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30 junho 2007

Projeto de Roriz deu lucro de R$ 23 milhões a aliado

FONTE: Estado de Minas

O senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) patrocinou, quando era governador do Distrito Federal, uma operação imobiliária que rendeu a um aliado dele R$ 23 milhões de lucro. O aliado é Wigberto Tartuce, empresário, ex-deputado e ex-secretário do próprio Roriz.

Durante a administração de Roriz, Tartuce comprou por R$ 13,7 milhões, de quatro fundos de pensão ligados a órgãos públicos do governo distrital, um terreno de 80 mil metros quadrados. Apenas um ano depois, ele o revendeu por R$ 37 milhões à Aldebaran Investimentos Imobiliários S.A., ligada a uma grande incorporadora de Brasília.

A operação deu a Tartuce um lucro de 170,8%, e a participação do governo Roriz foi decisiva: em janeiro de 2006, quando o terreno já à venda, ainda pertencia aos fundos de pensão, o ex-governador, hoje sob investigação na corregedoria do Senado, mandou um projeto de lei à Câmara Distrital mudando a destinação de todas as áreas vizinhas à propriedade de Tartuce. O projeto, aprovado em um mês, permitiu que os terrenos tivessem “uso comercial, com preferência para empresas de transporte”.

O estranho é que o lote 6/1, pertencente aos quatro fundos de pensão, ficou de fora do alcance da mudança feita pelo projeto encaminhado por Roriz. No mercado imobiliário, segundo especialistas, o efeito da medida foi mantê-lo desvalorizado. Dois meses depois, em abril de 2006, a empresa Alphaville, de Tartuce, arrematou a área em uma licitação - pagou apenas R$ 1,5 milhão de entrada e o restante, dividido em 48 prestações. Só pagou 11 delas. As restantes foram assumidas pelo comprador

O que fez a área pular de preço foi, em dezembro de 2006, um projeto de lei assinado pela vice de Roriz, Maria de Lourdes Abadia. Pelo projeto complementar de Abadia, o lote, já nas mãos de Tartuce, ganhou o destino comercial dos demais. Os deputados distritais Paulo Tadeu e Chico Vigilante, do PT, dizem que os dois projetos foram aprovados com o empenho do atual suplente de Roriz, Gim Argello (DEM-DF), que comandava a tropa de choque do ex-governador na Câmara local.

O empresário Nenê Constantino, dono da Gol e amigo de Roriz, aparece formalmente no negócio como um dos avalistas de uma nota promissória de R$ 10 milhões, entregue a Tartuce pela Aldebaran como parte do pagamento. Constantino também é um importante investidor de empreendimentos do grupo Antares, que controla a Aldebaran. Mas, segundo o advogado do grupo, Marcelo Bessa, Constantino não tem nenhuma participação no empreendimento ou no lote comprado de Tartuce e nega qualquer irregularidade.

Roriz informou por sua assessoria que não patrocinou nenhum ato beneficiando Tartuce ou Constantino. Segundo ele, o projeto que muda a destinação do lote foi da inteira responsabilidade de Abadia.

Abadia não foi localizada, mas um ex-assessor de seu governo explicou que nos seis meses em que ela ocupou o cargo, Roriz teria continuado dando as cartas. Tartuce disse que está há cerca de um ano sem falar com o senador, com o qual teria brigado. “Fiz um negócio legal e o lucro não foi tão extraordinário, pois eu tive de bancar os custos com a mudança de destinação do terreno. Vocês estão na pista errada”, disse.

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