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08 agosto 2007

Traficante assumiu o lugar de Pablo Escobar, diz PF

FONTE: Globo.com

O traficante colombiano Juan Carlos Ramirez-Abadía, um dos mais procurados do mundo, assumiu o lugar de Pablo Escobar, chefe do cartel de Medellín, que foi morto em 1993, de acordo com a Polícia Federal. "Ele seria hoje o maior traficante da América do Sul e até do mundo", disse Jaber Saad, superintendente da PF em São Paulo, que acompanhou as investigações que culminaram na prisão do traficante nesta terça-feira (7).

Abadía, conhecido como "Chupeta", é integrante do Cartel do Valle Norte, que se tornou o maior da Colômbia depois do desmonte dos cartéis de Cali e de Medellín, no início dos anos 80 e 90.

Ainda de acordo com a PF, o traficante mudou-se para o Brasil para lavar o dinheiro do tráfico internacional de drogas. Ele tornava o dinheiro lícito no Brasil por meio de uma rede de empresas laranjas e por meio da aquisição de imóveis e lanchas, por exemplo.

O traficante foi preso em uma casa em um condomínio de luxo em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo. Foi surpreendido enquanto dormia. Ele morava ali fazia dois anos, com a mulher, que também é colombiana. O colombiano era acompanhado pela Polícia Federal há cerca de dois anos, e os investigadores, ao perceberem que ele poderia deixar o país, resolveram agir.

"O negócio dele era ficar longe da droga e viver uma vida de milionário no Brasil, lavando dinheiro. O dinheiro das empresas era dinheiro do tráfico (de drogas)", afirmou o coordenador da operação que culminou na prisão do traficante, Fernando Francischini.

Há cerca de dois anos morando no Brasil, ele residiu em condomínios de luxo em Curitiba, no Rio Grande do Sul e em São Paulo. Em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo, ele estava havia oito meses.

Escondido no Brasil desde 2004, ele fugiu da Colômbia de navio, desembarcou na costa do Ceará e foi para São Paulo de carro.

De acordo com a Polícia Federal, o traficante não costumava sair, por isso, suas casas (todas em nome de laranjas) eram extremamente equipadas. A casa de Aldeia da Serra, por exemplo, vale mais de R$ 2 milhões, segundo a Polícia Federal. O traficante confessou à polícia que trouxe com ele US$ 16 milhões em dinheiro para viver com conforto no Brasil.

Em sua residência na Grande São Paulo, foram encontrados US$ 544 mil, 250 mil euros e R$ 55 mil, que estavam em cofres e em compartimentos sigilosos, como caixas de som. A Polícia Federal chegou a usar equipamentos de raio-x para fazer as buscas. Além de dinheiro, havia jóias e relógios de grife. A casa ainda tem uma academia de ginástica completa, televisores de plasma em todos os ambientes e, no quintal, uma piscina aquecida com sauna.

Além de tentar manter uma vida discreta, o colombiano procurava sempre "mudar de rosto". A Polícia Federal contabiliza que o traficante fez pelo menos três cirurgias plásticas enquanto morou no Brasil. Para essas operações, recebia cobertura para não ser identificado. Na casa em Aldeia da Serra, foram encontrados diversos documentos falsos.

"Ele passou por muitas cirurgias plásticas. Era impressionante como ele conseguia mudar de aparência", comentou o superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saad.

O delegado que coordenou a operação afirmou que seu patrimônio no Brasil é de "dezenas de milhões de dólares". Em nome de terceiros, ele possuía casas em condomínios de Angra dos Reis e uma lancha modelo 520 full avaliada em US$ 1 milhão.

Segundo o governo dos EUA, o traficante movimentou mais de US$ 1 bilhão nos últimos dez anos. Autoridades norte-americanas estimam que a fortuna de Abadía esteja avaliada em US$ 1,8 bilhão. O colombiano é acusado de mandar para os EUA mais de mil toneladas de cocaína nos últimos cinco anos. Também é apontado como mandante de 315 assassinatos, sendo que 300 deles teriam sido cometidos por apenas um pistoleiro.


O Esquema

A organização criminosa liderada por Juan Carlos Abadia vendia cocaína na Europa e nos Estados Unidos, onde possuía ampla rede de distribuição. O dinheiro obtido na venda era retirado dos EUA através do México, enquanto o lucro da droga distribuída aos europeus saía do continente por meio da Espanha.

Do México e da Espanha, o dinheiro era transferido para o Uruguai. Era aí que entravam em ação as empresas laranjas de Abadia no Brasil. As empresas, dos mais diferentes ramos, como comércio exterior, embarcações, e imóveis, faziam negócios no Uruguai, tornando lícito o dinheiro que entrava no Brasil.

Já dentro do país, o traficante investia em imóveis (hotéis e mansões), na indústria e na aquisição de carros.

O delegado Fernando Francischini disse que a pedido da PF, o Banco Central enviou aos investigadores mais de 140 páginas de informações sobre contas bancárias dos laranjas que serviam ao traficante. Ele não soube precisar o número correto de contas bancárias envolvidas no esquema.


Extradição

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Eros Grau está analisando pedido da Embaixada dos EUA de prisão preventiva para extradição do traficante.

Abadia é acusado de mandar para os EUA mais de mil toneladas de cocaína nos últimos cinco anos. Ele teve a prisão decretada em Nova York e está condenado a 25 anos de cadeia por tráfico internacional e assassinato.

No site do departamento de estado americano, a agência anti-drogas oferece recompensa de até US$ 5 milhões, cerca de R$ 10 milhões, por pistas que levem a Juan Carlos Ramirez-Abadia. Como a investigação que levou à prisão dele foi comandada pela Polícia Federal brasileira, o governo americano deve doar o valor da recompensa para a PF com a orientação de que o dinheiro seja usado no combate às drogas.

Fortuna Enterrada

Ramirez-Abadía amealhou uma fortuna de US$ 81 milhões (cerca de R$ 160 milhões) que estava enterrada na Colômbia. O dinheiro foi descoberto, e apreendido, pela polícia colombiana em janeiro deste ano.

Em entrevista ao G1, o diretor-geral da Polícia Nacional da Colômbia, Oscar Adolfo Naranjo Trujillo, felicitou as autoridades brasileiras e disse que "Chupeta", como o criminoso é mais conhecido, estava entre os 12 traficantes mais procurados do mundo.

"No dia 15 de janeiro deste ano apreendemos US$ 81 milhões que estavam enterrados em depósitos clandestinos. O dinheiro era uma espécie de reserva familiar de 'Chupeta'. É algo faraônico, uma reserva sem precedentes", afirmou.

Contente por ter sido informado da detenção do narcotraficante, Naranjo disse que a captura do colombiano acaba com uma "longa trajetória criminosa".

"Ele está no tráfico há mais de 20 anos. É um personagem chave no cartel de Valle Norte."

Segundo Naranjo, "Chupeta" será extraditado diretamente para os Estados Unidos, porque a ordem de captura foi emitida por uma corte de Nova York. Ao ser perguntado se não preferiria que o traficante fosse julgado na Colômbia, ele disse que "o importante é que ele seja preso".

Abadía é integrante do Cartel do Valle Norte, que se tornou o maior da Colômbia depois do desmonte dos cartéis de Cali e de Medellín, no início dos anos 80 e 90.


Operação Farrapos

A prisão de Abadia faz parte da Operação Farrapos, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal, que cumpre 17 mandados de prisão e 28 ordens de busca e apreensão para desarticular organização criminosa dedicada ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A operação cumpre diligências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Foram presas 13 pessoas, dos 17 mandados de prisão expedidos - três colombianos e 10 brasileiros.

De acordo com a PF, os traficantes colombianos transportavam droga para a Europa e os EUA. O dinheiro retornava ao Brasil, saindo da Espanha e do México e passando pelo Uruguai. No Brasil, segundo a PF, os traficantes lavavam o dinheiro por meio de investimentos em hotéis, mansões, na indústria e na compra de automóveis.

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