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30 junho 2008

Setor público tem superávit nominal até maio pela 1ª vez

FONTE: Estadão

BRASÍLIA - O setor público consolidado do País registrou superávit primário - receitas menos despesas, sem considerar o pagamento de juros - de R$ 74,950 bilhões até maio deste ano, o equivalente a 6,55% do Produto Interno Bruto (PIB). O valor superou a despesa com juros no período, de R$ 71,031 bilhões, fazendo com o que o País apresentasse superávit nominal de R$ 3,919 bilhões nos cinco primeiros meses do ano. Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, essa é a primeira vez na história que as contas do governo ficam positivas no período.

Esse desempenho positivo permitiu a redução da dívida líquida para o menor patamar desde 1998, de R$ 1,168 trilhão em maio. O valor equivale a 40,8% do PIB e é inferior ao registrado em abril quando a proporção estava em 41% do PIB (R$ 1,153 trilhão). Em dezembro de 2007, o indicador estava em 42,7% (R$ 1,150 trilhão).

Em maio, o superávit primário do setor público foi de R$ 13,207 bilhões, com destaque para os saldos positivos dos governos estaduais e das empresas estatais federais. Segundo Lopes, o superávit dos Estados - de R$ 3,535 bilhões em maio -, é o maior da série iniciada em 1991. Na sua avaliação esse desempenho favorável das contas dos estados refletiu a arrecadação forte do ICMS, devido ao crescimento da atividade econômica e também a maiores transferências do governo federal para os governos estaduais.

No caso das companhias federais, que tiveram superávit de R$ 4,419 bilhões, Altamir ressaltou que elas não vinham apresentando bom desempenho até abril, devido ao pagamento de dividendos e também a royalties. O resultado em maio também foi o melhor para o mês.

As despesas com juros nominais somaram R$ 16,173 bilhões, sendo R$ 10,397 bilhões de responsabilidade do governo central. Feito o pagamento dos juros, o mês passado terminou com déficit nominal de R$ 2,966 bilhões. Em abril, houve superávit nominal de R$ 3,842 bilhões. Em maio de 2007, houve déficit nominal de R$ 7,452 bilhões.

Acumulado

Em 12 meses encerrados em maio, o superávit primário ficou em patamar equivalente a 4,34% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 4,25% do PIB em 12 meses até abril. A meta fiscal do governo para o ano é de 4,3% do PIB.

28 junho 2008

Um “milagre” e três mortos

Como o projeto que favorece o ex-bispo Marcelo Crivella, no Rio, recebeu verba do Ministério das Cidades sem aprovação do

FONTE: Revista Época

Domingos Peixoto
BARRADO
Soldado lê o anúncio do embargo das obras, determinado pela Justiça Eleitoral

As mortes de Marcos Paulo, Wellington e David, os três jovens do Morro da Providência presos por militares, torturados por traficantes e executados com 46 tiros, são a nota trágica de um projeto que nasceu torto e cresceu alimentado por padrinhos ilustres nos bastidores do Palácio do Planalto. Se hoje ele produz um escândalo atrás do outro é porque, desde sua origem, contou com uma combinação de fatores condenáveis: assistencialismo eleitoreiro, arrogância das Forças Armadas e omissão do Estado.

Foi por causa de uma manobra do governo federal que o senador Marcelo Crivella (PRB) conseguiu tirar do papel seu projeto para reformar casas em favelas do Rio de Janeiro antes que ele recebesse a aprovação do Senado. Em setembro de 2007, Crivella propôs a emenda que criava o projeto Cimento Social. No Senado, o documento continua nas mãos do relator, Almeida Lima. Para garantir a verba a tempo de o programa ser usado na campanha eleitoral, o Planalto “adotou” o Cimento Social. Sem usar esse nome, ele foi incorporado pelo Ministério das Cidades. Menos de dois meses depois de Crivella apresentar a proposta ao Senado, o Ministério liberou quase R$ 2 milhões para acelerar as obras. Um “milagre” de superação da burocracia operado por aquele que se diz ex-bispo.

O Cimento Social entrou de carona na Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU), do Ministério das Cidades, depois de um encontro entre Crivella e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Numa portaria publicada no Diário Oficial da União em 30 de outubro de 2007, o ministério informou que o dinheiro se destina a “obras de revitalização das fachadas e dos telhados da comunidade da Providência”, mesmos objetivos do projeto do senador.

Em 31 de janeiro, o milagre finalmente aparece com o nome do santo. Em um acordo de cooperação técnica entre o Ministério das Cidades e o Exército, ficou garantida a participação das Forças Armadas na obra. O Exército começou, então, a gastar o dinheiro liberado. Em todas as ordens de despesa, o nome Cimento Social aparece, ainda que ele não estivesse incluído na portaria do Ministério das Cidades publicada no Diário Oficial. O projeto original continua no Senado, aguardando o relatório do senador Almeida Lima. “O governo e o Exército precisam explicar por que um projeto que nem sequer foi aprovado acabou agrupado a outro e teve verbas liberadas”, diz o presidente da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco, que analisou o trâmite do projeto a pedido de ÉPOCA. “A quem interessava isso?”

Não é apenas isso que falta ser explicado. O Exército também precisa esclarecer por que gastou parte da verba na compra de produtos e serviços que não serão usados pelos moradores da Providência. Os militares desembolsaram, por exemplo, R$ 2.800 para a compra de sete poltronas reclináveis de “material impermeável, cor bege, braços articulados”. Outros R$ 111 mil foram usados na compra de um furgão. Cinqüenta e seis aparelhos de rádio custaram R$ 28 mil. O conserto de uma Land Rover 2006 e de um Toyota Bandeirante 1998 custou R$ 6.600. Nada disso, evidentemente, ficará no morro.

Dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi) mostram que os militares gastaram ainda R$ 266 mil em 18 de abril de 2008 com a empresa de ônibus Unida Mansur e Filhos Ltda., de Minas Gerais. Segundo o Exército, o gasto foi “em transporte rodoviário de pessoas com a origem do trajeto nas cidades de Belo Horizonte, Juiz de Fora, São João del Rei, Itajubá e Petrópolis”. Seriam soldados destacados para trabalhar no Morro da Providência. Eles foram deslocados de Minas Gerais e do interior do Rio, apesar de haver um quartel a poucos quarteirões da Providência. É tão perto que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, justificou a presença do Exército no morro alegando que a favela fica ao lado do Comando Militar do Leste.

Apesar de insistir na relevância do projeto, até agora as autoridades pouco esclareceram sobre ele. “Tratam como segredo de Estado”, diz o deputado federal Chico Alencar (P-SOL), que, como Crivella, é pré-candidato à Prefeitura do Rio. No dia 13 de maio, bem antes que a operação na Providência causasse a morte dos rapazes, Alencar encaminhou ao Ministério das Cidades e ao Ministério da Defesa um pedido de informações sobre as obras do Cimento Social. Ele questionava a escolha da Providência, a participação do Exército e o possível uso eleitoral das obras. Até agora, não recebeu nenhuma resposta. O prazo legal para os esclarecimentos é de 30 dias, prorrogáveis por mais um mês. “O senador Crivella se apropriou da obra como se fosse dele. O Exército subiu o morro sem intervenção oficial. Ninguém explica nada”, afirma o deputado.

Domingos Peixoto
ACORDO
Com a saída do Exército, um policial acompanha a retomada das obras no Morro

Depois da morte dos rapazes, a Providência recebeu todos os holofotes. O ministro Jobim foi à favela e pediu desculpas aos moradores. O presidente Lula prometeu uma indenização às famílias das vítimas. Mas ainda não ficou claro, por exemplo, quais foram os critérios técnicos usados pelo Ministério das Cidades para liberar o dinheiro gasto na obra. Não se sabe ao certo sequer o montante da empreitada. O Ministério das Cidades informou que são R$ 3 milhões. O da Defesa falava em R$ 12 milhões. A assessoria do ministro Márcio Fortes se limita a informar que “outros projetos encaminhados ao Ministério das Cidades foram selecionados em outros programas, como o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, e dentro do PAC”. Segundo o ministério, a liberação de verbas ocorreu após solicitação formal por parte do Ministério da Defesa, em 20 de outubro de 2007. Antes, portanto, da publicação no Diário Oficial.

Mesmo havendo interesse do Exército em manter soldados no morro para proteger o próprio Comando Militar, a orientação sobre como eles deveriam agir não incluiu combater o tráfico. Em nenhum momento durante a ocupação do Exército as bocas de fumo da Providência deixaram de funcionar. Um pacto de não-agressão teria sido selado entre Exército e traficantes de drogas. Segundo um morador do Morro da Providência, o acordo teria sido financeiro. Para o tráfico funcionar, soldados e oficiais teriam de receber sua parte do negócio. O tráfico teria deixado de pagar a propina havia cerca de um mês, e os soldados teriam começado a fazer revistas rigorosas.

A represália do Exército teria sido também o motivo de levar os três jovens de lá para serem mortos na favela dominada pela facção rival. Pelo menos um deles faria parte da quadrilha local. A assessoria de comunicação do Comando Militar do Leste não comenta o suposto acordo entre os soldados e os traficantes. A Justiça Federal vai denunciar quatro militares por triplo homicídio: o tenente Vinícius Ghidetti de Andrade, o sargento Leandro Maia Bueno e os soldados Fabiano Eloi dos Santos e José Ricardo de Araújo. Outros sete soldados serão acusados de co-autoria. As penas podem variar de 12 a 30 anos de detenção. José Carlos Azenha, advogado do tenente Ghidetti, afirma que o depoimento de seu cliente ao Ministério Público Federal, ainda sem data marcada, trará uma reviravolta no caso. “Muita coisa ainda virá à tona”, diz Azenha.

Duas semanas depois do crime, a polícia ainda não havia prendido nenhum dos bandidos que mataram os rapazes. Segundo Ricardo Dominguez, o delegado da Polícia Civil responsável pelo caso, os assassinos já foram identificados, mas ele não revelou os nomes. “Não há dúvida nenhuma de que são traficantes do Morro da Mineira. Apenas estamos estabelecendo quais traficantes participaram dessa execução.” A prática de definir culpados de acordo com os bandidos que normalmente agem na região, sem que nenhum policial vá até o local do crime colher evidências da autoria, é recorrente em investigações de mortes em favelas. No caso do Morro da Mineira, os nomes quase sempre arrolados são o do chefe do tráfico local, Rogério Rios Mosqueira, conhecido como Roupinol ou Macaé, e o do segundo na hierarquia, Anderson Rosa Mendonça, o Coelho.

Segundo testemunhas, os soldados que carregavam os três rapazes da Providência foram em direção ao Morro do Zinco. Ele é dominado pela mesma facção, a Amigos dos Amigos, mas tem um chefe diferente. O tráfico no Morro do Zinco é comandado por Anderson Eduardo Timóteo, o Derson, que seria amigo do tempo de serviço militar de alguns dos soldados que faziam guarda na Providência. O primeiro dos três rapazes teria tentado fugir e levado dois tiros no peito. Os outros dois foram levados por Derson e uma horda de cerca de 50 pessoas para as imediações do Morro do Querosene, vizinho do Zinco e da Mineira, onde foram torturados e executados. Dois dias depois, uma pessoa foi encontrada morta e desfigurada na favela. Segundo moradores, a vítima teria sido assassinada por Derson para dar a impressão de que o morto era ele, prejudicando as investigações.

Na semana passada, a Justiça Eleitoral embargou as obras do Cimento Social, afirmando que o projeto beneficia o pré-candidato Marcelo Crivella. O embargo se baseou em uma denúncia anônima enviada à Justiça Eleitoral, contendo um panfleto com a imagem da Providência e a foto de Crivella em primeiro plano. O “santinho” seria ilegal. Com o embargo, o Exército retirou as tropas da favela. Assim que os militares deixaram o morro, as paredes brancas das casas reformadas foram pichadas com a sigla do Comando Vermelho, facção que comanda o tráfico de drogas no morro.

A Prefeitura do Rio propôs criar um fundo solidário para receber doações da iniciativa privada e terminar as reformas. O governo do Estado estuda a possibilidade de assumir o projeto e até ampliá-lo. A Associação de Moradores da Providência acha pouco. Pretende pressionar o Ministério das Cidades, em Brasília, para que o projeto seja terminado conforme os planos originais. Com ou sem Exército.

Cerca de 30 das casas ficaram inacabadas, a metade sem telhado. A de Maria Gonçalves de Albuquerque, de 26 anos, foi inundada pela chuva. “Eles falaram que iam entregar em uma semana. A casa onde eu estava hospedada já foi até vendida, não tenho para onde ir”, afirma. “Até chegaram a fechar umas partes do telhado, mas outras não, então quando chove é um desespero. Não dá para morar aqui, eu vou rezar muito e fazer até promessa para essa obra voltar logo.” De preferência, sem chacinas nem políticos distribuindo santinhos.

Cimento suspeito

As obras no Morro da Providência receberam verba em tempo recorde, antes mesmo de o convênio com o Ministério da Defesa ser formalizado

Reprodução
Reprodução

Beber e dirigir agora dá cadeia

FONTE: Revista IstoÉ

Os termômetros marcavam 12 graus centígrados na noite da terça-feira 24 em São Paulo. O frio poderia ser um atrativo a mais para correr para debaixo das cobertas cedo, mas os paulistanos não pareciam dispostos a abrir mão do prazer de saborear um chope bem tirado na companhia dos amigos. No boêmio bairro da Vila Madalena, os bares estavam lotados, os garçons serviam tulipas em todas as mesas e a nova legislação, que estabelece até cadeia para quem dirige sob o efeito do álcool, em nada atrapalhava o clima festivo. "Nem me lembrava da lei. Só agora que você tocou no assunto", admitiu a executiva Patrícia Galvadão, 32 anos, que tomava uma caipirinha de saquê no Boteco São Bento e voltaria para casa, distante 20 minutos do bar, dirigindo. Na mesa de Patrícia, mais oito amigos. Cinco confirmaram que pegariam o carro na saída, embora estivessem bebendo. Se fossem flagrados pela polícia, teriam sérios problemas.

RICARDO RAFAEL/JORNAL O POPULAR
TESTE Bafômetro indica quantidade de álcool no organismo

Desde o dia 20, quem tiver 0,2 grama de álcool por litro no sangue - que corresponde a 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido, detectado em teste com bafômetro, terá cometido uma infração gravíssima, seu veículo retido, pagará multa de R$ 955 e será proibido de dirigir durante um ano. Esta quantidade equivale a um chope para uma mulher de 60 kg (leia quadro à pág. 78). Se o total de álcool no sangue ultrapassar 0,6 g/l, o motorista irá preso e responderá criminalmente. A pena de seis meses a três anos é afiançável. As medidas endurecem a legislação de 1997, que previa a tolerância de 0,6 grama de álcool por litro de sangue, quantidade semelhante ao limite estabelecido em países desenvolvidos. O infrator estava sujeito à mesma multa e suspensão da carteira por um ano, mas não era um criminoso.

A intenção do governo com esta política de tolerância zero é reduzir as tristes estatísticas de acidentes de carro no Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, 36 mil pessoas morrem no trânsito por ano no País, conforme dados de 2006. Em 61% dos casos, o motorista havia bebido. Quando houve vítimas fatais, o condutor estava alcoolizado em 75% das vezes. "A lei é propositalmente dura para tentar reverter este quadro. É dura, mas numa linha mundial", diz o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto. "Acredito que em um ano essas medidas podem reduzir em 40% os acidentes com mortes."

A pesquisa Beber e Dirigir, divulgada na semana passada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), analisou o comportamento de 6.356 motoristas durante dois anos em cinco cidades e mostra dados alarmantes. Dos que concordaram em se submeter ao bafômetro (75% dos entrevistados), 19% estavam com níveis de álcool no sangue superiores a 0,6 g/l. Números, em média, seis vezes mais elevados do que os auferidos em pesquisas semelhantes nos países desenvolvidos. E são os adolescentes e jovens adultos as principais vítimas de acidentes de trânsito. "A tolerância deles ao álcool é menor. Ou seja, doses ainda menores podem ter efeitos mais intensos", diz a psiquiatra Ana Cecília Marques, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas. Nos três primeiros dias de vigência da lei, centenas de motoristas foram presos e multados em nove Estados do País.

Ninguém tem dúvida sobre a necessidade de mudar esta realidade. Mas a nova lei seca está longe de ser uma unanimidade por seu rigor. Agora, o casal que sair para jantar e dividir uma garrafa de vinho poderá terminar a noite na cadeia se for parado em uma blitz com bafômetro. Chef do estrelado restaurante Le Pré Catalán, no Rio de Janeiro, o francês Roland Villard lamenta o radicalismo da legislação. Uma boa comida, segundo ele, precisa de um bom vinho. "Uma taça não compromete. Os acidentes são causados por quem bebe, mas por quem bebe muito", pondera. A política de tolerância zero implica uma mudança de hábitos sociais. O churrasco dominical regado a chope com a família será diferente, cidades turísticas onde o principal atrativo é a bebida, seja vinho, cerveja ou cachaça, terão de se adaptar aos novos tempos.

"Estão querendo colocar o Primeiro Mundo em um país de terceiro. Para uma lei dessas fazer sentido, deveria haver transporte público decente e não ter polícia corrupta", afirma o economista José Muylaert, 30 anos, que degustava um chope no início da madrugada da quartafeira 25 na calçada do Jobi, templo da boemia do Leblon, no Rio de Janeiro. É verdade. Sem transporte público de qualidade, com o preço elevado da bandeirada do táxi e o medo da violência, o brasileiro tem pouquíssimas maneiras de garantir o lazer de sair para beber com os amigos. É uma realidade diferente da dos europeus ou americanos, em que a tolerância ao álcool no sangue é, inclusive, mais elevada. "Estou a três quadras da minha casa e vou voltar de carro porque não dá para andar pelas ruas tarde da noite", justificava-se o engenheiro Silvio Brito, 30 anos, de São Paulo, que iniciava o terceiro chope da noite. "Antes de uma lei severa, o governo deveria investir em infra-estrutura."

Entre os consumidores afinados com a nova realidade, a alternativa tem sido eleger um amigo da turma para dirigir e não ingerir álcool. Moradora de São Bernardo do Campo, município da região metropolitana de São Paulo, a professora Fernanda Zullin, 25 anos, decidiu não beber na noite da terça-feira 24 para guiar em segurança até sua casa. "Darei carona para duas pessoas esta noite", contou, de olho no chope dos amigos. Em outro bar da cidade, a analista de comércio exterior Erica Samecima, 31 anos, também tomava apenas refrigerante e daria carona a duas amigas. Naquela noite, ela usava uma braçadeira na qual se lia "Piloto da vez". Este é um movimento lançado pelo fabricante de uísque Johnnie Walker que, com a nova lei, tem tudo para ganhar visibilidade. Os garçons ficam proibidos de oferecer à pessoa com o acessório qualquer bebida alcoólica.

Os bares e restaurantes precisam de idéias criativas para driblar a situação. O tradicional Bar Brahma, no centro de São Paulo, encontrou uma saída. Desde a segunda-feira 23, disponibiliza uma van para levar os freqüentadores para hotéis e pontos turísticos da cidade. "Eles não colocam vidas em risco e ficam mais tranqüilos para beber à vontade", diz Álvaro Aoás, dono do bar. A idéia é ampliar o serviço para cinco vans dentro de três meses. Os estabelecimentos cariocas também cogitam fornecer transporte. Dono da rede Gula-Gula, com 110 restaurantes, e diretor do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes, Pedro de La Mare orientou seus gerentes a firmarem convênios com táxis para dar descontos a clientes.

FOTOS: ROBERTO ASSUMPÇÃO/AG. ISTOÉ

Os taxistas, aliás, estão se preparando para fazer a festa. O carioca Mauro Arantes ganha R$ 150 por noite e dá como certo o aumento do faturamento. Para o pernambucano Severino Bezerra, que há 12 anos faz ponto na frente dos bares da orla marítima de Olinda, a medida trará mais segurança para quem dirige à noite. "Trabalho durante a madrugada e já presenciei vários acidentes provocados por motoristas embriagados. Eu mesmo já fui vítima de dois. Mas, se não houver fiscalização, isso vai continuar", afirma. Uma ronda entre os bares freqüentados pela juventude pernambucana, paulistana, carioca e brasiliense, na semana passada, mostrou que há dúvidas sobre a eficácia da lei - e a maioria continua bebendo, alguns até ao volante.

Fazer a lei vingar é o principal desafio das polícias militares, que patrulham as cidades, e das corporações responsáveis pela fiscalização das estradas. A Polícia Rodoviária Federal possui 500 bafômetros para 61 mil quilômetros de rodovias federais e, apenas nos primeiros cinco meses do ano, flagrou 4.199 pessoas dirigindo alcoolizadas. O governo está comprando mais 500 viaturas, todas com o equipamento. A Polícia Rodoviária Estadual de São Paulo tem 82 bafômetros para cobrir uma área de 24 mil quilômetros e a Polícia Militar Rodoviária detém outros 79. Na capital, o número de aparelhos está subindo de 11 para 51 e a PM passou a armar blitze de noite e de madrugada nos dias mais movimentados. Na quinta-feira 26, 108 motoristas foram abordados, 71 submetidos a teste de bafômetro, oito perderam a carteira por um ano e pagaram multa de R$ 955 e quatro foram presos. Eles foram liberados após pagar fiança e vão responder criminalmente pela infração.

O Rio de Janeiro está menos mobilizado. Inicialmente, o Detran anunciou a doação de 600 bafômetros descartáveis para a PM, mas desistiu porque as autoridades consideraram que o equipamento não era preciso o suficiente. O Detran, agora, fornecerá apenas um bafômetro. No total, há apenas dez aparelhos para patrulhar as estradas e todos os municípios do Estado. Na Secretaria de Segurança Pública, o assessor de comunicação, Dirceu Viana, informou que o governo ainda não orientou os policiais sobre como agir diante da nova lei e a PM "não vai ficar fazendo operação para pegar bêbado". Uma semana após a entrada em vigor da lei, apenas o pedreiro Ademir da Conceição Santos, 49 anos, havia sido detido sob a acusação de dirigir embriagado. Na noite da quartafeira 25, ele atropelou uma mulher no acostamento na rodovia na região de Angra dos Reis. A vítima, de 36 anos, sofreu ferimentos leves. Ademir foi autuado por dirigir sob efeito de álcool e por lesão corporal. Para cada um dos dois crimes foi arbitrada fiança de R$ 2 mil. Como não pagou, ele continua preso.

FOTOS: ROGÉRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉ
MOTORISTA Erica Samecima, com a braçadeira "Piloto da Vez" (à esq.), e Fernanda Zullin: os amigos bebem e elas dirigem. O chef Roland Villard, do restaurante Le Pré Catalán, lamenta o rigor da lei

PATRICK RODRIGUES
PASSAGEIRO Jullian Neves foi socorrer um amigo detido após beber, também não passou no teste do bafômetro e teve a carteira suspensa

Outro carioca, engenheiro do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), foi um dos primeiros detidos com base na nova lei em Minas Gerais. A alegação de que tinha bebido só duas latinhas de cerveja não aliviou a situação de Arilson Silva, que passou duas horas detido pela Polícia Rodoviária Federal. Pior: foi exonerado do cargo de chefe do Distrito de Conservação de Obras de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Em Anápolis (GO), Carlos Henrique Silva Dias, 18 anos, foi detido por dirigir embriagado. Ele atingiu um veículo parado no acostamento por falta de combustível. Maria de Lourdes Silva, 26 anos, e os filhos, Ryan Moreira Araújo, quatro anos, e Laís Moreira Araújo, oito, morreram na hora. Carlos Henrique responderá por homicídio doloso (com intenção de matar) porque havia bebido.

Não há dúvida de que casos como esses devem ser punidos exemplarmente. Mas, em tempos de tolerância zero, ajudar um amigo em apuros pode virar um problemão. O empresário Jullian Neves, 21 anos, perdeu a carteira de habilitação na noite do sábado 21, na cidade de Itajaí (SC). Ele jantava em um restaurante quando recebeu o telefonema de um amigo detido em um posto da polícia rodoviária. O amigo de Jullian voltava de uma feijoada, onde havia tomado cinco latas de cerveja, e o teste do bafômetro acusou 0,89 mg de álcool por litro de ar expelido. Teve o carro e a carteira apreendidos pela infração grave e, por isso, pediu a Jullian para buscá-lo.

O empresário também teve de se submeter ao bafômetro, que indicou 0,12 mg por litro de ar expelido, quantidade acima da permitida, mas absolutamente tolerável em países como França, Suíça ou EUA. Por isso, Jullian teve a habilitação apreendida na hora. "Tinha tomado apenas uma cerveja havia mais de quatro horas", garante ele. O curioso é que nem Jullian nem seu amigo pagaram a multa de R$ 955. Um perigoso precedente para a política de tolerância zero cair no vazio

Reportagem: Adriana Prado, Aziz Filho, Claudia Jordão, Danilo Tenório, Hugo Marques, Mônica Tarantino, Sergio Pardellas e Suzane Frutuoso

26 junho 2008

PRA DESCONTRAIR: Piadas

FONTE: PavaBlog

Jeitinho brasileiro

Um casal chega ao consultório de um terapeuta sexual.

O médico pergunta:

- O que posso fazer por vocês?

O rapaz responde:

- Você poderia ver a gente transando?

O médico olha espantado, mas concorda.

Quando a transa termina, o médico diz:

- Não há nada de errado na maneira como vocês fazem sexo.

E então cobra R$ 70,00 pela consulta.

Isto se repete por várias semanas.

O casal marca horário, faz sexo sem nenhum problema, paga o médico e deixa o consultório.

Finalmente, o médico resolve perguntar:

- O que vocês estão tentando descobrir?

O rapaz diz:

- Nada. O problema é que ela é casada e eu não posso ir à casa dela.

Eu também sou casado e ela não pode ir até minha casa.

No Del Rey, uma suíte custa R$ 140,00.

No Maxim's custa R$ 120,00. Aqui nós transamos por R$ 70,00, tenho acompanhamento médico, descolo um atestado, sou reembolsado em R$ 42,00 pela UNIMED e ainda consigo uma restituição do IR de R$ 19,20.

Tudo calculado, o custo é só de R$ 8,80.


Homens são de Marte (62)

MENOR CONTO DE FADAS (masculino, claro!) DO MUNDO.

Era uma vez um rapaz que pediu uma linda garota em casamento:

- Você quer se casar comigo?

Ela respondeu:

- NÃO!

E o rapaz viveu feliz para sempre, foi pescar, jogou futebol, conheceu muitas outras garotas, comeu todas, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava grana, bebia cerveja com os amigos sempre que estava com vontade e ninguém mandava nele.

A moça teve celulite, varizes, engordou, os peitos caíram, se ferrou e ficou sozinha para sempre....

FIM.


Mulheres são de Vênus (32)

Um casal foi entrevistado num programa de televisão. Eles estavam casados há 50 anos e nunca tinham brigado. Muito curioso, o repórter pergunta ao homem:

- Mas vocês nunca brigaram mesmo?

- Não - responde o homem.

- E como isso aconteceu?

- Bem, quando casamos minha mulher tinha um jumento de estimação. Era a criatura que ela mais amava na vida. No dia do nosso casamento, fomos à lua-de-mel na nossa carroça puxada pelo jumento. Andamos alguns metros e o jumento, coitado, tropeçou. Minha mulher olhou bem firme para o jumento e disse: "Um". Mais alguns metros e o jumento tropeçou de novo. Minha mulher encarou o jumento e disse: "Dois". Na terceira vez que ele tropeçou, ela sacou o punhal, cortou fora o bilau dele e fez picadinho. Eu fiquei apavorado e perguntei:

- Sua ignorante desalmada, porque é que você fez uma coisa dessas com o coitado desse animal?

Minha mulher me encarou e disse: "Um". Depois disso nunca mais brigamos.

25 junho 2008

Lula se despede de Ruth Cardoso no velório em São Paulo

FONTE: Globo.com









presidente Luiz Inácio Lula da Silva compareceu no final da tarde desta quarta (25), acompanhado de uma comitiva de oito ministros, ao velório da antropóloga Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando

Henrique Cardoso. Aos 77 anos, ela morreu em casa, na noite de terça, em razão de problemas cardíacos.

- Vídeos: a trajetória de Ruth Cardoso

- Velório: veja imagens

- Fotos: veja imagens da história da ex-primeira dama

Acompanharam Lula os ministros Dilma Roussef (Casa Civil), Fernando Haddad (Educação), Nelson Jobim (Defesa), Edison Lobão (Minas e Energia), José Múcio (Relações Institucionais), Franklin Martins, Hélio Costa (Comunicações) e Miguel Jorge (Desenvolvimento).

Lula e Marisa abraçaram Fernando Henrique Cardoso e, em seguida, se aproximaram do caixão, onde prestaram as últimas homenagens a Ruth Cardoso. Depois de permanecer no local por cerca de 40 minutos, o presidente deixou o local sem conceder entrevistas.

O governador de São Paulo, José Serra deu um beijo no rosto de dona Ruth ao chegar às 17h à Sala São Paulo, espaço para concertos de música erudita onde se realizou o velório.

O enterro será às 10h desta quinta no Cemitério da Consolação, em São Paulo, segundo informou a assessoria do Instituto FHC.

Mais de 40 coroas de flores foram enviadas ao velório. Entre os remetentes estavam Embaixada do Chile, montadoras Scania, Fiat e GM, senadores, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Banco Real, Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e Universidade de São Paulo (USP).

O movimento no salão do velório foi intenso durante a tarde. Entre os visitantes, políticos, autoridades, artistas e intelectuais, compareceram a atriz Maitê Proença, o humorista Tom Cavalcante, o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, governadores, senadores e deputados.


Morte súbita

Aos 77 anos, a mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso morreu em casa, no bairro Higienópolis, na cidade de São Paulo. Nota assinada pelos médicos Arthur Ribeiro, Walter Lima e Edson Stefanini, informou que a ex-primeira-dama "faleceu subitamente hoje [terça] às 20h40 em sua residência".

De acordo com a nota, dona Ruth foi submetida na segunda (23) a um cateterismo cardíaco que "revelou doença coronariana de extensão similar à doença já revelada em dois cateterismos anteriores, feitos em 2004 e 2006".

Na nota, os médicos atribuíram a morte a uma "arritmia grave decorrente da doença coronariana".

O professor Leôncio Martins Rodrigues, amigo da família, disse que Ruth Cardoso morreu na companhia de um dos filhos. Segundo ele, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não estava em casa no momento em que a mulher sofreu o infarto. Rodrigues foi ao apartamento da família na noite desta terça e desceu para dar as informações aos jornalistas que se encontravam na portaria.

Além de Rodrigues, estiveram no apartamento da família na noite de terça e madrugada de quarta o governador José Serra (PSDB), a primeira-dama de São Paulo, Mônica Serra, o coordenador das subprefeituras da Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo (PSDB), e os ministros do governo FHC Celso Lafer (Relações Exteriores) e José Gregori (Justiça).

Ruth Cardoso na posse do marido, Fernando Henrique, em 1995, ao lado do ex-presidente Itamar Franco e de Marco Maciel (Foto: Dida Sampaio/Agência Estado)

PSDB

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, afirmou que as comemorações dos 20 anos de aniversário do partido foram canceladas por conta da morte da ex-primeira-dama.

Os governadores tucanos de São Paulo, José Serra, Minas Gerais, Aécio Neves, e da Paraíba, Cássio Cunha Lima, decretaram luto oficial de três dias nos estados, segundo informaram as assessorias dos governos.

“Nós estamos muito atingidos por isso. Dona Ruth é uma espécie de consenso entre nós pela forma honrada como foi primeira-dama e da forma competente como exerceu funções públicas”, afirmou o senador Sérgio Guerra. “Ela era uma pessoa que tinha muito prestígio no partido, muito respeito de todos. Uma pessoa honrada, discreta, uma dessas pessoas que marcam a vida de qualquer país”, disse.

De acordo com a blogueira do G1 Cristiana Lôbo, Ruth Cardoso exerceu forte influência sobre o governo do marido. Ela atuava nos bastidores e raramente se pronunciava em público sobre questões de governo (leia mais).

Internações

Dona Ruth realizou exames médicos no Hospital Sírio Libanês na semana passada, onde ficou internada até a manhã desta segunda-feira (23).

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa da ex-primeira-dama na segunda-feira, os exames tiveram início na semana passada a pedido do médico cardiologista que a atende.

Ainda segundo a assessoria, Ruth Cardoso havia feito também um cateterismo no Hospital do Rim e Hipertensão da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), que descartou a necessidade de intervenção cirúrgica.


Por orientação da família, não havia sido divulgado nenhum dado sobre os motivos da internação ou o quadro clínico da mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Para acompanhar o tratamento da mulher, o ex-presidente não compareceu no domingo (22) à convenção do PSDB em que o partido definiu apoio à candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin nas eleições municipais desse ano para a Prefeitura de São Paulo.

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em foto de setembro de 2002 (Foto: Gustavo Miranda/Agência O Globo )

Intelectual

A ex-primeira-dama Ruth Cardoso nasceu em Araraquara (SP) em 19 de setembro de 1930.

Antropóloga de formação, foi professora da Universidade de São Paulo (USP). Como professora, lecionou na Universidade do Chile, Berkeley e Columbia, ambas nos Estados Unidos.

Ela estava casada havia 55 anos com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem teve três filhos. Ruth Cardoso publicou vários livros. Em 1995, durante o mandato do ex-presidente, fundou o programa Comunidade Solidária, de combate à pobreza e à exclusão social.

Evangélicos invadem Congresso contra projeto que criminaliza homofobia


FONTE: Folha online

Um grupo de evangélicos tentou invadir o Congresso Nacional nesta quarta-feira em protesto contra a aprovação do projeto que criminaliza a homofobia (discriminação contra homossexuais) no país. Cerca de mil evangélicos fizeram uma manifestação em frente à sede do Legislativo para evitar a votação do projeto. Os manifestantes querem ter o direito de criticar a homossexualidade, sem punições estabelecidas na legislação.

O projeto está em discussão na CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado, sem previsão de entrar na pauta de votações do plenário. "Achamos que o problema da discriminação não atinge só os homossexuais, mas também os negros, as mulheres, até mesmo nós evangélicos. O projeto de lei dá poderes ditatoriais a uma minoria. Se um funcionário for dispensado de uma empresa, por exemplo, pode alegar homofobia e o dono da empresa vai ser preso por crime hediondo, inafiançável. Queremos trazer um projeto para proteger todas as minorias", disse o deputado Rodovalho (DEM-DF), da Igreja Sara Nossa Terra.

Parte dos manifestantes pressionou seguranças do Senado para ingressarem na Casa. Houve empurra-empurra e princípio de tumulto em frente à entrada principal do Legislativo. O grupo fez orações contra a aprovação do projeto, conduzidos pelo pastor Jabes de Alencar, da Assembléia de Deus.

"Senhor, sabemos que há uma maquinação para que esse país seja transformado numa Sodoma e Gomorra [cidades bíblicas que teriam sido destruídas pelos excessos cometidos por seus moradores]. Um projeto desses vai abrir as portas do inferno", disse o pastor.

Alguns dos manifestantes conseguiram ingressar no Senado e foram recebidos na presidência pelo senador Magno Malta (PR-ES). Evangélico, Malta ocupa interinamente a presidência uma vez que o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) está fora de Brasília. O pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, entregou um documento para Malta contra a aprovação do projeto. "Esse projeto de livre expressão sexual abre as portas para a pedofilia. É uma afronta à Constituição e à família", disse o pastor.

O deputado Miguel Martini (PHS-MG), que integra a frente parlamentar em defesa da família e da vida, disse que o projeto quer "calar a boca" dos cristãos contrários à homossexualidade. "Nós amamos os homossexuais, porque são nossos irmãos, mas não amamos o "homossexualismo'. É um grande combate que estamos enfrentando entre luz e trevas. Não aceitamos discriminação de ninguém, mas não aceitamos sermos discriminados em nossas convicções religiosas."

Críticas

Relatora do projeto no Senado, a senadora Fátima Cleide (PT-RO) criticou a mobilização dos evangélicos contrário à criminalização da homofobia. "Infelizmente alguns religiosos utilizam discurso político para tentar ludibriar as pessoas crentes e tementes a Deus. Há que se observar aí mais uma postura de intolerância, pois em qualquer religião há diversidade dos seres humanos", afirmou.

O projeto, de autoria da ex-deputada Iara Bernardi (PT-SP), considera crime o preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero. O texto foi aprovado pela Câmara no ano passado e tramita no Senado.

LEI DA MORDAÇA

Por Caio Fábio

Amanhã (25/06/2008) haverá grande manifestação em Brasília contra a PLC122, cujo texto de projeto de lei pode ser lido no seguinte site: http://www.senado.gov.br/sf/publicacoes/diarios/pdf/sf/2006/12/14122006/38854.pdf

Muita gente vem me escrevendo acerca do tal Lei Contra a Homofobia pedindo de mim uma opinião, a qual, tendo em vista que em geral os “religiosos” são homofóbicos mesmo, não me interessei nem em ver o texto e menos ainda em discuti-lo.

Ontem, no entanto, atendo ao pedido de uma pessoa amiga e que ocupa o cargo de Senador da Republica, li o texto a fim de dar a minha opinião. Ora, a simples leitura do texto do projeto de lei me evidenciou de saída o fato de que o tal projeto não apenas incorre em várias inconstitucionalidades, mas, também, muito além disso, cria precedentes hostis e perversos, sem falar que dá, em tal caso, aos queixosos homossexuais, um poder de arbítrio sobre inúmeras áreas da vida comum, gerando o espaço legal para grande quantidade de exageros e exacerbações.

Em minha opinião o projeto de lei é inconstitucional na forma como está redigido, pois, gera uma soberania de direito ao grupo que demanda tal direito, que, pela própria natureza da formulação legal, anula outros direitos superiores e bem mais antigos em sua legitimidade.

Por exemplo, por tal lei, no caso de ela um dia vigorar, os demais direitos universais (como o de expressão de opinião de qualquer natureza, se for contrária às manifestações homossexuais, ainda que escandalosas), serão subjugados pelos direitos de qualidade “Homocráticas” de tal grupo, posto que, pelo bojo da proposta, declara-se mesmo a impossibilidade de discordar publicamente de práticas ou ideologias de conteúdo homossexual.

Ora, a tal PL122 supostamente se fundamenta em direitos inalienáveis, como os que protegem condições intrínsecas dos humanos, como raça, etnia e cor, mas, apesar de tudo, evoca os direitos da própria expressão religiosa (um dos direitos inalienáveis da Constituição), pondo-se em equivalência com aquilo que sendo objetivo não necessita nem de demonstração e nem de prova, como é o caso de uma raça ou etnia.

Uma raça é uma raça. Uma etnia é uma etnia. Portanto, são realidades universais e objetivas em sua constituição.

Não é a mesma coisa com a condição homossexual, a qual, como se sabe, tem casos de homossexualidade inata e intrínseca, tanto quanto também possui uma enorme quantidade de casos que não carregam traços inatos da condição, mas apenas configuram uma “escolha”, não sendo, dessa forma, em hipótese alguma, algo que possa ser universalizado como universal é o direito de uma raça ou etnia.

Isto sem falar que a PL 122 também cria, de modo inerente, uma espécie de vitaliciedade empregatícia. Sim! Pois com as descrições de direito que teria um suposto homossexual ante um patrão (podendo ele alegar pela via da simples queixa que está sendo objeto de discriminação, não importando o grau de objetividade e de constatabilidade da denuncia) — todos os patrões são postos na difícil situação de temer despedir um funcionário homossexual, por qualquer que seja a razão trabalhista ou funcional, em razão de que sob ele pesará a possibilidade de ser condenado pela subjetividade ou até mesmo esperteza e ou maldade do funcionário queixoso.

Há de se ter leis que protejam os homossexuais de toda forma de descriminação real e objetiva. Do mesmo modo, há de se ter sempre leis que ao garantirem os direitos de minorias não o façam contra a expressão da maioria.

A presente PL 122, todavia, vai além da proteção aos direitos dos homossexuais, e, por outra via, passa a ser uma lei de Homossexualismo ao invés de ser um lei de proteção ao direito de ser homossexual numa sociedade democrática e pluralista.

Acho fundamental aqui fazer duas distinções que julgo importantes:

  1. Homossexualidade não é homossexualismo. Homossexualidade pode ser uma condição psíquica ou até congênita (ainda a ser completamente provada, e, até agora, relacionado à minoria dos casos), a qual, na maior parte das vezes, é praticada com descrição e recato natural, assim como deve proceder um heterossexual sadio. Já o homossexualismo é ideológico, político, impositivo, catequético, fundamentalista em seu fervor fanático, e, sobretudo, trata-se de um movimento “sindicalizante” e hostil. Ora, a presente PL 122 é tipicamente um projeto de lei homossexualista e altamente ideológico.

  1. Direitos Universais são caracterizados pela inafastabilidade objetiva da condição existente. Assim, etnias e raças carregam a si mesmas em seus direitos universais. Ora, o mesmo não se pode dizer da homossexualidade, a qual existe em estado de profunda subjetividade, além de que está há anos luz de distancia de qualquer coisa que se possa chamar de condição universal. Desse modo, creio que a presente PL 122 faz universal um particular da existência humana. Ora, em tal caso, creio que uma outra PL deve ser proposta, mas que não carregue em si “direitos” que soneguem outros direitos universais já estabelecidos e por todos aceitos como fruto do bom senso.

Aqui me eximo de falar sobre outras implicações do presente Projeto de Lei 122, posto que a meu ver são apenas reações angustiadas ante à desvairada propositura da PL122, mas que não tratam das questões de sua inviabilidade Constitucional.

Isto posto de modo muito rápido, concluo dizendo que creio que o que de melhor se faria seria derrubar tal PL122, e, no lugar dela, que parlamentares equilibrados, e que, portanto, não fossem nem militantes homofóbicas e nem militantes homossexualistas, propusessem um novo projeto de lei, o qual deveria dar respeito e dignidade aos homossexuais em nossa sociedade, ao mesmo tempo em que eles não fossem feitos os juizes e os executores de leis conforme se prevê nesta fatídica PL122.

O meu temor agora é pelas manifestações de amanhã, como Silas, Linhares e Cia. LTDA vociferando ódios, de um lado; enquanto, do outro lado, os “homossexualistas” ganham mais um argumento apenas assistindo o destilar do ódio de seus opositores.

A PL 122 é uma desgraça. Pena que não é apenas ela, pois, sendo justo, tem-se que admitir que os modos da refutação sejam tão cheios de ódio e de homofobia, que, por tal razão, até quem está errado fica certo pelo ódio do antagonista.

A verdade tem que ser seguida em amor. Pois, do contrário, até a verdade se torna mentira quando os modos são os do ódio.

Podendo escrever muitas outras coisas, mas atendo-me apenas a estas, peço as orações de todos, pois, o resultado de tudo isto pode ser a criação de muito mais ódio numa sociedade que está perdendo por completo o amor e a reverencia pelo próximo.

No espírito que Dele tenho aprendido,

Caio


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20 junho 2008

O LEÃO, A PASTORA E O FUTEBOL

Por Riva Moutinho


O texto abaixo foi extraído do Blog Oficial da Ana Paula Valadão (http://blogdaana.wordpress.com/2008/06/12/noticias-de-recife/):

“Olá amados,

Nos últimos dias temos visto Deus agir de maneira tremenda em Recife, e por toda a parte, nos preparando para o que Ele irá fazer nos dias 4 e 5 de julho sobre aquela terra e sobre toda a nossa nação.

No fim de semana aconteceu ali o Seminário de Intercessão, e nas palavras dos guerreiros que participaram, foi um dos mais marcantes dos 36 que já passaram por esse Brasil a fora. Ao preço de dores de parto, um enorme peso espiritual foi quebrado, houve muitas libertações de vidas e da atmosfera da cidade, e o Senhor tem revelado profeticamente a Sua glória para aquele lugar.

Enquanto o seminário acontecia, no Chevrolet Hall a cidade celebrava uma das maiores festa de S. João do Nordeste. Mas cremos que estaremos ali tomando posse do terreno do inimigo. Acreditamos que esta nação será conhecida pelas festas ao Rei Jesus! Na madrugada de domingo para segunda, depois do seminário, os noticiários publicaram a morte do fundador do “Galo da Madrugada”, o maior festival da cidade, que já chegou a reunir 3 milhões de pessoas pelas ruas do Recife. Ficamos boquiabertos. Ele faleceu de uma cirurgia no joelho.

Outro evento importante foi ver essa semana, o Sport Club do Recife se tornar o campeão do Campeonato do Brasil! Os jogadores, muitos crentes, glorificavam a Deus e até declararam na mídia que esta vitória foi o cumprimento das promessas do Senhor.

Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz. Deus tem Seus planos e estratégias e não é em vão que estaremos indo ali exatamente nesta hora.”

A pastora-do-leão-de-quatro voltou... aliás, ela continua com a cabeça no leão... ou seria o leão na cabeça? Enfim, a pastora parece ter gostado da idéia de colocar na internet o seu diário pessoal. O interessante é que apenas comentários a favor são publicados. O que houve com o contraditório?

Depois de imitar, segundo ela, um leão no palco que mais parecia uma pessoa procurando sua lente de contato pelo chão, Ana Paula Valadão continua a criar coerências que apenas sua mente e a de seus fãs acham normais; as quais só posso concluir que devem agitar a alma de Freud, esteja onde ela estiver.

No último texto que comentei dela, tentei comentar cada parágrafo, o que não me foi possível tendo em vista tamanho disparate presente. Neste gostaria apenas de comentar dois pontos, uma vez que não há em mim nenhum apreço por tal literatura (se pudermos chamar a isto de literatura).

Depois de se vestir como uma guerreira, a pastora-do-leão-de-quatro encontrou com outros “guerreiros” e todos com “dores de parto” quebraram o peso espiritual que pairava sobre a cidade de Recife e, ainda, se preparam para entrarem no “terreno do inimigo” chamado São João. Coitado do “seu” João! Será que alguém falou com ele que há um monte de “guerreiros” querendo invadir seu território?

E como não poderíamos esquecer, de maneira alguma: Eis o leão aparecendo novamente. O futebol, um esporte profano, teve sua transformação para um “evento importante”, e isso porque o Sport (aquele time que tem o leão como mascote) venceu o Corinthians e se consagrou campeão da Copa do Brasil. Assim ela enche a bola dos jogadores do Sport dizendo que Deus havia cumprido uma promessa. Aí, fico eu pensando daqui: e os jogadores evangélicos corintianos? Não tinha promessa nenhuma para eles a não ser a do vice campeonato? Putz.

Outro fator delirante da pastora-do-leão é o último parágrafo apresentado acima: “Creio que também não é coincidência ver na bandeira do Recife, um leão segurando uma cruz.” Coincidência realmente não é, mas o que não é mesmo é a referência que nas entrelinhas ela quis insinuar ou afirmar existir pelo fato do leão segurar a cruz na bandeira da cidade do Recife. Leia com bastante atenção a maneira como o site da Prefeitura do Recife (http://www.recife.pe.gov.br/pr/simbolos.php) descreve a bandeira municipal: “Através da Lei 11.210, de 15 de dezembro de 1973, a municipalidade recifense instituiu uma bandeira para a cidade, composta de símbolos que se referem a fatos memoráveis da história do Recife. A bandeira do Recife é retangular e tem por base três colunas verticais, sendo que as laterais são em azul e a central em branco, reportando às cores da bandeira do Estado de Pernambuco, do céu brasileiro e da paz. A força e a fé, ideais almejados pelo ser humano, são representados pela frase em latim Virtus et Fides.

Símbolos de fé, força e esperança completam o visual da bandeira do Recife. São eles: a cruz, representando a colonização portuguesa, que trouxe o cristianismo para o Brasil; o leão neerlandês coroado, em amarelo, remetendo ao escudo de armas de Maurício de Nassau e ao Leão do Norte, apelido adquirido por Pernambuco pelo seu potencial histórico de lutas e, por fim, o sol e a estrela, ambos em amarelo, aludindo ao nosso astro maior e à representação da república brasileira, considerada originária das terras pernambucanas, através do movimento de 1817.”

Brincadeiras a parte, o lado mais sombrio do texto desta menina-do-leão fica por conta do comentário ridículo e descabido sobre a morte do fundador do Galo da Madrugada, o sr. Enéas Freire. Ele conseguiu transformar o Galo da Madrugada no maior bloco carnavalesco do mundo, segundo o próprio Guinness Book. Enéas morreu aos 86 anos de parada cardiorespiratória.

Repare que a pastora-do-leão-de-quatro logo após falar sobre a morte do Sr. Enéas, escreve as palavras: “outro evento importante”. Haja estômago para ler tanta baboseira vindo de uma única pessoa e que, infelizmente, adoece milhares de pessoas pelo mundo afora. Há de se ter, ao menos, o mínimo de respeito para com as pessoas, inclusive pelos familiares daqueles que se foram.

Mas Deus gravita ao redor da Sra. Valadão-filha realizando todos os caprichos e mimos que ela deseja: um Personal God criado em algum lugar de uma mente empobrecida e ensandecida pelos desvarios de uma religião.

BH 20/06/2008

18 junho 2008

Mãe de Isabella é ouvida por duas horas e responde a perguntas da defesa

FONTE: Globo.com




Ana Carolina de Oliveira, mãe da menina Isabella Nardoni, encontrou-se nesta quarta-feira (18) pela primeira vez (desde o enterro da filha) com Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá. Ela foi ouvida pelo juiz Maurício Fossen, no Fórum de Santana, Zona Norte de São Paulo, por 2h15 e não pediu para que o casal fosse retirado da sala de audiência, ficando a alguns metros do pai e da madrasta de Isabella, mas sem trocar olhares com os acusados.

No início do depoimento, Ana Oliveira aparentava nervosismo, mas permaneceu boa parte da audiência serena e tranqüila, segundo informaram assessores de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que acompanharam o depoimento. Alexandre e Anna Jatobá, que estão algemados, cochicharam algumas vezes durante o relato.

A mãe de Isabella respondeu a perguntas da defesa do casal. Pelos advogados, foi questionada sobre as roupas que vestia na noite da morte e se ela teria trocado de roupas ao chegar ao 9º Distrito Policial, após deixar o hospital. Ela também respondeu se seria destra e com base em que afirmou acreditar no envolvimento do casal na morte da criança. Assessora do TJ-SP relatou, sem dar detalhes, que Ana Oliveira disse ter se baseado em algumas coisas que tinham acontecido.

A defesa questionou se ela conheceria alguém chamado Robson e se teria tido um relacionamento com alguém do banco onde trabalha. Os advogados quiseram saber ainda se ela conheceria algum funcionário do 9º DP, que investigou o caso, e como ela se relacionava com a delegada Renata Pontes.

Madrasta

Ao responder a pergunta do promotor Francisco Cembranelli, ela confirmou que a família de Alexandre Nardoni se preocupava em não deixar Isabella sozinha com a madrasta. Ela contou que, quando o pai não estava em casa, a irmã dele, Cristiane Nardoni, costumava dormir no apartamento do casal.

Em outro momento, ao responder a perguntas da assistente de acusação, Cristina Christo, ela voltou a dizer que a mãe de Alexandre parecia ter algum receio de deixar a criança sozinha com Anna Jatobá.

Em depoimento na terça-feira (17), Benícia Maria Fernandes, vizinha da família, relatou a mesma versão ao juiz. Ela falou que a avó paterna expressava preocupação em relação ao fato de deixar Isabella somente com a madrasta. De acordo com relato da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ), que acompanhou a audiência, Benícia afirmou ao juiz ter dito à mãe de Alexandre que Anna Jatobá "é maluca, que qualquer dia joga a menina lá de cima".

Brigas e ciúme

Ela também relembrou ocasião em que Alexandre brigou com um primo dela em uma festa da família por causa de uma brincadeira de que o pai de Isabella não gostou. De acordo com a mãe da menina, isso teria sido contribuído para o fim do relacionamento.
Em outro momento, ela contou que chegou a ir buscar Isabella na casa dos Nardoni no Guarujá, a 87 km de São Paulo, porque teria sido impedida de se comunicar com a filha por telefone. Ana Carolina disse que chegou a acionar a polícia, pelo telefone 190, para que menina lhe fosse entregue. A irmã de Alexandre, Cristiane Nardoni, atendeu então Ana Oliveira, e relatou que Anna Jatobá contou que a mãe de Isabella teria "falado mal" da família de Alexandre.

Ana Oliveira ainda lembrou outra cena de ciúme, que teria sido relatada a ela pela mãe de Alexandre. Ele teria atendido a uma ligação telefônica dela, o que provocou ciúme em Jatobá que teria jogado seu filho sobre a cama e agredido fisicamente o marido.

15 junho 2008

A prova do crime

FONTE: Revista Época



A prova mais contundente da operação policial que levou de volta à cadeia o prefeito de Juiz de Fora (MG), Carlos Alberto Bejani (PTB), saiu da gaveta do próprio prefeito. Na primeira fase da Operação Pasárgada, em abril passado, além de deter Bejani, a Polícia Federal apreendeu documentos, computadores, armas de uso exclusivo das Forças Armadas e R$ 1,1 milhão em dinheiro vivo que o prefeito guardava em casa. As buscas se estenderam ao gabinete dele, na prefeitura. E foi justamente lá que os agentes encontraram um pacote com oito DVDs. Durante semanas, eles se debruçaram sobre o farto material. Era nos discos que estava a maior surpresa: eram vídeos, e neles havia cenas de corrupção explícita, em que o próprio Bejani era o personagem principal (assista acima).

ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, às gravações. As imagens mostram o prefeito recebendo maços de dinheiro e contando a propina. “Você não tem uma mala aí não?”, pergunta o prefeito, ao receber o dinheiro. Num dos vídeos, gravado em maio de 2006, Bejani fala de uma suposta reunião com o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu para tratar da liberação de R$ 70 milhões para a prefeitura. Sem saber que estava sendo gravado, ele dispara: “Sabe quanto isso dá de comissão? R$ 7 milhões”. O contrato, com a Caixa Econômica Federal e o Ministério das Cidades, foi assinado 50 dias depois.

Na sexta-feira (13), a Caixa informou em nota que a liberação das verbas previstas no contrato com a prefeitura de Juiz de Fora está suspensa "até a apuração dos fatos".

Bejani foi preso pela PF no início da manhã desta quinta-feira (12), com mais 13 pessoas, entre elas o empresário Francisco José Carapinha, o Bolão, que aparece nos vídeos negociando a propina. Foi a segunda fase da Operação Pasárgada, destinada a investigar suspeitas de desvio de dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, pago pela União às prefeituras de todo o país. Na primeira etapa da Pasárgada, em abril, foram presos 16 prefeitos de cidades mineiras e baianas, dentre eles Bejani, advogados e um juiz federal. A conta do desvio, dizem os investigadores, ultrapassa os R$ 200 milhões. O prefeito de Juiz de Fora passou 13 dias na cadeia. Saiu graças a um habeas corpus expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A investigação, entretanto, prosseguiu. E mirou principalmente na origem dos mais de R$ 1 milhão apreendidos na casa do prefeito. Acertou em cheio.

Os vídeos apreendidos na gaveta do prefeito preenchem justamente as lacunas que faltavam. Há tempos a polícia e o Ministério Público Federal suspeitavam de relações promíscuas de Bejani com empreiteiros contratados pela prefeitura e empresários donos de concessões municipais. Para explicar a origem do dinheiro recolhido na casa dele em abril, o prefeito chegou a dizer que era produto da venda de uma fazenda. Chegou a mostrar papéis que comprovariam o negócio, supostamente fechado com um advogado, Marcelo Abdalla. Interrogado, o advogado chegou a confirmar a transação. Mais tarde, a versão que parecia combinada ruiu. O próprio Abdalla, em depoimento de mais de dez horas prestado à PF e ao MP, tratou de desmentir a versão. E disse que o dinheiro seria fruto de propina paga ao prefeito por empresários de ônibus. O conteúdo dos DVDs levou para os autos a prova, em cores, do prefeito embolsando dinheiro suspeito.

Os vídeos foram todos gravados num mesmo lugar, uma acanhada sala onde funciona o escritório da Solução Car, concessionária de veículos de propriedade de Francisco José de Carvalho Carapinha, um conhecido empresário de Juiz de Fora. Carapinha, ou Bolão, há tempos é tido como um aliado de primeira hora de Bejani. Ele é dono de uma das sete empresas de ônibus que detêm concessão da prefeitura para operar o sistema de transporte público urbano na cidade, uma das maiores do interior mineiro, com mais de meio milhão de habitantes. É Bolão quem mais aparece, com Bejani, nas gravações. Também foi ele, de acordo com as informações colhidas pela polícia ao longo da investigação, quem escondeu a câmera no escritório. Apesar da boa amizade, queria ter o prefeito na mão. O próprio Bejani, ao saber da existência das gravações, tratou de pegar os DVDs (não se sabe justamente como), e os guardou na prefeitura. Não contava com a ação da polícia.

No primeiro vídeo, Bejani aparece cobrando de Bolão uma suposta comissão para autorizar o aumento do preço da passagem de ônibus na cidade. Segundo a investigação, Bolão seria o responsável por recolher entre os empresários do setor a propina a ser paga ao prefeito pelo reajuste do preço das passagens. A gravação é de 21 de dezembro de 2005. A tarifa do ônibus seria reajustada em janeiro: de R$ 1,30 para R$ 1,55. “Que que tá propondo?”, pergunta Bejani. “150 mil. 120 para você, 30 para mim”, responde Bolão. Bejani endurece na negociação. Queria que o lucro das empresas, no primeiro mês, fosse todo repassado para ele. “Agora a primeira tarifa. O primeiro aumento é meu”, diz o prefeito. Bolão insiste na proposta inicial. “Eu não vou, não vou fechar nada disso”, discorda Bejani. “Você vai me tirar fora do negócio?”, rebate o empresário. O prefeito insiste em receber toda a diferença no primeiro mês, que daria R$ 2 milhões, segundo cálculos da PF. Bejani, irritado, deixa a sala. Diz que vai deixar a negociação para depois. Pelo jeito, o endurecimento deu certo. Em outro vídeo, de abril de 2006, Bejani aparece sentado à mesa do escritório de Bolão. A mesa está cheia de maços de notas de R$ 50. Ao longo da conversa, o prefeito vai juntando o dinheiro, “referente ao pagamento da propina acertada pelo aumento da tarifa de ônibus”, segundo a polícia. Os dois tratam ainda de negócios com carros e imóveis. Nas imagens, Bejani aparece acomodando os maços de dinheiro em sacolas de supermercado.

No relato encaminhado pela polícia à justiça, o vídeo em que Bejani se refere ao ex-ministro José Dirceu vem em seguida. O nome de José Dirceu já aparecia escrito numa fita crepe afixada sobre o disco: "Rio Paraibuna – Zé Dirceu – Bejani". Na gravação, enquanto confere mais um lote de dinheiro entregue por Bolão, Bejani fala sobre o que seria outro rentável negócio. “Eu tenho uma reunião com José Dirceu três horas em Belo Horizonte. Tô liberando setenta milhões”. E acrescenta, empolgado: "Setenta milhões! ‘Cê’ sabe quanto que dá isso? Sete milhões de comissão". Na descrição da cena para a Justiça Federal, a PF afirma que a “captação [do dinheiro] teria sido intermediada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, e que só a comissão, provavelmente a título de propina, seria de R$ 7 milhões”. A gravação foi feita em 10 de maio de 2006. Naquele dia José Dirceu, que já não era mais ministro nem deputado federal (ele fora cassado sete meses antes), esteve na capital mineira. Lá, sua agenda pública, uma palestra na PUC mineira sobre a mídia, virou notícia – ele foi vaiado e xingado pelos estudantes. Exatos 50 dias depois desse suposto encontro, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, desembarcou em Juiz de Fora para assinar o contrato número 0161600373, com a destinação pela Caixa Econômica Federal de R$ 70 milhões para as obras no rio Paraibuna. O contrato, que faz parte do programa federal Saneamento Para Todos, está em vigor. São R$ 63,2 milhões da Caixa e contrapartida de R$ 6,3 milhões da prefeitura. A Caixa já liberou R$ 1,86 milhão.

O ex-ministro José Dirceu – por intermédio do advogado José Luiz Oliveira – negou ter negócios com o prefeito de Alberto Bejani. “Jamais prestei consultoria, fiz intermediações ou tive qualquer negócio com o prefeito. Jamais me envolvi com projetos para o Rio Paraibuna. Recebi ligações telefônicas do prefeito Bejani como recebo de outros prefeitos e parlamentares. Não me recordo de ter encontrado com ele no dia 10 de maio em Belo Horizonte”, afirmou Dirceu, segundo o advogado. O Ministério das Cidades afirma que não houve favorecimento ao município de Juiz de Fora.



12 junho 2008

Após susto, governo adia conclusão da votação da 'nova CPMF'

FONTE: Globo.com



Após a vitória apertada na votação que definiu a aprovação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), a base aliada decidiu adiar o restante da votação. Quatro destaques apresentados pela oposição precisam ser votados para que o texto siga para o Senado. Com o adiamento, a conclusão ficaria para a próxima semana, na qual uma medida provisória estará trancando a pauta.

“Até a próxima semana teremos condições de fazer mais debates para continuar a votação dos destaques que faltam”, afirmou o líder do PT, Maurício Rands (PE).

Após três semanas de debate e mais de oito horas de discussão nesta quarta-feira (11), a criação da CSS foi aprovada com apenas 259 votos. Para o novo tributo ser aprovado eram necessários 257 votos.

Os quatro destaques que ainda precisam ser votados fazem alterações importantes no texto. Um deles retira toda a base de cálculo da CSS, o que poderia inviabilizar a cobrança do tributo. Outra proposta inclui a nova contribuição dentro da base de cálculo dos recursos vinculados para a saúde, diferente da proposta dos governistas.

Outro destaque que a ser votado altera o montante de recursos que precisa ser investido na saúde pela União. O relatório do deputado Pepe Vargas (PT-RS) mantém o orçamento da Saúde vinculado a um aumento anual relativo apenas ao PIB nominal do ano anterior sobre o valor gasto. Nesse caso, a CSS seria um "bônus" e não entraria na base de cálculo. O destaque tenta voltar ao texto do Senado, que vincula para a área 10% da receita bruta da União.

O vice-líder do PSDB, Bruno Araújo (PE), comemorou o novo adiamento da votação. “Não acabou a história. Eles passaram um susto grande e não têm mais segurança para continuar votando”.

Apesar disso, a oposição está dividida sobre a melhor estratégia para a próxima semana. Alguns parlamentares defendem acelerar a votação para tentar derrotar o governo, enquanto outros pregam a continuidade da obstrução. “Precisamos ver agora a melhor estratégia”, disse ACM Neto (BA), líder do DEM.

CSS e Saúde

Se for mantida a base de cálculo e aprovado pelo Senado, o novo tributo teria alíquota de 0,1% sobre todas as movimentações financeiras, no mesmo molde da extinta CPMF. Estariam isentos do pagamento da CSS os aposentados e pensionistas, além dos trabalhadores formais que recebam até R$ 3.038,99. Quem ganha acima deste valor e tem carteira assinada também será isento até este limite, pagando apenas sobre o que exceder R$ 3.038,99.

Segundo contas feitas pelos parlamentares da base governista, a CSS proporcionaria uma arrecadação de R$ 11,8 bilhões em 2009, R$ 12,9 bilhões em 2010 e R$ 14,2 bilhões em 2011.

No texto estão definidos, ainda, os percentuais de investimentos dos estados e municípios na área de saúde. Para conseguir apoio dos governadores, a base deu até 2011 para que estados e municípios atinjam seu percentual de investimento em saúde, de 12% e 15% da receita, respectivamente.

Também foi retirado do cálculo da receita dos estados os recursos destinados ao Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), o que reduziu em R$ 1 bilhão por ano o total que teria de ser aplicado pelos estados em saúde.

Na Frente Parlamentar da Saúde, a estratégia usada para conseguir votos foi a promessa de um crédito suplementar de R$ 6 bilhões ainda para 2008. Os recursos passariam a contar para o cálculo do orçamento da saúde também nos anos subseqüentes.

O vice-presidente da Frente, Darcísio Perondi (PMDB-RS), passou a apoiar a CSS com esta proposta, enquanto o coordenador da frente, Rafael Guerra (PSDB-MG), permaneceu contrário.

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