Featured Video

01 outubro 2007

Como se fazer tudo de firma ilegal

Por Márcio Accioly

FONTE: Alerta Total

Foi o filósofo grego, Epicuro (341a.C. - 270a.C.), quem afirmou em certo instante de gloriosa lucidez: “Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”. Com base nisso, o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), foi à luta.

E partiu para a briga com declarada intenção de pôr fim a longos anos de domínio da Rede Globo. A arenga vem de longa data e se acirrou com a exibição de reportagens na televisão dos Marinhos, mostrando Macedo ensinando a extorquir dinheiro dos fiéis e contando o vil metal com avidez em alguns cultos.

Dizem que foi em 1995 quando a Globo exibiu a minissérie “Decadência”, na qual o ator Edson Celulari interpretou pastor vigarista (cujo objetivo seria o de ficar rico por conta da ingenuidade dos crentes), que Edir Macedo tomou a decisão de derrubar o império global. E tudo indica que obterá sucesso. A Globo está nas cordas.

Existem alguns obstáculos que terão de ser superados, pois a consolidação de estratagemas não acontece sem dedicado esforço. O maior deles já colocou a ponta de fora, causando dor de cabeça em razoável intensidade.

O problema é que ao inaugurar a Record News, canal de TV aberta com notícias nas 24 horas do dia, cometeu-se irregularidade. A lei não permite que uma emissora passe a operar dois canais numa mesma cidade.

O vice-presidente institucional da Rede Globo, Evandro Guimarães, está se mexendo nos bastidores querendo dar um basta nas transmissões da nova TV. Como vivemos no país da bandidagem, onde os que têm dinheiro e poder dificilmente são apenados, vamos assistir de camarote a pendenga muito interessante.

A Rede Globo sentiu no fígado o golpe aplicado pela Record. E o mais intrigante é saber que a emissora do doutor Roberto Marinho teve o seu parto num ato também de profunda ilegalidade. Que rendeu até mesmo CPI, instalada em 30 de março de 1966.

Mas como se vivia sob um regime militar (1964-85), e a Globo era porta-voz e defensora daquilo que hoje classifica como “ditadura”, o então general Costa e Silva, que ocupava a Presidência do país (1967-69), resolveu a questão com uma só botinada.

O militar “legalizou” a TV Globo em 23 de setembro de 1968, indo contra à decisão da CPI que condenara a emissora. Foi a famosa CPI do grupo Time-Life que apurou negociata anticonstitucional à época em que Roberto Campos era embaixador do Brasil nos EUA (quando o contrato entre aquele grupo e a Globo foi assinado).

A partir daí, o regime militar desandou e o AI-5 seria baixado menos de três meses depois (13/12/68), com a emissora de Roberto Marinho apoiando com todo vigor. A onda agora está refluindo e o registro da história vai cobrando explicações.

Se a Globo teve o presidente-general Costa e Silva como seu maior padrinho, o bispo Edir Macedo teve também um padrinho presidente, Dom Luiz Inácio (PT-SP), que certamente não tinha qualquer conhecimento do que estava acontecendo.

Um decreto de 1963, da gestão João Goulart (1961-64), determina não poder haver controle de duas geradoras de TV por uma mesma empresa numa única praça. E, para resolver a questão, a Record teria de transmitir em canal pago, fechado.

A IURD não é apenas uma potência financeira com emissoras de rádio e de TV. Tem também um partido político, o PRB, controlado pelo bispo Marcelo Crivella, senador pelo Rio de Janeiro e sobrinho de Edir Macedo. Desse partido faz parte o vice-presidente da República, José Alencar.

Parece que teremos novas e emocionantes disputas nos próximos capítulos.

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More