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14 março 2007

Europeus começam vencendo a guerra com os EUA para controlar o meganegócio do álcool no Brasil

FONTE: Alerta Total

O potencial de produção do álcool no Brasil equivale a 436 Arábias Sauditas na comparação com a produção atual de petróleo. Mas o melhor negócio do mundo corre o risco de sair do controle nacional e cair nas mãos da oligarquia financeira transnacional. Predominantemente europeu, banqueiros e grandes empresas controlam o comércio mundial de commodities a partir da City de Londres. Por terem os mais baixos custos de produção do mundo, as usinas de açúcar e álcool do Brasil atraem a volúpia do capital estrangeiro. O retorno sobre o capital investido não será menor do que 20%, segundo garantem especialistas.

A disputa pelo controle da produção do etanol para biocombustíveis promete ser a futura guerra surda entre capitais norte-americanos e europeus. Os EUA partem para a ofensiva com George Walker Bush de garoto propaganda. Dia 31de março, em Camp David, Lula e Bush voltam a discutir o assunto. Mas os banqueiros europeus, que comandam os negócios na Bolsa de Londres, já partiram na frente para adquirir usinas e definir novos investimentos no Brasil. Prova desta dianteira européia é que a padronização do etanol a nível mundial já foi definida em um encontro ocorrido em fevereiro, na Europa.

Os europeus entram pesado para sair ganhando na geopolítica do álcool. Um dos grandes investidores será a Clean Energy Brazil. Empresa de capital aberto na Bolsa de Londres, a CEB já assinou um contrato de intenção de compra da usina Usaciga, de Cidade Gaúcha, no Paraná. Os grupos alemães Nordzucker e Sudzücker prometem invadir o mercado brasileiro de açúcar e álcool. A Nordzucker tenta comprar 30% da Copersucar, que nega a operação. no Brasil. Maior produtor individual de açúcar do mundo (com 4,7 milhões de toneladas), o Sudzücker ainda não abriu sua estratégia para entrar no mercado do etanol.

Outro investidor pesado é a Infinity Bio-Energy. Promete aplicar mais de US$ 1 bilhão no negócio do álcool. Criada há pouco mais de um ano, com capital de US$ 350 milhões, o fundo de investimentos comprou, no ano passado, três usinas no Brasil. As unidades têm capacidade para moer 3 milhões de toneladas de cana. Um investimento previsto de R$ 120 milhões deverá elevar a capacidade dessas unidades a 5,6 milhões de toneladas na safra 2008/2009.

A empresa pretende construir seis usinas novas em Mato Grosso (onde já comprou área de 4 mil hectares para a formação de um megacanavial), no Espírito Santo e na Bahia. Além disso, negocia a aquisição de usinas já existentes em Minas Gerais e na Bahia. A empresa terá capacidade para processar 16 milhões de toneladas de cana. Cerca de 70% dessa matéria-prima vai virar álcool para exportação.

Marcelo Junqueira, diretor da CEB, revela que a empresa terá 49% do capital da Usaciga (criada na década de 80 e controlada pela família Barêa). A CEB representantes no conselho de administração da usina. O grupo vai investir na ampliação da Usaciga, que hoje tem capacidade para moer 2,5 milhões de toneladas de cana. A CEB fará investimentos em uma outra usina no Estado, na cidade de Santa Mônica, no norte do Paraná. Uma terceira unidade será construída na cidade de Eldorado, no Mato Grosso do Sul.

Apesar da grana, nem sempre a empresa vence. A Infinity tentou comprar quatro destilarias do Grupo Tavares de Melo. Mas a francesa Louis Dreyfus, que tinha três usinas, bancou a oferta da Infinity e ficou com os ativos. O banco de investimento WestLB, coordenador da oferta da Infinity, procura novos projetos para investir.

Os bancos holandeses Rabobank e ING, contratados para realizar a fusão entre a Santa Elisa e Companhia Açucareira Vale do Rosário no final do ano passado, levantam capitais junto a fundos de investimento estrangeiros para fechar a operação de venda das duas usinas ao grupo Cosan. Os fundos estariam dispostos a bancar a compra da parte dos majoritários interessados na operação, que ainda pode melar, por ter vazado antes do tempo.

Como o Grupo Cosan já ofertou em torno de US$ 750 milhões por 100% da companhia, o valor pago pela parte majoritária das ações seria ao redor de US$ 375 milhões. Se o negócio for fechado, nasce a segunda maior empresa sucroalcooleira brasileira, com uma capacidade de processamento de 20 milhões de toneladas de cana-de açúcar por ano, atrás apenas do próprio Grupo Cosan, com 40 milhões de toneladas.

A Companhia Santa Elisa tem três unidades (Santa Elisa, Vertente e Continental), todas no Estado de São Paulo. Já anunciou investimentos em parceria com o fundo norte-americano para a construção de três usinas em Minas Gerais (Ituiutaba, Campina Verde e Uberlândia) e uma em Itumbiara (GO). A Santa Elisa é sócia da Vale do Rosário na Usina MB, em Morro Agudo (SP), e na Crystalsev, uma das maiores tradings de açúcar e álcool do Brasil.

As duas empresas também estão juntas na construção de uma unidade produtora de açúcar e de álcool na cidade de Edéia (GO), com investimentos de R$ 200 milhões, por meio da joint venture Tropical Bio Energia - que conta com a participação do grupo algodoeiro Maeda. Já a Vale do Rosário tem a usina homônima, em Morro Agudo, parte da Usina Jardest, em Jardinópolis, e o controle majoritário da Usina Frutal, na cidade mineira de Frutal, cujo processamento deve começar este ano com 700 mil a 800 mil toneladas moídas para uma capacidade máxima de 2,5 milhões de toneladas de cana.

EUA correndo atrás

A briga entre europeus e norte-americanos pelo controle do álcool brasileiro, que vai se acirrar agora, já vem de longe.

Em 2003 o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou estudo recomendando a compra de terras no Brasil.

No mesmo ano em cidades da Bahia, Tocantins e Goiás já existiam famílias norte-americanas lá instaladas.

Preço da terra, por hectare: 3 mil dólares nos EUA e 600 dólares no Brasil.

Não por coincidência, há dois anos, o milionário Ted Turner, criador da rede de televisão CNN e ex-marido de Jane Fonda, deu declarações à imprensa comentando que o negócio de maior futuro e mais garantido seria produzir álcool no Brasil.

Questão tributária

O álcool brasileiro continua chegando aos Estados Unidos mais barato do que o etanol deles, extraído de milho ou sorgo.

A única diferença é de que nosso álcool é hoje exportado para os EUA com escala no Caribe, onde nem é descarregado, apenas troca de nota fiscal.

Atualmente, os Estados Unidos cobram US$ 0,54 para cada galão de etanol brasileiro que entra em seu território.

O imposto é válido até o final de 2009.

Brasileiros também investindo

Nem só de invasão de investimentos estrangeiros viverá o negócio do álcool no Brasil.

O empresário do segmento de cosméticos Nilton Bonim também está construindo uma usina na cidade de Umuarama.

A unidade deverá entrar em operação na safra 2007/08.

Da mesma forma, a Etanalc, do empresário do ramo imobiliário Áureo Luiz de Castro, já anunciou parcerias para projetos, num total de US$ 4,2 bilhões, para a construção de usinas em Estados sem tradição na produção de etanol, como o Tocantins.

País das Usinas

O Brasil vai ganhar em média uma usina de álcool e açúcar por mês nos próximos seis anos.
Atualmente com 336 unidades, deve chegar a 409 até o final da safra 2012/2013.

Investidores brasileiros e estrangeiros, com tradição ou não no setor, vão aplicar US$ 14,6 bilhões no período.

Fora as 73 usinas confirmadas, há hoje no Brasil 189 consultas em andamento, tanto para construção como para ampliação de unidades.

A informação é da Dedini S.A. Indústrias de Base, que detém 50% das vendas de equipamento para usinas de açúcar e álcool, e que atingiu a marca do R$ 1 bilhão de receitas no ano passado.

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