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03 julho 2007

CONSELHO NOTIFICA MÁRIO DE OLIVEIRA


Foto: REPRODUÇÃO">
Nota da Jovimar simula aluguel de 14 ônibus e uma van por menos de R$ 1.500, mas empresa diz ter apenas quatro veículos
FONTE: Jornal O Tempo


Deputado federal acusado de mandar matar um colega da Câmara se apresenta hoje espontaneamente ao órgão

LUCIANE LISBOA

O deputado federal Mário de Oliveira (PSC-MG) será citado hoje pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O parlamentar não pode mais renunciar, já que, na semana passada, foi aberto um processo contra ele no órgão, para investigar sua suposta participação na elaboração de plano para matar o colega Carlos Willian (PTC-MG). O deputado é suspeito de ter encomendado o crime a um bandido paulista. No último sábado, Oliveira garantiu que irá se antecipar à convocação do conselho e deve se apresentar voluntariamente ao órgão hoje à tarde.

Assim que for citado, começa a correr o prazo de cinco sessões ordinárias (no plenário da Casa) para que o parlamentar possa apresentar sua defesa. Ontem, pela primeira vez desde que surgiram na mídia as denúncias contra ele, o deputado e presidente nacional da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ) falou a seus fiéis mineiros.

Ele fez um pronunciamento de cerca de 12 minutos, na rádio 107 FM, de Belo Horizonte, que é de propriedade da Quadrangular. No discurso, o deputado, que fez questão de frisar que não falava somente aos fiéis da IEQ, mas a todos os "crentes, membros de qualquer denominação religiosa", não negou e nem justificou as denúncias. Ele alegou estar sendo perseguido e se comparou aos "grandes homens de Deus" que, no passado, também passaram pela mesma situação.

"Através dos anos, milênios, séculos, décadas, é conhecido e sabido por todos nós que a Igreja sempre passou por períodos de tranquilidade, de paz, de serenidade. Mas houve também períodos em que a tranquilidade foi interrompida, por fatos, por momentos de perseguição. Grandes homens de Deus, na história da Igreja, no passado, foram presos, foram perseguidos, foram acuados. Mas a história também nos mostra que esses servos de Deus, de épocas modernas, épocas remotas, conseguiram, e também a Igreja conseguiu passar pelos momentos de atribulação, e continuar sendo vitoriosa", afirmou.

O deputado também disse que todos os fiéis da capital, "que o conhecem há mais de 35 anos", sabem que seu comportamento foi sempre de cautela, de discrição. "Nunca fui precipitado nas minhas ações, nas minhas palavras, nas minhas atitudes. Sempre procurei pautar o meu comportamento dentro da ética, dentro do respeito, e dentro dos padrões evangélicos daqueles que amam e servem a Deus."

Solidariedade
O deputado aproveitou seu pronunciamento na rádio evangélica para sair em defesa de outro membro da Igreja, pastor Jerônimo Onofre. O pastor é presidente da IEQ "Templo dos Anjos", em Belo Horizonte, e do Ministério Jeová-Jiré, organização não governamental (ONG) de Contagem ligada à Quadrangular. Em 2003, após dois anos de investigação do Ministério Público (MP), o pastor foi indiciado por ter participado de esquema para desvio de verbas públicas da Prefeitura de Contagem, via a ONG Jeová-Jiré.

"Vocês sabem que o pastor Jerônimo, principalmente, assim como eu e outros obreiros, nós temos sido vítimas de comentários, de perseguições, mas estamos firmes, sabendo que o Senhor está conosco. Deus está ao nosso lado nos dando a sua mão, nos guiando por caminhos seguros, e caminhos de luz. Portanto, nós conhecemos a palavra de Deus", pregou.




Jeová-Jiré bancava gasolina para os pastores da Igreja


A Escola do Ministério Jeová-Jiré abastecia uma perua Kombi alugada de um parente do pastor Jerônimo Onofre em um posto de combustível localizado em Belo Horizonte. Mas investigação do MP mostra que o recurso era destinado também ao abastecimento de veículos particulares dos pastores da Quadrangular. Em depoimento, um frentista contou que os próprios pastores emitiam as autorizações.

Em 2002, a ONG repassou exatos R$ 30.332,02 para comprar combustível. Em média, durante os quatro anos de convênio, a Jeová-Jiré recebia repasses de R$ 25 mil por mês do município de Contagem, e a direção tinha que comprovar o consumo total do dinheiro. Para isso, a empresa de Transportes Jovimar, de propriedade de Joviano Antônio de Freitas, membro da Quadrangular, teve papel fundamental. Conforme a nota fiscal de 17 de dezembro de 2001, a pequena empresa oferecia preços muito baixos.

Pelo aluguel de 14 ônibus e uma van, a entidade pagou apenas R$ 1.480. Ou seja, o aluguel saiu por apenas R$ 98,60 por veículo. Coincidência ou não, o nome da empresa aparece em todas as prestações de despesas da entidade em 2001 e 2002, mas sempre com valores mais modestos se comparados às outras contas pagas pelo convênio. Por telefone, a reportagem conversou com a mulher do proprietário da Jovimar, que revelou: "Você está precisando de 14 ônibus? Infelizmente a gente só tem quatro", explicou. (EF)




Aos fiéis, pastor cita a Bíblia para se defender


No pronunciamento na rádio evangélica 107 FM, na manhã de ontem, o pastor Mário de Oliveira (PSC-MG) optou por um discurso cauteloso, evitando qualquer ataque ou crítica ao colega de parlamento, ex-pastor Carlos Willian (PTC-MG) ou a quem quer que seja. "Quero dizer que não tenho nenhum interesse de atacar ninguém, de agredir ninguém, de falar mal de ninguém. Mas quero dizer que temos que ter cautela, porque o tempo vai mostrar a verdade", ressaltou o pastor, que preferiu a estratégia de defesa. Em seguida, como não podia faltar na fala de um religioso, Oliveira citou trechos da Bíblia para se esquivar das acusações.

"Em Daniel, capítulo 2, versículo 22, se diz: Portanto não os temais. Porque não há nada de encoberto, que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido.", recitou, para continuar: "Vocês querem uma resposta, terão uma resposta. A palavra de Deus também diz, em Mateus, capítulo 26, versículo 31: Então, Jesus disse: Todos vós esta noite vos escandalizarei em mim. Pois está escrito, ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se despertarão."

Satanás
Mário Oliveira, que nega ter mandado matar Carlos Willian e por várias vezes já argumentou ser vítima de uma armação, apelou aos fiéis para que não caiam no que denominou "desejo de Satanás", que teria como objetivo "ferir a liderança". Ele pediu a todos que se mantenham em oração por ele, "na presença de Deus", para que nenhum dos fatos surgidos possa fazê-los "descrer ou perder sua fé". "Vamos aguardar. Deus está no comando, e nós, em breve, saberemos de toda a verdade", profetizou o pastor acusado. (LL)




Processo por desvio pode ficar no TJMG


EZEQUIEL FAGUNDES

Se for cassado por quebra de decoro parlamentar, o fundador da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), deputado federal Mário de Oliveira (PSC-MG), pode ver a sua situação se complicar ainda mais por conta de um processo criminal movido contra o pastor pelo Ministério Público (MP) no ano passado. Ele é acusado de formação de quadrilha e desvio de R$ 1,2 milhão dos cofres da Prefeitura de Contagem, através da Escola do Ministério Jeová-Jiré.

Como venceu as eleições posteriormente, o pastor passou a desfrutar do foro privilegiado por prerrogativa de função e, com isso, o processo criminal aguarda para ser remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que ainda não aconteceu. Atualmente, o procedimento continua tramitando no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), pois os desembargadores solicitaram informações ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) antes de remetê-lo ao Supremo.

Segundo a denúncia do MP, o líder da Quadrangular seria o "chefe" de um esquema de desvio de verbas por meio de convênios firmados entre a Prefeitura de Contagem e a Jeová-Jiré, ONG ligada à alta cúpula da Quadrangular. A entidade religiosa, que tem como presidente perpétuo o também pastor Jerônimo Onofre, chefe da Quadrangular "Templo dos Anjos", oferecia um programa para curar alcoólatras e usuários de drogas no prazo recorde de 15 dias. Sem acompanhamento médico, os internos participavam de terapias religiosas com óleos supostamente milagrosos.

Esquema
Para justificar o desvio, a Escola Jeová-Jiré apresentava notas de despesas falsificadas. O esquema utilizava a Rhema Alimentos Ltda, empresa de fachada registrada em nome de parentes do pastor Jerônimo, mas que na realidade jamais existiu no endereço informado, conforme comprovou a reportagem de O TEMPO. Outros recibos suspeitos apontam ainda para o pagamento irregular em favor do Posto REM Ltda e da empresa de Transportes Jovimar Ltda.

Os dois líderes da Quadrangular foram procurados ontem à tarde pela reportagem, mas não responderam aos pedidos de entrevista. A ação envolve outras 22 pessoas, além de Mário e Jerônimo. Segundo o promotor Mário Conceição, era o deputado quem "supervisionava a ação criminal", junto com o ex-prefeito de Contagem, deputado Ademir Lucas (PSDB).

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