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07 agosto 2007

... AND FORGIVE ME Por Riva Moutinho

Foto: Luis Mendonça

Gostaria de começar este texto com uma pergunta aparentemente simples: Você já perdoou alguém?

Talvez seja fácil perdoar uma pessoa que pisou, sem querer, no seu pé; ou que quebrou algo que lhe pertencia; ou que marcou de te encontrar num horário e não foi ou chegou muito atrasado; no entanto gostaria de tratar de dores mais profundas, que tenham deixado rastros na alma.

O perdão sincero não leva em conta o ato cometido por alguém contra você, mas a pessoa. Se Deus contemplasse apenas nossos atos ou a natureza má que possuímos, nada teríamos. No entanto o Pai contempla a nós como sua criação, seres que carecem da misericórdia Dele e, ao qual sem o seu perdão não conseguiriam viver.

A Palavra diz: “...mas onde abundou o pecado, superabundou a Graça.” (Rm. 5:20) Só um ser impregnado de amor por alguém poderia afirmar que independente do que se faça, o perdão já foi concedido.

Quando os escribas e fariseus se juntaram para levarem uma mulher, flagrada em adultério, perante Jesus, o que todos queriam é que se fizesse a justiça baseada na Lei Mosaica: apedrejamento. No entanto não havia justiça na Lei, pois apenas a mulher estava naquele julgamento. Cadê o homem que estava praticando o adultério com ela? Não havia amor ou perdão na Lei, uma vez que mesmo acontecendo o arrependimento da acusada, em nada adiantaria.

Interessante que a Palavra diz que “Jesus, inclinando-se escrevia na terra com o dedo.” (Jo. 8:6) Esta atitude de Jesus demonstra a importância que ele dava ao pecado. A Graça não contempla o tamanho do pecado, mas a libertação da culpa. Quando Cristo levanta um espelho em frente a cada um dos acusadores dizendo: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedras.” (Jo. 8:7), a verdade exposta na consciência de cada um não pôde ser negada. Como posso atirar uma pedra nesta mulher, se hoje mais cedo subornei um guarda para não levar uma multa? Como posso matá-la por este ato se ontem levei minha vizinha para o motel enquanto seu marido estava no trabalho? Como posso pegar numa pedra se comprei um filme pirata que nem no cinema chegou ainda?

Uma das verdades estarrecedoras do Evangelho é que não há hierarquia para o pecado, ou seja, sem essa de pecadinho e pecadão. A diferença está nas conseqüências do pecado realizado que podem ser pequenas ou até mesmo inexistentes, aparentemente, ou gigantescas. Por isso a pessoa que disse uma mentirinha pecou tanto quanto uma pessoa que assassinou alguém, no entanto ambas viverão conseqüências diferentes e ambas desfrutarão da mesma Graça.

Quando Cristo responde a mulher, após todos se retirarem, “Nem eu tampouco te condeno.” (Jo. 8:11), ele libera o perdão, a Graça que superabunda sem nenhum tipo de merecimento e os olhos fitos no coração arrependido. Assim Jesus, orienta: “vai e não peques mais”. Ora pecar é algo que está na natureza humana, ou seja, não conseguimos viver sem pecar; então, por que aquela frase?

O pecador arrependido possui plena consciência do que é e do que merece, por isso a Graça o impacta com uma força libertadora tornando-o cativo, por amor, de quem o libertou. O coração transborda e a necessidade adquirida é de propagar esta Graça e este amor.

O aparente devaneio da Graça que perdoa indiscriminadamente gera em algumas mentes a sensação da liberdade inconseqüente, onde nada é proibido, pois receberei o perdão após errar. No entanto há diferenças. Uma coisa é desfrutar da Graça sabendo que a sua sentença deveria condená-lo; outra coisa é desfrutar da Graça com oportunismo como se a Graça gerasse um ar de impunidade. Lembre-se Deus não vê como nós vemos... Ele vê nossos corações e sabe quais são nosso reais desígnios.

Aprender a perdoar é aprender a viver a Graça do Pai. O perdão incondicional de Deus a nós nos ensina, mais uma vez, que o amor cobre multidão de pecados. No mundo da não-Graça a pessoa precisa “pagar” pelo que ela fez ou não há “pagamento” suficiente que cubra o mal feito. No entanto o ensinamento de Cristo e seu Evangelho confrontam a mim comigo mesmo, todos os dias, em várias situações, em diversos lugares, com inúmeras pessoas.

E aí, vamos perdoar hoje?

BH 07/08/2007

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