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03 agosto 2007

Veja tudo o que Lula 'não sabia'


FONTE: Estadão

Nesta quinta, o presidente disse que não sabia da gravidade dos problemas aéreos; veja o que mais ele não sabia.

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 2, que o governo não tinha conhecimento da gravidade dos problemas no setor aéreo. Desde o seu primeiro mandato como presidente da República, Lula responde a diversos questionamentos sobre seu envolvimento com escândalos que surgiram nesse tempo dizendo que "não sabia".

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Em outubro de 2006, ao ser questionado, no programa Roda Viva, sobre o fato de se mostrar sempre "surpreendido" com os escândalos, Lula disse que "nem um presidente, nem um pai de família tem como saber de tudo". E acrescentou: "Quantas vezes você está na cozinha, acontece algo na sala, e você não fica sabendo". Veja o que mais Lula "não sabia":

Mensalão

Quando o mensalão se tornou público, em 2005, em uma de suas primeiras declarações na época, Lula afirmou que "não sabia nada" sobre o escândalo.

O mensalão - esquema de compra de votos de parlamentares que veio à tona com uma declaração do deputado federal Roberto Jefferson - fez com que José Dirceu, então ministro da Casa Civil, fosse cassado pela Câmara, acusado de comandar o mensalão.

Palocci e o caseiro Francenildo

No caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, em março de 2006, que envolveu o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci (PT-SP), o presidente novamente se mostrou vítima da situação. Palocci acabou sendo demitido por conta da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro, que afirmou ter visto o então ministro em reuniões de lobistas.

Dossiê contra tucanos

Em setembro de 2006, a poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais, Valdebran Padilha e Gedimar Passos, ambos do PT, foram presos pela Polícia Federal com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria usado para comprar um dossiê que relacionaria os candidatos do PSDB à Presidência e ao Governo de São Paulo, Geraldo Alckmin e José Serra, respectivamente, com a Máfia dos Sanguessugas. Freud Godoy, assessor especial de Lula, também foi envolvido no caso. O presidente se disse "indignado" com o caso, e atribuiu a história a "desespero de perdedores".


Vavá

Em junho deste ano, o irmão do presidente, Genival Inácio da Silva, foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência e exploração de prestígio na Operação Xeque-Mate, que investiga a exploração de caça-níqueis. A PF apresentou gravações telefônicas nas quais Vavá teria usado o nome de Lula para pedir dinheiro. Na época, Lula afirmou: "Não acredito que Vavá seja lobista. Ele está mais para ingênuo."

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De uma câmera oculta aos 40 do mensalão

Passaram-se 810 dias entre a filmagem de Maurício Marinho e a Operação Selo, período que ficou marcado por uma das mais tumultuadas crises políticas do País - o escândalo do mensalão. A câmera oculta que flagrou o então chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios recebendo R$ 3 mil de propina levou à abertura de uma CPI e culminou, em 30 de março de 2006, na denúncia da Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra 40 pessoas. Até agora, porém, ninguém foi condenado.

Sem saber que estava sendo filmado, Marinho pediu um "adiantamento" de R$ 3 mil para que o interlocutor - enviado pelo empresário Arthur Wascheck Neto - entrasse no "rol de fornecedores". Desenvolto, o funcionário dos Correios relatou que o dinheiro iria para um esquema operado pelo PTB na estatal. O achaque, revelado pela revista Veja em 14 de maio de 2005, atingiu em cheio o presidente do partido, Roberto Jefferson, à época deputado. Sentindo-se traído pelo governo, ele reagiu com uma entrevista bombástica, em 6 de junho.

Jefferson contou que o governo havia montado um esquema no Congresso e, mediante o pagamento de mesada a parlamentares, garantia a aprovação de projetos do seu interesse. Ele dizia que a filmagem havia sido feita pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), a mando do então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Virou um inimigo encarniçado e perseguiu Dirceu até 1º de dezembro de 2005, quando o petista foi cassado.

EMPRÉSTIMOS

Entre 10 de junho de 2005 e de abril de 2006, a CPI dos Correios esmiuçou os esquemas na estatal, em meio a depoimentos ruidosos. O desgaste do governo atingiu níveis crítico. O empresário mineiro Marcos Valério de Souza, acusado de operar o mensalão, revelou empréstimos milionários do PT.

O relatório final da CPI foi votado em meio a protestos de petistas. Reconhecia a existência do mensalão e pedia o indiciamento de 124 pessoas, incluindo os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken. Fazia recomendações ao Ministério Público e ao Executivo.

Uma semana depois, o procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, apresentou a sua denúncia contra 40 acusados, em um calhamaço de 136 folhas. Citou Dirceu como "chefe do organograma delituoso" e listou como integrantes da "quadrilha" três ex-dirigentes petistas: José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira.

O caso foi parar nas mãos do ministro do STF Joaquim Barbosa. Segundo a assessoria de imprensa da Corte, a denúncia começará a ser julgada no próximo dia 22, com a leitura do voto do relator. Depois, segue para o plenário, que decidirá se aceita ou não a denúncia. Na esfera política, dos 22 parlamentares acusados, só 3 foram cassados - Jefferson, Dirceu e Pedro Corrêa. Outros 4 renunciaram e 12 foram absolvidos.

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