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01 agosto 2007

Provas Complicam Deputado Investigado Por Pistolagem

FONTE: Estado de Minas


STF recebe gravação entre aliado de Mário de Oliveira e assassino, que teriam negociado execução de Carlos Willian. Polícia confirma indícios de autoria da tentativa de homicídio

Já está no Supremo Tribunal Federal (STF) o cartão de memória com a gravação dos diálogos entre o obreiro da Igreja do Evangelho Quadrangular Odair da Silva, de 44 anos, e o pistoleiro conhecido por Alemão, que teria sido contratado para matar o deputado federal Carlos Willian (PSC), a mando do também deputado Mário de Oliveira (PTC), segundo investigações da Polícia Civil de São Paulo. Foram enviados ainda, para perícia da Polícia Federal, telefones celulares e os documentos apreendidos com Odair.

A informação é do chefe dos investigadores do 7º Distrito Policial de Osasco, Geraldo Júnior, que acrescentou que estão sendo analisadas pela PF as imagens do obreiro e de Alemão, registradas pelas câmeras do Shopping Tamboré, onde Odair foi preso em flagrante, em 19 de junho. Aos policiais, ele confessou ter sido o intermediário da contratação de Alemão para assassinar Willian.

O policial confirmou que são fartas as provas materiais e os depoimentos de testemunhas que comprovam a veracidade do plano contra Willian. “Temos muito material e testemunhos que sustentam os indícios de tentativa de homicídio. Cumprimos todas as normas das investigações.” Segundo ele, há imagens do obreiro confessando espontaneamente sua participação e a do deputado Mário de Oliveira no planejamento do crime e, por isso, também a acusação de tortura não se sustenta. “Já repassamos à PF todas as informações necessárias e estamos muito próximos da verdade.”

Recuo

Apesar das provas reunidas até agora, o obreiro Odair da Silva prestou novo depoimento em 24 de julho, desta vez à Superintendência Regional da PF de Brasília, que instaurou inquérito para apurar a tentativa de homicídio por determinação do STF. Nele, volta atrás em suas declarações iniciais e indica Willian como o responsável por tudo. Com isso, sustenta a versão apresentada por Oliveira em sua defesa, desde que a trama foi descoberta, de que tudo não passa de armação.

Dizendo-se ameaçado de morte, Odair procurou a PF, e foi ouvido pelo delegado Joel Zarpellon Mazo, para dar a nova versão ao caso. Desde então, está sob proteção de Oliveira, que, em entrevista coletiva, se declarou “amigo e companheiro”, do obreiro. Odair estaria escondido no interior de Minas. Segundo ele, foi Willian quem simulou todo o plano para comprometer seu chefe, devido a um atrito ocorrido há pelo menos quatro anos. O obreiro disse que, para incriminar Oliveira, recebeu de Willian R$ 50 mil, além da promessa de ajuda, com recursos liberados pela União, para sua instituição de assistência a dependentes químicos, em São Paulo.

Máfia

Willian reagiu com indignação à nova versão de Odair, mas disse que isso é o resultado de se “deixar bandido solto”, porque possibilita a montagem de uma defesa. O deputado não poupou críticas também à juíza substituta de Osasco, Tamar Oliva de Souza, que não aceitou o pedido de decretação da prisão temporária do obreiro e também do pastor da Quadrangular Celso Braz do Nascimento, que teria pedido ajuda a Odair para o plano. A magistrada entendeu que, por envolver deputados federais, o pedido deveria ser apreciado pelo STF.

“Essa versão de que tramei tudo isso mostra que se trata de máfia. Isso porque está claro que o novo depoimento foi orientado por um advogado”, afirmou. Desde que veio a tona a tentativa de homicídio, pela primeira vez, Willian acusou o colega Oliveira de envolvimento no caso. “Incriminar-me deixa claro que isso tem a participação do pastor Oliveira, trabalhando por trás”, garantiu. Mesmo sem ler o novo depoimento, o parlamentar orientou seus advogados a estudar a possibilidade de propor uma ação de calúnia e difamação contra Odair. “Nunca vi essa pessoa. Nunca falei com ela”. Também pôs à disposição do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados e do STF seus sigilos bancário e telefônico. “Agora, mais do que nunca, defendo uma investigação ainda mais profunda.”

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