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29 março 2008

Intrigas: Dilma promete investigar quem vazou dossiê contra FHC porque suspeita de “fogo amigo petista”

Por Jorge Serrão

FONTE: Alerta Total

Ontem era apenas dia 28 de março. Primeiro de Abril é só na terça-feira que vem. Mas a futura presidenta da República, embora negue ser candidata, Dilma Roussef, jurou ontem que o desgoverno não montou um dossiê contra o ex-presidente FHC e Ruth Cardoso. A mãe do PAC(o) alegou apenas que se produziu um “banco de dados” com informações sigilosas sobre as despesas com cartões corporativos e contas tipo B para atender a possíveis pedidos legais. Dilma prometeu que a Casa Civil investigará o vazamento das informações. Temos tudo para acreditar na Dilma, até porque Pai Noel adota, oficialmente, as cores do PT. E o mundo inteiro acredita nele.

E daí que a Folha de São Paulo (FSP – que usa a mesma sigla do Foro de São Paulo) divulgou que a mentora do dossiê (que o Planalto jura não existir) foi a Secretária-executiva da Casa Civil? E daí que a poderosa Erenice Alves Guerra seja a braço-direito (perdão, a mão esquerda) da companheira Dilma (a eterna guerrilheira Stella)? Os gênios palacianos trabalham com duas especulações sobre o vazamento do “banco de dados”. Ou foi uma jogada deliberada de caciques do PSDB, que teriam informantes no Palácio do Planalto e tentaram fabricar um factóide para incriminar o governo. Ou o vazamento partiu do “fogo amigo” petista para enfraquecer a candidatura vitoriosa de Dilma.

A hipótese sobre a briga interna petista é muito forte. Esta semana também “vazou” outra notícia que só foi dada pela Rede Bandeirantes. A mídia amestrada fez silêncio criminoso e não repercutiu a notícia do Jornal da Band de que a falida Bancoop (Cooperativa dos Bancários de São Paulo), comandada por sindicalistas petistas, promoveu uma armação com empreiteiras de obras habitacionais não realizadas para desviar dinheiro para financiar campanhas eleitorais do PT. Os alvos da denúncia eram os ex-dirigentes da cooperativa: Ricardo Berzoini, Luiz Gurshiken e João Vaccari Neto (Releia na edição de quarta-feira: Band promete hoje novas provas de que cooperativa falida dos bancários desviou grana para campanhas do PT).

O fato de a denúncia ter sido veiculada em apenas uma emissora de tevê, cuja linha editorial é sempre companheira do Palácio do Planalto, é um fortíssimo indício de que foi uma “matéria plantada” por um segmento petista que deseja reduzir o poder de influência do segmento sindicalista bancário na cúpula decisória do partido. Se tal teoria (factível) for verdadeira, também é verossímil que os prejudicados tenham dado o troco interno em quem os atacou mandando bala nas cercanias da Dilma Rousseff.

Pau na oposição

O popular chefão Lula da Silva voltou a fazer ontem duras críticas à oposição.
Lula ponderou que as denúncias dos adversários não devem ser aceitas como verdades absolutas e usou um exemplo fantástico para justificar sua tese.

Em Alagoas, dirigindo-se a aliados e particularmente ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que renunciou à presidência do Senado em dezembro, quando tinha o mandato ameaçado por quebra de decoro parlamentar, Lula afirmou que não pode permitir que pessoas que "não têm moral" critiquem um amigo que o apoiou tanto como o senador Renan Calheiros.

Segundo Lula, seus adversários estão incomodadoscom a pesquisa CNI Ibope que lhe dá 73% de popularidade pessoal e 58% de índice ótimo/bom para o (des)governo.

FHC quer sangue

A ministra Dilma deveria demitir sua assessora que (segundo a FSP) ordenou o levantamento de dados e divulgou os gastos pessoais da presidência na gestão passada.

A sugestão foi dada pelo ex-presidente FHC, em entrevista concedida à Maria Lydia na TV Gazeta de São Paulo.

O programa “Em Questão”, que semana passada entrevistou Lula, vai ao ar no domingo, às 23h 30min, com a entrevista de FHC.

Nada de investigação

A oposição – tão criticada por Lula – insiste em convocar Dilma para depor na CPI dos Cartões Corporativos.

Também exige uma investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Acontece que o ministro Tarso Genro (Justiça) e o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, já avisaram que a instituição não vai investigar o caso – que é político.

25 março 2008

Denúncias contra pedofilia dobram em um ano

FONTE: Revista Veja

O crime de pedofilia cresce assustadoramente na internet. Segundo a organização não-governamental (ONG) SaferNet, que cuida da Central Nacional de Denúncias por Crimes Cibernéticos, o número de páginas denunciadas por divulgação de pedofilia e exploração sexual de crianças dobrou de 2006 a 2007. No ano passado, foram feitas 267.470 denúncias a respeito de 38.760 páginas com esse tipo de conteúdo, contra 121.635 denúncias feitas em 2006 sobre 17.148 páginas. O número de denúncias cresceu 126%.

Alguns fatores contribuem para o aumento: o crescimento no número de usuários da rede no país e o dos sites de realcionamento. De acordo com Tiago Tavares, presidente da ONG, 90% das páginas denunciadas estão relacionadas ao Orkut. Como a ONG trabalha em cooperação com o Ministério Público Federal (MPF), as denúncias relativas aos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Goiás e Paraná são encaminhadas para o MPF. Nos outros Estados, elas são entregues para o Departamento de Direitos Humanos da Polícia Federal. Só em São Paulo existem mais de 400 investigações em curso baseadas nas denúncias do SaferNet.

Crime - Atualmente é crime apenas produzir e passar as imagens adiante, na forma de divulgação, venda ou apresentação. A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes propôs um projeto para alterar a lei. O novo projeto, que já passou pela Câmara e está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, propõe que a pessoa que armazena o conteúdo em seu computador também seja encarada como criminosa.

22 março 2008

Um Dossiê Feito

FONTE: Revista Veja


A CPI que investiga o uso dos cartões corporativos do governo começou a ouvir depoimentos na semana passada num falso clima de cordialidade. Comandada pelo PT e pelo PSDB, a comissão não analisou os pedidos de quebra de sigilo nem os requerimentos de convocação de ministros, mas chamou atenção pelo tom desafiador de algumas declarações de representantes do governo. O ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria-Geral da União, depois de minimizar a importância das denúncias investigadas, disse aos parlamentares que "é possível que surjam coisas mais graves do que as que já foram descobertas até agora". O quê? Ele não revelou. Mais explícito, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, sugeriu que a comissão se dedicasse ao exame das chamadas contas tipo B, um fundo de despesas que antecedeu a criação dos cartões. Por quê? Ele também não revelou. Os dois ministros do governo Lula, na verdade, foram usados como porta-vozes de uma tentativa de intimidação. O Palácio do Planalto mandou fazer um dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em seus últimos cinco anos de governo – e ameaça divulgá-lo para tentar constranger os oposicionistas que insistem em investigar o presidente Lula.

VEJA teve acesso a parte do dossiê. Elaborado com base em dados considerados sigilosos pelo próprio governo, o material reúne detalhes das despesas do ex-presidente Fernando Henrique, de sua mulher, Ruth Cardoso, e de assessores próximos nos anos de 1998, 2000 e 2001 nas chamadas contas tipo B – aquelas a que o ministro Paulo Bernardo se referiu. O documento lista centenas de compras realizadas pelo gabinete do ex-presidente, desce a insignificâncias, como pagamento de gorjetas e aquisição de material de higiene pessoal, e faz insinuações potencialmente graves, se verídicas, sobre a mistura de recursos públicos com despesas de campanha eleitoral. Estão também discriminados compras de bebidas, alimentos e aluguel de carros. As planilhas ainda revelam as iniciais de quatro agentes da Agência Brasileira de Inteligência (JCS, PSWR, SLCC e JCSB), seus CPFs e os valores que eles sacaram em dinheiro, 1,6 milhão de reais em 2002, usando as chamadas "despesas secretas". Uma simples consulta ao site da Receita Federal permite a identificação dos agentes. Os autores do dossiê queriam mostrar que no governo passado também houve abuso nos gastos secretos.

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ARMAÇÃO OFICIAL
O dossiê lista centenas de compras realizadas principalmente no segundo mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Elaborado dentro do Palácio do Planalto, detalha gastos pessoais da família presidencial – informações consideradas pelo próprio governo como sigilosas. A intenção é mostrar que o governo Lula não inovou ao usar os cartões corporativos para quitar despesas como bebidas caras, hotéis de luxo e produtos de higiene. O documento sugere que houve promiscuidade entre o dinheiro público e a campanha eleitoral dos tucanos (à esq.), e foi usado por governistas para mandar recados aos adversários (á dir.).


Fotos Alejandro Pagni/AFP e Paulo Vitale
Lula e Fernando Henrique: os gastos do atual presidente são mantidos em sigilo, mas os de FHC foram parar no Congresso

É grave saber que informações de estado, algumas sigilosas por lei, estão sendo usadas para chantagear políticos de oposição. Mais grave ainda saber que a estrutura funcional do estado está sendo utilizada para montar um dossiê contra adversários – e, o que é mais espantoso, dentro do Palácio do Planalto, na vizinhança do gabinete do presidente Lula. Com o início da crise dos cartões, um grupo de funcionários da Casa Civil da Presidência da República se debruçou, durante semanas, sobre uma imensa pilha de processos, notas fiscais e relatórios de viagem. Oficialmente, fazia um levantamento administrativo de rotina sobre todas as despesas realizadas pelo gabinete do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Extra-oficialmente, a missão tinha outro objetivo: juntar material para ser usado, se necessário, numa operação para neutralizar a ação dos parlamentares da oposição no Congresso. Milhares de transações de 1998 a 2002 foram analisadas, e separadas apenas as que continham despesas pessoais do presidente, da primeira-dama e de seus auxiliares mais próximos. Todas foram selecionadas em uma planilha que identifica o número do processo, o servidor que efetuou a despesa, a empresa beneficiada, a data de execução e o número da nota fiscal referente ao desembolso. Além de listar valores, o documento descreve o serviço e o beneficiário do gasto.

O dossiê construído dentro do Palácio do Planalto, usado pelos assessores do presidente na CPI em tom de ameaça e vazado pelos petistas como estratégia de intimidação, contém informações consideradas sigilosas e iguais às que o governo Lula briga para manter longe dos olhos da opinião pública. De um universo de gastos de 408 milhões de reais, os funcionários do Planalto pinçaram 295 transações em três anos, num total de 612.000 reais. A ex-primeira-dama Ruth Cardoso é mencionada 23 vezes como beneficiária de despesas com locação de carros, hospedagem em hotéis, compra de ingressos para peças de teatro no exterior e até como ordenadora da compra de um porta-retratos, no valor de 100 dólares, para presentear um oficial da Colômbia designado para acompanhá-la durante visita ao país. Gastos com vinhos importados, champanhes franceses, carnes raras e até caviar foram compilados da documentação armazenada na Presidência da República e reproduzidos no dossiê. O levantamento tem o objetivo de mostrar que a equipe do presidente Lula não inovou ao usar as contas tipo B e os cartões corporativos para bancar despesas exóticas. Seus autores chegam a insinuar que dinheiro público usado para a compra de garrafas de champanhe teria sido desviado para a campanha eleitoral que reelegeu FHC em 1998.

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Foto: Nilton Fukuda/AE
O ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira é personagem oculto de uma nota publicada nos jornais por meio da qual o governo pretendia mandar recados à oposição: ele diz que viajou a trabalho

Produzido com base em dados disponíveis na Secretaria de Controle Interno da Presidência da República, órgão responsável pela fiscalização dos gastos palacianos e subordinado à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, o dossiê começou a circular parcialmente pelo Congresso Nacional em meados do mês passado, logo após o deputado Carlos Sampaio, do PSDB de São Paulo, anunciar que tinha em mãos as assinaturas suficientes para a criação da CPI dos Cartões. Os tucanos dizem ter tomado conhecimento da existência do documento apenas na semana passada, embora admitam que muitas das informações contidas nele já vinham sendo divulgadas de maneira cifrada.

Foi dentro desse clima de intimidação que a CPI dos Cartões foi criada e começou a funcionar. Um fato: o discurso oposicionista que levou à instalação da comissão foi se abrandando à medida que o governo mandava sinais de que tinha munição contra políticos que integraram o governo FHC. No início de fevereiro, em um acordo de bastidores que acabou se tornando público, emissários do PSDB e do PT combinaram que a CPI seria instalada, mas pouparia os gastos pessoais de Lula, FHC e seus familiares e também dos principais dirigentes dos dois partidos. O acerto previu também a divisão dos principais cargos da comissão. A senadora tucana Marisa Serrano, com o aval dos petistas, ficou com a presidência e o deputado petista Luiz Sérgio, com o aval dos tucanos, garantiu a relatoria.

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Foto: Bruno Miranda/Folha Imagem
Os gastos da ex-primeira-dama Ruth Cardoso aparecem em destaque no dossiê. São 23 referências a despesas com aluguel de veículos, hospedagem, bilhetes para peças de teatro no exterior e presente oficial

A disputa subterrânea entre PT e PSDB pela abrangência das investigações, no entanto, continuou intensa, com parlamentares da oposição ameaçando não cumprir o acordo. Críticas às dificuldades criadas pelo governo para investigar passaram a ser imediatamente respondidas por petistas que invocavam a divulgação das contas tipo B. A guerra nos bastidores ganhou, por fim, as páginas dos jornais. Algumas notas publicadas apresentam uma incrível simetria com as informações do dossiê produzido dentro do Planalto. Uma delas informou, em 15 de fevereiro, que o governo armazenava dados sobre gastos na gestão de FHC. Dizia também que um ministro tucano costumava passar os fins de semana no Rio de Janeiro e que sua fatura incluía a hospedagem em um hotel de luxo. A nota terminava reproduzindo a declaração de um líder do governo no Congresso, mantido sob anonimato. "Se abrir esse baú, a Matilde (ex-ministra que perdeu o cargo por fazer compras em um free shop com o cartão do governo) vira uma freira franciscana." Analisando o dossiê, descobre-se que o ministro em questão pode ser Aloysio Nunes Ferreira, que ocupou a Pasta da Justiça durante o governo de FHC. No dia 17 de maio de 2001, ele ficou hospedado no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A fatura custou 1.231 reais, segundo o dossiê. "Essa concepção detetivesca é vil. Estive no Rio a trabalho e, de fato, fiquei hospedado no Copacabana Palace. Se havia alguma irregularidade, em vez de produzir um dossiê, o governo deveria ter encaminhado o caso para o Ministério Público", afirma Nunes Ferreira.

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A nota relata que o petista Pepe Vargas quer investigar os gastos com a compra de vinhos durante o governo FHC. Coincidência: o dossiê fala de vinhos

Em entrevista a VEJA, o ex-presidente Fernando Henrique disse que já sabia que as contas de seu governo vinham sendo bisbilhotadas no Palácio do Planalto, mas que só foi informado da existência do dossiê na semana passada, ainda assim por comentários de alguns aliados. "Isso é um absurdo. É uma chantagem feita a partir do Palácio do Planalto. Uma tentativa de intimidar e de desmoralizar que eu nunca vi em um regime democrático", afirma Fernando Henrique. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, também se mostrou indignado com a produção do dossiê oficial. "Informações sobre as contas do governo passado circulavam no Congresso na base da fumaça. Era uma coisa nojenta, chantagista, mas nunca imaginamos que chegariam ao ponto de produzir um dossiê com base em dados que o próprio governo considera secretos", diz Virgílio. Em nota, a Casa Civil informa que os gastos da Presidência são sistematicamente auditados pela Secretaria de Controle Interno e que as eventuais irregularidades são sanadas e encaminhadas ao Tribunal de Contas da União.


Nabor Goulart/AE
Dilma Rousseff, da Casa Civil, informou que os gastos da Presidência são auditados, inclusive os do governo passado

A produção de dossiês para intimidar e chantagear adversários políticos não é uma novidade na política brasileira, muito menos em sua fração petista. Na última eleição presidencial, um membro do comitê de campanha do presidente Lula foi preso tentando comprar um dossiê fajuto com o qual o PT pretendia constranger José Serra, então candidato à Presidência da República. Ninguém foi punido até hoje, mas a investigação revelou que a trama foi planejada e executada com o conhecimento, a participação e o aval da cúpula de campanha do presidente Lula. No topo da cadeia de comando estava o presidente do PT, Ricardo Berzoini, que chegou a ser afastado do cargo, mas nem sequer foi indiciado pela polícia. Na ocasião, o presidente Lula reprovou a ação dos companheiros publicamente, chamando-os de "aloprados". O dossiê dos gastos guarda uma série de semelhanças com a armação da campanha eleitoral, mas tem uma grande diferença: a ação de 2006 foi executada por pessoas próximas ao presidente. A de agora foi produzida dentro do Palácio do Planalto. O que os aloprados de hoje não entendem é que, por uma questão de simetria político-jurídica, a divulgação dos gastos secretos do então presidente Fernando Henrique Cardoso implica necessariamente a divulgação dos gastos secretos do atual presidente, Lula. Popularmente, isso tem um nome: tiro pela culatra.


Dida Sampaio/AE
Lula Marques/Folha Imagem
Ricardo Berzoini chefiava a campanha de Lula quando seus subordinados foram presos comprando um dossiê contra José Serra Hamilton Lacerda, um dos "aloprados", foi filmado carregando uma mala de dinheiro, mas ainda assim negou seu envolvimento


Celso Junior/AE
Dida Sampaio/AE
Gedimar Passos foi preso com dólares e reais para comprar o dossiê contra os tucanos: ele envolveu o Planalto e, depois, disse que foi coagido Jorge Lorenzetti, conhecido como o churrasqueiro do presidente Lula, era um dos coordenadores da campanha e também da operação de 2006

3 x 4

Por Riva Moutinho



O caminhar entre o tempo e a realidade deixou marcas

Memórias que a mente não se importou em relembrar.

Um retrato 3x4 amassado e perdido entre as páginas de uma agenda antiga,

Mostra a sinceridade de uma época contida em algum recipiente secreto da alma.


Guilherme não terá aquele ano de volta

E nem as flores coloridas que enfeitavam pedidos de desculpas.

Aquele pequeno papel conta histórias

E o tráz à lucidez do chão da verdade ao qual está.


Não há como entender todas as coisas que acontecem com o mundo...

Muito menos com a gente.

Algumas coisas você entende, outras demoram um pouco mais...

Pior são aquelas que a gente nunca compreende.


No silêncio do seu quarto, ele fecha os olhos.

Um ar suave penetra seus pulmões

E assim parece sentir o que hoje já não mais existe,

Enquanto uma lágrima vagarosa percorre a face.


Em algum lugar, talvez no mesmo momento,

Outra lágrima percorre outro rosto.

De tudo o que se tornou imaginário diante de tudo o que é realidade,

Não há como medir a extensão de não entender o que já não tem mais explicação.


Guilherme decidiu viver a realidade

E descobriu que ela pode ser tão confusa quanto um sonho

Ou tão cruel quanto um pesadelo.

No fim, ninguém entende nada do que foi vivido.


Mas a vida continuará seguindo o seu rumo,

Mesmo sabendo que Guilherme ainda não entendeu aquele ano.

BH 14/03/2008

Pedofilia Made in Brazil

FONTE: Revista Carta Capital




O senador Magno Malta, do PR do Espírito Santo, finge não notar a descrença do repórter: “Em tempos de CPIs de teor meramente eleitoral, como fazer valer algo assim?” Malta se levanta, aparentemente alheio à pergunta, e cata um CD guardado numa gaveta onde se espremem cerca de 40 processos referentes a crimes de pedofilia investigados por diversas seções do Ministério Público no País. Insere o disco prateado em um notebook e, sem tirar os olhos da máquina, crispa o rosto e bota a mão na testa. “Veja isto”, murmura, certo do efeito que as imagens vão surtir.

Na tela, duas dúzias de fotografias de alta definição mostram uma menina de pouco mais de 8 anos sendo estuprada, submetida a atos libidinosos e, como assessório grotesco, obrigada a posar com um cigarro na boca e uma lata de cerveja na mão. “Agora me diga”, fala o senador, refeito pela enésima vez do choque provocado pelas fotos, “quem pode ser contra uma CPI destas?”

Malta é presidente da CPI da Pedofilia, requerida por ele em dezembro do ano passado, lida no plenário do Senado em 4 de março e, finalmente, instalada na quarta-feira passada, dia 19.

O rápido trâmite da comissão está no conteúdo do tema e, provavelmente, nas possíveis conseqüências da abordagem a ser feita pelos senadores. De fato, não há ninguém contra ela. Nem poderia. Embora seja apontado pela Interpol (a associação internacional de polícias federais) como o quarto colocado no ranking de países divulgadores de material pornográfico unicamente voltado para a pedofilia, o assunto ainda é tabu no Judiciário e nas famílias brasileiras. Trata-se, porém, de um negócio muito lucrativo. No mundo, o mercado de fotos de crianças submetidas a abusos sexuais movimenta, em média, 4 bilhões de reais por ano, segundo cálculos da Interpol.

No Brasil, quase não há estatísticas sobre o tema. O crime passou a ser combatido com mais eficácia a partir de 2000, quando os conselhos tutelares de crianças, administrados pelos municípios, se tornaram mais organizados e se espalharam pelo País.

Mesmo assim, tem sido pouco. O combate à pedofilia carece de ações governamentais específicas, treinamento e recursos, por estar basicamente concentrado no mercado de internet e na disseminação de imagens pela rede mundial de computadores. Além disso, o crime de pedofilia não é tipificado pelo Código Penal, embora previsto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), promulgado em 1990. Há uma brecha: não existe punição para quem armazena fotos de crianças abusadas, mas somente para quem as vende ou distribui. “Vamos usar a CPI para forçar uma tipificação completa e definitiva”, diz Malta.

Evangélico militante e dono de uma casa de recuperação de drogados no Espírito Santo, o senador tornou-se conhecido ainda como deputado federal, no final dos anos 1990, quando presidiu outra CPI, a do Narcotráfico, caso raro de eficiência e sucesso popular.

Em pouco menos de um ano, a comissão viabilizou a prisão de mais de uma centena de bandidos, 40 deles com base, exclusivamente, no trabalho dos deputados. Por causa disso, Malta acabou eleito senador com 900 mil dos 1,1 milhão de votos válidos, recorde absoluto em terras capixabas. É certo, portanto, que a CPI da Pedofilia poderá elevar ainda mais o cacife eleitoral dele no estado. O senador pretende repetir a fórmula da comissão anterior, baseada na divisão de trabalhos em relatorias voltadas para casos específicos e regiões de maior incidência do crime. “Uma CPI só dá certo quando se consegue conter a vaidade dos parlamentares”, afirma.

O parlamentar também pretende repetir a estratégia de trabalho conjunto com o Ministério Público e a Polícia Federal. “Vamos inverter a relação que normalmente rege as CPIs”, explica. “Nós vamos seguir as investigações e virar o braço dos procuradores e dos policiais na luta contra a pedofilia”, garante.

Para a relatoria da CPI foi escolhido o senador Demóstenes Torres (ex-PFL), promotor e ex-secretário de Segurança Pública de Goiás. Para centralizar as informações de processos de todas as unidades da federação, a comissão firmou uma parceria com a Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp). Foi por meio dessa ação conjunta que Malta reuniu informações inéditas de casos de pedofilia. Entre eles, o de K.C.Z., hoje com 12 anos, protagonista das fotos mostradas à reportagem de CartaCapital pelo senador.

Em junho de 2006, depois de ouvido o Conselho Tutelar de Divinópolis, cidade localizada a 125 quilômetros de Belo Horizonte, o Ministério Público de Minas Gerais abriu processo contra o responsável pelos abusos sexuais de K.C.Z e outras três meninas do município. O nome dele é mantido em sigilo para não atrapalhar as investigações da polícia mineira sobre uma possível rede de pedofilia da qual o acusado supostamente faz parte. Foram denunciadas ainda as mães das quatro garotas. Além de serem coniventes com a violência sofrida pelas filhas, elas recebiam dinheiro e presentes do agressor, atualmente preso.

O caso só veio à tona por conta de uma denúncia feita ao Conselho Tutelar local pela diretora da escola onde K.C.Z estudava. De acordo com o depoimento colhido pela Justiça, a professora percebeu que a menina tinha ido assistir à aula com um absorvente íntimo na calcinha. Ao ser inquirida, a criança, então com menos de 10 anos, alegou estar menstruada e demonstrou dor ao colocar a mão na vagina para evitar ser examinada.

A diretora constatou que a mãe da criança colocara o absorvente para conter um “corrimento amarelado” provocado, provavelmente, por alguma infecção de origem sexual. O agressor, V.R., 59 anos, havia separado um quarto em casa para as sessões de sevícia. Lá, ele mantinha um arsenal de máquinas fotográficas, filmadoras e fitas de vídeo de conteúdo pornográfico.

Em depoimento dado ao Conselho Tutelar, a menina K.C.Z. afirmou ter freqüentado a casa do agressor por um ano, levada por outras três amigas da mesma idade. Ela era aliciada com doces e dinheiro (no máximo, 30 reais). “Ele me disse que, antes de receber o dinheiro, eu teria que deixar ele enfiar o pênis em mim”, relatou a garota.

Na maioria das vezes, V.R. fazia sessões de fotos com as quatro meninas. Duas mantinham relações sexuais com ele, enquanto as outras duas ficavam ao lado, esperando a vez de entrar em cena. “Isso acontecia toda tarde, depois da escola”, contou K.C.Z. Os promotores constataram, mais tarde, a conivência das mães das meninas. Todas confessaram receber presentes, sobretudo aparelhos de tevê e celulares, para não denunciar V.R. à polícia. Depois que o caso se tornou público, K.C.Z. passou a ser discriminada na escola e no bairro onde morava. Por essa razão, foi levada pelo Conselho Tutelar para um abrigo em outra cidade mineira.

Para colocar a CPI em funcionamento, o ponto de partida foi a Operação Carrossel, deflagrada pela Polícia Federal, em dezembro do ano passado. Foi a maior operação policial contra pedofilia realizada no Brasil e incluiu a investigação de suspeitos de 78 outros países. Ao todo foram cumpridos 102 mandados de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal. Três suspeitos foram presos em flagrante, dois em São Paulo e um no Ceará. A PF rastreou cerca de 3,8 mil acessos de computadores à internet em conexões para a troca de material pornográfico.

Antes da Operação Carrossel, os federais haviam realizado, desde 2004, quatro operações menores para desmontar redes virtuais de pornografia infantil. Entre elas, a Operação Azahar, de fevereiro de 2006, em cooperação com a Espanha.

A ação não foi muito diferente das outras, a não ser por uma tragédia ocorrida durante a investigação. No Rio de Janeiro, o jovem V.N.P.L., de 17 anos, morreu ao se jogar da janela do quarto, no sexto andar, logo após a chegada de quatro agentes ao apartamento da família. A PF cumpria mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça. Além do jovem, estavam no apartamento o pai, a mãe e a irmã do suspeito. Não havia mandado de prisão contra nenhum deles. Enquanto um delegado e um perito vistoriavam outras partes da casa, o rapaz entrou no quarto, fechou a porta e saltou da janela. Morreu na hora.

Somente nas últimas quatro semanas, ao menos cinco denúncias de pedofilia foram constatadas pela polícia. Em um dos casos mais chocantes, um homem de 20 anos foi preso no dia 17 por molestar crianças na periferia de Brasília. Ele é acusado de abusar sexualmente de duas meninas, de 9 e 5 anos. A mãe das crianças denunciou o caso à polícia uma semana antes. Mas não foi suficiente. Após a demora na intervenção policial, ela foi até a loja onde o acusado trabalhava, agrediu-o e o imobilizou com a ajuda de um amigo. Os policiais chegaram a tempo de evitar um linchamento.

Também em Brasília, a PF prendeu em flagrante, em 7 de março, o corretor de seguros G.P.L.J., de 45 anos, dentro do Ministério do Planejamento, em Brasília. O homem, cujo nome a polícia não revelou, é acusado de difundir pornografia infantil a partir de um computador da biblioteca do ministério. A investigação do caso começou em dezembro do ano passado, após uma ligação recebida pelo Disque-Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, o chamado Disque 100.
O número de telefone é, hoje, o principal veículo de denúncia de abusos sexuais do País. Desde que foi criado, em 2003, pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, o Disque 100 contabilizou mais de 1,5 milhão de atendimentos. Ao todo, 52 mil dessas denúncias foram encaminhadas às polícias Federal e Civil dos estados. O histórico do Disque 100 reflete o envolvimento cada vez maior da sociedade contra a pedofilia. O número de atendimentos em 2007 – quase 950 mil – foi cerca de 200 vezes maior do que os 5 mil de 2003. A média do ano passado chegou a mais de 2,5 mil ligações por dia. Há ainda farto material reunido durante os trabalhos da CPI da Exploração Sexual presidida pela senadora Patrícia Saboya (PDT-CE) entre 2003 e 2004.

De acordo com o senador Malta, um dos objetivos da CPI da Pedofilia é, no decorrer das investigações, criar outro serviço, um 0800, para servir de canal com a comissão. Atualmente, o maior volume de denúncias concentra-se nas regiões Sudeste e Nordeste, com 17% cada. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos conseguiu categorizar 44 mil das 54 mil denúncias feitas nos últimos cinco anos. Abuso sexual ficou em terceiro lugar, com 18%. A denúncia mais freqüente é negligência. A pornografia teve 393 registros, ou 0,58% dos casos.

Um levantamento feito pela prefeitura do Rio de Janeiro, em 2007, revela que ao menos 223 crianças e adolescentes foram exploradas sexualmente por quadrilhas em 30 pontos da cidade, segundo mapeamento feito em outubro pela Secretaria Municipal de Assistência Social. Os programas, feitos por crianças de 10 a 17 anos, custavam 2 reais em algumas localidades. Às crianças os aliciadores pagaram, geralmente, 50 centavos por programa.

No Rio, o empresário Pedro Alves Bezerra, de 52 anos, foi preso por suspeita de seqüestrar crianças na porta de escolas para molestá-las dentro do carro. A Justiça decretou a prisão preventiva de Bezerra depois de ele ter sido reconhecido por uma das vítimas, uma menina de 11 anos. No momento da prisão, o empresário estava em casa com a mulher e os três filhos – dois meninos de 5 e 2 anos, e uma menina de 9 meses.

Na terça-feira 18, os delegados federais Adalton de Almeida Martins e Carlos Eduardo Sobral estiveram reunidos no gabinete do presidente da CPI da Pedofilia. Eles fazem parte da Unidade de Repressão a Crimes Cibernéticos da Polícia Federal, embrião de uma divisão ainda a ser criada dentro da corporação, mas com um histórico razoável de realizações desde 2005, quando se deflagrou a primeira operação antipedofilia do País, a Anjo da Guarda. Com o auxílio da dupla de federais, a comissão pretende traçar um mapa da pedofilia no Brasil antes de começar a trabalhar de fato. Em troca, os delegados sonham com uma legislação mais precisa e menos burocracia durante as investigações.

Atualmente, a PF tem tecnologia de ponta e pessoal especializado para investigar, rastrear e chegar aos computadores em que se distribuem e comercializam fotos feitas por pedófilos no País. O problema é convencer as empresas de telefonia a colaborar na localização dos usuários das máquinas rastreadas. Como a legislação a respeito é difusa, a maioria das telefônicas exige um mandado judicial para abrir a informação, o que nem sempre acontece em tempo hábil.

“Isso é um exagero, porque estamos investigando a localização de máquinas, não as pessoas”, explica o delegado Adalton Martins. Segundo ele, só uma fase posterior da investigação poderá determinar quem é o responsável pela manipulação de imagens no computador rastreado. “Normalmente, se esse processo demora, perdemos o rastro do pedófilo”, lamenta.

O histórico da legislação sobre crimes sexuais contra crianças e adolescentes é bastante confuso. Até 2003, o Estatuto da Criança e do Adolescente tipificava como crime apenas a publicação de pornografia infantil, sem citar a divulgação das fotos e vídeos. Por uma razão simples. Quando o ECA foi criado, em 1990, a internet ainda não se tornara um fenômeno de massas. A Lei 10.764, de 2003, alterou o Estatuto e tornou mais rígida a punição para quem se beneficia financeiramente da pedofilia. A pena passou a ser de três a oito anos de reclusão, em vez de dois a seis anos. A lei também tipificou como crime “assegurar, por qualquer meio, o acesso na internet de fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente”.

Mas uma nova dificuldade na luta contra a pedofilia surgiu nos últimos quatro anos, com a popularização do site de relacionamento Orkut. Lá, muitos aproveitavam o anonimato da rede para trocar arquivos. A empresa Google, mantenedora do Orkut, não repassava ao Ministério Público e à Polícia Federal os arquivos e dados sigilosos sob a justificativa de que a filial brasileira não tem controle das informações, armazenadas na sede americana. O Orkut tem 20 milhões de usuários brasileiros ativos e mais de 1,5 bilhão de páginas do site são acessadas diariamente

Em setembro de 2007, após pressão do MP, a Google anunciou a criação de um departamento jurídico no País para funcionar como ponte entre a filial brasileira e a matriz. A empresa também firmou parcerias com organizações não-governamentais para identificar casos de pedofilia nas páginas do Orkut. Atualmente, as ONGs conseguem, por meio de uma senha, tirar da internet páginas suspeitas em até 24 horas. As páginas denunciadas são arquivadas como provas por 90 dias. Mas o problema central continua. “Não conseguimos identificar os autores dos perfis e das comunidades porque não temos os dados da sede americana”, diz o delegado Carlos Eduardo Sobral. “Não adianta apenas tirar a página do ar.”

Outro impasse da rede virtual está relacionado a arquivos baixados ou trocados por meio de programas com origem estrangeira, como acontece, aliás, com a maioria dos softwares de compartilhamento. Em 10 de março, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que cabe à Justiça estadual julgar ação sobre a divulgação de pornografia infantil por meios digitais quando ela é feita dentro do País. A nova jurisprudência vale inclusive para arquivos obtidos por programas estrangeiros. E pode representar mais um avanço no combate a esse tipo de crime.

Mesmo sem CPMF, arrecadação sobe em fevereiro

FONTE: Revista Época

A arrecadação de impostos federais bateu novo recorde para o mês de fevereiro. A Receita Federal contabilizou R$ 48,1 bilhões no mês passado, e isso aconteceu no primeiro mês sem receita de CPMF. O crescimento real (descontada a inflação) foi de 10,23% em relação a fevereiro de 2007, cerca de o dobro do crescimento previsto para o PIB em 2007.

A CPMF deixou de existir na virada do ano, mas a Receita continuou a receber repasses em janeiro, ligados a movimentações bancárias de dezembro.

Somando janeiro e fevereiro, a arrecadação de impostos federais chegou a R$ 111 bilhões, 15,6% mais que no mesmo período do ano anterior. O secretário da Receita, Jorge Rachid, disse que esse ritmo deve se repetir nos próximos meses.

Dos R$ 4,46 bilhões arrecadados a mais no último mês, R$ 1,05 bilhão se deve à diferença no IOF, que teve aumento das alíquotas após o fim da CPMF. A receita extra com o IOF supera até a arrecadação com o antigo imposto em cerca de 200 milhões.

Rachid disse que o aumento da receita se deve à crescente lucratividade das empresas, mas quem pagou mais imposto mesmo foram as pessoas, 41,5% a mais em imposto de renda.

A receita da Previdência subiu ainda mais que a média dos impostos, No primeiro bimestre, ela bateu e, R$ 27 bilhões, aumento de 24,5%.

19 março 2008

Cafetina brasileira presa nos EUA era a preferida de sete políticos e um magistrado aposentado em Brasília

por Jorge Serrão

FONTE: Alerta Total

Exclusivo - O modelinho escultural da capixaba Andréia Dias Schwartz, de 31 anos, não fez sucesso apenas nos EUA, onde escândalos sexuais derrubam políticos corruptos. Antes de brilhar na prostituição de luxo em Nova York, com seu corpinho de 1m 62cm, 50 quilogramas bem distribuídos e peitinhos turbinados por silicone, Andréia teve envolvimento com pelo menos sete personalidades do alto escalão do Congresso brasileiro, nas festinhas de embalo que costumavam promover.

Além dos agora preocupados senadores e deputados, um magistrado aposentado, com fama de garanhão, foi um dos clientes vip de Andréia – que agora pode voltar ao Brasil e complicar a vida daqueles que pagaram caro para levá-la para cama. Lá fora, Andréia ajudou a Justiça a derrubar o governador de Nova York, Eliot Spizer – que torrou milhares de dólares em orgias com prostitutas. Agora, seu estrago pode ser aqui dentro. O Caso Andréia já circulava ontem, à boca muito pequena, no infernal corredor de fofocas do Congresso Nacional. A ordem é abafar a estória.

Aqueles que experimentaram os prazeres carnais com a profissional Andréia agora estão apavorados que ela seja deportada dos Estados Unidos, e os procure para “obter ajuda”. Andréia foi reconhecida como uma das freqüentadoras de grandes festinhas de embalo em Brasília, nos anos de 2004. A garota de programa ganhou tanto destaque que “conquistou” o incentivo e o patrocínio de seus “clientes políticos” vips para seguir carreira na América, onde chegou a virar cafetina (agenciadora de programas sexuais). Antes, Andréia já tinha atuado na Itália.

Na Ilha da Fantasia, comenta-se que Andréia é cria da famosa Jeany Mary Córner. A agora “desaparecida empresária" agenciou garotas de programa para políticos com recursos providenciados pelas empresas MultiAction, DNA e SMP&B, do publicitário Marcos Valério, um dos pivôs do escândalo do Mensalão, processado pelo Supremo Tribunal Federal. Só falta agora o caso Andréia parar no processo do mensalão. Mas não vai. Tudo será abafado. E, se fosse, a ética das prostitutas garante o sigilo total sobre tudo que fazem.

Natural de Vila Velha, no Espírito Santo, Andréia Schwartz está deprimida em uma cela solitária no presídio federal de Bergen County, do Departamento de Imigração dos EUA, em Nova Jersey. Sua deportação pode demorar. Robert Morgenthau, procurador-geral de Manhattan, deseja a colaboração dela para novas revelações bombásticas contra políticos. Andréia teria ganho US$ 100 mil em cinco anos como cafetina. O valor é negado pela família dela.

Andréia já avisou que se recusa a prestar mais esclarecimentos nos EUA. Só pensa em voltar para o Brasil. No entanto, seus clientes vips brasileiros preferem Andréia lá fora ou em outro País. O melhor lugar para ela é bem longe deles, de preferência.

A garota já trabalhou para o Emperors Club VIP. Após deixar a agência, Andréia fundou seu próprio bordel em seu luxuoso apartamento, na West 58th Street, esquina com Sexta Avenida, um dos pontos mais caros de New York City. A brasileira tinha entre seus clientes Wayne Pace, chefe financeiro da Time Warner. A permanência na prostituição levou à prisão de Andréia em 2 de junho de 2006, até sua condenação em 4 de fevereiro passado. A prostituição é crime nos Estados Unidos, com pena de um ano de prisão.

Ameaça nunca cumprida

Em agosto de 2005, Jeany teria oferecido no câmbio negro da Ilha da Fantasia R$ 2 milhões para entregar sua famosa listinha de clientes vip.

Na época, Jeany guardava agendas com nomes reais dos clientes, sem cifras ou códigos.
Ao lado, o nome da garota que cumpriu a tarefa e o valor.

Não se sabe se alguma alma caridosa comprou a explosiva agenda de Jeany – para jamais divulgá-la.

Festinhas famosas

Conta a lenda que as festinhas promovidas por Jeany Mary Corner eram regadas a muitas doses de uísque e acabavam em sexo grupal.

O cachê das prostitutas variaria entre R$ 400 e R$ 600 por quatro horas de trabalho.

A agora famosa Andréia seria uma das meninas que brilhava na disputada lista de Jeany.

Farra nos EUA

Nos States, Andréia trabalhou para o Emperors Club VIP - que mostrava fotos dos corpos das acompanhantes, com seus rostos escondidos e os preços dos programas de cada uma, em um site na internet.

A cotação das mulheres dependia da avaliação no site (de um a sete diamantes).

O programa de uma hora (com as garotas mais caras) custava US$ 5.500 (cerca de R$ 9.258).

Ceguinho espada...

O novo governador de Nova York, David Paterson, empossado na segunda-feira após a renúncia de seu antecessor Eliot Spitzer por envolvimento com uma rede de prostituição, admitiu ter tido um caso extraconjugal.

Além de ser o primeiro negro a governar Nova York, Paterson é o primeiro político considerado legalmente cego a assumir o cargo de governador nos EUA.

Paterson revelou que tanto ele quanto sua mulher, Michelle, tiveram relações fora do casamento muitos anos atrás durante uma fase difícil que viveram no relacionamento.

O governador e a primeira dama aceitaram falar publicamente sobre seu relacionamento para deter os rumores sobre a vida pessoal de Paterson.

18 março 2008

O JARDIM DE LINHAS-ARES

Por Riva Moutinho


Enciumada com o sucesso que o Leão fazia na Floresta, uma Cobra decidiu ter o seu próprio jardim para conseguir assim, desfrutar de popularidade, poder e status.

Arrastando-se pela densa Floresta encontrou um riacho próximo a várias plantas e flores e percebeu que ali seria um ótimo lugar para implantar seu jardim dado o fascínio que tal beleza causava nos animais da região. Diante de um espelho quebrado, reparou que existiam dois grandes problemas a serem solucionados: um seria sua aparência e o outro sua fama. Decidiu então mudar seu jeito de se arrastar pelo chão, a todo instante se lavava no riacho a fim de se manter apresentável e, por fim, buscou ser mais amável com os demais bichos que viviam naquela região.

Verdade é que todos os outros animais estranharam muito a atitude daquela Cobra, mas com o passar do tempo muitos foram acreditando nela e, a cada dia, ela gastava mais do seu tempo dando conselhos e fingindo se importar pela vida dos outros bichos.

Por se arrastar pelo chão criando várias linhas suaves que mais pareciam estarem escritas nos ares, a Cobra foi apelidada de Linhas-Ares. Ela gostou tanto do nome e da fama que tinha adquirido que queria mais. Para isso desenvolveu um plano minucioso buscando tornar-se conhecida em outras comunidades da Floresta, mas para isso precisaria fazer “boas” amizades antes. Assim, foi a casa da Raposa e, jurando fidelidade a ela, conseguiu a garantia de participar de um ciclo seleto de amizades; animais que tinha em comum o desejo de poder e status. Em pouco tempo passou a conhecer outros bichos-líderes de outras comunidades dali e, com isso, sua fama foi expandindo por toda aquela Floresta.

Cada dia mais vivendo de aparência, Linhas-Ares, era bajulada por todos os lados, crescendo seu jardim para todos os lados da Floresta. O problema era que apesar da grande popularidade e do status que já possuía, ainda estava longe de ser como o Leão e o seu Reino. Então estabeleceu um nome idêntico para seu jardim, ao que tinha lido nos Escritos do Leão, a fim de parecer o máximo possível com ele. Chegava até a usar o nome do Leão em suas palestrar, com o objetivo de parecerem amigos.

Não demorou muito para surgirem bichos que começaram a questionar certas atitudes de Linhas-Ares: “Percebam gente, essa Cobra só quer que a bajulemos. Será que ninguém percebe que isto é apenas uma aparência para nos enganar?” disse o Cavalo. Quando tomou conhecimento através do seu fiel dedo-duro, o Macaco-Prego, imediatamente a Cobra se reuniu com os outros líderes daquele lado da Floresta e, assim, armaram um plano contra o Cavalo.

Sorrateiramente Linhas-Ares chegou à casa do Cavalo dizendo que gostaria de explicar certas confusões que estavam existindo com o seu nome e que sabia que alguém estava disseminando estas idéias no meio da população da Floresta.

O Cavalo se disponibilizou a conversar com a Cobra, mas a conversa durou pouco. Na primeira desatenção do Cavalo, Linhas-Ares deu um bote em seu pescoço apertando-o até morrer sufocado. Os subordinados da Cobra se encarregaram do serviço de sumir com o corpo e apagar qualquer evidência.

Na reunião do dia seguinte, Linhas-Ares, disse que o Cavalo tinha sido excluído do jardim, pois tinha sido pego inventando mentiras e subornando testemunhas para que elas afirmassem, como verídica, a história que ele contava. E a bicharada acreditou, passando a olhar com desdém a todos que possuíam pensamentos semelhantes aos do Cavalo.

Num belo dia enquanto Linhas-Ares planejava sozinho maneiras de como expandir ainda mais o seu jardim, o Leão foi visitá-lo. Ao vê-lo a Cobra tremeu seu chocalho. “Pare já com isso. Você sabe que este barulho não me assusta e que qualquer tentativa sua será pior pra você.” Disse o Leão. “O que você quer?” perguntou a Cobra. “De você absolutamente nada. Só vim lhe dizer que sei o que tens feito por aqui enganando a tantos e ainda se filiando a certos animais dos quais se escondem deste lado, pois sabem que perto de mim, nunca conseguiriam atingir seus planos malévolos.” Revelava o Leão com olhar fixo. “As coisas hoje não são como eram antigamente. Tenho muitos bichos influentes e você sabe que não conseguirá lutar contra todos.” Ameaçou a Cobra. “Sei de onde vens e para onde vais” retrucou o Leão “E sei que o nome de vocês é Legião e você sabe que no Grande Dia todos vocês estarão sob os meus pés.” Finalizou já saindo lentamente.

“Nunca. Jamais. Eu sou o que sou e serei mais” gritava Linhas-Ares “Meu jardim crescerá e minha fama expandirá e mais animais virão para cá para ouvir meus conselhos” Gritava, ainda, mais alto.

Da bicharada que notou algo diferente ninguém quis comentar. Dos que viram o acontecido, todos preferiram dizer que o Leão estava com ciúmes dado ao grande crescimento do jardim de Linhas-Ares.

No entanto cada dia vivido é menos um dia para o Grande Dia. E apesar de vários avisos, por diversos meios, milhares vão se submetendo, como cegos que não enxergam nada adiante, aos delírios da peçonha Linhas-Ares e de tantos outros líderes iguais ou piores do que ela.

BH 17/03/2008

17 março 2008

Record não gosta do "ataque" da Globo aos evangélicos













FONTE: Folha Online

Programa da Record volta a atacar Globo por preconceito contra evangélicos

A Record voltou a criticar a Rede Globo neste domingo em sua programação jornalística. No "Domingo Espetacular", apresentado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim e levado ao ar na noite de hoje, a emissora citou reportagem publicada nesta semana pela revista "Veja" sobre a polêmica gerada pela novela "Duas Caras", da Globo.

Segundo a reportagem da Record, apresentada no fim do programa, os evangélicos são retratados como fanáticos na novela global, tendo sua imagem ligada a cenas de "violência, intolerância e preconceito". "As cenas foram consideradas chocantes", afirmou o programa da rede Record.

A reportagem ouviu líderes religiosos evangélicos e da comunidade judaica, que também criticaram as cenas apresentadas na novela "Duas Caras". Também entrevistou especialistas em comunicação e em telenovelas que fizeram coro ao discurso crítico com relação ao conteúdo da novela.

A Record apresentou, ao final da reportagem, uma nota atribuída à TV Globo, em que a emissora carioca afirma que a novela pretende justamente questionar o preconceito, e não incentivá-lo.

A emissora de Edir Macedo também apresentou trechos do blog de Agnaldo Silva, autor da novela, em que o novelista comenta a mesma reportagem da revista "Veja".

No blog, Silva escreve não ter nenhum tipo de preconceito contra cristãos e que, inclusive, "entregou sua vida aos evangélicos". "Um pequeno grupo deles é que cuida de mim, do meu gato Tadeu, e de tudo o que está relacionado ao meu bem estar e ao bom funcionamento da minha casa", escreveu Silva.


Novela é ficção, chute na santa é vida real, diz executivo da Globo

Globo reagiu à reportagem da Record de ontem à noite, na qual a emissora atacou o "preconceito religioso" que a novela "Duas Caras" estaria promovendo (segundo a própria Record). Para o diretor da Central Globo de Comunicação (CGCom), Luis Erlanger, a atitude mostra como a Record é preconceituosa e confunde ficção com realidade.

"Chute na santa, campanha para acabar com as festas de São João etc., isto, sim, é coisa da vida real. O que se passa em "Duas Caras" é só uma ficção, afirmou Erlanger à Folha Online.

"O preconceito é deles (da Universal) que (automaticamente) colocam uma fanática desequilibrada como evangélica, e não o Aguinaldo Silva. Que, aliás, é um defensor de movimentos e de minorias."

A última reportagem de ontem no "Domingo Espetacular", com várias chamadas, criticou a trama de Aguinaldo Silva por ter levado ao ar uma cena na qual a personagem Edivânia (Susana Ribeiro) comandava uma tentativa de linchamento do triângulo amoroso formado pelos personagens Dália (Leona Cavali), Bernardinho (Thiago Mendonça) e Heraldo (Alexandre Slaviero). A Globo foi acusada abertamente de incitar o preconceito contra evangélicos. Há um detalhe: em nenhum momento a novela usou a palavra "evangélico", embora seja óbvio que Edivânia pertença à corrente.

No entanto, a reportagem da Record não citou que a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), dona da emissora, tem histórico de ataques outras religiões, como o candomblé e o espiritismo, além da Igreja Católica.

Um dos principais best-sellers do dono da Record e líder da Iurd, bispo Edir Macedo, é o livro "Orixás, Caboclos e Guias - Deuses ou Demônios?". A obra diz que umbanda, candomblé, quimbanda e kardecismo são os "principais canais de atuação dos demônios, principalmente em nossa pátria".

O livro foi tirado de circulação em 2005 pela Justiça, a pedido da Procuradoria Geral da República, acusado de intolerância para com as religiões afro-descendentes.

Em entrevista à Folha Online, o promotor Almiro Sena Soares Filho, da Promotoria de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa do Ministério Público Estadual da Bahia, afirma que, em Salvador, já houve casos de agressões de fiéis evangélicos a terreiros de candomblé.

Mas, segundo o promotor, os evangélicos também sofrem com a intolerância. "Tem gente que diz que evangélicos são otários e que os pastores são estelionatários. A gravidade é a mesma e esse preconceito é absurdo. Há gente boa e ruim em todas as religiões", afirma.

Para Soares Filho, a única saída para o conflito é a convivência harmoniosa entre as religiões. "Todas as religiões devem ser respeitadas".

A Folha Online procurou a Record, para comentar o caso. A emissora ainda não se pronunciou sobre o assunto.

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A Globo não poderia ter dado melhor resposta. Nada como relembrar as sandices passadas do Edir Macedo e sua gangue religiosa.

Sem dúvida, depois do lançamento da Record News e do claro apoio do Desgovernado Lula e de sua gangue política ao chefão da Universal do Reino, a Rede Globo não deixaria barato.

Interessante é observamos que é sempre um sujo falando do outro mal lavado.

Vamos pegar a pipoca e assistir a mais essas babaquices irônicas entre a estúpida moral e os inflados egos.
Riva Moutinho

O Deus, a Bola e a Mentira

FONTE: Revista Carta Capital

Fé e futebol. Deus e a bola. Há quem aposte que, no país onde menos de 7% dos habitantes se declaram ateus e onde a peleja nos gramados é saudada como a “paixão nacional”, a união dessas duas crenças é suficiente para entorpecer todas as mentes. É esta, ao menos, a certeza dos fundadores da Igreja Renascer, Estevam e Sônia Hernandes.

Condenados pela Justiça dos Estados Unidos por uma falta para lá de terrena (ter tentado entrar no país com dólares não declarados) e alvos de processos no Brasil por “pecados” bem maiores, os pregadores valem-se da confiança dos fiéis e do apoio, por enquanto incondicional, do meia Kaká, titular do Milan e da seleção brasileira, para atacar quem se atreva a questionar os propósitos de seu ministério. Ou, simplesmente, como é o caso de CartaCapital, atenha-se a noticiar os percalços do pio casal. Apóstolo e bispa.

Na sexta-feira 7, advogados e assessores de imprensa da Renascer espalharam uma acusação grave contra a revista. Em nota distribuída à imprensa, a Brickmann & Associados Comunicação, com aval do escritório de Luiz Flávio Borges D’Urso, afirmou que a revista inventou uma reportagem e publicou documento falso. A nota é um espanto não só pela mentira em si, mas pelo tom agressivo e apelativo. Como é difícil defender os crimes dos fundadores da Renascer, a opção foi atacar CartaCapital e tentar angariar simpatia ao abusar da imagem do jogador. Ao título da nota, “Contra Kaká, a baixeza dos mentirosos”, seguiu-se um texto entre malandro e mal-intencionado. “CartaCapital tentou manchar a imagem de um ídolo de todos os brasileiros”, dizia um dos trechos.

Artimanha do capeta. Os serviçais da Renascer incorreram em mais uma mentira. Na edição 478, de 16 de janeiro de 2008, a revista publicou uma reportagem assinada pelo jornalista Paolo Manzo sob o título “Fé, família, dinheiro”. No texto, Manzo conta que o promotor Marcelo Mendroni, do Ministério Público de São Paulo, estava interessado em ouvir Kaká como testemunha nas ações movidas contra a igreja. Queria informações sobre as doações do atleta ao grupo religioso. Como o jogador vive em Milão, o MP preparou uma série de perguntas a ser enviada à Justiça italiana, para que Kaká fosse ouvido na cidade onde mora.

CartaCapital publicou o documento elaborado por Mendroni. Observação: o promotor não foi a fonte da reportagem. No mesmo texto, Manzo descreve também o difícil relacionamento do meia da seleção com a sogra, católica convicta.

O processo contra os fundadores da Renascer corre na primeira instância em São Paulo. Ao ver o documento de Mendroni publicado na revista, os advogados do apóstolo e da bispa quiseram saber do juiz se as perguntas do promotor haviam sido anexadas aos autos do processo.

O juiz respondeu a verdade: não havia nenhuma lista de perguntas endereçadas a Kaká nos autos. Logo, concluíram de má-fé os asseclas da igreja, CartaCapital havia publicado um documento falso. E desencadearam a infâmia.

Eis a malandragem. As perguntas ao jogador não constavam dos autos simplesmente porque Mendroni não as havia enviado ao juiz de primeira instância. Preferiu encaminhá-las, como a lei permite, diretamente ao Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), ligado ao Ministério da Justiça.

Pelos acordos internacionais, qualquer solicitação de informações ao exterior tem de obrigatoriamente passar pelo DRCI. O Ministério da Justiça não só confirmou a veracidade do documento publicado pela revista. Informou ainda que as questões já foram remetidas à Justiça italiana. Kaká terá de respondê-las, mais dia menos dia. Gostem ou não os representantes da igreja.

CartaCapital sabe que a ira dos serviçais da Renascer tem outro alvo, o promotor Mendroni, cujo exitoso trabalho vem permitindo ao MP decifrar o milagre da multiplicação das moedas da igreja. Pelos cálculos, passa de 100 milhões de reais o patrimônio amealhado por Estevam, Sônia e seu núcleo familiar. Tudo em nome da fé.

Sabemos também que havia outro motivo inconfesso. Quando solicitaram informações sobre a existência do documento publicado na revista, os advogados pediram também o relaxamento da prisão do casal expedida pela primeira instância. O pedido foi negado, de forma dura, pelo juiz. Dias depois, na terça 11, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, concedeu habeas corpus ao apóstolo e à bispa. Eles podem regressar ao Brasil assim que cumprirem a pena nos EUA. A farsa pretendia, portanto, encobrir um fato até então negativo para os investigados.

Para não restar dúvidas sobre a ação premeditada dos assessores da Renascer, reproduzimos um e-mail enviado ao jornalista Paolo Manzo por Marli Gonçalves, da Brickmann & Associados. A correspondência foi enviada poucas horas antes de a nota infame ter sido distribuída à imprensa. “Defesa é defesa”, conclui Marli, deixando claro que a assessoria agiu deliberadamente na divulgação de uma mentira.

Quem conhece Carlos Brickmann, dono da Brickmann & Associados, sabe do que ele é capaz. Basta constatar a presença significativa na sua carteira de clientes de notórios condenados pela Justiça, a começar pelos Hernandes. Certamente há quem busque seus préstimos pela disposição do assessor em praticar o jogo sujo, a aceitar tarefas que gente séria no mercado de assessoria de imprensa rejeitaria sem pestanejar. Entre outras, Carlinhos é afeito a denegrir concorrentes e adversários de seus clientes, inclusive por meio do baixo expediente de distribuição de dossiês e fofocas.

Se ele considera o dízimo que lhe é pago pela Renascer suficiente para se prestar a qualquer tipo de ignomínia, é uma opção de vida. Fique claro, porém, que CartaCapital tomará as medidas judiciais cabíveis.

Quanto ao advogado D’Urso, o que dizer? Presidente da OAB de São Paulo, causídico requisitado, D’Urso é mais um exemplo de indignação seletiva ambulante. Quando se trata de seus amigos, seus negócios e seus clientes, vale tudo. Aos inimigos, a lei. Provavelmente alguém dirá que estratégias desse tipo são comuns entre advogados. Mas, então, pergunta-se: diante de moral tão flexível, como D’Urso se arroga o papel de articulador de um movimento contra a degradação dos valores éticos da sociedade brasileira?

O que faz dele diferente daqueles contra os quais o movimento Cansei diz ter se insurgido?

15 março 2008

Os pecados do século XXI

FONTE: Revista IstoÉ


Vícios sistematizados
Opecado começou a ser sistematizado em listas desde o Antigo Testamento. A primeira delas, e a mais clássica, são os Dez Mandamentos, descritos no livro do Êxodo. Quem contraria as orientações desses preceitos (“Não furtar”, “Não desejar a mulher do próximo”, “Não levantar falso testemunho”, por exemplo) está pecando. O apóstolo Paulo, na Carta aos Gálatas (Novo Testamento), também elenca ações como fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira, discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes.

Uma das listagens mais conhecidas são os sete pecados capitais (orgulho, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça), uma classificação de vícios chamados capitais porque seriam capazes de gerar outros. Não há registro deles na Bíblia. Eles foram criados pelo teólogo e monge grego Evágrio do Ponto, no século IV, que teria escrito uma lista de oito crimes e paixões humanas. Essa doutrina foi conhecida pelo monge e teólogo João Cassiano, que a divulgou no Oriente. No século VI, o papa Gregório Magno adaptou-a para o Ocidente, reduzindo a lista para sete. A atual versão é uma organização de São Tomás de Aquino, no século XIII.

Igreja Católica quer mostrar para seus fiéis as novas faces do pecado na sociedade contemporânea. A largada foi dada pelo bispo Gianfranco Girotti, integrante da Penitenciaria Apostólica, um tribunal da Cúria Romana que trata de questões de consciência, durante uma entrevista concedida ao jornal oficial da Santa Sé, L’Osservattore Romano, após a conclusão de um curso de atualização do sacramento da confissão para sacerdotes.

Girotti avaliou que os pecados cometidos atualmente têm um impacto social, principalmente por causa da globalização. “Antes, eles tinham uma dimensão individual”, explicou. A partir dessa conclusão, ele discorreu sobre o que também é pecado a partir de agora. A manipulação genética, incluindo o uso de embriões, os danos ao meio ambiente e o uso de drogas formam essa lista. A grande preocupação são as questões que envolvem a bioética, na qual, segundo o membro da hierarquia romana, “há violações dos direitos fundamentais do ser humano, com resultados difíceis de prever e controlar”. O tráfico e o consumo de drogas aparecem como “um perigo que enfraquece a psique e obscurece a inteligência, deixando muitos jovens fora da Igreja”. Outra grande ofensa são as desigualdades sociais. Para o bispo, os católicos devem pedir perdão e fazer penitência por “alimentar uma insuportável injustiça social”. Fechando a lista de pecados, os crimes ecológicos, “que hoje despertam grande interesse”.

Para dom Pedro Stringhini, bispo auxiliar de São Paulo, a Cúria Romana está querendo fazer uma reflexão atualizada do sentido do pecado, que é uma ofensa ao ser humano. “O meio ambiente, por exemplo. Há 50 anos, quem se importava com alguém que jogava garrafas de plástico na rua?”, indaga. Stringhini lembra que o pecado social é não só estrutural, mas também individual. “A avareza, por exemplo, um dos sete pecados capitais, é também a ganância de alguns em detrimento de outros e, portanto, um pecado social”, acredita.

O professor Antônio Flávio Pierucci, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo (USP), tem linha de raciocínio diferente. O curioso desses pecados sociais, segundo ele, é que a religião é sempre a salvação do indivíduo, não da coletividade. Ou seja, para os cristãos, o pecado é individual e o arrependimento é pessoal. “Quem tem culpa do pecado social? Quem toma banho demorado peca? A pessoa precisa se confessar por causa do aquecimento global do planeta?”, argumenta. O professor suscita outra questão. Para ele, a igreja não está preocupada em refletir sobre os crimes ecológicos ou o tráfico de drogas. O ponto nevrálgico é a manipulação genética, cujo debate, tal qual no Brasil, também está movimentando a Itália. “A estrutura lógica do discurso católico é incapaz de acompanhar a abertura dos enunciados científicos, por isso ela toma essas atitudes”, considera.

Independentemente dos motivos que a impelem, a Igreja Católica sob o comando do papa Bento XVI sabe que está inserida num mundo secularizado e quer enfrentá-lo conhecendo as armas do inimigo. “Para a consciência da sociedade de hoje, o apelo ético a responsabilidades sérias pode funcionar muito mais e melhor do que insistir em vícios de conduta, como vaidade e avareza”, diz o teólogo jesuíta João Batista Libânio, autor de diversos livros sobre política eclesial romana. “E, por mais que o atual papa seja um fiel e rigoroso cumpridor das leis, ele também é um intelectual, o que o faz refletir sobre a defasagem de certas idéias e a gravidade de determinadas situações”, completa o jesuíta, que conviveu com Bento XVI durante a juventude.

Em meio à debandada de fiéis dos confessionários, Igreja Católica acrescenta à lista de faltas graves questões ligadas à manipulação genética e ao meio ambiente


DÉBORA CRIVELLARO

ANA CAROLINA FERNANDES/FOLHA IMAGEM
DESIGUALDADE Ricos cada vez mais ricos, pobres cada vez mais pobres: pecado moderno
DEVASTAÇÃO Fiéis devem pedir perdão e fazer penitência por crimes contra a natureza
GEORGE OSODI/AP
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Não foi o próprio papa quem deu essas declarações sobre os novos pecados sociais e sim um membro destacado de sua hierarquia, que dificilmente desenvolveria um discurso contrário ao do chefe supremo. Mas, num primeiro momento, é de se estranhar que o rigoroso teólogo alemão, que durante anos conduziu com mãos de ferro a Congregação para a Doutrina da Fé no pontificado de João Paulo II, voltasse ao tema da dimensão social do pecado. Esse tema foi difundido a partir da década de 70 pela igreja latino-americana, estimulada pelos teóricos da teologia da libertação que o então cardeal Joseph Ratzinger tanto criticou e combateu.

É sabido que a intenção da Igreja Católica é endurecer na exigência do cumprimento de seus preceitos para que em suas fileiras fiquem apenas os “verdadeiros cristãos”, aqueles que efetivamente seguem a religião como ela é, com todas as suas regras, ritos e imposições. Para que sobrem poucos, mas bons, e esses funcionem como fermento, fazendo-a crescer, novamente, com solidez. “Esse movimento da igreja nada mais é do que um fenômeno sociológico”, diz Libânio. “Os radicais se unem, depois deixam de ser tão radicais. Foi assim com os cristãos até o quarto século, é assim com os partidos políticos.”

O fato é que as declarações de Girotti estão inseridas num contexto de crise do sacramento da confissão. Na Itália, 60% dos católicos afirmam não se confessar da maneira clássica e convencional, com um padre ou bispo à sua frente, preferindo a conversa “pessoal e íntima com Deus”. E essa debandada dos confessionários não é privilégio italiano. “É só observar durante os domingos pela manhã, horário nobre dos católicos”, ensina dom Stringhini. “A fila da comunhão é muito maior do que a das pessoas que se confessam.”

O catolicismo não exige que seus fiéis corram às sacristias a cada pecado cometido. O recomendável é que se procure um confessor até 20 dias depois da falta cometida. Além disso, os pecados variam muito conforme sua gravidade. Há os veniais, que são considerados matéria leve, apenas uma desordem moral facilmente reparável. Há os capitais, que a experiência cristã estabeleceu como vícios de conduta. E há os mortais, considerados matéria grave, cometidos com plena consciência e deliberadamente. A estratégia para trazer o rebanho de volta é acrescentar mais itens à lista de pecados – e não amenizar os já existentes.

A confissão através dos séculos


Nos primórdios do catolicismo, as pessoas que cometiam pecados graves depois do batismo precisavam fazer a penitência pública de seus pecados, muitas vezes durante anos a fio, até receberem o perdão. No século VII, inspirados na tradição monástica do Oriente, missionários irlandeses trouxeram para a Europa a prática privada da penitência, que também acabava com a demora para se obter a absolvição, abrindo caminho para uma freqüência mais regular do sacramento. De forma geral, ele é praticado assim até hoje.

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