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05 junho 2007

SAPO
Por Riva Moutinho

"Ponha um sapo na água fervente e ele saltará imediatamente para fora, mas ponha-o na água fria e aqueça a panela lentamente em fogo brando, e conseguirá iludir e cozinhar o sapo!"

Somos sapos!

Falemos de Brasil e observemos os nossos políticos, nossas condições sociais, econômicas, nossos códigos penal e civil, nosso estatuto da criança e do adolescente...

A água fervente não incomoda a inércia de milhões, que aos poucos vão sendo cozinhados perdendo-se valores, objetivos, esperanças e ganhando-se egoísmos, desamor, orgulho...

Na água fervente estão aqueles que acreditam que não há mais solução para a política, pois mediante a tantas descobertas de corrupção, não há mais nada que possa ser feito. E como não há estabilidade para o mal, o declínio surge como abismo natural e cada ser perde valores passando a realizar corrupções em escalas, muita das vezes, menores do que os seus políticos, perpetuando uma praga que se propaga de geração a geração. E assim, os novos conhecem primeiro a água fria e se desenvolvem na inobservância da temperatura da água.

Na água fervente também permanecem aqueles que assistem aos criminosos serem soltos pela justiça, depois que a polícia prende. E pra rua vão os assassinos, os seqüestradores, os ladrões, as mentes mais maquiavélicas, enquanto nos presídios permanecem os chefões do tráfico, das máfias, das quadrilhas, pois lá são sustentados por cada um de nós e conseguem segurança para manterem suas integridades físicas. Enquanto a água ferve com estas notícias diárias nos jornais, criamos meios para, simplesmente, sobreviver a isto enquanto outros percebem que o crime compensa mediante a impunidade da realidade.

Aprendemos a blindar carros, instalar cerca elétrica e alarmes, pagar seguros caros de residência, de carro, de vida... contratar seguranças, aprendemos alguma luta de defesa pessoal, compramos spray’s de pimenta ou pequenas máquinas de choque, desenvolvemos a habilidade de empunhar uma arma e, diante disto tudo, acredita-se que estes tipos de reações são as cabíveis diante das ações sofridas. Neste engano da inércia conformista a água continua fervendo e o cozido fica melhor na conquista do desamor ao próximo, onde cada próximo tornou-se um potencial-suposto-criminoso e onde a máxima do capitalismo selvagem se esbalda ao ver que cada um deseja lucrar e ganhar não importando os meios.

Na água fervente estão todos que assistem aos pseudo-grupos que lutam por melhores condições de vida, que criam siglas, bandeiras, slogans e começam a ganhar dinheiro público como entidades não governamentais, mas no fundo não passam de entidades que lutam por seus interesses corruptos-egoístas. Fazem eventos, carreatas, caminhadas, passeatas, invasões, quebradeiras, mas nada lhes acontecem, pois não são o que deveriam ser e mesmo assistindo a tudo isso, os da água fervente permanecem inertes desenvolvendo nas mentes novas idéias de sobrevivência equivocada, ao invés de lutarem por direitos que nunca deixaram de pertencer a eles.

E no caldeirão do mundo mais de cinco bilhões de sapos são cozinhados na água fervente frente às atitudes de cozinheiros como Hugo Chávez, George W. Bush, Evo Morales, Bin Laden, Mahmoud Ahmadinejad e tantos outros espalhados pelo Globo Terrestre.

A questão não é shakespeariana: ser ou não ser sapo, mas sim, ter ou não ter atitudes.

BH, 04/06/2007

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