletiva e reiterou que tem experiência suficiente para governar.

Em Phoenix, no Arizona, o presidenciável republicano, John McCain, votou ao lado de sua mulher, Cindy. McCain foi ao centro de votação às 9h15 hora local (14h15 de Brasília), uma igreja metodista próxima a sua residência, onde era esperado pela imprensa.

Ela votou rapidamente, fez sinal de positivo com o polegar e deixou o lugar sem fazer declarações à imprensas no local.


Expectativa

Embora muitos eleitores tenham encontrado problemas durante a votação, a maioria parecia disposta a esperar horas em longas filas para participar de uma eleição histórica.

"Ficarei o quanto for necessário", disse Marian Goldberg, acrescentando que não perderia a votação que pode eleger o primeiro presidente negro do país, o homem mais velho a assumir o primeiro mandato ou a primeira mulher a assumir como vice-presidente.

Goldberg votou na Igreja Episcopal de atlanta, onde ao menos cem pessoas esperaram em uma fila de duas horas para votar. "Eu sou minha chefe, terei paciência".

Neste ano, 153,1 milhões de pessoas se registraram para votar. O número mais alto desde que se permitiu o voto feminino nos EUA, em 1920.

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