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23 maio 2007

Estudantes da USP preparam flores contra Tropa de Choque

FONTE: Globo.com

Os alunos da Universidade de São Paulo (USP) que desde 3 de maio ocupam o prédio da reitoria criaram um “Exército Rosa Choque”, responsável pela produção de centenas de flores de papel crepom que devem ser usadas em uma manifestação caso a Polícia Militar tente desocupar o prédio.

A preparação para o ato começou domingo (20), de acordo com a comissão de comunicação dos alunos. Além de flores rosa choque, eles produzem origamis da mesma cor. Centenas de flores já estariam prontas e guardadas. O objetivo é mostrar que a ocupação é pacífica. Os estudantes garantem que não pretendem reagir com violência.

Os manifestantes não decidiram ainda o que fazer com as flores. Alguns defendem que elas sejam entregues para os soldados da Polícia Militar. Mas os estudantes esperam não ser preciso usar os objetos. “A gente espera que haja bom senso e que não seja dada a ordem [para a Tropa de Choque entrar na Cidade Universitária]”, disse a estudante de Letras Alba Marcondes, de 21 anos.

Na noite de terça-feira (22), o coronel Joviano Conceição Lima, comandante da Tropa de Choque da Polícia Militar, disse que os estudantes podem sair presos caso ofereçam resistência ou se for constatado algum crime como furto ou depredação do patrimônio. Faz uma semana que a PM recebeu da Justiça uma ordem de reintegração de posse baseada em pedido da reitoria.

O coronel informou que vai marcar uma reunião com estudantes, funcionários e integrantes da reitoria, Ministério Público (MP), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Comissão Municipal de Direitos Humanos para conversar sobre a reintegração. Segundo o coronel, o encontro deve ocorrer nesta quinta-feira (24), mas ele não descartou adiantar a operação caso ocorram fatos como danos ao patrimônio público. "Eu tenho obrigação moral de falar isso [como será feita a operação] aos alunos", disse.

Cerca de 150 estudantes se revezam no prédio da reitoria. Eles criaram comissões, como a de segurança e patrimônio, que é responsável por vigiar a possível aproximação da Tropa de Choque. Os estudantes dormem de três a cinco horas por noite e passam muitas madrugadas discutindo como será o dia seguinte.

Apoio dos professores

Os alunos consideraram muito importante a adesão dos professores à greve. Os docentes decidiram paralisar as atividades por tempo indeterminado nesta quarta-feira (23). Pelo menos 240 professores se reuniram em assembléia às 10h e a votação pelo início da paralisação foi praticamente unânime.

Com essa adesão, os professores se juntam aos funcionários da USP que já estão em greve e apóiam a manifestação dos alunos. Desde 18 de maio, integrantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) também ocupam o prédio da reitoria.

Para Magno Carvalho, diretor do Sintusp, é difícil acreditar que a reintegração de posse será feita. “Nós temos tanta convicção de que isso aqui é nosso, que estamos em nossa casa, que nos dá força para enfrentar”, disse. “Só vendo para crer se eles têm coragem de fazer isso.”

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