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09 outubro 2007

CANÇÃO DO EXILADO e EXILADO

Por Riva Moutinho

CANÇÃO DO EXILADO

(uma reescrita do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias)

Minha não-terra tem Justiça

Com sabor da imparcialidade justa.

Os bandidos absolvidos aqui

Não seriam absolvidos por lá.


Nossas prisões são mais vulneráveis

Nossos Sistemas mais corruptos

Nossas impunidades impecáveis

Muito dos nossos ladrões engravatados


Em pensar, sozinho, por aí

Percebo a Justiça que faz falta por aqui

Minha não-terra tem Justiça

Que me faz chorar por esta daqui.


Na minha não-terra se cumpre as leis

Que apesar de existirem na minha terra, são manipuladas.

Em pensar, sozinho, por aí

Vejo a Justiça que faz falta por aqui.

Minha não-terra tem Justiça

Que puniria as impunidades daqui.


Permita Deus que eu morra

Com a consciência livre desta masmorra.

Mesmo que eu não veja esta Justiça

Que não encontro por aqui.

Mesmo que as palavras que expresso

Não sejam ouvidas por cá.





EXILADO

Não que os Estados Unidos sejam o The Best of World, mas para quem já tem olhos e ouvidos calejados de tanto assistir e ouvir as impunidades que nossa Justiça produz por cá; assistir e ver a Justiça fazendo justiça faz surgir uma pontinha de alegria.


Por lá e por outros lugares cantor/a, ator ou atriz, personalidades com algum tipo de poder freqüentemente tomam conta dos jornais, com o resultado de sentenças mediante a delitos ou infrações cometidas.


Mel Gibson, Mike Tyson, Naomi Campbell, Paris Hilton… estes e mais alguns já pagaram por algum tipo de crime. Por aqui, as investigações das polícias, do Ministério Público e até do Congresso Nacional, pouco ou nada valem. Se mesmo tendo provas a Justiça não se mostra justa; se o caso é uma mentira perante a lei, piorou. A Justiça no Brasil aprendeu a escolher culpados dentre os culpados apresentando apenas os bodes expiatórios, ou aprendeu a ensurdecer e, principalmente, a emudecer diante de fatos-crimes revelados.


Por lá, o casal da Igreja Renascer verá o sol nascer quadrado além de ter, depois, uma liberdade vigiada, apenas porque mentiram para os representantes do país num aeroporto.


Por aqui, Edir Macedo saiu ileso há anos atrás e até hoje permanece intocável possuindo até partido político. Por aqui um pastor-deputado planejou matar outro pastor-deputado e mesmo tendo provas – como a polícia disse – o mesmo continua legislando e caminhando livremente pelas ruas do Brasil.


Por aqui os impérios religiosos não são investigados por crimes contra o povo e com isto seus líderes acumulam fortunas e prosperam vitaliciamente.


Por aqui o Ministério Público denunciou o Esquema do Mensalão com 40 personalidades de peso da sociedade e o Superior Tribunal de Justiça aceitou as denúncias, mas vimos um escândalo, no mínimo imoral, acontecer entre os ministros do Supremo. Muitos dos denunciados neste Esquema se elegeram a cargos públicos. Adivinha de quem é a culpa por isto?


Por aqui o mesmo casal Hernandez preso por lá, teve sua organização religiosa considerada pelo Ministério Público como organização criminosa.


Por aqui, o apresentador Gugu Liberato depois de forjar uma entrevista com líderes de uma organização criminosa com atores e ameaçar pessoas, foi absolvido porque o crime prescreveu.


É assim... por aqui a Justiça se arrasta na aplicação da lei, e assim, a impunidade alimenta novos crimes e novas idéias para que novas modalidades sejam criadas.

Definitivamente, a minha não-terra tem Justiça com sabor de imparcialidade justa.


BH

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