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02 agosto 2007

PT formaliza apoio a Marco Aurélio Garcia após gestos obscenos

FONTE: Estadão

SÃO PAULO - A Executiva Nacional do PT decidiu na última terça-feira, 31, formalizar o apoio manifestado há vários dias a Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, filmado comemorando com gestos obscenos a notícia de que o acidente da TAM em São Paulo poderia ter sido resultado de um problema na aeronave.

O assessor, que é também vice-presidente do PT, reafirmou na reunião da última terça que não teve a intenção de desrespeitar as vítimas do acidente e chegou a manifestar a interlocutores a insatisfação com o fato de alguns petistas não o terem apoiado. Na nota, o partido culpa a imprensa e diz que tem "orgulho de tê-lo entre seus quadros".


Leia a íntegra da nota de solidariedade do PT:

1. A Comissão Executiva Nacional do PT, reunida em 31 de julho, presta irrestrita solidariedade ao companheiro Marco Aurélio Garcia, 1º vice-presidente do partido;

2. Depois de manipular a opinião pública, na tentativa de culpar o governo Lula pelo trágico acidente com o avião da TAM - sem que se soubesse sequer as condições em que o desastre havia ocorrido - a mídia nacional dedicou-se ao exercício do sensacionalismo barato contra Marco Aurélio, atribuindo caráter "comemorativo" a um gesto captado clandestinamente e que, na verdade, extravasava sua indignação contra o noticiário tendencioso e parcial dos dias anteriores;

3. Nos últimos meses, Marco Aurélio tem se destacado como um dos críticos mais firmes e incisivos do comportamento da imprensa brasileira em relação governo Lula, o que talvez explique tamanha ferocidade contra ele;

4. Marco Aurélio Garcia é respeitado não só pelos petistas, mas por amplos setores culturais, intelectuais e políticos do Brasil e de vários outros países. O PT reitera o orgulho de tê-lo entre seus quadros.

São Paulo, 31 de julho de 2007
Comissão Executiva Nacional

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FONTE: Estadão

Oposição organiza protestos, diz Berzoini

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), defendeu ontem a reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vaias recebidas ao longo das últimas semanas. Nas viagens que fez ao Centro-Oeste do País, anteontem, o presidente disse que quem o vaia ''''brinca com a democracia'''' e ressaltou que ninguém leva mais pessoas às ruas do que ele. Também na terça-feira, o PT divulgou, após reunião em São Paulo, uma resolução acusando a oposição e a imprensa de se articularem contra o governo e o partido.

Berzoini não apenas endossou o discurso de Lula, como acusou a oposição de estar por trás das vaias. De acordo com ele, existem indícios claros de que os episódios foram arquitetados com o objetivo de antecipar a disputa eleitoral. ''''As manifestações de qualquer segmento da sociedade são legítimas. O que é condenável é a criação desse clima de disputa. Tudo indica que essas vaias foram preparadas'''', disse Berzoini, que anteontem deixou a reunião da Executiva do PT sem falar com a imprensa.

Segundo o parlamentar, a oposição se esforça para ''''equilibrar o jogo'''' diante da alta popularidade do presidente Lula. Ao afirmar que as vaias ocorrem em um momento inoportuno, Berzoini lembrou que parte dessas manifestações ocorreu em eventos onde Lula anunciava investimentos em saneamento e habitação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), idealizados em conjunto com governadores de todos os Estados, inclusive os de oposição. ''''Quem tenta acirrar o clima político em um momento como esse, no primeiro ano de um segundo mandato do presidente, de fato brinca com a democracia'''', disse. ''''Este deveria ser um momento ideal para um trabalho conjunto.''''

''''MINORIA DE DIREITA''''

Apesar de discordar da tese de que as vaias foram orquestradas pela oposição, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) também defendeu os discursos feitos anteontem por Lula. De acordo com ele, as vaias vieram de uma ''''minoria de direita'''', que não será capaz de promover qualquer impacto significativo no País. Por isso, segundo ele, o presidente não deveria ''''dar muita importância'''' às manifestações.

''''O governo federal, obviamente, tem de levar em consideração todos os setores da sociedade. Mas o fato é que essas vaias têm sido feitas por um pessoal atrasado, da direita conservadora. Eles têm todo o direito de fazer suas manifestações, mas eles sequer têm propostas claras para o País'''', afirmou Vaccarezza. Para ele, este é um o assunto que tem sido constantemente ''''hiperdimensionado pela imprensa''''.

RESPOSTA

Líderes de oposição reagiram tanto ao discurso, como à tese defendida pela Executiva do PT. No documento aprovado na terça, a direção petista afirmou que ''''a oposição, articulada com setores da mídia, está subindo o tom nos ataques ao governo e ao PT, tendo em vista as eleições de 2008 quanto as eleições de 2010''''. ''''A desfaçatez é tão grande que eles acabam acreditando nas mentiras que pregam por aí de forma contumaz'''', disse o líder do PSDB, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP).

Para o tucano, ''''só um governo autoritário'''' pode pensar que receberá apenas aplausos. ''''Ainda bem que no Brasil vivemos sob a égide do Estado de direito e que segmentos da sociedade podem e têm se expressado de maneira espontânea. O totalitário não aceita isso.''''

Ex-petista, o líder do PSOL na Câmara, Chico Alencar (RJ), emendou: ''''O PT, que já tinha perdido o seu programa e o eixo ético, agora perdeu totalmente a capacidade de análise de conjuntura.'''' E prosseguiu: ''''Considerar que não há crise na segurança pública, que não há crise gerada por mazelas sociais estruturais rurais e urbanas, que o problema do desemprego não existe, que a corrupção sistêmica está controlada e, por fim, considerar que nos céus do Brasil não há crise é estar fora da realidade.'''' Para ele, ''''a grande crise é de perplexidade com o próprio PT''''.

FRASES

Antonio Carlos Pannunzio (SP)
Líder do PSDB na Câmara

''''A desfaçatez é tão grande que eles acabam acreditando nas mentiras que pregam por aí de forma contumaz''''


Chico Alencar (RJ)
Líder do PSOL na Câmara

''''Considerar que não há crise na segurança pública, que não há crise gerada por mazelas sociais estruturais rurais e urbanas, que o problema do desemprego não existe, que a corrupção sistêmica está controlada e, por fim, considerar que nos céus do Brasil não há crise, é estar fora da realidade''''

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