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15 março 2007

Mentor dos ataques de 11/9 reivindica assassinato de Daniel Pearl

FONTE: Globo.com

WASHINGTON - Khaled Sheikh Mohammed, ex-chefe do "Comitê Militar da al-Qaeda", que assumiu, em interrogatório, a responsabilidade por mais de 30 atos ou tentativas terroristas, admitiu ter decapitado o jornalista americano Daniel Pearl, informou o Pentágono nesta quinta-feira (15).

Na primeira revisão de um audiência em Guantánamo (Cuba), publicada na noite de quarta-feira (14) pelo Pentágono, a passagem referente ao assassinato do jornalista do "Wall Street Journal" havia sido censurada pelas autoridades militares.

O Pentágono, que difundiu nesta quinta-feira uma nova revisão sobre o caso Daniel Pearl, explicou que queria informar primeiro à família do jornalista, assassinado em fevereiro de 2002, antes de publicar a informação.

"Decapitei com minha bendita mão direita a cabeça do judeu americano Daniel Pearl na cidade de Karachi (Paquistão)", disse Mohammed em uma declaração por escrito, lida por um funcionário americano em uma audiência no fim de semana passado, no centro de detenção de Guantánamo.

"Para aqueles que querem uma confirmação, há fotos minhas na internet agarrando a cabeça dele", acrescentou.

O ex-número três da al-Qaeda assegurou que o assassinato do jornalista não foi uma operação do grupo terrorista de Osama Bin Laden e sim "de outros grupos paquistaneses, os mujahedines".

Segundo um documento divulgado pelo Pentágono na quarta-feira, Mohammed reconheceu ser responsável por 31 ataques ou tentativas de atos terroristas, incluindo o de 11 de setembro de 2001. Leia mais aqui.

Como mostra a reportagem da Globo News ao lado, a Anistia Internacional recebeu com cautela as "confissões" do paquistanês.

"Sou responsável pela operação do 11 de Setembro de A a Z", disse Mohammed na declaração lida em seu nome.

Até sua prisão no Paquistão, em maio de 2003, Mohammed, de 41 anos, era chefe militar e responsável pelo "Departamento de Operações Exteriores" da al-Qaeda. O paquistanês esteve preso em sigilo desde essa data.

O governo americano considera Mohammed o responsável operacional dos atentados do 11 de Setembro.

De acordo com o documento dos EUA, Mohammed também reconheceu sua responsabilidade pelos atentados cometidos em 1993 contra o World Trade Center, em Nova York, e o atentado contra uma discoteca em Bali (Indonésia).

Ao todo, ele teria assumido sua responsabilidade em 31 operações, entre elas as tentativas de assassinato dos ex-presidentes americanos Bill Clinton e Jimmy Carter e contra o Papa João Paulo II durante uma viagem do pontífice às Filipinas.

Planos de novos ataques

O paquistanês disse ainda que preparava uma segunda onda de atentados, depois dos ataques do 11 de Setembro contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, em Washington. Os novos alvos seriam a Library Tower, em Los Angeles (oeste), a Sears Tower, em Chicago (norte), o Plaza Bank, no estado de Washington (noroeste), e o arranha-céu Empire State, em Nova York.
Ele garantiu ser responsável pelo planejamento, financiamento e acompanhamento das operações para destruir navios americanos e petroleiros no estreito de Ormuz, estreito de Gibraltar e no porto de Cingapura. O Canal do Panamá também seria alvo.

Mohammed reivindicou ainda a paternidade de um ataque que custou a vida de dois soldados americanos no Kuwait e do projeto de atentado do britânico Richard Reid, que pretendia explodir um avião em pleno vôo transatlântico com sapatos recheados de explosivos, em dezembro de 2001.

Além de Mohammed, as audiências também dizem respeito a Ramzi ben al-Shaiba, um dos supostos organizadores do 11 de Setembro, Abu Zubeida, ligado a Osama bin Laden, e Hambali, suspeito de ter sido o "cérebro" do atentado que deixou mais de 200 mortos em Bali em 2002.

Se o estatuto de "combatente inimigo" for confirmado, os altos responsáveis da al-Qaeda podem ser indiciados. Eles teriam, então, direito a um advogado militar e seriam levados diante de um tribunal militar de exceção.

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