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03 junho 2007

A República do Papel Higiênico
Por Jorge Serrão

FONTE: Blog Alerta Total

Braço direito do dono da Gautama, a diretora financeira Fátima Palmeira deu à ministra Eliane Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, uma explicação inusitada para justificar episódio, no aeroporto de Brasília, em que seu generoso patrão, Zuleido Veras, apanha a bolsa dela. Apanhar, claro, no sentido denotativo - e não no detonativo. Ou seria no sentido donativo? Afinal, a fama dele é de “encher o bolso ou a bolsa dos outros”. Zuleido é um benfeitor da nossa honestíssima classe política.

O fato é objetivo e real. Fátima foi fotografada pela Polícia Federal entregando sua bolsa feminina a Zuleido. A PF constatou que o popular Charles Bronson, estranhamente, entrou com o charmoso acessório no banheiro masculino. Na genial explicação de Fátima para o o ato de Zuleido, a diretora da Gautama alega que a bolsa tinha papel higiênico dentro. Por isso foi levada por Zuleido até o banheiro. Como lá não tinha câmara escondida, não podemos saber a cor do papel. De toda forma, como diriam naquele clássico comercial de papel higiênico: “Obrigado, seu Zuleido”.

Haja papel higiênico no Brasil. E a nossa República tem sujeira tão grande ou maior que o affair Renan Calheiros (um senador sob suspeita de dois pecados que se complementam: um caso extraconjugal combinado com um caso de corrupção com uma grande empreiteira, a Mendes Júnior). Os higienistas do Congresso e da base aliada já estão limpando tudo. Justamente por que somos a República do Papel Higiênico, Renan permanece firme em seu cargo de Presidente do Senado.

A mais recente bomba contra ele, detonada pelo jornal O Globo, revela que a fazenda dos Calheiros, a Cocal, anexada à fazenda Santa Rosa, está registrada em nome da agricultora Marlene Gomes da Silva. Não seria problema se ela não estivesse morta desde 1997. Marlene era empregada da família. E a fazenda não aparece na declaração de bens do senador alagoano. Agora, Renan tem um novo caso a assombrá-lo a cada esquina. Sorte dele que, em Brasília, Oscar Niemeyer não projetou esquina. Então, Romeu Tuma, devoto de Santo Galvão, poderá salvar o também santo Renan de seus pecados.

Aliás, todo pecado parece facilmente perdoado no País em que um assessor direto do Papa Bento 16 compara o nosso presidente a Jesus Cristo e a São Francisco de Assis. Lula será eternamente grato a Dom Cláudio Hummes, Prefeito da Sagrada Congregação para o Clero, responsável por supervisionar atividades dos padres e as finanças das paróquias). Proclamou o arcebispo: "Lula fez como são Francisco de Assis, que ficou célebre na história ao beijar os hansenianos. Ele fez o que Jesus Cristo também faria, amar um irmão mais desamparado".

Ironicamente, Hummes - que é amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - apoiou a Teologia da Libertação na América Latina, no início da década de 80, quando papa Bento 16 escreveu um documento polêmico condenando o envolvimento de padres em questões políticas. O Cardeal Hummes também apóia o Movimento dos Sem Terra – braço ilegal e armado no campo, que invade propriedades, usando a conveniente fachada de “movimento social”. Se for para adotar o conceito, o tráfico de drogas também é um “movimento” social...

Mas voltemos ao pecado maior do santificado presidente. Lula está viajando. Apenas para variar. Foi duramente criticado por alguns leitores pecaminosos deste blog, só porque deu uma passadinha na inauguração do estádio de Wembley, para assistir ao empate de um gol do Brasil com a Inglaterra. Foi a terceira visita do presidente brasileiro à Grã-Bretanha desde que foi eleito, em 2002.

O pecado de Lula, em Londres, não foi sua paixão pelo futebol. Mas sim o real e não divulgado motivo de sua viagem ao Reino Unido: a negociação do texto final de um decreto que permitirá a exploração de áreas minerais em reservas indígenas brasileiras. Entreguismo é pecado contra a nação, Lula.

O negócio interessa à Oligarquia Financeira Transnacional que comanda, na City de Londres, o comércio internacional e a cotação de minérios. Não é coincidência que as reservas indígenas – da mesma forma que as reservas ecológicas - casam com os mapas das reservas minerais estratégicas do Brasil. A “coincidência” não atinge apenas minerais como ouro, prata e diamantes, que são valiosos, mas nem se comparam com outros minerais estratégicos, de terceira geração, como urânio, nióbio e tantalita.

A regra prevê que as empresas pagarão royalties sobre o faturamento para as comunidades indígenas. O valor não está definido, mas deverá ser de, no mínimo, 3% do faturamento com a extração do minério. Metade do valor arrecadado irá diretamente para a comunidade que vive próxima à mina. E metade para um fundo administrado pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

A conta é de brasileiro. Os outros 97% ficam com as mineradoras que pertencem à oligarquia financeira transnacional. Já existem pelo menos 4.821 processos de requerimento de pesquisa e lavra mineral aguardando o sinal verde legal de Lula. Nada custa lembrar que 25% do território da Amazônia são dos índios (e não dos brasileiros).

Das 276 mil organizações não-governamentais que atuam no Brasil, 100 mil estão na Amazônia. O mais grave: das 100 mil ONGs que atuam na Amazônia, apenas 320 estão cadastradas junto ao governo brasileiro. Muitas delas atuam com interesses ocultos na região, envolvidas com o tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e espionagem.

Tal diagnóstico foi apresentado no dia 9 de maio, na Câmara dos Deputados, pelo general Maynard Marques Santa Rosa, secretário de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa. O militar fez questão de afirmar que as informações são oficiais. Os dados são dos serviços de inteligência das Forças Armadas. O general participou de audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. A grande mídia amestrada brasileira deu pouca bola ao assunto – como de costume.

O general Maynard Marques Santa Rosa destacou que o Exército tem feito a sua parte com o repasse de informações confidenciais para os órgãos policiais, responsáveis pela repressão aos ilícitos na Amazônia.Mas o militar criticou a omissão do resto do governo: "As Forças Armadas estão presente nas áreas de fronteiras, cumprindo seu papel de defesa nacional. No entanto, órgãos civis, como o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], Funasa [Fundação Nacional de Saúde], MEC [Ministério da Educação], entre outros, estão ausentes".

O general Santa Rosa reconheceu que militares encontram muitas limitações para atuar na região por conta do orçamento apertado e que tem diminuído enquanto, os efetivos das Forças Armadas na Amazônia têm aumentado. Santa Rosa também revelou que as conclusões e sugestões apresentadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das ONGs, realizada em 2001 no Senado, até hoje não saíram do papel. A CPI foi presidida pelo senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) – um dos poucos que denunciam as mazelas da Amazônia.

Santa Rosa também criticou a "excessiva demarcação de terras indígenas na Amazônia sem levar em consideração o Conselho de Defesa Nacional, o que é irregular". Segundo ele, algumas áreas equivalem ao tamanho de duas Bélgicas para uma população indígena, em alguns casos, de aproximadamente sete mil índios. As denúncias do general Santa Rosa são confirmadas por um relatório elaborado pelo Grupo de Trabalho da Amazônia.

O GTAM tirou um raio-x sobre a atuação de instituições religiosas e organizações não-governamentais (ONGs) estrangeiras na região. O grupo constatou as suspeitas de que as entidades atuem como fachadas de governos de países como Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e Alemanha.

Os negócios na nossa selva são monitorados pela oligarquia financeira transnacional, através da ONG anglo-emaricana Wildlife Conservation Society. A WCS é a ponta de lança de cinco grandes consórcios internacionais formados por 26 organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas e de defesa dos indígenas, instituições de pesquisa e universidades dos EUA. O foco deles é a internacionalização da Amazônia – região para a qual nosso governo, de verdade, caga e anda. Haja papel higiênico!

Mais uma vez, Lula faz o dever de casa para os controladores da economia mundial. Assim que voltar do exterior, depois de participar da reunião ampliada do G8, em Heiligendamm, na Alemanha, Lula vai comandar o triste espetáculo entreguista em que os ministérios da Justiça, das Minas e Energia e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República apresentam um projeto de lei regulamentando a exploração mineral das terras das “nações indígenas”. As empresas mineradoras transnacionais e suas ONGs amestradas agradecem.

Thank´s, Mr Lula” – dirão os ingleses que comandam os negócios mundiais dos bancos, das petrolíferas, das mineradoras, das bolsas de valores e da mídia. Aliás, este é o motivo por que não sai uma linha na tradicional imprensa sobre o real motivo da viagem de Lula à Inglaterra. A passadinha para ver o time de Dunga parece conto da Branca de Neve.

Aliás, Neve é uma famosa marca de papel higiênico. “Obrigadou, Mister Lula”.

1 comentários:

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