Featured Video

29 junho 2007

Mário de Oliveira diz que é "a vítima"

FONTE: Jornal O Tempo

Deputado federal do PSC alega que acusação do seu colega parlamentar Carlos Willian é uma armação contra ele

HÉDIO FERREIRA JÚNIOR

BRASÍLIA - Acusado de contratar um pistoleiro de aluguel para matar o colega de Câmara e ex-aliado, Carlos Willian (PTCMG), o pastor e presidente nacional da Igreja do Evangelho Quadrangular, deputado Mário de Oliveira (PSC-MG), deverá construir sua defesa no Conselho de Ética - onde está sendo processado por quebra de decoro - em cima da afirmação de que é vítima de uma armação. O parlamentar, porém, não deu detalhes do motivo que o leva a crer estarem "armando" contra ele.

Oliveira, que tem passado os últimos dias, de acordo com seus assessores, em freqüentes reuniões, diz que a acusação partindo de seu ex-parceiro de igreja não passa de uma farsa e de um "mal entendido". A partir da próxima semana, ele começará a responder pelo processo e cassação de mandato apresentada conselho pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC). Mais de 24 horas depois de remetido à Mesa Diretora da Câmara, o presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP) enviou de volta, na noite de ontem, ao Conselho de Ética a autorização do requerimento apresentado pelo PTC, que pede a abertura de um inquérito contra Oliveira.

Com isso, o pastor ganhou mais um tempo para decidir se encara o inquérito que pede a cassação de seu mandato ou renuncia ao cargo para não colocar em risco seus direitos políticos. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), que está fora de Brasília, prometeu assinar ainda hoje o termo de instauração do processo para que comece a vigorar nesta sexta. Assim que instaurar o inquérito, Izar notifica Oliveira.

A partir dessa data, passa a contar o prazo de cinco sessões ordinárias (em plenário) para que o acusado possa se defender. A relatora do caso, Solange Amaral (DEM-RJ), ouvirá o acusado e o acusador, além das testemunhas de acusação e defesa indicadas pelas duas partes.

Poeira mais baixa
Mário de Oliveira passou o dia de ontem em São Paulo. Willian esteve em Belo Horizonte, trabalhando em seu escritório regional. Anteontem ele esteve reunido com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Ellen Gracie, que determinou a abertura de um processo também na Corte Suprema. O relator do caso, ministro Sepúlveda Pertence, encaminhou os autos que incriminam o presidente da Quadrangular à Procuradoria Geral da República.

Apesar de ter escapado da morte em três situações, segundo investigações da Polícia Civil de São Paulo, Willian têm evitado repetir em entrevistas as acusações de assassinato contra o desafeto. Diz apenas que está "perplexo" e "triste". Questionado sobre o que sente pelo ex-colega de igreja, Carlos Willian garante: "Estou orando muito para Deus não colocar ódio no meu coração. Não posso nem devo fazer justiça com as próprias mãos e não quero cultivar raiva por ninguém. Deus me livrou três vezes desse assassinato e não acho que me livrou para eu sair perseguindo as pessoas. Minha missão deve ser outra."

Histórico
Essa não é a primeira vez que o deputado mineiro é acusado de agressão. O corregedor geral da Câmara, Inocêncio Oliveira (PTB-PE), que coordenará os trabalhos de investigação no caso, lembrou que eles não trocaram socos por pouco, quando, em fevereiro deste ano, os dois não concordaram sobre uma pauta e entraram em choque.




Igreja espera 5.000 fiéis em BH


DENISE MOTTA

Cerca de 5.000 fiéis da Igreja do Evangelho Quadrangular, presidida pelo deputado federal Mário de Oliveira (PSC-MG), são esperados em um evento especial amanhã, na capital mineira. Os evangélicos participam de uma assembléia e há uma grande expectativa de que o deputado se pronuncie sobre a suspeita de ter contratado um pistoleiro conhecido como "Alemão" para matar seu colega Carlos Willian (PTC-MG), pagando R$ 150 mil. De acordo com a apuração da reportagem de O TEMPO, uma assembléia geral da igreja já estava marcada há mais de um mês e a expectativa é de que Oliveira, uma das estrelas do evento, comente sobre o caso.

O encontro acontecerá numa filial da entidade no bairro Santa Efigênia, na avenida do Contorno com avenida dos Andradas. Conforme disse um dos integrantes da Quadrangular, a assembléia foi divulgada para todas as outras sedes da Quadrangular em Belo Horizonte e até pessoas do interior do Estado devem participar. "A expectativa é de que ele (Mário de Oliveira) fale sobre isso. Ele tem que dar uma explicação", afirmou um evangélico que preferiu o anonimato.

Templos
A Igreja Quadrangular se multiplicou na capital mineira a partir do final da década de 1980 e hoje existem pelo menos 12 grandes templos nos mais variados bairros da capital. Oliveira, que preside nacionalmente a entidade, normalmente ficava na filial localizada no bairro Carlos Prates, segundo apurou a reportagem. Enquanto Oliveira responde pela igreja nacionalmente, o irmão dele, deputado estadual Antônio Genaro de Oliveira (PSC), é responsável pela organização da igreja em todo o Estado.

Eventos com a participação de um grande número de pessoas é uma especialidade da Igreja Quadrangular. Também neste final de semana, acontece um encontro de jovens da região Oeste da capital. O "Sermão da Montanha", por exemplo, é organizado por Oliveira.




Deputados estão entre os mais ricos


Ainda é mistério o motivo que teria levado o deputado federal Mário de Oliveira (PSC) a atentar contra a vida do colega Carlos Willian, também deputado federal pelo PTC. Falou- se em uma dívida de R$ 800 mil que Willian teria com Oliveira, mas nada foi confirmado. Uma coisa é indiscutível. Os dois estão no topo da lista dos deputados mineiros eleitos que são milionários. Enquanto Mário de Oliveira declarou perante a justiça eleitoral R$ 2,35 milhões, Carlos Willian admitiu ter em caixa a fortuna de R$ 1,85 milhão.

Mas os estão longe de alcançar deputados federais mineiros declaradamente milionários como o ex-capitão da PM, Edmar Moreira (DEM), e o empresário da construção civil, Ciro Pedrosa (PV), por exemplo. Respectivamente, eles têm R$ 9,5 milhões e R$ 9,87 milhões. Mário de Oliveira, à época da eleição no ano passado, declarou que tinha o segundo grau incompleto. Entre os candidatos, apenas ele e João Magalhães admitiram a falta de escolaridade. Apesar disso, Oliveira é conhecido por sua vaidade.

Ele faz questão de circular com carros importados a cada evento público que vai, como o "Sermão da Montanha", que chegou a reunir cerca de 130 mil evangélicos na praça do Papa. Já Carlos Willian é formado em direito e, inclusive, chegou a advogar por cerca de 20 anos para a Igreja Quadrangular, entidade presidida por Oliveira.

Outros milionários
Entre os mineiros mais ricos na Câmara Federal estão lideranças políticas que já estão na vida pública há um bom tempo. Entre exemplos figuram Lael Varella (DEM), com R$ 5,75 milhões; Olavo Bilac Pinto Neto (PR), com R$ 5,1 milhões; Jaime Martins (PR), com R$ 2,69 milhões; Antônio Andrade (PMDB), com R$ 2,2 milhões; Mauro Lopes (PMDB), com R$ 2,1 milhões; Carlos Melles (DEM), com R$ 2,1 milhões; Luiz Fernando Faria (PP), com R$ 1,74 milhão; o presidente do PMDB mineiro, Fernando Diniz (PMDB), com R$ 1,5 milhão; o ex-ministro da Saúde Saraiva Felipe (PMDB), com R$ 1,5 milhão. (DM).

0 comentários:

Postar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More