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01 agosto 2007

Vaias Tiram Lula do Eixo: ele faz uma ameaça e diz que os ricos foram os que mais ganharam dinheiro em seu governo

FONTE: Blog Reinaldo Azevedo

Nenhum governante gosta de ser vaiado. Para Lula, deve ser um pouco pior do que para a grande maioria. E a razão é simples: ele é uma das pessoas mais vaidosas que conheço. Não aquela vaidade virtuosa, de quem tem amor próprio, o que é positivo. A de Lula é viciosa. Ele é dono do que costumo chamar de concupiscência da humildade vitoriosa. Como foi pobre um dia e hoje tem patrimônio que passa do milhão – e é também pai de milionário -, ele se considera um evento único da natureza humana. E nem isso é. Outros, muito mais pobres, já chegaram bem mais longe. E fora da política...

As vaias no Maracanã, no Rio, e em São Paulo o deixaram muito perturbado. A ponto de fazer ameaças, como se viu ontem durante discurso em Cuiabá e Campo Grande. Nos dois casos, a platéia foi rigorosamente selecionada. Para aplaudir. Num momento de rara sinceridade, Lula confessou: seu governo é particularmente generoso com os ricos. Seguem, abaixo, em vermelho, algumas de suas frases, com comentários meus, em azul.

“Se quiserem brincar com a democracia, ninguém sabe nesse país colocar mais gente na rua do que eu”
As vaias a Lula não são uma “brincadeira com a democracia”, mas uma de suas expressões. Não significam um ataque à institucionalidade. Mas ele, sim, ameaça pôr na rua os seus tonton macoutes para, então, confrontar os adversários no braço. Mais: o Apedeuta confessa que, todas as vezes em que seu partido tingiu as ruas e a Esplanada dos Ministérios de vermelho, tratava-se de uma agressão à democracia.

“Deus fez o homem perfeito, com duas orelhas, uma para ouvir as vaias e a outra pra ouvir aplausos.”
Com a diferença de que, em alguns casos, as vaias são espontâneas, e os aplausos, arranjados. Ontem, em Cuiabá, um grupo de umas 60 pessoas foi impedido de chegar ao Centro de Eventos do Pantanal. Foram barradas pela polícia a uns 300 metros de onde Lula discursaria. O grupo se intitulava “Eu também vou vaiar Lula”.

“Se alguém acha que com estupidez vai atrapalhar que a gente faça o que precisa ser feito pode tirar o cavalo da chuva”.
Durante os leilões de privatização, no governo FHC, os partidários de Lula chutavam, literalmente, o traseiro dos investidores. Era o seu modo de entender a democracia. Hoje, por causa de uma simples vaia, ele ameaça botar a sua tropa particular na rua.

“Ninguém vai me ver de cara feia por isso. Podem ficar certos meus companheiros e companheiras que ninguém vai ficar com saudade de ver o Lula na rua. Com a democracia não se brinca, o que vem depois dela é sempre muito pior.”
A democracia brasileira está em risco, e ninguém nos avisou? É verdade. Os venezuelanos, por exemplo, sabem disto: o que vem depois da democracia é sempre muito pior. Durante os oito anos de governo FHC, o PT de Lula não cansou de promover arruaças, e o então presidente jamais afirmou que a democracia estava ameaçada. É interessante esse jeito de os petistas verem o mundo: ou você os aplaude, ou eles logo vêem risco de golpe de Estado. Lula confunde a sua pantomima pessoal com a história do regime democrático brasileiro.

“Os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo. Foram os que ganharam muito dinheiro no meu governo. É só ver quanto ganharam os banqueiros, os empresários. Não conheço um deles que tem uma biografia que lhe permita sequer falar em democracia nesse país. E eu conheço muitos deles.”
Huuummm... Vejam as prestações de contas das eleições de 2006. Adivinhem para que partido os bancos deram mais dinheiro. Ou, então, as empreiteiras. Ou, genericamente, os empresários. Sim, leitor amigo, foi para o PT. Parte do que Lula diz é mesmo verdade: os banqueiros e ao menos alguns setores empresariais nunca ganharam tanto dinheiro como no “guverno populá de Sua Insolência”. O que é uma mentira clamorosa é que sejam esses a vaiá-lo. Não existem 75 mil banqueiros para lotar o Maracanã. Não há nem mesmo os seis mil que enfrentaram o frio de São Paulo.
Repararam que Lula colou os argumentos do artigo de Janio de Freitas? Com uma ligeira diferença: o jornalista, de esquerda, deve olhar com reservas o que o Apedeuta parece vender como mérito.
Trata-se, evidentemente, de uma tentativa desastrada de desqualificar os protestos com um arremedo de luta de classes, numa fala que poderia ser interpretada como a confissão de um crime político: quer dizer que os que mais ganharam no seu governo são aqueles que não têm compromisso com a democracia??? Ocorre que Lula também ganhou muito destes que agora hostiliza: a começar pelo financiamento de sua campanha à reeleição.

“A política tem um lado mesquinho, um lado pequeno. Quem perde fica dentro de casa acendendo vela, fazendo coisa para que não dê certo. Mas isso é de uma imbecilidade total. Acho um exagero a quantidade de mesquinharia que se fala numa campanha. Fui quase um gentleman na disputa com o meu adversário. Ele, que era um gentleman, virou quase que coisa louca na TV, brabo.”
É o discurso rombudo de sempre. Começa que vela pra que algo não dê certo não é coisa de católico, como é Alckmin, mas de macumbeiro. Lula conhece bem mesquinharia de campanha: em 2006, São Paulo estava sob ataque do PCC, e ele atribuiu os atentados à política de segurança de seu adversário. Também falou sobre os bandidos: disse que, provavelmente, tinham sido crianças sem assistência... Ao ser questionado sobre o superfaturamento na reforma dos aeroportos, disse que Alckmin lhe deveria ser grato por Congonhas. Grato por quê? Reformá-lo era mesmo tarefa da Infraero, uma estatal federal. Sobre a reforma, então, nem se diga, não é? Lula entende tudo sobre mesquinharia.

“Todo mundo sabe das relações que eu tenho com o PSDB na maioria dos Estados. Sou amigo de muita gente do PFL. Não consigo misturar minha relação pessoal com questão partidária, mas tem gente que não pensa assim. Essa gente fez a Marcha com Deus pela Liberdade em 64 que resultou no golpe militar, essa gente que pensa assim levou o Getúlio Vargas ao suicídio, levou João Goulart a renunciar, ficou contente com 23 anos de regime militar e está incomodada com a democracia porque a democracia pressupõe o pobre ter direito, ter Bolsa-Família, sim.”
O golpe militar resultou da desordem que João Goulart - que foi deposto, não renunciou – instaurou no palácio do governo. A Marcha da Família com Deus pela Liberdade – e contra o comunismo – tinha tanto direito de se manifestar quanto os baderneiros a favor do comunismo, contra a família e contra Deus. A diferença é que os que marcharam estavam fora do governo, e os outros, dentro. Lula e as esquerdas contem a história como quiserem, mas a democracia acabou em 1964 por falta de quem a defendesse em ambos os lados. Getúlio se suicidou porque era um suicida. E porque gente da cozinha presidencial se meteu numa conspirata. De todo modo, os que hoje vaiam Lula não têm o grau de engajamento ideológico dos que se opuseram a Getúlio ou Jango. É gente comum, que está protestando contra a corrupção e a incompetência. Ditadura benfazeja para Lula: permitiu-lhe organizar o PT e ainda lhe rende uma pensão mensal de quase R$ 5 mil. As frases abaixo, agora, foram ditas em Campo Grande.

“Uma companheira como a Dilma, que está aqui com esta cara de fada, ficou três anos e meio presa, por lutar por liberdade.”
Não. Dilma não lutava pela liberdade. Dilma lutava para instaurar uma ditadura comunista no Brasil. Na cadeia, deveria ter sido bem-tratada, coisa que não acontece, por exemplo, em Cuba, onde vige o regime que ela pretendia ajudar a implantar por aqui. Mais: a longa ditadura militar brasileira durou 21 anos, não 23, como diz Lula. A de Fidel já dura 48.

“Passei ali, tinha meia dúzia de meninos, gritando: ‘Fora, fora, fora, fora’. Alguém de vocês que tem mais idade, pelo amor de Deus, diga para eles que a eleição acabou em outubro. Acabou a eleição, e o mandato é de quatro anos. Mandem eles se prepararem para a próxima. Esta já foi”.
Anteontem, Lula prometeu uma nova surra em seus adversários em 2010. Quem antecipa o calendário eleitoral? O que teria sido deste senhor, quando na oposição, se deixasse de fazer política a cada derrota eleitoral sofrida?

“Na época da eleição, 10 pobres valem mais que um jantar com um banqueiro. Mas, depois das eleições, meio banqueiro vale mais que 10 mil pobres.”
Deve saber do que está falando, não é mesmo? Afinal, ele próprio confessou: os banqueiros estão entre aqueles que mais lucraram em seu governo. Logo, para Luiz Inácio Lula da Silva, meio banqueiro vale mais do que 10 mil pobres.

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