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15 dezembro 2005

APARTAMENTO 403 - parte II

(Leia a Parte I antes de continuar)

A porta ecoa um pequeno rangido e aquele curto momento parece se estender em horas sem fim. Uma sensação do tipo: “O que estou fazendo aqui?” soa dentro de mim. “Você pode ignorar isso e voltar para casa. Você só queria um comprimido para a dor de cabeça”. Pensamentos povoam minha mente parecendo uma luta entre o bem e o mal.

Há três anos me mudei para este prédio. Parecia um lugar calmo. Aos poucos fui descobrindo que não era tão calmo quanto eu imaginava. No andar onde moro há quatro apartamentos do tipo: pares de um lado, ímpares do outro. Com pouco mais de um ano já sabia um pouco da vida dos meus vizinhos mais próximos.

Sempre houve sossego no 404, talvez porque lá mora um casal de idosos. Às vezes os filhos e os netos vêem visitá-los: festa completa. Um outro casal ocupa o 402; o apartamento ao lado do meu. Nunca vi tanta confusão! Os gritos me tornam conhecedor da vida deles. Ela sempre imagina que ele a está traindo. “Osso!!!”

O 403 só foi ocupado há uns oito meses atrás. Ficou vazio por um bom tempo! No início uma menina alegre. Ligava o som, cantava sozinha. Coisas que justificavam a idade que aparentavam: uns 20 e poucos. Com o passar do tempo, ela parece ter se transformado. Já não aparecia durante o dia e começaram pequenos movimentos durante as noites. Cheiro de bebidas, cigarros e até maconha. Parecia ter muito poucos amigos, mas quando apareciam, uma pequena festa era feita não importando o dia.

De repente, a porta que dá acesso às escadas se abre e fecha rapidamente. Minhas horas sem fim retornam como num acordar de um pesadelo. A diferença é que minha realidade parece ser o pesadelo. Olho escadas abaixo e não vejo ninguém subir. Um enorme ponto de interrogação nasce na minha mente: “Não lembro de ter visto alguém descendo!”.

Sussurros de dor atravessam a porta já aberta. Perco meus pensamentos enquanto passos vagarosos me fazem atravessar a porta. Pedaços de vidro do que parecia ser um copo estão espalhados pelo chão juntamente com alguns comprimidos. Ergo minha cabeça e olho para a direita onde parece vir os sussurros e em meio a uma imensa poça de sangue, a jovem do 403, pálida, parece buscar um fôlego já quase inexistente.

Tento parar o sangue que sai de um dos seus pulsos com minhas próprias mãos enquanto ela parece tentar me dizer algo. “Acredito Jesus” são as palavras que consigo ouvir enquanto ela tenta me falar algo a mais. Não há tempo. Seus olhos se fecham enquanto o sangue ainda sai pelo pulso cortado.

Olho para o teto como que para o céu e vários “porque” saem pela minha boca. Ao voltar meus olhos para o rosto pálido e suas roupas ensopadas de sangue, percebo uma faca entre os dedos da sua mão esquerda. Não há pensamentos ou raciocínios em minha mente e minha mão pega a faca com sangue no corte.

“Parado. Polícia. Larga a faca.” Gritos. Não sei mais onde estou. Será que vou acordar daqui a pouco? Minha cabeça é prensada contra o chão, enquanto minhas mãos são levadas as minhas costas e presas. Não consigo reagir. Ainda não entendi o que está acontecendo...

Todos os direitos reservados ao autor - Reprodução Proibida
O descumprimento implica nas penalidades descritas em lei

05 dezembro 2005

APARTAMENTO 403 - parte I



Começa uma manhã turva de um dia sombrio. Na janela, pingos de chuva batem no vidro liso. Sobre o sofá da sala um livro ainda não lido de Stephen King. Alguns copos ainda por lavar sobre a pia. Na sala de TV, DVD´s povoam o tapete: A Lista de Schindler, Lutero, A Paixão de Cristo, a coleção completa de Deixados para Trás.

Não há muito a fazer num dia desses! São 10h, mas parecem 22h. Uma imensa nuvem negra se aproxima. Há um vento ainda suave que parece trazer algo.

Talvez hoje seja o dia de começar a ler Rebecca Brown, ou quem sabe, Dave Hunt. Ligar o som é o mais certo: DC Tallk, Audio Adrenaline, Jars of Clay, Third Day. Atirar pela janela o DVD Constantine também. A última opção é a melhor!

Pingos mais fortes tocam as janelas. A nuvem negra parece ter estacionado sobre o prédio da rua 3; e agora, trovões complementam o dia.

Minha cabeça dói: enxaqueca forte. Há algo de errado neste dia. Um sentimento estranho começa a inundar meu interior. Melhor tomar algum comprimido. A dor parece aumentar com o tempo e os comprimidos ficaram no carro.

É ruim morar no último andar de um prédio pequeno, pois elevador foi uma idéia não criada. Frio!!! O vento não parece tão amigo quanto antes e ao entrar no carro percebo minha vizinha de frente correndo na chuva e entrando rápido pela porta principal.

Ela não é muito de falar, aliás não é muito nem de sair... ao menos de dia. Hábitos noturnos. Amigos estranhos. Solidão completa.

Ligo o alarme do carro e, repentinamente, ela desce e volta a entrar. Tempo suficiente para dizer: “Olá! Jesus te ama”. Parece pouco importar. É como das outras vezes: as vezes olha, mas na maioria parece ignorar.

Uma fincada na cabeça parece perfurar meu crânio e um raio rasga o céu despencando sobre o pára-raios do prédio. Trevas!!! São 20h. Ainda bem que moro no último andar de um prédio pequeno!

O comprimido desce a seco pela garganta e as escadas se tornam grandes obstáculos. É melhor procurar uma lanterna. Mas a luz retorna assim que começo a abrir a porta do meu apartamento. Quando começo a fecha-la, um pequeno fio de água atravessa a porta do apartamento 403. Estranho. Começo a observar e a dor na cabeça parece sofrer algum alívio. O que aquele filete de água está fazendo ali; atravessando a porta e atingindo o corredor vagarosamente. Relâmpagos e trovôes!!! Após a água surge um vermelho forte.

Uma última fincada é sentida na parte de trás da minha cabeça e por fim, a chuva escolhe o momento de descer sobre a terra. Caminho lentamente e a cada passo minha temerosa suspeita vai se tornando realidade: Sangue!

Toco a campanhia. Não tive a oportunidade de saber o nome dela. Por um instante, um silêncio estranho inunda o ambiente. Até os trovões se calaram. Só o barulho da chuva para quebrar este silêncio enquanto um calafrio repentino sobe desesperadamente pela minha coluna.

Penso em abrir a porta. Não é necessário. Um vento suave se encarrega de mostrar que a porta está aberta. O que este dia mórbido estaria reservando pra mim?

Com um toque a porta começa a abrir...

Todos os direitos reservados ao autor - Reprodução Proibida
O descumprimento implica nas penalidades descritas em lei

13 novembro 2005

ESCOLHAS


Num dia azul ela abre a janela e respira a brisa doce do melhor momento.
Não há nada na mente a rejeitar.
Não há nada em volta ruim.
O sol não queima, apenas colore e aquece.

Um olhar arregalado no despertador programado para às 06:00h. São 07:00h!!!
Barba por fazer... banho rápido... um iogurte na geladeira... Reunião às 07:30h.
Não há como entender tudo o que a mente processa
E nem todos os caminhos que a vida faz.

Eles vão caminhar em sentidos opostos. Farão escolhas incomuns.
Pensarão em desistir de alguma coisa em alguns momentos.
Levantarão a cabeça e continuarão caminhando.
E numas dessas ruas do destino, olhares se cruzarão.

É um outro dia azul. Ela abre a janela. O sol e a brisa, sorrateiramente, penetram.
Café numa bandeja. Parece que ele aprendeu a despertar sem despertador.
O lençol branco desce ao chão como uma nuvem em manhã de cerração.
E numa harmonia única, beijos e mãos compartilham a essência de um dom.

Eles discordarão sobre algumas coisas. Ficarão chateados.
Pensarão em viajar para um lugar bem distante.
Refarão planos e realizarão sonhos.
E, num desses momentos mágicos da vida, comemorarão por estarem sempre juntos.

E mais um dia azul surge, brilhante, em suas janelas.
Sol e brisa, por enquanto, não podem entrar.
Ele dorme desconfortável, porém, profundamente numa poltrona;
Enquanto ela, em pé, alimenta o início de sua geração.

Duvidarão da capacidade educativa do outro.
Planejarão pontos opostos e concluirão objetivos comuns.
Imaginarão uma outra vida, de uma outra forma.
Agradecerão a Deus por terem o que tem e festejarão novos momentos.

Num dia azul, ela abre a janela e sente os braços dele a envolvê-la
O horizonte se aproxima suavemente e sutilmente.
Há duas gerações deles que prosseguirão a conquistar novos horizontes.
Eles sorriem quando o sol envolve seus corpos.

Erraram e acertaram. Foram teimosos e arrependidos. Alegres e tristes.
Choraram e sorriram. Cantaram e silenciaram. Afastaram-se e agarraram-se.
Se difícil ou complicado... Se extenso ou profundo... Se amáveis ou gentis.

Só se vive essa vida uma vez. A escolha é uma arte de uma tela só.

26/09/2005

(Proibida a Reprodução Total ou Parcial - Infrator sujeito a penalidades descritas em Lei)
(Contate-me para publicação)

FICHAS


Como você acordou hoje?
Talvez com raiva... Talvez triste... Talvez feliz
Consegue lembrar como você dormiu ontem?
E o que fez? O que pensou? O que falou?

O tempo não retorna ao ontem
Bem como as palavras soltas não podem ser presas novamente
Não se retiram os gestos feitos
E nem os sorrisos

Talvez se arrependa de não ter feito algo... ou de ter feito.
Talvez o túnel escuro permaneça há semanas.
Talvez a primavera insista em se prolongar por um tempo a mais.
Talvez nada tenha tanto sentido assim.

Lembra do futebol na rua?
Do choro meloso procurando o colo da mãe?
Lembra da cumplicidade das amizades?
E da imitação aos super-heróis?

O tempo da vida passa para todos
Não importando qual diferença possamos ter.
Faz bem analisar o que andamos fazendo dela
E buscar aprimorar o que ainda precisa.

Quem sabe reclamar menos...
Quem sabe amar mais...
Quem sabe criticar menos...
Quem sabe agradecer mais.

Todos os dias a diante podem ser melhores que o de hoje
E podemos alcançar aquilo que ainda não foi pensado.
Ainda podemos sorrir com um sorriso que nunca aconteceu
E nos recuperar dos tropeços pelo caminho.

Ainda não sei como vou acordar amanhã.
Mas entendo que posso dormir melhor hoje.
Não sei o que vou dizer amanhã
Mas sei o que posso realizar hoje.


03 e 05/08/2005


(Proibida a Reprodução Total ou Parcial - Infrator sujeito a penalidades descritas em Lei)
(Contate-me para liberação de publicação)

29 outubro 2005

CAMPO DE GOLFE


Numa pequena cidade do interior, havia um rapaz chamado Miguel. Sonhador; vivia criando sonhos e maneiras para alcançá-los. Certa vez um grupo de empresários construiu naquela cidade um belo e pomposo campo de golfe. A grande maioria da população não conhecia aquele esporte, mas todos gostaram do destaque que aquele simples lugar passou a ter depois que aquele campo fora construído.

Miguel ficou extasiado com aquele novo esporte e rapidamente arrumou emprego por lá. Quando conseguiu um tempo disponível, ele pegou um taco e correu para aquele campo colocando a bolinha na marca. Aquele era o melhor momento para ele! Respirou fundo. Mirou com extremo cuidado o buraco que estava a metros e metros de distância. Respirou fundo novamente. Movimentou os braços e... Lá foi a bolinha voando pelo céu. Ele se torceu pra ver se conseguia controlar a bolinha, mordeu os lábios, ficou na ponta dos pés... Mas a bolinha acabou indo parar bem longe do seu objetivo. Aquilo o entristeceu muito e ele voltou para casa lamentando sua falha e resolveu que iria ficar sem tentar por um tempo.

Trabalhava, trabalhava e trabalhava. Casa/trabalho, trabalho/casa. Até saia para se divertir, mas tinha receio de tentar jogar a bolinha novamente e errar. Ele queria muito acertar, desejava muito alcançar seu objetivo, mas não queria sentir a dor daquela frustração novamente.

Enfim, numa bela manhã, Miguel levantou da cama disposto a fazer mais uma tentativa e assim, como da outra vez, fez todo o ritual: mirou o distante buraco, se encheu de força e mandou o taco na bolinha. E lá foi ela voando novamente pelo céu. E lá estava ele torcendo para acertar. Mas, infelizmente, novamente a bolinha caiu longe do buraco e Miguel largando o taco por ali mesmo foi para casa. Decepção e frustração; mais uma vez ele estava muito triste. Mais uma vez, tentou e não conseguiu. Abatido para uma nova tentativa, acabou resolvendo esquecer aquilo tudo e voltar a sua rotina.

Muitas coisas aconteceram e com o passar do tempo, Miguel fez algumas outras tentativas; mas sempre existia um longo período entre uma tentativa e outra; e ele sempre se entristecia muito com seus erros.

Num determinado momento da sua vida, ele se posicionou no mesmo lugar que antes naquele gigantesco campo de golfe. Tudo parecia igual, mas estava diferente. Os erros anteriores tinham dado a ele experiência e já conseguia administrar melhor seu emocional. A bola estava na marca. O buraco bem longe. O taco era o melhor. Ele chegou a checar a posição e a velocidade do vento através das árvores. Respirou bem fundo e... Não tinha coragem/força para tentar. Agora, porém, existia um novo e gigantesco problema: As frustrações de antes criaram feridas que o faziam crer em mais um erro, em mais uma dolorosa decepção.

Ao longe, um senhor com uma certa idade, observou a luta que Miguel tinha consigo mesmo e resolveu se aproximar. Suavemente o cumprimentou e começou a contar algumas histórias da sua vida. Miguel não dava muita atenção, queria apenas que uma força surgisse de algum lugar e o fizesse lançar aquela bola. Mas entre uma conversa e outra, aquele senhor começou a contar: “_Certa vez, meu pai colocou nas minhas mãos um taco como este seu e disse: “_Filho, neste esporte é necessário ter muita paciência e é fundamental que absorvamos dos erros os nossos acertos de amanhã.” Lembro o quanto foi difícil! Mas meu pai sempre falava: “_Filho, não desanima, continue buscando acertar. Seus objetivos são puros e bons. Não deixe que nada retire sua força e lembre-se, sempre estarei aqui.” Confesso que por algumas vezes quis desistir, mas as palavras do meu pai sempre vinham a mente e acabavam por me dar a força que necessitava. E de tanto buscar e tentar acabei chegando ao campeonato profissional!”

Miguel, atônito, não conseguia sequer piscar os olhos ouvindo aquela história. Quando de repente o senhor olhou fixamente nos olhos dele e disse: “_Sabe qual foi o melhor de tudo isso filho?” Miguel apenas balançou a cabeça negativamente. Não conseguia falar e assim continuou aquele senhor: “_Descobri que são necessárias algumas derrotas e frustrações na vida, para que possamos alcançar alguns objetivos. Descobri que não adianta querer as coisas rápidas demais, pois posso não estar preparado para recebê-las. Descobri que as lições que aprendi errando foram ótimos suportes mesmo quando eu estava bem”. E com os olhos lacrimejando aquele senhor finalizou: “_Meu pai não viu eu ser campeão, mas me falava sempre que Deus – Pai de todos nós – vibrava quando a gente continuava lutando por nossos sonhos. Quando ergui aquela taça algo disse em meu coração: “_Eu sabia que você chegaria aqui. Você pode alcançar o que quiser... eu sempre estarei contigo”. Miguel começou a chorar e a soluçar, e abraçando aquele senhor disse: “_Hoje entendo o que antes não percebia. Sempre vou lutar por meus sonhos e não vou deixar que minhas frustrações antigas venham atrapalhar minhas oportunidades de hoje”. Sorrindo aquele senhor se despediu daquele rapaz e após enxugar com as mãos as lágrimas, Miguel não o viu mais. Nunca mais.

Algum tempo se passou e quando Miguel levantou, com lágrimas nos olhos, a taça de campeão do mundo; ele avistou aquele senhor e pode ler em seus lábios: “_Eu sabia que você chegaria até aqui!”
Riva Costa 06/11/2003

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- Registrado sob o nº 339.379 -

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