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17 agosto 2007

Após minuto de silêncio, público grita 'fora Lula' em ato do Cansei


FONTE: Globo.com

Parte do púbico presente ao ato promovido pelo Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o Cansei, na Praça da Sé, no Centro de São Paulo, nesta sexta-feira (17), protestou contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após os presentes fazerem um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente do vôo 3054 da TAM e o cantor Agnaldo Rayol cantar o hino nacional, cerca de um terço dos participantes começou a gritar. Além de “Fora Lula”, algumas pessoas xingaram e disseram palavras de ordem.

“Alguns gritaram, outros não. Cada um tem o direito de se expressar como quer. Mas o movimento não é político”, afirmou o nadador Fernando Scherer, o Xuxa. Outras personalidades também participaram do ato. A que mais chamou a atenção do público foi a cantora Ivete Sangalo. Seus seguranças tiveram bastante trabalho para conduzi-la em meio a multidão após o evento.

Em meio aos famosos e vips, os parentes das vítimas da pior tragédia da história da aviação brasileira tiveram dificuldade para encontrar um espaço no palco. A maioria ainda estava nas escadas de acesso quando hino nacional terminou.

Apesar do tormento, os parentes ouvidos pelo G1 evitaram reclamar. "Foi um ato bonito. A gente sentiu a solidariedade das pessoas. Onde eu passava, me chamavam para demonstrar carinho", contou Giancarlo Kusiak, de 21 anos, irmão de Sandro Schubert, morto no acidente. "Eu não gritei 'fora Lula'. Acho que não se deve levar pela questão política. Devem é ser corrigidos os erros que aconteceram."

Momentos antes do início do evento, voluntários e simpatizantes do movimento distribuíram adesivos com a palavra "Cansei". "Nossa intenção é alertar as pessoas que não estão entendendo o que está acontecendo. Estamos aqui porque queremos despertar as pessoas. Nossa intenção é que as passeatas não sejam só da elite, sejam do povo também", disse a estudante de administração Mariana dos Santos.

A cerimônia estava programada para acontecer dentro da catedral, mas a Arquidiocese de São Paulo vetou a idéia.

Os organizadores do Cansei, entre os quais estão a Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, insistem que o movimento não é político e dizem que o ato é uma maneira de a sociedade "expressar sua solidariedade e indignação de forma pacífica, equilibrada e organizada."

Apesar de não assumir claramente uma posição contra o governo federal, o movimento faz críticas constantes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi ironizado pelo secretário de relações internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, que disse se tratar de uma ação organizada "pela ultraprogressista classe média alta paulista."

A CUT, aliás, chegou a protocolar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) uma representação contra a participação da multinacional Philips no Cansei. Os sindicalistas alegam que, ao apoiar o movimento, a companhia descumpre uma determinação da OCDE de que as multinacionais não interfiram na política local dos países em que atuam. O presidente da Philips no Brasil, Paulo Zottolo, é um dos entusiastas do movimento e chegou a fazer anúncios declarando o apoio da empresa.


Democracia

Mesmo sendo um movimento que se apresenta como apartidário, o Cansei tem o apoio de políticos de oposição como o governador de Minas Gerais, Aécio Neves(PSDB), que ao defender que se trata de uma "manifestação legítima", aproveitou para cobrar humildade de Lula.

Para Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), as críticas são "vozes isoladas que não sabem conviver com a democracia".

Entre os textos em que os organizadores apresentam as idéias no site do movimento, as prioridades são segurança, pátria e redução de impostos. D´Urso fala em "legítima defesa da sociedade" e o advogado Ives Gandra da Silva Martins reclama das "indenizações milionárias pagas a antigos militantes de esquerda" e defende que na Ditadura Militar "não havia caos aéreo e o salário mínimo era mais digno."

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