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14 abril 2007

Hurricane com informações da “Águia” desvendou como Justiça dava sentenças em favor da máfia do jogo

FONTE: Alerta Total


A sexta-feira 13 foi azarada para os mais famosos contraventores do Rio de Janeiro e seus aliados no mundo da Polícia, da Justiça e da Advocacia – todos acusados de lavagem de dinheiro. Graças a uma operação batizada de “Hurricane” (furacão, em inglês), desencadeada a partir de informações passadas por serviços de inteligência norte-americanos, a Polícia Federal prendeu 25 pessoas – sendo 24 no Rio e uma na Bahia. Além de lavagem de dinheiro, os presos são acusados de envolvimento em jogos ilegais como bingos, caça-níqueis e jogo do bicho.

Foi necessária uma autorização especial do Supremo Tribunal Federal para que a PF fizesse as prisões. Alguns dos investigados tinham foro privilegiado. Na lista de “ilustres” aparecem o desembargador José Eduardo Carreira Alvim, que até ontem exercia o cargo de vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Junto com ele, o desembargador federal José Ricardo Regueira, o procurador regional da República, João Sérgio Leal Pereira (preso na Bahia), o delegado federal Carlos Pereira da Silva, e a delegada federal Suzi Pinheiro Dias de Matos, atual corregedora da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Entre os “vips” aparece o advogado Virgílio de Oliveira Medina, irmão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina.

O esquema mafioso fabricava sentenças favorecendo caça-níqueis e bingos. Um dos presos, o ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), desembargador José Eduardo Carreira Alvim, concedeu decisões favoráveis a nove empresas de caça-níqueis, que tentavam ter de volta as 900 máquinas apreendidas pela Polícia Federal, numa operação realizada em bingos de Niterói, em abril de 2004. O argumento das empresas - Betec Games Comércio, BMI Brasil, Max Bet Equipamentos Eletrônicos, Binget Administração de Bingos, Tecbin Representação, Visonmatica Software, Gol Operação e Assessoria, Lucky Number e Brasil Games - era o de evitar que os equipamentos fossem destruídos pela PF.

No “Dia do Azar”, também foram presos Anísio Abraão David, ex-presidente da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis; Capitão Aílton Guimarães, presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro; o banqueiro do bicho Antonio Petros Kalil, o Turcão; Júlio Guimarães, sobrinho do Capitão Guimarães; além de outros contraventores, magistrados, advogados, policiais civis e federais. O diretor de Inteligência da Polícia Federal, Renato Porciúncula, destacou que esta foi uma das maiores operações de combate à corrupção já realizadas no País, por causa do nível das pessoas envolvidas. Todos cumprirão pelo menos cinco dias de prisão temporária, em Brasília. Mas podem ficar até 10 dias na cadeia.

O delegado Porciúncula informou que “a Organização” montou uma rede de corrupção e de tráfico de influência para que pudesse desenvolver sua atividade criminosa tranqüilamente. Durante a operação foram apreendidos computadores, dinheiro, jóias e cerca de 30 carros de luxo. O superintendente regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Delci Teixeira, não quis quantificar o valor total apreendido, limitando-se a informar que o volume era tão grande que foi necessário requisitar carros fortes para realizar o transporte até a Superintendência da PF.

O dinheiro apreendido será depositado em uma agência da Caixa Econômica Federal. Segundo as investigações, parte do dinheiro seria usado para o pagamento de propinas, previsto para hoje. O esquema das prisões foi cercado por forte sigilo. Não contou com a participação de nenhum agente do Rio. A Operação Hurricane contou com o reforço de 360 agentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ao todo, foram expedidos 25 mandados de prisão e 70 de busca e apreensão. De acordo com a Polícia, as investigações começaram há um ano, com base em suspeitas de contrabando de componentes eletrônicos para as máquinas de caça-níqueis.

Mas sem as informações secretas dos EUA, passadas antes da recente visita do presidente George Walker Bush ao Brasil, nada teria acontecido. No mês passado, as informações dos norte-americanos também ajudaram a desbaratar a maior quadrilha mundial de falsificação de passaportes - que funcionava há mais de 20 anos na Delegacia da Polícia Federal, em Niterói.

O pátio da Companhia Docas, no Cais do Porto, se transformou em estacionamento de luxo na Operação Furacão da Polícia Federal (PF). Ao todo, foram apreendidos pelo menos sete Mercedes, além de Land Rover, Pajero Mitsubishi, Audi, BMW, Nissan Frontier e moto Suzuki. Lado a lado, um patrimônio avaliado em mais de R$ 3 milhões, segundo estimativa da PF. O mais simples era um Peugeot 206, de 2005. Ao todo, foram recolhidos mais de 30 carros e uma motocicleta.

Os presos ilustres

DESEMBARGADORES: Ernesto da Luz Pinto Dória, TRF em Campinas;José Eduardo Carreira Alvim, ex-vice-presidente do TRF no Rio; José Ricardo de Siqueira Regueira, TRF do Rio

DELEGADOS: Carlos Pereira da Silva; Luiz Paulo Dias de Matos, aposentado;Susie Pinheiro Dias de Mattos, corregedorada ANP

PROCURADOR: João Sérgio Leal Pereira

BICHEIROS: Ailton Guimarães Jorge;Aniz Abraão David; Antônio Petrus Kallil, o Turcão; e Julio Guimarães Sobreira, sobrinho de Guimarães

BINGOS: José Renato Granado Ferreira; Belmiro Martins Ferreira, irmão de José Renato;Paulo Roberto Ferreira Lino; Laurentino Freire dos Santos, sócio de Guimarães e Anísio

ADVOGADO: Evandro da Fonseca;Sérgio LuzioMarques de Araújo;Silvério Néri Cabral Junior;Virgilio de Oliveira Medina

EMPRESÁRIO: Licinio Soares Bastos; Jaime Garcia Dias

OUTROS: Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo; Francisco Martins da Silva; José Luiz Rebello; Marcos Antônio dos Santos Bretas

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