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02 junho 2007

Bravata? Só isso mesmo?

FONTE: Blog Alerta Total

A última pataquada de que fomos vítimas foi a declaração do caricato ditador da Venezuela, Coronel Hugo Chavez Frias, que adjetivou o congresso brasileiro de “papagaio de Washington”, dentre outras ofensas. Qualquer criança – à exceção de “nosso líder” – já percebeu claramente a intenção de Chavez em criar inimizade entre o Brasil e seus vizinhos, vendendo a nossa imagem como imperialistas, governados pela “direita reacionária”. A mesma criança sentirá calafrios na espinha só de imaginar qual poderia ser o objetivo final desta estratégia do caudilho populista venezuelano.

Resumir-se-á em simples bravata, com objetivo único de criar um “arquiinimigo” mais próximo que substitua os EUA?

Em qualquer lugar do mundo, mas muito especialmente na América Latina, os discursos da esquerda não sobrevivem sem dois personagens: O líder carismático e o arquiinimigo.

Aqui no Brasil, a tática já é velha conhecida, desde os tempos de Luis Carlos Prestes, (inicialmente um nacionalista que foi ideologizado na doutrina marxista após sua visita à URSS) que a esquerda passou a definir com a romântica alcunha de “cavaleiro da esperança”. Na época, o arquiinimigo era o governo Vargas, que hoje a mesma esquerda festeja e adjetiva de governo dos trabalhadores.

Como o “cavaleiro da esperança” resolveu descer do cavalo e buscar uma boquinha estatal, apoiando para a Presidência da República o mesmo Getúlio Vargas que havia enviado sua esposa - a judia alemã Olga Benário – para ser gazeada nos campos de concentração nazistas, a coisa não pegou muito bem, e foi necessário buscar um novo “líder carismático”.

Eis que surge um barbudo carrancudo que, contra todas as possibilidades consegue que um pequeno grupo guerrilheiro sob seu comando, tome as rédeas do governo em seu país: Cuba. Fidel Castro, que em sua visita a Nova Iorque logo após a tomada de Havana, chegou a declarar publicamente que a revolução cubana não era comunista, após a visita do Komitern soviético – com suas propostas financeiramente muito tentadoras - mudou o discurso e tornou-se “el comandante”. O novo líder carismático da esquerda latino-americana estava criado.

No Brasil na década de 60, criou-se uma verdadeira linha de produção de líderes carismáticos com apelidinhos românticos. O “Marechal do Povo”, o “Cabo Anselmo”, o “Cavaleiro da Esperança” (de novo).

Derrotada novamente pela força das armas, eis que a esquerda acadêmica cria outro produto para venda às massas: O sindicalista Lula da Silva, hoje “O Presidente do povo”. E lá vamos nós outra vez.

Se analisarmos o discurso do patético caudilho venezuelano por este enfoque, digamos, tradicional da esquerda mundial e principalmente latino-americana, a única coisa que teremos que nos preocupar é com os nossos pobres ouvidos, que terão que, vez ou outra, aturar sandices desta espécie e demonstrações públicas de ignorância política.

A questão problemática reside se houver “algo mais” em tais declarações. Sigamos da mesma forma o enfoque histórico, retirando, contudo, o viés ideológico e veremos que a hipótese não é tão fantasiosa como, de início, pode parecer.

Na recente história mundial, toda gracinha expansionista veio precedida de declarações fortes, sempre em nome de uma suposta “causa justa”. Hitler, ao anexar a Áustria, a Tchecoslováquia e a Polônia, não veio a público dizer que queria as riquezas naturais daqueles países. Ao contrário, criou factóides e os fomentou de forma a transformá-los em grandes crises internacionais. Ora foram os sudetos alemães que eram maltratados na Áustria, ora era o povo de origem germânica sendo perseguido na Tchecoslováquia, ora era o “corredor polonês”.

Mais recentemente ainda, tivemos o exemplo americano. Sob o pretexto perfeitamente justificável de perseguir Bin Laden, os EUA invadiram o Afeganistão, tocaram os Talibãs para correr e lá permanecem até hoje, enquanto o terrorista está sabe lá Deus onde. Sob o pretexto de buscar armas de destruição em massa, invadiram o Iraque, derrubaram Saddam Hussein e lá permanecem até hoje sentados em um mar de petróleo, sem nunca terem achado um traque sequer, quanto mais as tais armas químicas.

A estratégia, portanto, não é nova. Criam-se impasses diplomáticos para justificar futuras incursões ou ataques à soberania de uma nação.

Em nosso continente também temos visto isso. Sob a influencia de Chavez, seu indiozinho de estimação, o cocaleiro Evo Morales já tomou de assalto nossas refinarias de petróleo e bravateou que o território do Acre fora “roubado” do povo boliviano. Não seria de espantar que o “cavaleiro solitário” Chavez resolvesse auxiliar o “tonto” Evo na correção dessa “injustiça histórica”.

No sul - também sob a influencia de Chavez - o Paraguai começa a se insurgir em relação à hidrelétrica de Itaipu. Sabe-se lá onde esta história vai nos levar.

Dados estes fatos, suponhamos, em um exercício de análise de possibilidades, que a operação navalha brasileira erre o golpe e acabe acertando em cheio o nosso Presidente da República. Seguindo no campo das suposições, imaginemos que vingue um processo de impeachment de nosso mandatário.

Ora, com sua declaração de que nosso congresso é “papagaio de Washington”, não estaria nosso vizinho populista pré-justificando uma intervenção – até mesmo militar – para a manutenção de Lula no poder em nome da “vontade soberana do povo brasileiro” e contra a “influencia imperialista americana”?

Estupidez seria imaginar que a Venezuela tem se armado até os dentes para resistir a uma invasão dos EUA. A uma porque aquele país está pouco se lixando para o que bravateia o caudilho do sul – autêntico exemplar do “idiota latino-americano”, porquanto é seu maior cliente na aquisição de petróleo. A outra porque, mesmo que assim não fosse, todo o aparato militar de nosso vizinho representa nada diante do poderio da potência do norte.

Por outro lado, se desviarmos as ambições de Chavez para o sul, o que se constata é preocupante. Com a aquisição de caças supersônicos, carros de combate de última geração, milhares de fuzis e munição, peças de artilharia de campo e anti-aérea, navios de guerra e – dizem – até submarinos, a Venezuela passa a ocupar o lugar de maior potência militar da América do Sul.

Some-se a isso o fato de que ambos os Presidentes – o brasileiro e o venezuelano – são membros ativos do Foro de São Paulo, entidade que congrega toda a esquerda latino-americana, e podemos pensar em colocar nossas “barbas de molho” e suplicar a Deus que as intenções de nosso inoportuno vizinho se resumam apenas a eleger um novo arquiinimigo para suas bravatas esquerdistas.

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