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13 agosto 2007

DONOS DE dEUS

Por Riva Moutinho

Enquanto marqueteiros-engravatados-da-religião superlotam templos e proliferam seus espaços na mídia com suas teologias da prosperidade, além de aumentarem, substancialmente, suas posses; pessoas começam a se unir em centenas de grupos pelo Brasil e pelo mundo, cansados de ouvir tanta deturpação do Evangelho de Cristo.

Em 1998, os religiosos-engravatados, “lincharam” Caio Fábio; neste ano, o bispo Robinson Cavalcanti foi julgado como culpado pelo tribunal superior do setor religioso ao qual pertence e na última semana assistimos a furiosa revolta religiosa dos “santos” da Igreja Betesda de Fortaleza contra o seu fundador, Ricardo Gondim, com direito a ajuntamento de pessoas na porta do templo com cartazes e palavras condenatórias.

Em todos esses casos e em tantos outros que não chegam a atingir algum tipo de mídia, os motivos são os mesmos: poder e dinheiro. Os engravatados-religiosos que contra tais pessoas se levantaram, se ergueram e, até hoje, se erguem na altivez de estarem defendendo o Evangelho. Mas desde quando a Palavra de um Deus soberano precisou ou precisa de defensores? Desde quando, Deus contratou promotores humanos para levarem a júri popular alguém? Desde quando, Deus instituiu juízes sobre a terra para condenar aqueles que não estariam andando conforme sua vontade? Mas afinal de contas, que raio de evangelho é este que defendem e que raio de deus é este que servem?

As aberrações de tais atos são contrárias a qualquer ensinamento de Cristo deixado a nós através da Bíblia. Basta lê-la. Mas imagine qualquer um destes barões-da-religião que são rodeados por capangas-pastorais responsáveis por disseminar suas ordens e protegê-los de líderes ou de ovelhas que se rebelem contra as insanidades pregadas como verdade, encontrando com Cristo à época: “Senhor, estes foram pegos em flagrante pecado. Devemos matá-los, conforme nos ensina a Lei” (aquela que preenche as tábuas de Moisés e as páginas do livro de Levíticos). Nos dias atuais, a morte encaixa no sentido de humilhação, expulsão do meio “santo” e subserviência para uma re-aceitação, pós pagamento no purgatório terreno da piedade farisaica.

A Palavra me mostra Cristo escrevendo na terra com os próprios dedos. Quem descreveu um padrão moral da santidade espiritual? Deus?! Onde? Não foi Jesus que indignado disse que observamos facilmente o argueiro no olho do nosso próximo, mas ignoramos a trave do nosso? Não foi Ele que transformou um assassino no maior pregador/escritor do Novo Testamento? Não foi Ele que conversou tranquilamente com uma mulher samaritana (os judeus não conversavam com os de Samaria)? Não foi Deus que disse que um homem homicida e adúltero como Davi, ainda era um homem segundo o Seu coração? Não foi Jesus que assentou numa mesa com publicanos e pecadores? Se tudo isto não está escrito no Evangelho de Cristo, me diga então qual evangelho eles seguem e qual sustentam seus dedos em riste?

Jesus falou, mas os proprietários-engravatados-dos-padrões-morais-religiosos não quiseram ouvir e dedos e pedras são frequentemente lançados como se eles fossem melhor do que outros. Mas o dinheiro do dízimo obrigatório fala mais alto, pois compram jatinhos, reproduzem jardins bíblicos no quintal de seus palácios, compram canais de rádio e televisão, criam sua própria TV a cabo, colecionam carros importados... E desta forma estabelecem seus reinos, enfeitiçando milhões de coraçãozinhos, formando uma legião de pessoas que crêem num evangelho de um NÃO-Cristo e que, comportamentos morais modificados com esforços próprios conduzem a salvação eterna.

O mundo não glorificará aqueles que pregam o EVANGELHO DE JESUS e nem tampouco deixará de persegui-los, pois assim disse Jesus: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia.” (João 15:19) Assim Paulo conclui: “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.”(Romanos 12:10)

Caio, Robinson, Ricardo e tantos outros anônimos espalhados pelo Brasil e pelo mundo ecoam a voz firme, porém simples; forte porém amável; implacável com o pecado porém impressionantemente perdoadora, do Evangelho.

Os sacro-santos-fariseus atuais tornaram-se donos de deus. Donos de um deus e de um evangelho criados por eles mesmos para alimentarem suas ganâncias, insanidades, complexos, desejos... Vivem com as máscaras da hipocrisia e da santidade fingida, necessitam serem bajulados, de período em período lançam gestos de piedade.

A morte de Jesus na cruz e sua ressurreição nos deu vida. Recebê-la e vivê-la é decisão pessoal, no entanto, a Graça de Deus é derramada indiscriminadamente a qualquer ser, em qualquer parte deste imenso planeta.

Aos fariseus-dos-tempos-modernos-com-carcaças-antiquadas, Pai, perdoa-lhes, pois mesmo sabendo o que fazem, Sua Graça lhes basta. A cada um que fala da sua Palavra com verdade, temor e amor; continue a sustentá-los e a orientá-los, em Nome de Jesus. Amém!

BH 12/08/2007

Leia a carta de Ricardo Gondim sobre o ocorrido na igreja de Betesda em Fortaleza

1 comentários:

Bom texto, mano!
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Abraço!

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