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05 agosto 2007

TRAGÉDIA EM CONGONHAS VÔO 3054:
Revelações bombásticas das ações do Palácio do Planalto e da mídia

No post "Sempre Mais do Mesmo" chamei a atenção para a combinação de ações entre o trio poderoso da mídia - Organizações Globo, Jornal Folha de São Paulo e Revista Veja - e o Palácio do Planalto sobre a tragédia no Aeroporto de Congonhas com o vôo TAM 3054.

A verdade dos bastidores revelam todas as ações do Governo Federal: Lula, Marco Aurélio Garcia, Dilma Rousseff, Waldir Pires. Envio de uma caixa-preta falsa para os EUA, tentativa de violação da caixa-preta "verdadeira", compra das informações privilegiadas, ameaças a TAM caso revidasse sobre a culpa pelo acidente, entrega e venda das informações privilegiadas ao trio poderoso da mídia brasileira: Rede Globo, Jornal Folha de São Paulo e Revista Veja.

Além disso, câmeras filmaram - mas ninguém mostrou - Lula e Marco Aurélio Garcia (o assessor do Governo que disse em gesto que todos se fud...) sairem rindo no Palácio do Planalto no dia que a Rede Globo transmitiu a reportagem que, teoricamente, inocentava o governo e culpava os pilotos e a TAM.

A matéria segue abaixo na íntegra:

FONTE: Alerta Total por Jorge Serrão

Tem ingredientes dignos de uma tragicomédia de comunicação a verdadeira história dos bastidores do vazamento de dados da caixa-preta e do Gravador de Dados de Vôo do trágico Air Bus 320 da TAM. Houve espionagem, compra de informações, manipulação sobre a imprensa, muito nervosismo, algumas precipitações quase criminosas, gestos obscenos que chocaram a opinião pública e até uma imagem de felicidade presidencial que foi censurada pela Rede Globo. Em nenhum momento desta história, o presidente da República pôde se passar por “apedeuta” (aquele que ignora os fatos a seu redor).

Lula soube de absolutamente tudo que se passou desde os primeiros momentos de investigação das causas do acidente até o processo de vazamento e plantação de matérias na imprensa aliada, tentando isentar seu desgoverno de culpa. As fontes da informação exclusiva do Alerta Total nesta reportagem são duas. A primeira é um brigadeiro da FAB (revoltado como a Aeronáutica quase foi enxovalhada no caso). A segunda é o alto dirigente de uma poderosa emissora de televisão – cuja rede ficou proibida de divulgar outras verdades e imagens do caso, por estar demasiadamente comprometida com o Palácio do Planalto.

As duas fontes merecem crédito. O Palácio do Planalto sabe quem são estas fontes. O Alerta Total desafia os “sabe-tudo” de lá a confrontá-los. Certamente, faltará coragem política e moral para isto. O mesmo silêncio oficial foi mantido com a denúncia do prefeito Cesar Maia de que o governo ameaçou a TAM se não embarcasse na versão do acidente que responsabilizada a companhia aérea, veiculada pelo Jornal Nacional da Rede Globo. Cesar Maia não foi desmentido por ninguém. Qual a razão para essa omissão do governo e da empresa?

O pós-acidente é um escândalo de comunicação institucional. Intermediários de um assessor de Lula compraram informações sigilosas de um corrupto funcionário da TAM, horas depois do acidente. O “investimento” em informações privilegiadas foi de apenas R$ 50 mil reais. Já o aspone do presidente, com enorme desenvoltura na área internacional, fez a segunda negociação com um funcionário da Nacional Transportation Safety Board, nos Estados Unidos. O valor do “acordo” não foi ainda descoberto. O corrupto norte-americano passou a um intermediário do Palácio do Planalto, por e-mail criptografado, todos os dados sigilosos da caixa preta e do Gravador de Dados de Vôo (FDR, na sigla em inglês) do fatal vôo 3054.

As informações vieram em inglês, na terça-feira passada, dia 31. Foram esses os dados sigilosos que o governo deixou vazar para a imprensa. Um CD ROM com tais dados também foi parar na CPI do Apagão Aéreo, onde os diálogos da cabine foram divulgados. O esquema usou intermediários para divulgar “os furos”, a fim de que nada parecesse “matéria plantada na mídia pelo Planalto”. As informações eram verdadeiras e corretas, em princípio. Não houve adulteração de dados.

O Planalto apenas manipulou o esquema e a oportunidade das divulgações. Dia 18, no Jornal Nacional da Rede Globo – o de maior audiência na televisão. No fim de semana seguinte, na revista Veja (que, mesmo de linha editorial contrária ao Planalto, também é a de maior circulação). E, finalmente, no dia 31, ao colunista Fernando Rodrigues, na Folha de S. Paulo (jornal em que vários editores-chefes e colunistas são notórios simpatizantes petistas, contrapondo-se ao oposicionista Estadão).

Na noite de 17 de julho, o presidente Lula da Silva deu sinal verde a seus assessores mais próximos e de confiança, para que usassem “de todos os meios” para que ele tivesse, rapidamente, a certeza absoluta de que no acidente, onde morreram 199 pessoas, não houve responsabilidades diretas do seu governo. O Palácio do Planalto apelou para duas fontes (bem pagas) de informação para ter segurança no processo de manipulação do noticiário que seus estrategistas promoveriam sobre o acidente da TAM que atingiu, psicologicamente, todos no prédio-sede do Poder Executivo da República.

A tática do Planalto era investir na tese de eventual culpa do piloto ou de falha no equipamento. Tudo para desviar da hipótese de “aquaplanagem” na pista molhada (sem a devida obra de grrooving) de Congonhas ou no fato objetivo de que a pista é, tecnicamente, curta demais para pousos de aeronaves do peso e porte de um Airbus. Este problema grave, “capaz de gerar acidentes com mortes em São Paulo”, foi denunciado em um relatório enviado ao presidente Lula, em 2003, pelo então ministro da Defesa, José Viegas.

Em nome da precisão jornalística, o Alerta Total desconfirma que “os dados específicos da caixa-preta e do Gravador de Dados de Vôo” tenham passado, fisicamente, pelo Palácio do Planalto, antes de enviado para perícia na Nacional Transportation Safety Board dos EUA – conforme nosso furo de reportagem de sexta-feira sugeria. Não houve passagem da caixa preta ou do FDR pelo prédio onde Lula dá expediente. Mas os seus dados, depois de apurados nos EUA, sim. A bem da verdade, não houve qualquer manipulação da caixa-preta ou do gravador de vôo pelo governo. Mas não faltou vontade para isso. Aspones do presidente Lula tiveram esta brilhante e criminosa idéia que seria percebida facilmente pelos peritos norte-americanos.

A sorte dos precipitados aspones palacianos foi que o então ministro da Defesa, Waldir Pires, foi pressionado por brigadeiros da FAB. Pires foi advertido que violar tais equipamentos seria um crime que traria repercussões internacionais negativas ao País. O conselho, quase em forma de pressão contrária, partiu de oficiais do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão que investiga a tragédia no Brasil Por isso, os “sabe-tudo” do Planalto apelaram para outros expedientes de espionagem e contra-informação, pagando caro pelo teor de documentos que interessassem ao governo.

O passo a passo da manipulação

A novela da manipulação de informações começa na noite de 17 para 18 de julho, seis horas depois da tragédia. Por volta de meia-noite e meia, Lula se reunia com amigos e assessores mais próximos. O presidente demonstrava nervosismo e bebia muita água (conforme relato de quem o acompanhava). O então ministro da Defesa, Waldir Pires lhe transmitiu a gravidade da situação. A primeira impressão era que o acidente fora causado pela pista molhada, por falta do grooving, uma obra incompleta da Infraero.

A noite foi de insônia para o presidente, que, horas depois, faria uma pequena cirurgia para a retirada de um terçol. Lula ficaria em silencio, em repouso, no Palácio da Alvorada, no dia 18. Ficou combinado que Dilma Rousseff despacharia tudo por ele, no Palácio do Planalto. O governo perdeu o timming para que o presidente desse condolências oficiais aos familiares de 199 mortos. Foi o primeiro grande erro de comunicação dos “sabe-tudo” de um governo que iniciaria, horas depois, a maior manipulação de mídia dos últimos tempos.

Doze horas depois do acidente, por volta das seis da manhã, o governo recebe uma informação “salvadora”. Alguém (se dizendo funcionário da TAM) telefonou para um alto funcionário na Infraero. O informante jurava que tinha uma bomba sobre o caso, e queria “negociar”. Às 7h da manhã, o informante anônimo negociou com um importante aspone do Planalto a valiosa informação. A “operação” custou R$ 50 mil reais. Às 14h, Lula recebeu a informação que prejudicaria a TAM e tiraria o de seu governo da reta.

Animado em ser tirado do olho do furacão, o presidente ordenou que a bomba fosse divulgada. Por volta das 15h, um intermediário da equipe de comunicação do Planalto telefona para a equipe de produção do Jornal Nacional, “dando a dica” sobre o furo. O objetivo é que William Bonner desse a notícia bomba, à noite, no JN. Se isso ocorresse, o governo estaria isento de culpa. A divulgação seria o motivo para as comemorações “top-top” de Marco Aurélio Garcia e seu assessor .

A equipe de produção do Jornal Nacional da Rede Globo correu atrás para checar a informação – que acabou confirmada. Por volta das 18h, alguém no Planalto transmitiu os mesmos dados para a Rede Globo. Mas, até às 19h, a nervosa assessoria do Planalto não tinha a certeza de que a Globo daria a matéria comprometendo a TAM – e livrando a culpa do governo, por algum problema na pista.

A Rede Globo tomou seus cuidados com a informação vinda do ambiente de poder. A emissora da Família Marinho, achando que tudo poderia ser armação, escalou três equipes com câmeras, que ficaram de plantão, diante do Palácio do Planalto, para registrar as reações por lá. Um atento cinegrafista notou um movimento mais intenso em uma das salas, cujas janelas estavam à descoberto. Quando, finalmente, William Bonner deu a notícia que interessava ao Planalto, responsabilizando a TAM, a alegria foi geral no Palácio.

Nesse instante foi captada a obscena imagem do Assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, e seu assessor de imprensa, Bruno Gaspar. A Globo reproduziu a cena que chocou o País no Jornal da Globo, no começo da madrugada. Mas a direção de jornalismo da Vênus platinada preferiu censurar outra cena ainda mais degradante. A Globo também filmou Lula e Marco Aurélio Garcia saindo sorrindo do Palácio do Planalto, no carro presidencial. A emissora não teve a coragem de veicular tal cena. Um dirigente de uma importante afiliada da Globo tem as imagens. Dois senadores também têm, e podem usá-la oportunamente.

No dia 23, vem à tona outro fato gravíssimo que a imprensa apenas registrou, mas não cobrou sua elucidação objetiva. O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, denunciou que a TAM foi pressionada a apontar possíveis falhas no avião que se acidentou em São Paulo. Cesar garante que recebeu tal denúncia de um alto dirigente da TAM. O mais grave é que Cesar Maia sequer foi contestado oficialmente. O silêncio dos culpados indica que sua denúncia era rigorosamente verdadeira – como a revelação destes bastidores, pelo Alerta Total, também nos leva a raciocinar.

Em seu ex-Blog, Cesar Maia escreveu: “Sobre a informação de um diretor da TAM acerca de um dos reversos da turbina, que foi divulgada pelo Jornal Nacional da TV Globo e que tanta polêmica gerou dando uma justificativa ao governo, posso afirmar -pois sou testemunha- que um alto personagem do governo contatou a alta direção da empresa (TAM) dizendo que ou eles davam uma boa saída ao governo, ou ele (alto personagem), garantia que baixada a poeira, o governo iria quebrar a TAM. (...)Afirmo mais: o top, top, top do senhor Marco Aurélio Garcia, não foi pela surpresa. Ele sabia que viria a matéria e simplesmente fez os gestos como se confirma uma operação. Tradução do top, top: - É isso aí. Fu.......mos, eles."

Já no caso das informações da caixa preta e do FDR a operação foi ainda mais suspeita. O Palácio do Planalto tentou mesmo obter dados da caixa preta. Queriam ter certeza se o acidente foi problema do avião ou falha humana. Mas foram desaconselhados a mexer nela por oficiais da Cenipa, que advertiram que o Brasil poderia sofrer sanções internacionais se a violação dos dados acontecesse. O conselho foi dado ao ministro Waldir Pires, que o repassou a Lula.

Só os norte-americanos tinham os sistemas para decifrar os arquivos fechados das caixas pretas - que não poderiam ser violadas. A Aeronáutica mandou para o EUA uma caixa que não pertencia àquele acidente. Tal “erro” teria sido uma manobra para ganhar tempo. O Comandante da FAB, brigadeiro Juniti Saito, foi conivente com tal operação, que revoltou parte do Alto Comando. Faltou pouco para uma rebelião dos brigadeiros. Ninguém em sã consciência engoliu, na FAB, “a suposta trapalhada” com o envio equivocado, à NTSB norte-americana, de um gravador comum de vídeo - achado pelas equipes de resgate nos destroços do avião, no prédio destruído da TAM Express – no lugar do verdadeiro gravador de dados de vôo.

Ainda na estratégia de manipular as informações que interessariam ao governo e “calar a boca da imprensa paulista” que estava pressionando o governo, um intermediário do Planalto entrou na jogada. O “divulgador” prometeu passar os dados dos diálogos da cabine para a Folha de S. Paulo. O escolhido para receber as informações seria o jornalista Fernando Rodrigues, que é um profissional de credibilidade. As conversas isentavam o governo de culpa, atribuindo-a ao piloto ou a uma falha no avião.

Só faltava a transcrição dos dados, o que não demorou. Na terça-feira passada, dia 31, o Palácio do Planalto conseguiu que um informante, dentro da Nacional Transportation Safety Board, lhes vazasse tais informações sigilosas e que eram proibidas de veiculação, por normas internacionais. O informante transmitiu, antecipadamente, por e-mail, a um intermediário do Palácio do Planalto os dados das caixas. As informações vieram em inglês. Foram estes os dados que o governo deixou vazar para a Folha, usando seus intermediários em divulgar furos, e para o Congresso (no CD ROM que chegou à governista CPI do Apagão Aéreo).

Pela informação vazada, a caixa-preta revelou que o Airbus, na aterrissagem, não conseguiu desacelerar o suficiente por causa de um erro do comandante do vôo, o piloto Kleyber Lima. As turbinas passaram a acelerar automaticamente. Os freios aerodinâmicos não foram acionados, e o freio automático dos pneus não funcionou. Além disso, pode ter relação direta com o acidente o fato de um dos reversos - equipamento que auxilia a frenagem ao inverter o fluxo de ar na turbina - do Airbus estar travado no momento do pouso. Segundo os registros, apenas o manete da turbina esquerda, que estava funcionando, foi colocado na posição de reverso máximo.

Ainda no submundo das informações jornalísticas bombásticas, o mesmo informante da TAM, que vendeu a primeira versão da estória ao governo por R$ 50 mil, também vendeu as informações à revista Veja. Não se sabe quanto a publicação lhe pagou pelo “furo” - publicado na edição da semana passada, em matéria de capa, que acabou comprada e repercutida, como rigorosamente verdadeira, por toda a imprensa, principalmente as emissoras de televisão – que mais atingem a massa da opinião pública menos informada.

Sorte do Palácio do Planalto que o porta-voz da Organização Internacional de Aviação Civil afirmou que o Brasil não será punido pela divulgação dos diálogos gravados pela caixa-preta da aeronave da TAM que se acidentou no dia 17 de julho. De acordo com a organização, embora exista uma recomendação para que a divulgação de dados não ocorra, cada país tem liberdade para definir a maneira como agir em uma situação como esta. O País segue a convenção de Chicago, que apesar de recomendar a não divulgação dos dados, não chega a proibir, em casos considerados justificáveis.

De toda essa estória, o único fato objetivo, esquecido pelo governo Lula, é que a pista escorregadia, e sem o tamanho ideal para pousos de grandes jatos em dias de chuva de Congonhas, poderia gerar um acidente com mortes. Tal advertência foi feita em 2003, oficialmente, em um dossiê do então ministro da Defesa, José Viegas, ao presidente Lula da Silva. Logo, se for avaliada a história, o governo Lula tem toda a culpa pelo resultado do acidente que era uma crônica oficial de mortes anunciadas previamente. Os governos que o antecederam têm a mesma responsabilidade.

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